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segunda-feira, 6 de março de 2023

Palácio de Cristal em Petrópolis I


        O Palácio de Cristal foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1884 com um baile que contou com a presença da princesa Isabel e do marido, o conde D’Eu. Fica localizado na Rua Alfredo Pachá s/nº, na Praça da Confluência, no Centro de Petrópolis, com entrada gratuita. Pelo projeto original, seriam utilizados cristais importados da Bélgica, daí o nome, mas o Palácio é feito de vidro.
        O Palácio foi encomendado pelo conde D’Eu, inspirado no Palácio de Cristal de Londres e no Palácio de Cristal do Porto. A sua estrutura pré-moldada em ferro fundido foi construída nas oficinas da Societé Anonyme de Saint-Sauveur, na cidade de Arras, na França, e montada posteriormente na cidade serrana sob a responsabilidade do engenheiro Eduardo Bonjean.
      Muitos dizem que o conde D’Eu quis dar o Palácio como presente à sua esposa, a princesa Isabel, para ela cultivar hortaliças variadas. Porém, essa informação é contestada por vários historiadores, que a consideram apenas uma versão romantizada. O objetivo seria abrigar exposições de flores, pássaros e produtos agrícolas, realizadas naquele local desde 1875, já que o conde D’Eu era presidente da Sociedade Agrícola de Petrópolis.
       Em 1888, foi justamente no Palácio de Cristal que a princesa Isabel realizou uma cerimônia de entrega de cartas de alforria a escravos locais. Após a proclamação da República, no ano seguinte, o Palácio passou por um longo período de pouco prestígio, permanecendo fechado ou tendo finalidades bem diversificadas.
        O Palácio Cristal de Petrópolis quase passou a sediar definitivamente o Museu Histórico de Petrópolis em 1938, quando foi coberto por tijolos e folhas de flandres, material laminado feito com ferro e aço. Mas, a decisão foi revertida e o projeto foi transferido para onde está localizado hoje o Museu Imperial da cidade.
      Em 1960, o Palácio esteve ameaçado de ser demolido para a construção de um complexo esportivo, o que somente não aconteceu devido à mobilização de historiadores. No jardim do Palácio chegaram a construir uma quadra poliesportiva, que somente foi desfeita já na década de 1970, a fim de refazer a área original.
       Em 1º de setembro de 1960, o Palácio e a Praça da Confluência conseguiram uma proteção histórica provisória pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através da notificação nº 833, com o seu tombamento. O tombamento histórico definitivo, por sua vez, veio a ocorrer em 1967, pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
        O Palácio de Cristal é administrado pela prefeitura de Petrópolis e recebe eventos, como a Serenata Imperial e a Bauernfest, esta em homenagem aos imigrantes alemães, além de exposições. No Natal, o local recebe vários enfeites, como se pode ver nas minhas fotos, que eu fiz em dezembro do ano passado. O Palácio de Cristal esteve fechado para reformas durante quase três anos, tendo sido reaberto em julho do ano passado. Fontes principais da minha pesquisa: Wikipédia, ipatrimônio e brasiliana fotográfica BN. fr

Palácio de Cristal em Petrópolis II

 

Palácio de Cristal em Petrópolis III

Carlos Drummond de Andrade sobre os 100 anos do Palácio de Cristal (JB 02.02.1984)

domingo, 5 de março de 2023

Relógio das Flores - Petrópolis


Outro local bastante conhecido e procurado por turistas que eu visitei quando estive em Petrópolis foi o Relógio das Flores, localizado na Rua Barão do Amazonas, em frente à Universidade Católica de Petrópolis. É um relógio eletrônico ornamentado por flores e que tem o seu motor central localizado dentro do prédio da universidade, de onde impulsos são emitidos fazendo um outro motor, menor, movimentar-se e acionar os ponteiros. O funcionamento 24 horas é garantido por duas baterias internas, que são acionadas quando ocorre queda de energia. O Relógio das Flores foi idealizado pelo jornalista Sylvio de Carvalho e inaugurado em 1972, durante as comemorações dos 150 anos da Independência do Brasil. No atual prédio da universidade funcionaram dois hotéis, o Hotel Orleans e o Palace Hotel, este também tinha um cassino operando legalmente, em uma época que o jogo de cassinos era permitido no Brasil. O Palace Hotel era frequentado pelo próprio imperador D. Pedro II e por Santos Dumont. O inventor do avião morou um tempo lá, enquanto a sua residência de verão, a Casa Encantada, atualmente um museu, localizada bem próximo, estava em obras. Era nesse hotel que Santos Dumont fazia as suas refeições, já que a sua casa foi projetada sem uma cozinha. Há, inclusive, um busto em homenagem a Santos Dumont ao lado do Relógio das Flores.fr

sábado, 31 de dezembro de 2022

Estátua de D. Pedro II em Petrópolis


A estátua de D. Pedro II fica na Praça de mesmo nome no Centro de Petrópolis, foi inaugurada em 5 de fevereiro de 1911 e é a primeira feita em homenagem ao imperador brasileiro no país. Ela é de bronze, está situada sobre um pedestal de granito e é de autoria do escultor francês Jean Magrou. D. Pedro II nasceu no Palácio Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, atualmente o Museu Nacional, em 2 de dezembro de 1825. Em 7 de abril de 1831, o seu pai, D. Pedro I, abdicou do trono brasileiro para lutar em Portugal contra o próprio irmão, D. Miguel, pelo trono português. Em seu lugar, deixou o filho, à época com apenas sete anos incompletos, dando início ao período regencial. Até o ano de 1840, o Brasil teve quatro regências, aguardando o menino completar 18 anos. Durante esse tempo, Pedro foi preparado para assumir o governo brasileiro, recebendo uma educação de alto nível, o que o tornou um homem muito culto. Devido à instabilidade política no país, a sua maioridade foi antecipada em 23 de julho de 1840, quando ele ainda estava com 14 anos. Em 18 de julho de 1841, foi coroado como D. Pedro II.  O seu nome completo é Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Governou durante quase cinco décadas, sendo derrubado em 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República e D. Pedro II e sua família foram obrigados a deixar o Brasil. Faleceu em 5 de dezembro de 1891; os restos mortais dele e de familiares estão na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, desde 1925, conforme eu conto na postagem de ontem. fr

Homem culto, D. Pedro II governou o Brasil por quase 50 anos

Foto: acervo FBN
Inauguração da sua estátua em Petrópolis, a primeira do Brasil, em 1911

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Catedral São Pedro de Alcântara, Petrópolis

            Petrópolis fica na região serrana do estado do Rio de Janeiro, e tem esse nome em homenagem a D. Pedro II (1825-1891), com a união da palavra em latim ‘Petrus’ (Pedro) e ‘Pólis’, em grego (cidade). Fundada por iniciativa do imperador brasileiro, que determinou a povoação da região com a vinda de imigrantes alemães, substituindo a mão de obra escrava. Petrópolis é considerada a segunda cidade projetada do Brasil e durante o verão recebeu por anos D. Pedro II e sua família, atraídos pelo clima mais ameno em relação à capital, o Rio de Janeiro.
        Eu estive na cidade este mês, e vou publicar no meu blog informações importantes sobre alguns pontos turísticos e históricos que visitei. A Catedral São Pedro de Alcântara, Diocese de Petrópolis, é dedicada em homenagem ao santo padroeiro da cidade. É onde estão os restos mortais de D. Pedro II; de sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina; da filha princesa Isabel, do marido, conde D’Eu e do filho mais velho do casal, o príncipe Pedro de Alcântara, e sua esposa, Elisabeth de Dobrzenicz.
        No início do século 19, Petrópolis já tinha uma Igreja Matriz, mas era um prédio pequeno e bem modesto. No plano de urbanização da cidade, de 1843, idealizado pelo engenheiro major Júlio Frederico Koeler, foi incluída a construção de uma nova Matriz, maior e mais moderna. O projeto, porém, demorou anos para sair do papel, e a nova igreja somente começou a ser construída em 1884, com a presença de D. Pedro II e da princesa Isabel no lançamento da pedra fundamental. O projeto ficou sob a responsabilidade do engenheiro e arquiteto baiano Francisco de Azevedo Caminhoá, que optou por uma construção no estilo neogótico.


        As obras seguiram devagar, devido à dificuldade de recursos. Em 15 de novembro de 1889, a República foi proclamada no Brasil e D. Pedro II e sua família foram obrigados a deixar o país. Dois anos depois, os trabalhos da construção da nova igreja foram interrompidos, apenas sendo retomados em 1918, sob o comando do engenheiro Heitor da Silva Costa, um dos responsáveis pela construção do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Apenas em 29 de novembro de 1925 a nova Matriz de Petrópolis foi inaugurada, quatro décadas após o início de sua construção.
        Mesmo assim, ainda faltava muita coisa: a fachada principal, a torre e grande parte da decoração interna. A fachada foi concluída na década de 1930, e a torre somente na década de 1960. A Catedral de Petrópolis mede 70 metros de comprimento e 22 metros de largura, e as naves têm 19 metros de altura. O carrilhão tem cinco sinos de bronze fundido na Alemanha, pesando nove toneladas, e o órgão, o maior da América Latina, com os seus 2.227 tubos, foi fabricado no Rio de Janeiro em 1937, projetado por Guilherme Berner.
        O presidente Epitácio Pessoa revogou, em 1920, a proibição de D. Pedro II e sua família voltarem ao Brasil. No ano seguinte, os restos mortais do ex-imperador e de sua esposa, D. Teresa Cristina, foram transferidos do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a antiga Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, que fica no Centro da cidade. Em 1925, passaram a ficar na sacristia da Catedral de Petrópolis. E em 5 de dezembro de 1939, o presidente Getúlio Vargas inaugurou o Mausoléu Imperial na Catedral, onde passaram a repousar os restos mortais dos ex-imperadores.
        Em 1971, também foram transferidos da França para o Mausoléu os restos mortais da princesa Isabel e de seu marido, o conde D’Eu. E em 1990, o Mausoléu também recebeu os restos mortais do neto dos ex-imperadores, o filho mais velho da princesa Isabel, D. Pedro de Alcântara, e sua esposa, Elisabeth Dobrzensky. Como se pode ver pelas minhas fotos, no centro está o túmulo de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, com as suas imagens feitas em mármore de Carrara pelos artistas francês Jean Magrou e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso.


        À esquerda, está o túmulo da princesa Isabel, e à direita o de conde D’Eu, separados por terem chegado depois da construção do Mausoléu. E à direita do conde francês estão o neto D. Pedro de Alcântara e sua esposa. Os vitrais coloridos têm poemas escritos pelo próprio D. Pedro II. Eu lamento que o Mausoléu Imperial está cercado por grades, impedindo a aproximação das pessoas, é uma pena! A intenção provavelmente é impedir eventuais depredações, mas, mesmo assim, é até uma vergonha ver como nós, brasileiros, somos vistos em nosso próprio país. Será que não haveria outra maneira de proteger os túmulos sem fechar o Mausoléu todo com grades?
        A Catedral de Petrópolis esteve fechada por mais de um ano para obras de restauração, tendo sido reaberta apenas no dia 1º de julho deste ano. Quem desejar, ainda pode subir à área superior da Catedral, logo abaixo do telhado, onde se pode ver algumas peças sacras, exceto durante as missas. Mas a visita é paga, e tem que torcer que o guia esteja disponível no momento em que você for à Catedral, o que não foi o caso do dia em que fui. Não há nenhum aviso com orientação de dias e horários da visita na entrada ou no interior da igreja. A Catedral de Petrópolis foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1980. fr

A catedral de Petrópolis e o seu lindo interior

 

Os restos mortais de D. Pedro II e sua família estão na Catedral de Petrópolis