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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Peixe da Amazônia entra no corpo e come um animal por dentro

        Se você pretende um dia ir à Amazônia e pensa em se banhar nos rios da região, leia este meu texto com atenção! Existe um peixe na Amazônia chamado candiru que espalha o terror por ser conhecido por penetrar, de forma rápida, nos orifícios do corpo humano, como ânus, uretra, vagina, ouvidos, nariz e boca. É um peixe hematófago, ou seja, ele se alimenta do sangue de animais, e alguns vivem nas brânquias de outros peixes como parasitas. Eles possuem o corpo liso, e, em sua maioria, são pequenos, não podendo ser vistos com muita facilidade devido à água turva dos rios amazônicos. Eles possuem órgãos sensoriais que possibilitam captar odores dentro da água, e identificar o cheiro de sangue e matéria orgânica em decomposição. Os candirus podem entrar em um animal morto no rio e devorá-lo por dentro.
        De acordo com especialistas, existem cerca de dez casos por ano de penetração em seres humanos, a maioria são mulheres, após urinarem nos rios ou por estarem em seu período menstrual. Estudos mais recentes, porém, têm desmentido os relatos que a urina atrairia o candiru, que não passariam de crendice popular. Ao penetrar na vítima, o candiru fixa-se no interior do corpo com os espinhos que tem em torno da sua cabeça e utiliza-se das nadadeiras para movimentar-se, o que obriga a ser realizada uma cirurgia para a sua retirada. Portanto, um conselho àqueles que pretendem viajar à Amazônia: não entrem nos rios! 😄😄😄fr 

sábado, 22 de julho de 2017

A internacionalização do mundo

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO (Cristovam Buarque)
Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova Iorque, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa. 

(*) Cristovam Buarque, doutor em Economia e professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília) senador, foi governador do Distrito Federal e ministro da Educação no primeiro governo Lula. Autor, entre outras obras, de "A Segunda Abolição" (editora Paz e Terra). 

O debate em questão ocorreu nas salas de convenções do Hotel Hilton, durante o “State of the World Forum”, em Nova Iorque, em setembro de 2000. O artigo foi publicado logo em seguida nos jornais O Globo e Correio Brasiliense.