
O antigo Convento do Carmo fica na Praça 15, no Centro do Rio de Janeiro. Ele foi a residência da rainha de Portugal D. Maria I desde a chegada da família real ao Rio, em 1808, fugindo da iminente invasão de Napoleão, até a morte dela, em 20 de março de 1816, aos 81 anos. A rainha estava doente, atormentada por sucessivos sofrimentos, como a morte do marido, D. Pedro III, em 1786, e do filho mais velho, D. José (que estava destinado a ser o futuro rei a sucedê-la), dois anos depois, e a Revolução Francesa, que resultou na execução na guilhotina do rei Luís 16 e da rainha Maria Antonieta. À época, não se falava em crise de ansiedade ou de pânico ou de distúrbios semelhantes, o que, possivelmente, fizeram com que a considerassem louca. O príncipe regente D. João passou a governar em seu lugar, como o homem mais velho dos filhos vivos.
O início da construção do edifício foi a partir do ano de 1619 como convento da Ordem do Carmo, ou Ordem dos Carmelitas. Ele foi reconstruído a partir de 1761. Com a chegada da família real, o Convento do Carmo foi confiscado para ser a residência da rainha, e os frades carmelitas tiveram que se mudar. Posteriormente, dois passadiços foram construídos: um ligando o convento ao então Paço Real, posteriormente conhecido como Paço Imperial, onde D. João residiu durante algum tempo e despachava, assim como, mais tarde, D. Pedro I e D. Pedro II fizeram; e outro ligando o convento à Igreja Nossa Senhora do Carmo, acima da Rua Sete de Setembro, antiga Rua do Cano (veja minhas fotos). Os passadiços eram para possibilitar que a rainha, o rei e os imperadores pudessem transitar sem serem obrigados a andar junto ao povo. Os passadiços foram derrubados após a proclamação da República.
Após a morte da rainha, o edifício do antigo convento passou a ser usado para diversas finalidades ao longo do tempo, entre elas como sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1840 a 1896. Mais recentemente, pertenceu à Universidade Candido Mendes até 2011, quando foi retomado pelo governo do estado do Rio; eu cheguei a estudar lá quando fiz um curso de Jornalismo em Rádio. O edifício do Convento do Carmo foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1964. Mas, ao longo desses anos o antigo convento passou por um período de abandono, sofrendo com alterações, principalmente com a inauguração, em 1978, do moderno edifício da Universidade Candido Mendes, com 42 andares e 140 metros de altura, o terceiro edifício mais alto da cidade do Rio de Janeiro e o 14º do Brasil. O jardim da rainha simplesmente sumiu, tendo sido cimentado. Até onde se sabe, o mobiliário da época de D. Maria I foi perdido, infelizmente.
Depois de passar por uma restauração em 2022, o edifício histórico do antigo Convento do Carmo passou a ser administrado pela Procuradoria Geral do Estado do Rio e a sediar o seu Centro Cultural. No local, são realizadas exposições de arte e onde está localizada a Biblioteca do órgão, com um acervo de aproximadamente 90 mil itens. Eu visitei o antigo Convento e fiz uma visita guiada com um estagiário da Procuradoria, visitando todo o segundo andar do prédio, justamente onde ficava o quarto de D. Maria I, foi interessante. De acordo com o guia, o piso do quarto da rainha ainda é o mesmo; atualmente ele é utilizado como sala para aulas e palestras (veja minhas fotos). No primeiro andar do edifício fica um pequeno restaurante e salas para exposições, e no terceiro estão a parte administrativa e salas de aula. Ao término da postagem, publico fotos e pinturas históricas do antigo Convento do Carmo. fr 















































