Eu fiz o ensino fundamental no Méier, e várias vezes estudei
na Biblioteca pública Lima Barreto, que ficava na Rua Castro Alves. Lembro também
de ter ido com colegas para pesquisar por conta de trabalhos em grupo. Essa
biblioteca foi inaugurada em 1952 e ficava primeiro na Rua Frederico Méier,
passando para a Rua Castro Alves em 1972, uns dez minutos andando a pé de
distância. Em 1990, passou a se chamar Lima Barreto, e em 2009, a prefeitura
passou o seu acervo para a Biblioteca Infantil Carlos Alberto, na Rua Rio
Grande do Sul, que pertence ao governo estado e fica a uns cinco minutos
andando a pé. Na semana passada, passei pelo antigo endereço da biblioteca, na
Rua Castro Alves, e não tem nenhuma loja funcionando no lugar (foto), é o
prédio amarelo. fr
SEJA ÉTICO
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Frequentei a antiga biblioteca pública no Méier, fechada desde 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Inaugurada em 1889, a Ilha Fiscal é um dos mais bonitos e importantes locais turísticos e históricos do Brasil

A Ilha Fiscal fica na icônica Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde o período colonial, o local era chamado pelos portugueses de Ilha dos Ratos, dizem que, possivelmente, pela aparência da formação rochosa ou pela grande quantidade desses animais. No final do século 19, D. Pedro II decidiu pela construção de um posto alfandegário, para atender a solicitação do conselheiro José Antônio Saraiva, do Ministério da Fazenda, que reivindicava a instalação do órgão na ilha para o controle das cargas das importações e exportações pelo porto da cidade, aproveitando a sua localização. O projeto escolhido pelo imperador foi o do então engenheiro-diretor de obras do Ministério da Fazenda, Adolpho José Del Vecchio, e a primeira pedra do edifício foi assentada em 6 de novembro de 1881. A inauguração do posto, chamado popularmente de “castelinho”, ocorreu em 27 de abril de 1889, com a presença de D. Pedro II e sua família, ministros e várias autoridades. A partir de então, o local passou a ser conhecido como Ilha Fiscal.
O palacete tem estilo neogótico; a torre central era o observatório do posto, com um relógio de quatro faces, produzido na Alemanha, para facilitar sua visualização de diferentes pontos; e a área da ilha é de 7.000 m². Mas o local entrou para a História por ter sido lá realizada, alguns meses após a sua inauguração, a última festa da Corte brasileira, em 9 de novembro de 1889, em que se homenagearam os oficiais do navio chileno ‘Almirante Cochrane’, em visita ao Rio, e com a intenção de mostrar a força do regime. Foi uma festa luxuosa e muito dispendiosa, com duas bandas para executar as músicas, muita comida e bebida à vontade (tudo do bom e do melhor), um gerador para garantir a iluminação do local e a presença do imperador e sua família, ministros, parlamentares, magistrados, diplomatas estrangeiros e vários convidados ilustres. Estima-se que estiveram presentes 500 dos 2.000 a 4.000 convidados, transportados em barcas para a Ilha Fiscal.
Dentro do palacete, pode-se ver uma reprodução, em tamanho reduzido, do quadro “A ilusão do Terceiro Reinado”, também conhecido como “O último baile da Ilha Fiscal”, do pintor paraibano Aurélio de Figueiredo, irmão do também pintor Pedro Américo. O original foi pintado em 1905, pertence ao Museu Histórico Nacional e você pode ver na minha postagem sobre esse museu, em ‘Minhas Fotos’. Além de retratar os presentes, como, claro, D. Pedro II, a imperatriz D. Teresa, a princesa Isabel e o marido, o conde D’Eu, Aurélio de Figueiredo tomou a liberdade de incluir algumas licenças artísticas em seu quadro. O artista pintou algumas pessoas que não estiveram presentes no baile, a começar por ele, sua esposa e filhas; o irmão, Pedro Américo; e os escritores Machado de Assis e Aluísio Azevedo. Colocou no canto esquerdo do quadro, caminhando nas nuvens, a figura feminina da República, seguida por marechal Deodoro da Fonseca a cavalo, justamente quem iria liderar a proclamação da República (foto 9). À direita, a princesa Isabel aparece sendo coroada pelo papa, em um Terceiro Reinado que nunca veio a acontecer (foto 10).
Ironicamente, o imperador nunca foi de gastar com festas e cerimônias, muito pelo contrário, era até criticado por muitos pela sua austeridade (vejam só!). D. Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina chegaram por volta das 21 horas. O monarca estava desgastado, com aspecto doente, e, ao descer da galeota D. João VI, que o levara à ilha, tropeçou e teria dito “a monarquia tropeça, mas não cai”. Apenas seis dias depois, foi proclamada a República no Brasil, D. Pedro II foi afastado do comando do país e, mais tarde, obrigado a exilar-se com a família, primeiro em Portugal e, depois, na França. Enquanto, os monarquistas festejavam, os republicanos estavam planejando o golpe. A festa ficou conhecida como o “último baile do império”.
Os vitrais do palacete foram confeccionados na Inglaterra, coloridos a fogo e têm brasões imperiais contornando os das imagens de D. Pedro II (foto 13) e da princesa Isabel (foto 14). As paredes da fachada do palacete têm a cor verde-jade por ser a cor símbolo da Casa de Bragança, à qual pertence a família imperial brasileira. No passeio, pode-se ver também a galeota D. João VI, a embarcação mais antiga preservada no Brasil; construída e presenteada a D. João VI em 1818, ano em que ele foi coroado rei. A galeota era movida a remos e utilizada para transportar a família imperial pela Baía da Guanabara, como, por exemplo, durante o baile de 9 de novembro. Está em um pavilhão de vidro, que não é aberto para o público.
A administração da Ilha Fiscal foi transferida pelo Ministério da Fazenda para a Marinha em 1913, em troca do navio a vapor Andrada. Nos anos seguintes, o local foi ocupado para diversas finalidades, como Repartição Hidrográfica, Superintendência de Navegação e Diretoria de Hidrografia e Navegação, por exemplo. Em 1930, foi construída uma ligação à Ilha das Cobras (veja a imagem aérea, abaixo) e, desde 1999, a Ilha Fiscal está aberta à visitação. Recentemente, eu fiz o passeio à Ilha Fiscal novamente. As visitas guiadas são pagas (inteira R$ 60,00 e meia R$ 30,00) e saem do Espaço Cultural da Marinha, na Avenida Alfredo Agache s/nº, na Praça Quinze de Novembro, em ônibus ou na escuna Nogueira da Gama.
Após o passeio pela Ilha Fiscal, o ingresso dá, também, o direito a visitar os veículos militares expostos no Espaço Cultural da Marinha: a Nau dos Descobrimentos, o helicóptero anfíbio SH3, carros de combate, um caça e o submarino Riachuelo. O local pode ser alugado para festas de aniversários e casamentos; de acordo com o que eu pesquisei o custo do aluguel gira em torno de 60 a 80 mil reais. A Ilha Fiscal foi tombada pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade da prefeitura do Rio de Janeiro, em 1990. Eu indico o passeio, pela beleza do lugar e por sua importância histórica! Fontes utilizadas: https://www.marinha.mil.br/dphdm/ilha-fiscal, ttps://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=adolpho-jose-del-vecchio, Wikipédia e informações dos quadros no local. fr






sexta-feira, 5 de junho de 2026
O Teatro Municipal é um dos edifícios mais bonitos do Brasil

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro destaca-se na paisagem do Centro da
cidade. Eu participei de uma visita guiada ao teatro, as visitas são pagas. Em
1894, o autor teatral Arthur Azevedo deu início a uma campanha para que o Rio
viesse a ter um teatro com as características do Théâtre-Français, estatal
francês, o que deu origem a uma lei municipal que estabelecia a sua construção,
que acabou não sendo cumprida e o dinheiro arrecadado nunca foi utilizado para
esse fim. À época, o Rio de Janeiro era Distrito Federal e estava passando por
um processo de modernização e reurbanização do Centro, durante a administração
do prefeito Pereira Passos (1902-1906). Em 1903, foi aberta a Avenida Central,
atual Rio Branco, que fica ao lado do teatro; muitos cortiços que haviam na
região foram derrubados. No mesmo ano, foi aberto um concurso para a escolha do
projeto do teatro, com a escolha do projeto de Francisco de Oliveira Passos,
justamente o filho do prefeito. O resultado recebeu, evidentemente, muitas
críticas e resolveu-se premiar também o segundo colocado, o trabalho do francês
Albert Guilbert, vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses, e reunir
os dois trabalhos no projeto final, ambos inspirados na Ópera de Paris, de
Charles Garnier.
As obras de construção tiveram início em 1905, com 280 operários
trabalhando em dois turnos o que possibilitou a inauguração do teatro em menos de
cinco anos. O interior do teatro foi ornamentado pelos mais importantes
pintores e escultores, como Rodolfo Amoedo, Eliseu Visconti e os irmãos
Bernardelli, além de artesãos europeus, que criaram os vitrais e mosaicos. A
fachada do teatro ainda conserva a grafia da época de sua inauguração, em 14 de
julho de 1909, como o nome “Theatro”, com h. Ele foi inaugurado pelo presidente
da República Nilo Peçanha, já durante a administração do novo prefeito, Souza
Aguiar. Atualmente, o Teatro Municipal possui 2.252 lugares e, desde 1996, tem
um edifício anexo, com salas para os ensaios do Coro, da Orquesta Sinfônica e
do Ballet. A fachada do teatro tem seis enormes colunas de mármore italiano, e esculturas
nos cantos do edifício representando a Música, a Poesia, a Comédia, a Tragédia,
o Canto e a Dança, (veja as minhas fotos, as duas últimas têm a sua visão encoberta
pelos galhos das árvores). E no alto tem uma águia dourada de 350 quilos, com
oito mil folhas de ouro, 23 quilates de douramento.
No interior do teatro estão várias esculturas e pinturas; o piso é de mosaico veneziano; a entrada e o salão principal têm decoração luxuosa, com mármore, bronze, ônix, espelhos, cristais e talha dourada, e um enorme lustre de bronze dourado, composto por 118 lâmpadas e pingentes de cristal. O Salão Assyrio está localizado no subsolo, abaixo do palco do teatro. Apesar do nome, ele tem uma decoração de estilo eclético, com influências babilônicas, persas e assírias. Ao longo do tempo, no salão foram realizados bailes de máscaras, funcionou um museu, restaurante e local de apresentação de artistas, como o cantor Pixinguinha. O lustre do salão principal tem cerca de 600 quilos, 118 lâmpadas, foi fabricado na Inglaterra em 1909 e veio para o Rio em um navio. A sua estrutura é feita de bronze, folheado a ouro e adornado com cristais lapidados. Anualmente, o lustre passa por uma limpeza e manutenção, com um sistema elétrico que o faz descer até próximo ao chão. As lâmpadas passaram recentemente para o sistema de LED. Eu assisti a uma ópera no Teatro Municipal há muitos anos, na época eu namorava uma garota que adorava ópera; eu não curti, mas valeu pela experiência. Veja as fotos que eu fiz do Teatro Municipal e veja como ele é lindo! Apesar de ser municipal no nome, o teatro é administrado pelo governo do estado do Rio. Fontes: Visita guiada que eu fiz, Wikipédia, ensinarhistoria.com.br, crea-rj.org.br. fr













































