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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O mundo condena o bloqueio a Cuba pelo 33º ano consecutivo, mas quem manda no mundo são os Estados Unidos

A prova de que o multilateralismo não predomina no mundo é a aprovação na ONU pela enorme maioria do mundo resolução solicitando o fim do boicote liderado pelos Estados Unidos contra Cuba. Nesta quarta-feira, dia 29, a Assembleia Geral da ONU aprovou pela 33ª vez consecutiva, como faz anualmente desde 1992, resolução contra o boicote econômico, político e financeiro a Cuba, que teve início na década de 1960, ainda durante a Guerra Fria. Foram 165 países votando a favor do fim do bloqueio, inclusive o Brasil, 12 países que se abstiveram e somente sete países contra a resolução (Estados Unidos, Israel, Ucrânia, Argentina, Macedônia do Norte, Hungria e Paraguai). Como se vê, os países que ficaram ao lado dos Estados são países que dependem desesperadamente daquele país. A Ucrânia, por exemplo, precisa da ajuda dos Estados Unidos na guerra que está travando com a Rússia. A Argentina precisa daquele país também por acordos recentes firmados entre os dois países. Israel é dependente histórico da ajuda estadunidense. E por aí vai. Mas, apesar do mundo em peso condenar o bloqueio há anos, os Estados Unidos não dão a mínima! Eles fazem apenas o que querem, não se importam com o que o mundo pensa ou deixa de pensar. O bloqueio a Cuba impede que o país caribenho tenha acesso a produtos essenciais para o seu povo, inclusive medicamentos e tecnologias e receba investimentos estrangeiros que possibilitariam a melhoria da qualidade de vida da sua população. É boicote porque os Estados Unidos não fazem um embargo unilateral apenas, eles impõem aos demais países do mundo que sigam o bloqueio, porque as empresas estrangeiras que não seguirem serão proibidas de realizar negócios com a nação mais rica e poderosa do mundo. Os empresários estrangeiros, claro, acabam intimidando-se e, para não perder negócios mais vantajosos com os Estados Unidos, acabam deixando de fazer negócios com Cuba, um país pequeno. Agora, por que os Estados Unidos não fazem um bloqueio, por exemplo, contra China, a maior ditadura comunista do mundo? Porque a China tem um mercado consumidor de mais de 1,4 bilhão de pessoas e representa lucro, muito lucro! Os Estados Unidos não dão a mínima para democracia e direitos humanos, seja em Cuba ou na China, somente dão importância a dinheiro! fr

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Mais uma vez o mundo condena o bloqueio a Cuba, mas os EUA persistem na perseguição. Por outro lado, os EUA não bloqueiam ditaduras amigas ou em que possui interesses, como a Arábia Saudita ou a China.


        A Assembleia Geral da ONU aprovou, na quarta-feira passada, dia 30 de outubro, mais uma resolução que condena o bloqueio econômico e financeiro unilateral imposto pelos Estados Unidos a Cuba. É o 32º ano consecutivo que a ONU condena o bloqueio! A votação, mais uma vez, foi praticamente unânime: 187 países dos 192 que fazem parte da ONU votaram contra o bloqueio, ou seja, o mundo em peso, e apenas os próprios Estados Unidos e Israel, o seu aliado no Oriente Médio apoiam o bloqueio; Moldávia absteve-se.
        Por mais que a atitude dos Estados Unidos seja condenada esmagadoramente pelo mundo, o bloqueio persiste, até porque a resolução não tem nenhum poder de obriga-los a acabar com ele. É aquela história, manda quem pode, obedece quem tem juízo... Durante a votação na ONU, o representante dos Estados Unidos, Paul Folmsbee, afirmou que o objetivo do seu país é “defender” a democracia e os direitos humanos. Mas, se fosse, realmente, isso, os Estados Unidos não seriam tão próximos de ditaduras como a Arábia Saudita e a China, por exemplo. Historicamente, não teriam apoiado golpes de Estado pelo mundo afora, que levaram ao poder ditaduras cruéis, inclusive a de Pinochet, no Chile, e a ditadura militar no Brasil, para citar apenas dois exemplos.
        O bloqueio dos Estados Unidos não atinge apenas as empresas daquele país, mas, também, empresas do mundo inteiro que, no exercício de sua soberania, desejam manter relações comerciais com Cuba, porque elas também são punidas e impedidas de fazer negócios nos estados Unidos. Evidentemente, entre ganhar pouco em um país pequeno como Cuba ou faturar muito mais com a maior superpotência econômica do mundo as empresas escolhem a segunda opção, claro. O ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou na ONU que o bloqueio dos Estados Unidos é criminoso: “O bloqueio contra Cuba é uma guerra econômica, financeira e comercial que se qualifica como genocídio!”. Ele criticou a tática utilizada pelos Estados Unidos para forçar a mudança do governo cubano, substituindo-o por um mais submisso aos seus interesses.
        Não existe na História registro de um país suportar uma perseguição como essa por tanto tempo. O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba teve início ainda no governo de John Kennedy, na década de 1960!, em plena Guerra Fria. Desde então, o governo cubano estima que o prejuízo à economia do país é de algo em torno de 164,14 BILHÕES DE DÓLARES. O PIB de Cuba era de 107,3 milhões de dólares em 2020, dados mais recentes, portanto, o prejuízo provocado pelo bloqueio representa cerca de 15 vezes o PIB daquele país. Se não fosse o bloqueio, a economia cubana poderia crescer anualmente, o que representaria uma significativa melhoria da qualidade de vida do povo. Mas é esta, justamente, a intenção dos Estados Unidos: asfixiar a economia e insuflar a população para trocar o governo por um submisso aos seus interesses.
        Minha opinião: Eu não defendo ditaduras, sejam elas quais forem, de esquerda ou de direita. E não tenho nenhuma simpatia pelo Comunismo, muito pelo contrário. Mas, também, não defendo países imperialistas, que se julgam no direito de mandar e desmandar em outros países soberanos. Acabe-se, logo, com o bloqueio e a perseguição a Cuba! E que Cuba possa viver em paz, com democracia e justiça social, sem ser controlada por nenhuma outra potência, sejam os Estados Unidos ou Rússia, ou quem quer que seja!
fr

domingo, 19 de novembro de 2023

Cuba sempre ameaçada

“Cuba Sempre Ameaçada”
Severo Gomes
Empresário, ex-senador, último artigo que escreveu antes de falecer, em 1992.

    Começo por lembrar a guerra do Peloponeso, transcrevendo diálogo narrado por Tucidides, entre os representantes da poderosa Atenas e os da pequena ilha de Melios:
      ‘Atenienses: Mostraremos claramente que é para o benefício do nosso império, e também para a salvação de vossa cidade, que estamos aqui dirigindo-vos a palavra, pois o nosso desejo é mantermos o domínio sobre vós sem problemas para nós, e ver-vos a salvo para vantagem de ambos os lados.
        Melios: Mas que vantagem poderemos ter em sermos escravos, em comparação com a vossa em dominar-nos?
       Atenienses: Ser-vos-ia vantajoso submeter-vos antes de terdes sofrido os mais terríveis males, e nós ganharíamos por não termos de vos destruir.
        Melios: Então vós não consentiríeis em deixar-nos tranquilos e em sermos amigos em vez de inimigos, sem nos aliarmos a qualquer dos lados?
       Atenienses: Não, pois vossa hostilidade não nos prejudicaria tanto quanto vossa amizade; com efeito, aos olhos de nossos súditos essa seria uma prova de nossa fraqueza, enquanto o vosso ódio é uma demonstração de nossa força.’
        Por aqui já se pode perceber que estou falando de Cuba e dos EUA, que sempre tiveram o projeto da submissão e da posse da ilha de Cuba.
        Em 1808, os Estados Unidos procuraram obter da Espanha a cessão de Cuba, então sua colônia.
        Em 1823, desenvolveram a doutrina da ‘fruta madura’, segundo a qual Cuba, logo que conquistasse a independência, deveria ser incorporada aos Estados Unidos.
        Em 1898, intervieram na guerra de independência, ocuparam militarmente a ilha por cinco anos, impuseram uma Constituição que lhes assegurou o direito de intervenção e usurparam um território em Guantánamo.
        A partir daí, depuseram e instalaram governos, intervieram constantemente em assuntos internos do país.
        Cuba só conquistou a sua independência em 1º de janeiro de 1959.
       É isso que está atravessado na garganta dos americanos. Além de terem os cubanos construído uma sociedade sem mendigos, sem analfabetos, sem desamparados, e com escolas e hospitais para todos.
        Mesmo porque, depois de tudo que ocorreu no Leste da Europa, Cuba não representa a menor ameaça para os EUA.
        No entanto, nunca foram tão violentas as pressões americanas sobre os cubanos. Não vendem nada para Cuba, não compram nada de Cuba. Não satisfeitos, obrigam as empresas controladas por capitais americanos, em terceiros países, a adotar a mesma disciplina, numa flagrante agressão ao Direito Internacional. Chegam a pressionar países como o México e a Venezuela para limitar os fornecimentos de petróleo. Até a venda de pequenas peças para o tratamento cardiológico de crianças está embargada.
        O argumento agora é o de que Cuba não é uma democracia e os EUA desejam libertar o povo cubano da opressão. Depois de terem apoiado as mais sangrentas ditaduras no Continente, os americanos podiam ter agora um pouco mais de pudor com os seus zelos democráticos.
        Creio que há neste Continente uma aspiração generalizada de que Cuba venha a viver dentro das liberdades democráticas e econômicas. Dá para imaginar um cabaré estatal? Mas é preciso lembrar que esse é um processo que não pode esquecer que há trinta anos a maior potência que já houve na história, por diferentes instrumentos, faz a guerra a Cuba, que está a 150 quilômetros do seu território.
       Uma abertura política e descuidada poderá jogar para dentro de Cuba, com personagens de primeira grandeza, forças que, não tendo nada a ver com o povo cubano, dispõem de uma imensa capacidade de corrupção e da prática do crime, como entre outras, a CIA e as máfias do jogo e da prostituição.
      É por isso que nós, que tivemos tanta alegria com a queda do Muro de Berlim, renovamos esses sentimentos, com os sinais da decadência americana.
        Estou chegando de Cuba, essa bela e pequena ilha que voga no mar Caribe como um cesta de flores. A nossa palmeira imperial é originária dessa região. Em Cuba estão por toda a parte, nas grotas e nos espigões, são as senhoras dos horizontes.
        Altas, esguias com seus penachos farfalhantes, parecem guerreiros Watuzi renascidos das senzalas cubanas para o encontro marcado.
        Artigo publicado em “Por que Cuba?’, coordenação Emir Sader, Rio de Janeiro, Revan, 1992.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Os EUA só defendem democracias que lhes forem convenientes


“A democracia interessa ao capitalismo não enquanto democracia, mas enquanto capitalista.” 

ROLAND CORBISIER (1914-2005), escritor e filósofo, em “Por que Cuba?”, coordenação Emir Sader, editora Revan, 1992.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

"Que Cuba viva sem bloqueio!"

        “O bloqueio viola o direito à vida, à saúde, à educação e ao bem-estar de todos os cubanos. Nossas famílias sentem isso através da escassez nas lojas, das longas filas, dos preços excessivos ou dos salários desvalorizados. (...)
   Os doentes, incluindo crianças, idosos e mulheres grávidas, são prejudicados pela falta ou instabilidade de medicamentos para uso hospitalar, incluindo tratamentos de câncer e doenças cardíacas; e as pessoas enfrentam dificuldades diárias para adquirir insulina, antibióticos, analgésicos, hipotensores e outras necessidades básicas a tempo. (...)
       Por mais de seis décadas, Cuba tem resistido a um impiedoso bloqueio econômico, comercial e financeiro. Mais de 80% de nossa população atual só conheceu uma Cuba bloqueada.
        O governo dos Estados Unidos não cessou em suas tentativas de privar nosso país de receitas financeiras indispensáveis, de deprimir o padrão de vida da população, de impor uma escassez contínua de alimentos, medicamentos e outros suprimentos básicos e de provocar um colapso econômico.
      Com crueldade e precisão cirúrgica, os setores mais sensíveis da economia são atacados e procura-se deliberadamente infligir o maior dano possível às famílias cubanas.
        O bloqueio é um ato de guerra econômica em tempos de paz, com o objetivo de anular a capacidade do governo de atender às necessidades da população, criando uma situação de ingovernabilidade e destruindo a ordem constitucional.
        Esses objetivos foram claramente descritos no infame memorando do subsecretário de Estado Lester Mallory, de 6 de abril de 1960, desclassificado muitos anos depois, que cito:
        «Todos os meios possíveis devem ser rapidamente postos em prática para enfraquecer a vida econômica (...) negando a Cuba dinheiro e suprimentos para reduzir os salários nominais e reais, com o objetivo de provocar fome, desespero e a derrubada do governo». Fim da citação.
        Essa é a natureza e esses são, desde sua origem até hoje, os propósitos da política de coerção econômica e pressão máxima aplicada pelo atual governo dos EUA contra Cuba.
        (...)
      É claro que o bloqueio não é responsável por todos os problemas que nosso país enfrenta hoje, como disse o presidente Miguel Díaz-Canel, mas quem negar seus efeitos gravíssimos e não reconhecer que é a principal causa das privações, da escassez e do sofrimento das famílias cubanas estará mentindo.
        Seria uma mentira negar o bloqueio como uma violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todo o nosso povo e como o maior obstáculo ao nosso desenvolvimento.
        (...)
       Já se passaram mais de três décadas desde que esta Assembleia começou a exigir, todos os anos, o fim do bloqueio contra Cuba.
     No entanto, a vontade expressa da comunidade internacional é desrespeitada e desconsiderada pelo governo da maior potência econômica, financeira e militar.
      Não é admissível nem aceitável que as sucessivas resoluções desse fórum, o mais democrático e representativo das Nações Unidas, sejam ignoradas impunemente.”

BRUNO RODRÍGUEZ PARRILLA, ministro das Relações Exteriores de Cuba, em discurso na ONU, no dia 2 de novembro.

Mesmo condenado pelo mundo e após o fim da Guerra Fria, EUA mantém bloqueio contra Cuba

        A Assembleia Geral da ONU aprovou na quarta-feira, dia 2, pelo 31º ano consecutivo uma resolução condenando o bloqueio comercial e econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1962. A decisão vem sendo praticamente unânime todos os anos. Desta vez, foram 187 votos de países contra o bloqueio, ou seja, praticamente o mundo inteiro; uma única abstenção, por parte da Ucrânia, que não vai contrariar justamente o país que o está apoiando na guerra contra a Rússia; e somente dois países que votaram contra. E esses que votam contra são sempre os mesmos: Estados Unidos, claro, e Israel, que recebe bilhões de dólares todos os anos de ajuda militar de Washington; evidentemente não iria votar diferente.
        Relatório do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, para a Assembleia Geral concluiu que “a continuação do bloqueio financeiro e comercial dos Estados Unidos contra Cuba é incompatível com um sistema baseado no Estado de Direito”. O bloqueio desrespeita o princípio da não intervenção, da liberdade de comércio e da não ingerência em assuntos internos de países soberanos.
        O bloqueio passou a vigorar no governo de John Kennedy, com a pretensa justificativa de evitar a disseminação do comunismo pelo continente americano. Ao contrário do que alguns acreditam não se trata de um embargo dos Estados Unidos a um país, mas uma tentativa cruel e desumana de asfixiar a economia cubana e derrubar o seu governo. É, sim, um bloqueio porque não apenas proíbe transações bilaterais, mas, também, pune empresas de outros países que desejem manter relações comerciais com Cuba. Aquelas empresas que insistirem em manter negócios com o governo do país caribenho são, automaticamente, proibidas de fazê-lo com empresas dos Estados Unidos. Portanto, é uma forma de coagir os empresários a desistir de manter relações com Cuba.
        São mais de seis décadas de perseguições. Os Estados Unidos alegam que é uma forma de defender a democracia e os direitos humanos em Cuba, o que, evidentemente, não é verdade. Afinal, os Estados Unidos são conhecidos por apoiar ditaduras espalhadas pelo mundo inteiro, desde que, claro, essas ditaduras sejam capitalistas e suas aliadas. Apoiaram as ditaduras militares que substituíram governos democraticamente eleitos em diversos países latino-americanos durante as décadas de 1960 a 1980, como, por exemplo, a ditadura assassina de Pinochet no Chile e a ditadura militar que governou o Brasil durante 21 anos, de 1964 a 1985. E hoje em dia continua a apoiar e defender governos ditatoriais, como o da Arábia Saudita. É muita hipocrisia, só acredita quem quiser, e precisa ser muito desinformado.
        Mesmo o mundo praticamente inteiro condenando os Estados Unidos, a resolução da ONU não tem força para impor o fim do bloqueio aos Estados Unidos, que vem ampliando a legislação repressiva a Cuba nos últimos anos. A revolução cubana foi vitoriosa em 1º de janeiro de 1959, e não tinha a intenção de se vincular ao comunismo, mas, para defender-se dos Estados Unidos, precisou buscar essa aliança, caso contrário teria sido destruída. Desde então, os níveis de desenvolvimento humano em Cuba tornaram-se referências mundiais: erradicação do analfabetismo, redução drástica da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida, melhoria na qualidade do atendimento médico e do nível educacional do povo.
        O mundo mudou bastante nas últimas décadas. A Guerra Fria já não existe mais e o comunismo também não é mais uma ameaça. Mas o bloqueio contra Cuba persiste. Não fosse o bloqueio dos Estados Unidos, Cuba não estaria na difícil situação econômica em que se encontra. O governo cubano estima que as perdas provocadas pelo bloqueio dos Estados Unidos à economia de seu país já superaram mais de 159 bilhões de dólares, ou mais de 800 bilhões de reais, aproximadamente. 
        Minha opinião:
        Eu já expressei a minha opinião diversas vezes aqui no meu blog. Não sou simpático ao comunismo, mas, também, não posso ser simpático a um sistema econômico em que pessoas doentes são expulsas dos hospitais porque não têm dinheiro para pagar o seu tratamento, como aconteceu recentemente no estado do Kentucky, nos Estados Unidos. A imprensa mundial divulgou essa triste notícia e eu comentei aqui no meu blog. Cuba teve excelentes resultados na melhoria da qualidade de vida de seu povo, em especial na Educação e na Saúde. Por outro lado, não é uma democracia, não tem liberdade de imprensa, nem pluralidade partidária, é verdade. Mas o que dá o direito aos Estados Unidos, ou qualquer outro país, de persegui-lo durante mais de seis décadas?
        Cuba representa uma ameaça à maior potência mundial? Duvido! E se o bloqueio é para forçar uma democratização em Cuba, por que os Estados Unidos não fazem o mesmo com outras ditaduras, como, por exemplo, a sua aliada Arábia Saudita? E se o mundo inteiro condena esse bloqueio, exceções apenas de Israel e Ucrânia, não é o bastante para os Estados Unidos terem a humildade de reconhecer que foi um erro tê-lo feito? E por que não acabam de vez com o bloqueio? Os Estados Unidos, e nenhum país, pode se considerar o xerife do planeta.
        Deixem Cuba em paz! Pensem no povo cubano, que é quem mais sofre com as proibições do bloqueio. Eu espero que os Estados Unidos acabem com o bloqueio, como iria acontecer no governo de Barack Obama, mas, infelizmente, não se concretizou. E que Cuba possa, através do seu povo, sem submissão a nenhum país, caminhar, soberanamente, rumo à democratização, com liberdades individuais e justiça social. É, afinal de contas, o que eu desejo para Cuba, para o meu país, e para todos os países do mundo! fr

sábado, 16 de setembro de 2023

Presidente Lula condena bloqueio imposto pelos EUA contra Cuba há mais de 60 anos

"É de especial significado que, neste momento de grandes transformações geopolíticas, esta cúpula seja realizada aqui em Havana. Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa. E até hoje é vítima de um embargo econômico ilegal. O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral. Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo", afirmou o presidente.”
Presidente LULA, hoje, durante reunião do Grupo dos 77, em Cuba. Apesar do nome, integram o grupo, atualmente, mais de 130 países, dentre eles a China, Índia e África do Sul, além do Brasil, claro.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Assembleia Geral da ONU condena bloqueio dos EUA a Cuba pela 30ª vez

      O mundo, em sua maioria esmagadora, condenou, pela 30ª vez, o bloqueio imposto unilateralmente pelos Estados Unidos a Cuba. Em reunião realizada no dia 3 deste mês na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), foi aprovada mais uma resolução solicitando o fim do bloqueio, com 185 países votando a favor e somente dois sendo contra (os próprios Estados Unidos, claro, e Israel). Ucrânia e o Brasil de Jair Bolsonaro preferiram se abster. Desde 1992, resoluções como esta têm sido aprovadas por maioria, com exceção do ano de 2020, quando não foi apresentada, devido à pandemia da Covid. Mas, infelizmente, elas não têm o poder de mudar a política dos Estados Unidos, mas são bastante significativos, já que são apoiadas pelo mundo em peso.
      O bloqueio teve o seu início em 3 de fevereiro de 1962, por determinação do presidente John Kennedy, como pressão contra as atitudes independentes do governo cubano a partir da sua Revolução de 1959. Ao longo do tempo, os presidentes que o sucederam têm tornado o bloqueio cada vez mais amplo, com a criação de mais leis que visam impedir o livre comércio de Cuba com empresas estadunidenses, e até mesmo suas filiais em outros países.


      A representação cubana apresentou ao plenário da ONU um relatório das perdas do seu país com esse bloqueio, que já completou 60 anos, e permanece ativo, mesmo após as transformações históricas ocorridas no mundo durante esse período, como o fim da Guerra Fria e a dissolução da antiga União Soviética. Os Estados Unidos procuram justificar o bloqueio por haver o desrespeito aos direitos humanos em Cuba, o que é muito incoerente, já que os mesmos Estados Unidos não impõem o mesmo bloqueio a países ditatoriais, como a Arábia Saudita, China, Coreia do Norte, por exemplo.
      De acordo com o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrila, o país já teve um prejuízo de 154 bilhões de dólares por causa do bloqueio:
      - Não atribuímos ao bloqueio todas as dificuldades enfrentadas hoje por nosso país, mas faltaria com a verdade quem negasse seus gravíssimos efeitos e não reconhecesse que é a causa principal das privações, carências e sofrimentos das famílias cubanas. Dezenas de bancos negam serviços a Cuba por medo de multa dos Estados Unidos. Além da perseguição direta a transportadoras, a companhias de navegação marítima, seguradoras e empresas de logística em geral, o que encarece em até 30% a importação de combustível.
      Bruno Rodríguez destacou, ainda, que o objetivo real do bloqueio é interferir na política interna do seu país, a fim de conseguir derrubar o governo:
      - O bloqueio é um ato deliberado de guerra econômica com o objetivo de impedir a receita financeira do país, destruindo a capacidade do governo de atender às necessidades da população, causando o colapso da economia e criando uma situação de ingovernabilidade. Como o secretário de Estado adjunto Mallory propôs em 1960, busca “provocar decepção e desânimo…, reduzir salários…, causar fome, desespero e a derrubada do governo”.
      O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, elaborou um relatório, a pedido da Assembleia Geral, em que também condena a manutenção do bloqueio. Em seu trabalho, ele afirma: “A continuação do bloqueio financeiro e comercial dos Estados Unidos contra Cuba é incompatível com um sistema baseado no Estado de Direito. (...) Baseia-se mais no exercício do poder político e econômico.”
      Minha opinião: Eu defendo os princípios da democracia representativa e da justiça social, não tenho simpatia nenhuma por governos que desrespeitam os direitos humanos, sejam eles de esquerda ou de direita. Mas, não considero legítimo um governo, seja ele qual for, interferir na política interna de um país soberano. Quando os EUA criaram o bloqueio não foi para defender a população cubana, mas para defender somente os seus interesses, e atacar o governo revolucionário de Fidel Castro, que estava contrariando as suas vontades. E a prova é que os EUA apoiaram e até estimularam a tomada do poder por ditaduras militares em várias partes do mundo nas décadas de 1960 e 1970, como, por exemplo, aqui no Brasil, em 1964, e no Chile, em 1974, com Augusto Pinochet. Ditaduras essas que desrespeitaram os mesmos direitos humanos e a mesma democracia que os EUA juram sempre defender pelo mundo. fr

sábado, 12 de março de 2022

Dica de filme: "Sergio & Sergei"

SERGIO & SERGEI (“Sergio & Sergei”)
Cuba, 2017, Drama
Direção: Ernesto Daranas
Com: Tomás Cao, Héctor Noas, Rona Perlman, Mário Guerra
Mais um filme cubano que eu destaco. Baseado em acontecimentos ocorridos no início da década de 1990, quando a então União Soviética se desfez. Nos anos de 1991 e 1992, várias repúblicas que compunham a URSS declararam independência. Sem dinheiro, os soviéticos não tinham condições de trazer o astronauta russo Sergei Krikalev de volta à Terra, e ele precisou permanecer sozinho a bordo da estação espacial Mir. Em Cuba, o país também sofreu com a perda do aliado histórico, e o professor de Filosofia Sergio (Tomás Cao), radioamador, consegue fazer contato com o astronauta na Mir. Com os conhecimentos do idioma russo, Sergio mantém conversas com Sergei (Héctor Noas), sendo o único no mundo a ter conhecimento de sua difícil situação, e passa a ser investigado pelas autoridades cubanas, intrigadas com os seus contatos no exterior. Sergio pede a um amigo nos Estados Unidos, Peter (o ator estadunidense Ron Perlman), com quem também conversa pelo rádio, que denuncie ao mundo a situação do astronauta, e o presidente russo, Bóris Iéltsin, determina o seu regresso para evitar maiores constrangimentos. Sergei Krikalev passou 311 dias a bordo da Mir, saiu da então URSS como soviético e retornou como russo. Mais um representante do ótimo cinema cubano. fr

"Sergio & Sergei" (trailer)

terça-feira, 6 de julho de 2021

O mundo em peso condena o bloqueio dos EUA a Cuba

O mundo mais uma vez se manifestou contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, desde 1962, que já causou cerca de 150 bilhões de dólares de prejuízos à economia cubana ao longo desse tempo. No dia 23 de junho, a ONU (Organização das Nações Unidas) votou uma resolução proposta por Cuba contra o bloqueio, exigindo que ele seja, enfim, encerrado. O mundo em peso manifestou-se contra o bloqueio: foram 184 países votando a favor do seu encerramento, três que se abstiveram e somente dois votos contra (os Estados Unidos, claro, e Israel). De acordo com a revista Carta Capital, o Brasil foi um dos três países que se abstiveram de votar, junto com Ucrânia e Colômbia. É uma posição surpreendente, já que em 2019, o governo do presidente Jair Bolsonaro votou contra, após anos seguidos em que o Brasil se manifestou favorável ao fim do bloqueio. Em 2020, não houve votação da resolução devido à pandemia do coronavírus.

É o 29º ano que o mundo condena o bloqueio, mas a resolução da ONU não tem o poder de impor a vontade mundial aos Estados Unidos. O bloqueio somente pode ser encerrado através de decisão do Congresso estadunidense. É curioso os Estados Unidos insistirem nesse ataque a Cuba, mesmo após o fim da Guerra Fria, e até hipócrita, já que se a motivação era o fato de Cuba ser uma ditadura comunista, por que, então, não fazem também um bloqueio à China, a maior ditadura comunista do mundo? A verdade é que os Estados Unidos não estão preocupados com a democracia ou com os direitos humanos em Cuba, nem em lugar nenhum do mundo, mas apenas com os negócios que deixa de lucrar no país caribenho. Lucros dos quais os Estados Unidos não abrem mão continuando comercializando com a China, onde têm diversas empresas instaladas. Negócios são negócios!

Minha opinião:

Não simpatizo com o comunismo, muito menos com regimes ditatoriais, sejam eles de esquerda ou de direita! Mas nenhum país deve se comportar como um xerife, impondo a sua opinião aos demais. Quem mais perde com os prejuízos de bilhões de dólares anuais é o povo cubano. Tem que haver outras medidas diplomáticas para conduzir um país à democracia. O grande problema é que as grandes potências mundiais não admitem que países dentro de sua área de dominação, como é o caso da América Latina para os Estados Unidos, adotem posturas independentes. Eu desejo a Cuba o mesmo que desejo ao meu país e a todos os outros países do mundo: democracia, justiça social, desenvolvimento e distribuição de renda, mas sem abrir mão de sua soberania. Seja para os Estados Unidos, a Rússia ou que país for. fr

Há 29 anos o mundo exige o fim do bloqueio, será que todos estão errados?

 

segunda-feira, 8 de março de 2021

Dica de filme: "Numa escola de Havana"

NUMA ESCOLA DE HAVANA (“Conducta”)
Cuba, 2014, Drama
Direção: Ernesto Daranas
Com: Armando Valdes Freire, Alina Rodriguez, Silvia Aguila, Armando Miguel Gómez
O filme mostra uma realidade bem conhecida dos brasileiros de todos os latino-americanos. Chala (Armando Valdes Freire), um menino de 11 anos procura ajudar em casa, onde mora com a mãe, viciada em álcool e drogas, levando o seu cão para disputar lutais ilegais. Após o afastamento da sua experiente professora, Carmela (Alina Rodriguez) querida por todos os alunos, vítima de um princípio de enfarte, a jovem substituta indica a sua internação em uma instituição destinada a jovens problemáticos. Com o retorno da titular, contrária a medida, as duas educadoras entram em choque sobre quais as decisões devem ser tomadas em relação ao menino. A atriz Alina Rodriguez faleceu poucos meses depois do lançamento do filme, em julho de 2015, aos 63 anos, vítima de câncer. Mais um ótimo filme do cinema cubano. fr

"Numa escola de Havana" (trailer)

sábado, 4 de julho de 2020

Dica de livro: "Fidel em pessoa"

“Fidel em pessoa”, Roberto D’Ávila, Porto Alegre, Editora L&PM Editores, 1986, 172 páginas, tradução de Remi Gorga Filho.  

O livro é a transcrição da histórica entrevista que o presidente cubano Fidel Castro concedeu ao jornalista Roberto D’Ávila em dezembro de 1985, em Havana. À época, o Brasil estava passando por um processo de redemocratização, e o presidente José Sarney manifestou o desejo que o país reatasse relações diplomáticas com Cuba, rompidas em 1964, com o golpe militar.
Não importa qual seja a ideologia ou preferências políticas de cada um, o fato inquestionável é que a entrevista foi um furo jornalístico mundial. Até mesmo para fazer qualquer crítica a alguém é necessário conhecer o suficiente sobre a pessoa. E Fidel Castro é, sem dúvida, uma das figuras históricas mais importantes do século 20.
Roberto D’Ávila tinha um programa na extinta Rede Manchete chamado “Conexão Internacional”, em que entrevistava personalidades mundialmente conhecidas, e a entrevista exclusiva com Fidel Castro foi, entre elas, a mais importante. Cuba e Brasil reataram as relações em 14 de junho de 1986. No mesmo ano, D’Ávila concorreu e foi eleito deputado federal constituinte.
A entrevista, a primeira concedida por Fidel à televisão brasileira, foi concedida graças à influência de algumas ilustres celebridades presentes na capital cubana para dois eventos internacionais. Entre elas, Gabriel García Márquez, Chico Buarque e Frei Betto, que pediram a Castro que atendesse Roberto D’Ávila. Em dois dias, o jornalista esteve com o líder cubano, entrevistando-o no Palácio da Revolução durante mais de cinco horas (em outra passagem do livro, é dito que foram sete horas).
D’Ávila ainda visitou Sierra Maestra, região de montanhas onde Fidel, Che Guevara e os demais revolucionários lutaram três anos até a vitória; e andou com ele pelas ruas de Havana. No livro, Castro fala longamente (como era de hábito) sobre assuntos como a infância, a família, o governo de Fulgencio Batista, a sua prisão e o exílio no México, a vitória da revolução e os investimentos em Educação e Saúde.
Fidel descreve também como eram as relações com os Estados Unidos e as inúmeras tentativas da CIA de matá-lo, as dívidas dos países do Terceiro Mundo e como elas são impossíveis de serem pagas devido às altas taxas de juros, e a morte do companheiro Che Guevara. D’Ávila também toca em questões polêmicas, que resultam em muitas críticas ao governo cubano, como a existência de partido único, a inexistência de alternância do poder, “paredão”, e a presença de Cuba nos conflitos africanos à época da entrevista. Com, certeza, é um livro muito interessante para se conhecer a realidade política de Cuba, independente de simpatias ou antipatias de cada um. fr

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Assembleia Geral da ONU condena bloqueio dos EUA a Cuba, e Brasil muda seu voto

            A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou na quinta-feira, dia 7, resolução que condena o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, desde 1962. A condenação foi aprovada mais uma vez de forma maciça, pela maioria esmagadora dos países membros da ONU, o que vem se repetindo desde 1992. A resolução não tem poder coercitivo, ou seja, não pode impor sanções, nem obrigar uma mudança de postura por parte dos Estados Unidos. Foram 187 países contrários ao bloqueio, duas abstenções (Ucrânia e Colômbia) e somente três países contra. A Moldávia não votou. Os votos contrários à resolução foram os já esperados dos Estados Unidos, claro, e de Israel. O terceiro voto contra foi do Brasil, que sempre vinha votando a favor.
A mudança de entendimento explica-se pela postura de alinhamento automático do governo Bolsonaro, que busca obter alguma contrapartida do presidente Donald Trump, o que, até o momento, não aconteceu. O governo estadunidense de Barack Obama iniciou um processo de reaproximação com Cuba, com a reabertura das embaixadas reciprocamente nos dois países, e o anúncio da intenção de acabar com o bloqueio. Com a posse do seu sucessor, Donald Trump, em janeiro de 2017, houve um retrocesso. No meio dos interesses políticos dos países, quem sofre é a população cubana. Se fosse sincera a justificativa do bloqueio, ou seja, forçar a redemocratização de Cuba comunista, por que não fazer o mesmo com a China, por exemplo? É porque o dinheiro fala mais alto do que os direitos humanos, a democracia e a liberdade de imprensa. fr

Interesses políticos e ideológicos mantêm há quase seis décadas um bloqueio que penaliza o povo de Cuba