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Brasileiros contribuem com mais de 6 BILHÕES DE REAIS para a Previdência de Portugal, expondo a mentira dos xenófobos portugueses que acusam os imigrantes de depender de subsídios do governo
Jornal O GLOBO
Brasileiros batem recorde de € 1 bilhão em pagamentos à Previdência de
Portugal
Emigrantes do Brasil fazem pela primeira vez contribuição bilionária, de
mais de R$ 6 bilhões, para sistema de Segurança Social
Por Gian Amato - 14/10/2024 02h06 Atualizado há 11 horas
Os contribuintes brasileiros residentes em Portugal bateram o recorde de € 1,03 bilhão (R$ 6,2 bilhões) em pagamentos à Segurança (Previdência) Social em 2023.
É o terceiro ano
consecutivo que os brasileiros são os maiores contribuidores entre os
estrangeiros residentes. Mas é a primeira vez que os pagamentos chegam ao
bilhão.
Segundo dados
enviados ao Portugal Giro pelo Ministério do Trabalho, o total indica aumento
de 57% sobre as contribuições brasileiras em 2022. E representa 35,9% da
contribuição estrangeira geral em 2023.
Ao todo, os imigrantes
em Portugal contribuíram com € 2,6 bilhões (R$ 15,8 bilhões). E receberam € 483
milhões (R$ 2,8 bilhões) em parcelas de apoio social.
O saldo positivo dos
estrangeiros, de mais de € 2,2 bilhões, desmente a ultradireita, que insiste na
falsa informação que os imigrantes em Portugal dependem de subsídios sociais.
Terceira força no
Parlamento, a sigla de extrema direita Chega usou a mentira da Previdência na
campanha às eleições deste ano. Saltou de 12 para 50 deputados.
Imigrantes que mais contribuíram
1. Brasileiros: € 1,03 bilhão
2. Indianos: € 168 milhões
3. Nepaleses: € 102 milhões
4. Espanhóis: € 102 milhões
5. Cabo-verdianos: € 88 milhões
Dados oficiais demonstram que imigrantes brasileiros contribuem, de forma decisiva, para o crescimento da economia de Portugal, desmentindo o discurso de ódio contra os estrangeiros naquele país
Brasileiros recolhem mais de 1 bilhão de euros à Previdência de Portugal, um recorde
Dados do Ministério do Trabalho apontam que, de cada 100 euros recolhidos ao caixa da Segurança Social por trabalhadores imigrantes, 35,9 euros saem de salários de cidadãos oriundos do Brasil.
Os brasileiros que escolheram Portugal para viver se tornaram peças fundamentais para a sustentação do sistema previdenciário do país. De cada 100 euros (R$ 600) que são recolhidos pelos trabalhadores estrangeiros à Segurança Social, 35,9 euros (R$ 215,4) saem dos salários de cidadãos originários do Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Solidariedade. Em 2023, os brasileiros recolheram 1,033 bilhão de euros (R$ 6,2 bilhões) aos cofres portugueses, quantia 57% superior à registrada em 2022. No total, os imigrantes que moram, trabalham e produzem em solo lusitano aportaram 2,677 bilhões de euros (R$ 16 bilhões) à Segurança Social no ano passado. Todos os números são recordes.
Para a economista Sandra Utsumi, diretora executiva do Haitong Bank, os trabalhadores estrangeiros, em especial, os brasileiros, estão suprindo a mão de obra cada vez mais escassa em Portugal. “Temos uma combinação perigosa: os portugueses estão envelhecendo e se aposentando, mas o número de trabalhadores nacionais em idade ativa não é suficiente para recompor a base de contribuintes da Segurança Social. Por outro lado, alguns jovens portugueses bem formados preferem deixar o país em busca de melhores remunerações em outras localidades da União Europeia”, explica. “Portanto, são os estrangeiros que têm feito a máquina da economia girar, o que é uma boa notícia”, acrescenta.
Além dos brasileiros, detalha o Ministério do Trabalho e Solidariedade, se destacaram nos recolhimentos à Segurança Social, em 2023, imigrantes originários da Índia, com 168,5 milhões de euros (R$ 1,01 bilhão); do Nepal, com 102,9 milhões de euros (R$ 617,4 milhões); da Espanha, com 102,8 milhões de euros (R$ 616,8 milhões); e de Cabo Verde, com 88,8 milhões de euros (R$ 532,8 milhões). Ou seja, apenas essas cinco nacionalidades responderam por quase 56% de tudo o que os trabalhadores estrangeiros injetaram no caixa da Previdência lusitana. “Essa é uma importante demonstração de como é fundamental legalizar os imigrantes, para que contribuam formalmente para o país que escolheram viver”, reforça a economista.
A tendência, acredita Sandra, é de que a participação dos imigrantes no suporte da Segurança Social aumente nos próximos anos, e os brasileiros terão participação ainda mais significativa nesse processo, uma vez que foram eleitos pelo Governo de Portugal como trabalhadores estrangeiros preferenciais. “E não há nada demais nisso. Os brasileiros são, culturalmente, os mais próximos dos portugueses, além de terem fácil adaptação”, frisa. Para ela, não se pode esquecer que há empresas de vários setores em Portugal que não conseguem crescer por falta de mão de obra. Os imigrantes, portanto, são a chave para destravar esse gargalo.
Fábio Knauer, da consultoria Aliança Portuguesa, especializada em imigração, acredita que Portugal está entendendo que é preciso resolver logo as pendências para a regularização da documentação de centenas de milhares de estrangeiros que estão à espera da Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Estima-se que ao menos 400 mil processos estejam pendentes. “Se todos esses casos forem resolvidos com a agilidade que o país precisa, com certeza, os empresários vão agradecer. Há vagas à espera de trabalhadores, a economia precisa continuar crescendo. Inclusive, várias das pessoas que estão à espera de documentos são empreendedores potenciais, vão gerar mais empregos”, reforça.
Na última sexta-feira (11/10), a Assembleia da República deu um passo importante ao aprovar, em primeira votação, projeto da Iniciativa Liberal que permite a concessão da autorização de residência em Portugal a imigrantes que têm o Número de Identificação da Segurança Social (NISS) ativo, com, no mínimo, 12 contribuições. “Não é aceitável que um trabalhador que esteja recolhendo ao sistema de Previdência não tenha documentação em dia”, ressalta Sandra Utsumi. “Portugal não pode fechar os olhos para essas pessoas, que têm dado contribuição vital para a sustentabilidade das contas públicas”, emenda.
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