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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O Rio de Janeiro tem um bunker da Segunda Guerra Mundial na Praça do Expedicionário, no Centro da cidade


Muitos não sabem, mas no Brasil também foram construídos bunkers durante a Segunda Guerra Mundial. Bunkers são abrigos subterrâneos utilizados para a proteção de ataques, no caso os possíveis ataques de aviões inimigos com bombas. Em 1942, durante o governo de Getúlio Vargas, o Brasil entrou na guerra, junto aos países aliados, e o Rio de Janeiro ainda era a capital do país, passando a ser um alvo de possíveis ataques aéreos alemães. Felizmente, isto nunca aconteceu. Mas vários bunkers foram construídos, principalmente na capital, e dezenas deles sobreviveram no tempo, a maioria adaptados atualmente como garagens, principalmente em prédios residenciais em Copacabana, mas, também, no Flamengo, Ipanema, Humaitá e Centro. Esses abrigos precisavam ter lajes de concreto armado que suportassem o impacto de 1.500 quilos. E um desses bunkers, o único que que chegou a ser concluído no Centro do Rio, é onde fica a atual Praça do Expedicionário, com 13 mil metros quadrados de área e localizada ao lado da Avenida Presidente Antônio Carlos e do Palácio da Justiça, sede do Tribunal de Justiça do estado do Rio. À época, os prédios dos ministérios funcionavam bem próximos, com a concentração de centenas, talvez alguns milhares de funcionários públicos, além de outras pessoas que frequentavam a região, o que a tornava um alvo em potencial de possíveis ataques alemães. Eu passo por lá diariamente. Não existe mais uma entrada aberta ao público para o bunker, as entradas são somente para pessoal autorizado. Pelo que eu pesquisei, na época da sua construção havia uma rampa de acesso que ligava o outro lado da Avenida Antônio Carlos até as entradas públicas dos bunkers, a fim de agilizar o deslocamento rápido das pessoas que trabalhavam nos ministérios, assim que soassem as sirenes avisando o possível ataque. Eu não encontrei registros de um possível nome anterior da Praça do Expedicionário. Ela foi revitalizada e reinaugurada em 16 de janeiro de 2016, recebendo esse nome para homenagear os brasileiros que fizeram parte da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que participou dos combates na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, integrada às tropas dos Estados Unidos. No local, estão o monumento em homenagem ao barão do Rio Branco, com 31 metros de altura, de autoria do escultor francês Félix Maurice Chapentier com a colaboração do escultor brasileiro Hildegardo Leão,inaugurado em 1943; e a estátua de Rui Barbosa. As pessoas passam pela praça todos os dias mas nem fazem ideia de que estão pisando em cima de um bunker da Segunda Guerra Mundial! 
fr

sábado, 21 de outubro de 2023

Dica de livro: “O Tatuador de Auschwitz”, Heather Morris

“O Tatuador de Auschwitz”
, Heather Morris, tradução de Carolina Caires e Petê Rissatti; 2ª edição, São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2019, 240 páginas.
         Baseado no testemunho de um sobrevivente dos horrores do nazismo. O judeu Ludwig Eisenberg, conhecido como Lale, de 24 anos, foi enviado pelos nazistas de sua cidade, Krompachy, na Eslováquia, em 1942, para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. “Lale faz uma promessa a si mesmo. Vou sobreviver e sair deste lugar. Vou sair daqui como um homem livre. Se o inferno existir, vou ver esses assassinos queimarem nele.” Após se salvar de morrer de tifo, Lale foi colocado na função de tatuador dos números de identificação nos braços dos prisioneiros, homens e mulheres, passando a ter algumas regalias, que lhe permitiram ajudar, às escondidas, os companheiros com comida e até salvar alguns da morte.
        Durantes três anos, Lale presenciou o que de pior o ser humano pode ter para demonstrar, com torturas e assassinatos cruéis. Os prisioneiros eram obrigados a se sujeitar a trabalhos indignos para continuar vivos, como carregar os corpos das câmaras de gás para os fornos crematórios. Ele apaixonou-se por Gita, uma prisioneira também de seu país, e passaram a se relacionar, aproveitando os favores que Lale conseguia com os nazistas e os “kapos”, os prisioneiros que eram designados para supervisionar o trabalho em Auschwitz. Lale também relata a presença no campo do médico alemão Joseph Mengele, que ficou conhecido como o “anjo da morte”. Os acontecimentos relatados no livro foram contados pelo próprio Lale à autora durante três anos, quando ele já estava idoso e dizia estar se preparando para morrer, não sem antes contar a sua história, segundo ele, para que aquilo nunca mais se repetisse. Heather Morris faz questão de fazer o registro:
       “Esta é uma obra de ficção baseada no testemunho em primeira mão de um sobrevivente de Auschwitz; não é um registro oficial dos eventos do Holocausto. Há muitos relatos que servem como documentos aos fatos daquela terrível história, com muito mais detalhes do que um romance como este poderia abranger, e eu recomendo vivamente ao leitor interessado que os procure. Lale teve contato com muito mais guardas e prisioneiros durante seu período em Auschwitz-Birkenau do que o descrito nestas páginas; em alguns momentos, criei personagens que representam mais que uma pessoa e simplifiquei certos eventos. Embora alguns encontros e certas conversas aqui tenham sido imaginados, não há dúvida de que os eventos desta história ocorreram, em grande parte, conforme descritos, e todas as informações apresentadas como fatos foram devidamente documentadas e pesquisadas.” fr 

sábado, 14 de outubro de 2023

Dica de filme: "O Destino de Haffmann"

O DESTINO DE HAFFMANN (“Adieu Monsieur Haffmann”)
Coprodução França e Bélgica, Drama, Segunda Guerra Mundial; 2022
Direção: Fred Cavayé
Com: Daniel Auteuil, Gilles Lellouche, Sara Giraudeau
1941, em Paris, durante a Segunda Guerra Mundial, o joalheiro judeu Joseph Haffmann (Daniel Auteuil) tenta fugir com a família da zona ocupada pelos nazistas. A esposa e os três filhos seguem para a chamada zona livre francesa, não dominada pelos alemães. Haffmann passa a loja e a casa para o nome de seu funcionário, François Mercier (Gilles Lellouche), com a condição de retomá-las após o fim da guerra, quando o ajudaria a abrir a sua própria loja, o sonho dele. Porém, quando Haffmann vai atravessar para a zona livre, os alemães tinham fechado as passagens e coiote que o levaria desiste de fazê-lo, com medo. Haffmann passa a esconder-se no porão da sua antiga casa, trabalhando, fazendo as joias; e o seu quarto é ocupado pelo casal. Mercier explora o trabalho do antigo patrão, ganhando muito dinheiro e tornando-se ambicioso. A convivência entre eles piora ainda mais quando Mercier propõe um acordo a seu antigo patrão. Como ele não conseguia engravidar a esposa, Blanche (Sara Giraudeau), que não tinha nenhum problema de saúde, pede a Haffmann para engravidá-la, com o consentimento de Blanche. fr

“O Destino de Haffmann” (trailer)

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Dica de filme: "A Estrada 47"

A ESTRADA 47
Brasil, 2015, Segunda Guerra Mundial
Direção: Vicente Ferraz
Com: Daniel de Oliveira, Francisco Gaspar, Júlio Andrade, Ivo Canelas, Sergio Rubini, Thogun Teixeira, Richard Sammel
Baseado em acontecimentos reais, filmado na Itália. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de jovens brasileiros sem experiência militar são enviados para lutar na Itália. Durante um dos combates, uma unidade antimina da FEB (Força Expedicionária Brasileira) entra em pânico e acaba se perdendo do restante do seu batalhão. Para não serem considerados desertores, eles decidem enfrentar o inimigo e liberar a Estrada 47, repleta de minas explosivas, para o avanço das tropas dos Estados Unidos. O diretor Vicente Ferraz é também autor do roteiro e utilizou em sua pesquisa diários, cartas e entrevistas dos combatentes brasileiros. O filme recebeu várias indicações em festivais de cinema, tendo vencido o de Melhor Filme no Festival de Gramado. Participação do ator alemão Richard Sammel e do ator italiano Sergio Rubini. O filme é uma coprodução do Brasil, Portugal e Itália. fr

"A Estrada 47" (trailer)

domingo, 22 de janeiro de 2023

Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial (I)


    O Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, ou simplesmente Monumento aos Pracinhas, é onde estão os restos mortais dos brasileiros que morreram durante os combates na Itália, nos anos de 1944 e 1945. Está localizado na Av. Infante Dom Henrique nº 75, no Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, mais conhecido como Aterro do Flamengo, e foi concebido pelo marechal João Batista Mascarenhas de Moraes, que comandou a FEB (Força Expedicionária Brasileira) durante a guerra. Eu visitei o Monumento, tirei muitas fotos e vou contar um pouco da sua história. Eu tenho conhecido bastante o Rio de Janeiro, indo a lugares que a maioria das pessoas que nascem e moram a vida inteira na cidade nunca foram.
      O Monumento foi projetado pelos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas Marinho, escolhidos através de um concurso nacional. O projeto estrutural foi de responsabilidade do engenheiro Joaquim Cardozo. As obras tiveram início em 24 de julho de 1957 e a inauguração ocorreu em 5 de agosto de 1960. Em 20 de junho do ano seguinte uma comissão de repatriamento viajou para a Itália a fim de providenciar a exumação dos 468 corpos sepultados no cemitério militar brasileiro na cidade de Pistoia, local cedido pelo governo da Itália em reconhecimento ao esforço dos brasileiros para a libertação do seu país. Os restos mortais chegaram ao Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1960 em caixas individuais de zinco e armazenadas em urnas de madeira.


        Na semana seguinte, no dia 22, as urnas foram depositadas nos jazigos do Mausoléu, localizado no subsolo do Monumento Nacional aos Mortos, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek. Uma das urnas não tem identificação e passou a homenagear o “soldado desconhecido”, uma referência aos corpos dos brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial e nunca identificados. Essa urna foi depositada por Juscelino na base do Pórtico Monumental, em destaque. Em uma das fotos que eu vi no mausoléu, tem uma observação que destaco por ser muita interessante:
        “Dentre os militares do Exército, estavam alguns ‘Soldados Desconhecidos’, porém a nomenclatura correta seria ‘ soldados não identificados’, uma vez que a FEB possuía os nomes daqueles que tombaram em combate, não sendo possível, entretanto, realizar a identificação dos mesmos, devido a diversos fatores.”
        Subindo pela escadaria, o visitante tem acesso à plataforma, construída com concreto armado a 3,5 metros do solo. Nela está o Pórtico Monumental com as suas duas colunas de 31 metros de altura que simbolizam “dois braços levantados com as mãos abertas pedindo graças aos céus”, de acordo com publicação oficial do Exército. Sobre elas está uma placa com 220 metros quadrados de superfície, e em sua base está o Túmulo do Soldado Desconhecido, onde fica uma pira permanentemente acesa. No dia em que visitei, ela estava apagada devido à chuva.
        À direita, está uma escultura metálica de autoria do arquiteto Júlio César Catelli Filho, de 19 metros de comprimento e seis toneladas, em homenagem à FAB (Força Aérea Brasileira). Ainda segundo a publicação do Exército, ela representa o símbolo da aviação. E mais ao lado as esculturas em granito do escultor Alfredo Ceschiatti homenageando os pracinhas das três Forças Armadas, com cinco metros de altura: um marinheiro, um soldado e um aviador. Todos os meses ocorrem a cerimônia da Troca da Guarda, com a alternância entre o Exército, Marinha e Aeronáutica, responsáveis pela conservação do monumento.
      Próximo à entrada do prédio, estão dois painéis em lajotas de cerâmica esmaltadas e vidradas, do artista plástico Anísio Araújo de Medeiros; um em homenagem à Marinha de Guerra e outro à Marinha Mercante. O Monumento tem uma sala de exposição permanente com objetos dos soldados brasileiros utilizados durante a Segunda Guerra, onde é possível ver armas, uniformes, fotos, troféus, condecorações, por exemplo. Por questão de segurança, os armamentos expostos estão inoperantes. O painel em afresco “Guerra e Paz”, de autoria do mesmo artista, preenche praticamente toda uma parede. O Exército colocou uma placa identificando a obra, mas equivocou-se ao identificar o autor como Anísio Araújo de “Madeiros”.
        
        
        No subsolo, fica o mausoléu, com os jazigos dos 468 brasileiros mortos durante os combates na Itália, 13 deles não puderam ser identificados. E, ainda de acordo com a publicação oficial do Exército, dois “possuem as lápides brancas e são destinados a receber os restos mortais de dois soldados: um não foi encontrado até a presente data, e o outro está sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia”, simbolizando a presença brasileira na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Em uma das paredes do Mausoléu, podem-se ver os nomes gravados dos mortos da Marinha Mercante, da Marinha de Guerra e do Exército. Os jazigos estão relacionados em ordem alfabética.
        O Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial é de responsabilidade da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército. Ele tem uma área total de dez mil metros quadrados, sendo 6.850 metros quadrados dos seus três níveis: o que fica no nível do solo; o superior, onde está a plataforma; e o subsolo. O Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, o Parque do Flamengo, é tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o que inclui o Monumento. O governo de Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942, em resposta à pressão da população, revoltada com o afundamento de navios brasileiros por submarinos daqueles países, que resultou em centenas de mortes. A FEB foi criada em 9 de agosto de 1943, mobilizando mais de 25 mil brasileiros enviados para a Itália durante os anos de 1944 e 1945, para lutar sob o comando dos Estados Unidos.
        Milhares de jovens saíram do Brasil para lutar na Itália em defesa das liberdades e contra o fascismo. Centenas morreram, outros tantos voltaram feridos e muitos com sintomas de trauma psicológico. O fascismo e o nazismo foram derrotados, mas, hoje em dia, pouco se fala do sacrifício desses jovens, infelizmente. As guerras são iniciadas por quem não as lutam, muitos são vítimas das guerras e uns poucos lucram com elas. Fontes principais de informação que eu usei: “Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial”, publicação do Exército; Wikipédia. Nas situações em que eu encontrei dados com mais de uma informação, como ocorreu com o número exato de jazigos no mausoléu, o mês de início das obras e a inauguração do Monumento, eu utilizei os dados da publicação oficial do Exército. fr

Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial (II)

Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial (III)

 

Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial (IV)

 

Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial (V)

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

"O menino do pijama listrado" (trecho)

Dica de filme: "O menino do pijama listrado"

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
(“The boy in the striped pyjamas”)
EUA-Grã-Bretanha, 2008, Segunda Guerra Mundial
Direção: Mark Herman
Com: Asa Butterfield, Jack Scanion, Vera Farmiga, David Rhewlis
Baseado no livro de mesmo nome do autor irlandês John Boyne. Durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, Bruno (Asa Butterfield) é um menino de oito anos, que precisa mudar-se com a família porque o seu pai (David Rhewlis), um oficial nazista, é promovido e enviado para chefiar um campo de concentração. Ele sente falta dos amigos, tendo que brincar sozinho. A mãe (Vera Farmiga) o proíbe de ultrapassar a porta que separava o jardim da casa do campo de concentração, que o menino acreditava ser uma fazenda, e os prisioneiros judeus, fazendeiros. Entediado, Bruno desobedece a mãe e procura explorar a “fazenda” vizinha, conhecendo Shmuel (Jack Scanion), um menino de sua idade, sempre vestido de roupa de prisioneiro, o que, para a criança, seria um pijama listrado. Separadas por uma cerca de arame farpado, e inocentes sobre o que estava acontecendo no campo de concentração, as duas crianças tornam-se amigas. Quando o pai de Shmuel desaparece (por ter sido executado), Bruno oferece ajuda para encontrá-lo. Um filme impactante, forte. Apesar de o filme não deixar claro, o campo de concentração deve ser o de Auschwitz, na Polônia ocupada, local que ficou marcado pelo uso de fornos crematórios para incinerar os judeus mortos. fr 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Nazistas alemães trabalharam nos EUA após o fim da Segunda Guerra Mundial

       Após o fim da Segunda Guerra Mundial, cientistas nazistas passaram a ajudar os Estados Unidos no desenvolvimento de projetos de construção de mísseis. Tudo em segredo. A inusitada parceria foi descoberta em 2010, quando a imprensa estadunidense teve acesso a um relatório até então mantido em total sigilo pelo governo. Conhecida como ’Paperclip’, essa operação foi desenvolvida pelo Serviço de Inteligência Militar, com a autorização do Departamento de Estado, e levou para os Estados Unidos algo em torno de 1500 alemães que lutaram na guerra pelo lado do Nazismo, entre eles cientistas, técnicos, engenheiros e seus familiares.
        O que fez com que o governo dos Estados Unidos passasse por cima dos seus discursos morais à época, e quisesse oferecer proteção àqueles que até pouco tempo antes eram os seus inimigos, foi o conhecimento e experiência que eles tinham sobre as temidas bombas alemãs usadas na guerra. As bombas-voadoras V1 e V2, construídas com mão de obra de perseguidos nos campos de concentração, bombardearam alvos aliados, principalmente localizados em Londres. No período que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial, conhecido como ‘Guerra Fria’, o conhecimento desses profissionais foi bastante cobiçado pelos dois lados, tanto os Estados Unidos, quanto o da antiga União Soviética.
       Um desses profissionais foi o engenheiro Wernher Von Braun, que teve papel de enorme relevância na construção dos mísseis alemães. Após conseguir fugir da Alemanha, passou a trabalhar para os Estados Unidos, e esteve à frente do projeto do Saturno V, utilizado pela agência espacial NASA nas missões Apollo e Skylab. Von Braun naturalizou-se estadunidense em 1955, e quatro anos depois foi condecorado com a Medalha Federal de Serviços Distintos. fr

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Frases: Anne Frank

“O que está feito não pode ser desfeito, mas podemos prevenir que aconteça novamente.”

ANNE FRANK

Participante é expulso do BBB Portugal por fazer saudações nazistas

     Um participante do programa BBB Portugal foi expulso da casa na quinta-feira, dia 28, por ter feito repetidas vezes saudações nazistas. É preocupante que jovens demonstrem tanta ignorância e falta de respeito por assuntos que todos devem conhecer minimamente, afinal o Nazismo e os horrores ocorridos em sua consequência são (ou devem ser) estudados na escola. E são mostrados em diversos documentários, reportagens e filmes, que estão à disposição de todos. Ninguém pode, ninguém tem o direito de alegar desconhecimento a esse respeito. 
     O participante, Hélder Teixeira, já havia tomado parte de uma edição anterior, em que já tinha manifestado opiniões preconceituosas contra mulheres e homossexuais. Mesmo assim, ele foi convidado pela emissora TVI para fazer parte da edição atual, da qual também fazem parte outros ex-integrantes de edições anteriores. Hélder é um técnico em eletrônica, residente na cidade de Santa Maria da Feira, no Norte de Portugal, e tem 39 anos, ou seja, não é nenhuma criança. 
     Mesmo após o comando do programa ter anunciado a expulsão do participante para os demais moradores da casa, e as razões que a justificaram, esses ainda demonstraram surpresa, fizeram questão de se despedir de Hélder; alguns ainda tentaram defendê-lo. A impressão que dá é que os participantes do programa não tinham a correta noção da gravidade do que representa fazer referências ao Nazismo. Milhões de judeus foram perseguidos, confinados em campos de concentração e mortos durante o Nazismo e a Segunda Guerra Mundial. Muitos outros milhões morreram lutando na guerra para derrotar o Nazismo. 
     É muito preocupante que os jovens portugueses pareçam desconhecer o que ocorreu durante a primeira metade do século 20. Não é possível que as escolas em Portugal não ensinem sobre esse triste período da História. Tratar de um assunto como esse como se fosse uma brincadeira inocente pode provocar que as pessoas o vejam como algo “normal”, aceitável, e ele se repita. Em Portugal, o participante do BBB foi expulso. Infelizmente, no Brasil, já ouvimos políticos com cargos públicos fazendo algo parecido, e eles não foram expulsos da política. fr

As saudações nazistas e a expulsão do BBB Portugal 2021

domingo, 4 de outubro de 2020

Anne Frank registrou em seu diário os anos de sobrevivência ao nazismo

        Em setembro, eu assisti a dois filmes baseados no livro “O Diário de Anne Frank”, que mostra os sentimentos da adolescente alemã judia de mesmo nome em seu diário durante o nazismo e a Segunda Guerra Mundial. Os dois têm o mesmo título do livro, em português. Um é estadunidense, de 1959, e em preto e branco, eu já tinha assistido há algum tempo. Outro é bem mais recente, de 2016, e é alemão. Eu registro aqui, no blog, alguns comentários meus sobre os dois. E, claro, indico ambos. Escrever sobre o assunto reforçou o meu desejo de ler o livro. 
        Antes, é importante orientar aqueles que não conhecem a história. Amsterdã, Holanda ocupada pelos nazistas, 1942, para onde Anne Frank, então com 13 anos, e sua família, todos alemães e judeus, foram morar anos antes, devido à crise econômica e ao radicalismo de Hitler na Alemanha. Eles não conseguiram sair da Holanda para fugir da crescente perseguição aos judeus na Europa. Além de Anne, a família era composta pelos pais (Otto e Edith) e a irmã (Margot), poucos anos mais velha.
 

        A irmã de Anne, Margot, foi convocada para um dos campos de trabalhos na Holanda. Desesperado, Otto decidiu se esconder, para não entregar a filha aos nazistas. Ajudados por um casal amigo, Hermine ‘Miep’ Gies e Jan Gies, passaram a morar em um sótão de um imóvel, onde funcionava uma pequena fábrica, atrás de uma porta escondida por uma estante. 
        Mais à frente, eles receberam outra família no local, os Van Pels (ou Van Daan, como anotado no diário), um casal e o filho também adolescente, com o seu gato; e, depois, ainda um outro adulto, o dentista Fritz Pfeffer, descrito no diário pelo pseudônimo Albert Dussell. Todos judeus fugindo da perseguição. O espaço, já reduzido, tornou-se ainda mais apertado, e a comida mais controlada. 
        No dia de seu aniversário de 13 anos, Anne ganhara do pai um livro de autógrafos, que ela passou a usar como diário, anotando acontecimentos e seus comentários. Ela considerava não ter amigas, apenas colegas, e passou a tratar o seu diário como um amigo de verdade, a quem podia falar sobre tudo, e deu a ele o nome de ‘Kitty’. 
        No esconderijo, ela escreveu o que acabou sendo a mais conhecida história de uma família judia durante a Segunda Guerra Mundial. Ela registrava o que acontecia no sótão, que ela chamava de ‘anexo secreto’, e registrava os seus sentimentos e opiniões. As páginas do diário ficaram todas preenchidas, e Anne teve que usar outras folhas avulsas e cadernos que pedia a ‘Miep’. 
        As oito pessoas tiveram que dividir o pequeno espaço, sem poder fazer barulho durante o expediente dos trabalhadores, nem ir à janela, para não serem vistos pelos vizinhos. Tinham que evitar serem vistos ou ouvidos, a fim de não serem denunciados às autoridades. Com o tempo, a convivência entre elas, em situação tão adversa e tensa, demonstrou-se muitas vezes muito difícil. 
      Além da diferença de personalidades, a necessidade de sobrevivência fez surgir conflitos entre elas. Anne Frank era uma adolescente em uma fase de descoberta da sexualidade, de afirmação e contestação, o que também criou atritos entre ela e os adultos. O seu jeito rebelde e sem medo de responder às pessoas incomodava. 
     Foram pouco mais de dois anos escondidos, sobrevivendo dia a dia, e suportando o medo de serem descobertos pela Gestapo e enviados a campos de trabalhos forçados. À época, eram como a maioria conhecia os campos de concentração nazistas. Aquelas pessoas precisaram abrir mão de suas antigas vidas e passaram a ter que conviver em um espaço reduzido, sem privacidade ou conforto, e tendo que dividir o pouco que tinham. 
        Em agosto de 1944, os nazistas invadiram o prédio e levaram Anne e todos os outros. Acredita-se que um dos empregados da fábrica fez a denúncia, após ter ouvido barulhos suspeitos vindo do sótão. Todos foram enviados a campos de concentração, e o único a sobreviver foi Otto Frank. Anne Frank morreu no campo de concentração de Bargen-Belsen, na Alemanha, em fevereiro de 1945, aos 15 anos. 


       O diário foi entregue a seu pai por Hermine ‘Miep’ Gies, que o tinha encontrado e guardado após a prisão de sua família. Otto Frank o publicou em 1947, e, desde então, o livro já foi traduzido para dezenas de idiomas em diversos países. Foi também considerado como patrimônio da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O pai de Anne morreu em 19 de agosto de 1980, aos 91 anos. 
       Anne escreveu em seu diário a intenção de publicá-lo, após a guerra terminar, e de se tornar uma escritora de sucesso. Infelizmente, não conseguiu viver para ver o seu desejo realizado. O diário teve início no dia do seu aniversário, em 12 de junho de 1942, quando ela começou a escrevê-lo, e sua última anotação foi no dia 1º de agosto de 1944, dias antes de sua prisão. 
       A autenticidade do diário chegou a ser contestada, e a acusação era que o pai de Anne Frank teria censurado algumas partes e inserido outras, não escritas pela filha. Houve uma investigação, que acabou por confirmar a sua autenticidade, em 2007. O imóvel onde Anne e os outros se esconderam é, atualmente, um museu, a ‘Casa de Anne Frank’, onde está o original do diário. (Fonte de referência: Wikipédia.)  fr

Dica de filme: "O diário de Anne Frank" (1959)

      The diary of Anne Frank’, filme de 1959, teve direção de George Stevens. O roteiro foi de Frances Goodrich e Albert Hackett,  que fizeram a adaptação de sua peça teatral sobre o tema, de anos antes. O filme é praticamente todo feito no ambiente em que as oito pessoas estavam, e aborda mais as relações entre elas, as brigas e o distanciamento de Anne (Millie Perkins) com a mãe, Edith Frank (Gusti Huber).

O seu pai, Otto Frank (Joseph Schildkraut), é quem contemporiza os desentendimentos e organiza as atividades, como o líder a ser seguido. Anne escreve também sobre a tímida irmã, Margot (Diane Baker), e a sua aproximação ao filho dos Van Daan, a outra família. É com Peter (Richard Beymer), de 16 anos, que ela troca os seus primeiros beijos, para o incômodo dos pais dele: Petronella (Shelley Winters) e Hans (Lou Jacobi). O outro morador do sótão é um dentista, Albert Dussell (Ed Wynn).

         Entre outras premiações, este filme venceu três categorias no Oscar de 1960: Melhor Atriz Coadjuvante (Shelley Winters), Direção de Arte e Fotografia. Ainda foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Ed Wynn), Trilha Sonora e Figurino. A atriz Shelley Winters entregou a sua estatueta à Casa de Anne Frank, em Amsterdã, onde está em exibição. O filme ser em preto e branco não é, para mim, nenhum problema, tem muitos filmes sem cores que eu já assisti e gostei. fr

Dica de filme: "O diário de Anne Frank" (2016)

        O filme ‘Das tagebuch der Anne Frank’, de 2016, tem uma abordagem diferente, concentrando-se mais no lado humano dos personagens, em especial a personalidade da adolescente, suas dúvidas e descobertas. Mostra Otto Frank, seu pai, reclamando do comportamento dos Van Daan, por exemplo, não foi mostrado no de 1959, que o retratou como uma pessoa que suportava o que eles faziam, sem se irritar.

        Após a prisão, o filme ainda mostra como terá sido a chegada das mulheres da família Frank no campo de concentração. Elas, assim como outras judias, foram obrigadas a tirar suas roupas, e tiveram os seus cabelos raspados. Evidentemente, essa passagem não foi retirada do diário, mas foi usada para finalizar o filme, que informa também que todos morreram, exceto Otto Frank.

         ‘O diário de Anne Frank’ já deu origem a muitos filmes para o cinema, televisão, desenho animado e documentários pelo mundo inteiro. Mas, esta é a primeira adaptação feita na Alemanha, país natal de Anne e sua família.  O diretor é Hans Steinbichler, e, entre os atores, cito: Lea van Acken (Anne), Ulrich Noethen (pai), Martina Gedeck (mãe) e Stella Kunkat (irmã).  fr