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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Parabéns ao aniversariante do dia: Chico Buarque 80 anos!

"Cálice": Chico Buarque & Milton Nascimento

Que esses tempos não voltem ao Brasil NUNCA MAIS!

Imagens: Novela "Amor e Revolução", SBT

 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Chico Buarque recebe Prêmio Camões após 4 anos de intolerância e ódio


Enfim, o escritor e cantor Chico Buarque de Holanda recebeu o Prêmio Camões, após quatro anos de espera. A cerimônia ocorreu ontem no Palácio de Queluz, local onde nasceu e morreu D. Pedro I, e onde eu estive com minha mãe em 2018; e já contei aqui no meu blog sobre a minha viagem a Portugal, com fotos que eu fiz. O Prêmio é de 2019, mas, infelizmente, o então presidente Jair Bolsonaro recusou-se a entregá-lo a Chico Buarque por questões meramente políticas. O presidente Lula está em visita oficial a Portugal e fez questão de entregar o prêmio, com a presença do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em seu discurso, Chico Buarque lembrou o pai:

“Ao receber esse Prêmio eu penso no meu pai, o historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, de quem herdei alguns livros e o amor pela língua portuguesa. Relembro quantas vezes interrompi seus estudos para lhe submeter meus escritos juvenis, que ele julgava sem complacência e sem excessiva severidade, para em seguida me indicar leituras que poderiam me valer numa eventual carreira literária. 

Mais tarde, quando me bandeei para a música popular, não se aborreceu, longe disso, pois gostava de samba, tocava um pouco de piano e era amigo próximo de Vinicius de Moraes, para quem a palavra cantada talvez fosse simplesmente um jeito mais sensual de falar a nossa língua. Posso imaginar meu pai coruja ao me ver hoje aqui, se bem que, caso fosse possível nos encontrarmos neste salão, eu estaria na assistência e ele cá, no meu posto, a receber o prêmio Camões com muito mais propriedade.”

E finalizou, destacando a importância da derrota do governo de Bolsonaro, a quem fez questão de fazer um agradecimento público:

“Quatro anos com uma pandemia no meio davam às vezes a impressão que um tempo bem mais longo havia transcorrido. No que se refere ao meu país, quatro anos de governo funesto duraram uma eternidade, porque foi um tempo em que o tempo parecia andar para trás. Aquele governo foi derrotado nas urnas mas nem por isso podemos nos distrair, pois a ameaça facista persiste, no Brasil e por toda parte. Hoje, porém nessa tarde de celebração, reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando seu espaço em branco para assinatura do nosso presidente Lula.

Recebo esse prêmio menos como uma honraria pessoal e mais como um desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo. Muito obrigado.” Na foto acima, Chico Buarque recebe o diploma. Ao lado, os presidentes de Portugal e do Brasil.  fr 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Presidente Lula vai assinar o Prêmio Camões a Chico Buarque, recusado por Bolsonaro em 2019

        O presidente Lula vai assinar o diploma do Prêmio Camões de Literatura do escritor e cantor Chico Buarque de Hollanda. Em 2019, o artista venceu a premiação, mas o então presidente Bolsonaro recusou-se a assinar, por questões meramente ideológicas. Uma atitude lamentável. O Prêmio Camões é organizado desde 1988 por Brasil e Portugal, que dividem o valor da premiação de 100 mil euros. A finalidade é destacar a atuação de "um autor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua comum".
        Em 2019, Bolsonaro chegou a debochar, dizendo que somente iria assinar o diploma no dia 31 de dezembro de 2026, quando, segundo ele, terminaria o seu segundo mandato. Mas, como todo mundo sabe, a sua arrogância e despreparo acabaram por contrariá-lo, já que a maioria da população decidiu nas urnas que ele não deveria ser reeleito.
        À época, Chico Buarque disse estar feliz pela recusa de Bolsonaro, o que, para ele, representava um segundo prêmio Camões. Ele deve receber o prêmio em Lisboa este ano, quando tem shows previstos para fazer em Portugal, onde se apresentou em 2018, quando eu estava lá; infelizmente não pude assistir. Devido à pandemia, os vencedores desde 2019 não receberam a premiação. fr

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

"Estorvo", Chico Buarque

“Estorvo”, Chico Buarque; 2ª edição, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, 158 páginas.
 
Este é o primeiro romance do compositor e cantor Chico Buarque. Mas, não gostei. Chico Buarque é um escritor renomado no Brasil e internacionalmente, o livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 1992, mas não gostei. “Estorvo” é muito descritivo dos lugares e situações, de forma exagerada; os personagens não têm nomes; e os acontecimentos sucedem-se sem nenhuma explicação. O personagem principal encontra as pessoas, mas ao leitor não é passada nenhuma contextualização de onde ele as conhece, ou, mesmo, quem elas são. Ainda assim, quero ler outros livros do autor.  fr

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Governo Bolsonaro segue linha ideológica para não assinar diploma do Prêmio Camões para Chico Buarque

         Muito mesquinha a atitude do presidente Jair Bolsonaro ao se recusar a assinar de imediato o diploma do Prêmio Camões de Literatura a ser entregue ao escritor e cantor Chico Buarque de Holanda. O artista brasileiro foi o vencedor da premiação deste ano, cuja escolha foi anunciada no dia 21 de maio, no Rio de Janeiro. O Prêmio Camões foi criado em conjunto por Brasil e Portugal em 1988, e tem por finalidade destacar a atuação de "um autor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua comum".

          Ao ser perguntado recentemente pela imprensa quando assinaria o diploma, Bolsonaro tentou fazer graça: “É segredo. Chico Buarque? Eu tenho prazo? Até 31 de dezembro de 2026 eu assino.” O presidente sempre criticou o PT (Partido dos Trabalhadores) por, supostamente, ter governado seguindo convicções ideológicas, mas está fazendo justamente isso. Não interessa se o Chico Buarque é simpático ao Lula, e contrário ao seu governo, o que realmente deve ser levado em conta é ele ser reconhecido pelo seu valor artístico dentro e fora do Brasil.

          Além do mais, Bolsonaro demonstra muita pretensão em afirmar que estará no poder até 2026, afinal ele sequer completou o seu mandato. E somente o povo pode dizer se vai querer que ele continue como presidente, na eleição de 2022. Chico Buarque publicou em uma rede social uma resposta à altura: “A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo Prêmio Camões”. A cerimônia de entrega do diploma está prevista para acontecer em abril do ano que vem.

            Esta é a 31ª edição do Prêmio Camões, iniciada em 1989, e o Chico Buarque é o 13º brasileiro a conquistá-lo. As outras edições premiaram 12 portugueses, dois moçambicanos, dois angolanos e dois cabo-verdianos. Entre os escritores já premiados, estão: João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles, João Ubaldo Ribeiro e Dalton Trevisan. Chico Buarque é mais conhecido pela sua obra musical, eu mesmo tenho vários de seus discos, mas ele também é dramaturgo e escritor. Independente da picuinha do presidente, Chico Buarque já recebeu o prêmio de 100 mil euros, metade pagos pelo governo português, e a outra metade pelo brasileiro. Aceita que dói menos, presidente! fr

quinta-feira, 19 de junho de 2014

70 anos de Chico Buarque

Hoje é o aniversário de um dos mais talentosos compositores e intérpretes da música brasileira. Chico Buarque completa 70 anos de vida. Em um momento em que a mídia dá mais espaço a "músicas" sem nenhum conteúdo, e a "cantores (as)" sem nenhum talento, é importante homenagear quem realmente merece. Deixo aqui uma das minhas músicas preferidas de Chico Buarque: "Vai Passar". Aumenta o som!   fr   
Vai Passar
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Francis Hime

Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ditadura nunca mais!: "Vai Passar" (Chico Buarque)

Hoje, o registro lamentável dos 49 anos do golpe militar de 1964, que deu início a um período vergonhoso de 21 anos na História do Brasil. Mais lamentável ainda é que no Brasil, ao contrário dos nossos vizinhos Argentina, Uruguai e Chile, os criminosos da ditadura brasileira não foram levados à Justiça para pagar pelos seus crimes. Que o Brasil NUNCA MAIS passe por uma ditadura novamente!  fr

Vai Passar
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Francis Hime

Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar
 

domingo, 21 de outubro de 2012

"Construção" (Chico Buarque de Hollanda)


Para quem gosta de boa música. "Construção", composta e interpretada por Chico Buarque de Hollanda, retrata a vida do trabalhador brasileiro, mal remunerado, desrespeitado e usado para o crescimento do país. Lançada em 1971, em plena ditadura militar, infelizmente ainda permanece atual.  Música não apenas para ouvir, mas para escutar e compreender.  fr   

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
"

Grande Chico Buarque de Holanda: "Vai Passar"


"Vai Passar"
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Francis Hime


Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar