
A conclusão é simples: o critério
que determina a exibição dos filmes e a sua cobertura pela imprensa não é, como
deveria ser, o da qualidade, nem o da pluralidade e diversidade cultural, nem o
da integração entre as diferentes nações. É o do mercado. Quem pode, manda
mais. E é isso o que acontece no Brasil e em vários países no mundo.
Assistimos a vida inteira aos
filmes de um mesmo país, a sua maneira de ver as coisas e os seus interesses.
Os cinemas e a programação das TVs são ocupados quase que exclusivamente por
filmes dos Estados Unidos, enquanto os de todas outras nacionalidades têm que se contentar com as sobras. Essa é
realidade! Deixamos, assim, de ter acesso a centenas de excelentes filmes
produzidos no mundo inteiro. E depois a imprensa ainda fala em
"globalização", termo mais relacionado à economia, mas muito
utilizado para dar uma falsa noção de que hoje em dia, com as modernas mídias,
as pessoas conheçam mais sobre os demais países do mundo. Não é verdade!
Nós, brasileiros, continuamos
ignorando a cultura dos nossos vizinhos, por exemplo. A enorme maioria dos
brasileiros nunca assistiu a um filme latino-americano, apesar de o Brasil
fazer fronteira com nove países latinos como nós. E, por incrível que possa
parecer a muita gente, o Oscar não é o único prêmio internacional de cinema.
Existem outros. A Espanha, por exemplo, premia todos os anos os melhores filmes
de seu país, e na categoria de 'Melhor Filme Estrangeiro de Língua Espanhola'
filmes latino-americanos. É o Prêmio Goya, praticamente desconhecido do grande
público.
Se os critérios para exibição de
filmes nos cinemas e TVs no Brasil fossem outros, não faltariam opções. Existem
muitos filmes de excelente qualidade sendo produzidos no mundo inteiro,
inclusive na América Latina. Mas eles continuam sendo, na sua maioria,
ignorados por aqui. Duas excelentes exceções são a Rede Brasil, que exibe o
"Soy Loco por ti Cinema", às sextas às 0h30 e aos domingos às 22h30,
e o Canal Brasil, que exibe o "Cone Sul" aos domingos à meia-noite.
Eu costumo procurar assistir a
filmes não pela sua nacionalidade, mas pela estória que apresentam. E já
assisti a vários filmes estrangeiros excelentes feitos na Espanha, na França,
na Argentina, em Cuba, no Chile, por exemplo. E teria assistido a muitos outros
mais se me dessem o direito de escolha, e se houvesse outras opções para
assistir a não ser em sua maioria produções de Hollywood. O Brasil precisa
urgentemente se abrir aos filmes produzidos pelo mundo afora, em especial aos
latino-americanos. Queremos conhecer de tudo, e não termos nossas opções
limitadas pela força econômica do país produtor. É isso, queremos mais de tudo! fr
2 comentários:
Em PORTUGAL e ANGOLA , já partiram os muros. É novelas Brasileiras de manhã a noite. Cantores de Música Brasileira que são tratados com todo carinho. Jogadores de futebol que marcam um gol decisivo, e já querem sair para o REAL ou BARCELONA. E outro fênomino, a cada esquina já tem uma IURD.
O texto está abordando exlusivamente filmes nas TVs e nos cinemas.
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