Assisti os cinco episódios da minissérie “Brasil 70: a saga do Tri”, da Netflix, que está fazendo enorme sucesso contando o período de preparação e os jogos do Mundial do México, mas, também, o que se passou fora de campo. Em 1970, o Brasil estava sofrendo com a ditadura militar e o governo procurou aproveitar o futebol para conquistar a simpatia da população. A minissérie mostra algumas passagens que são pouco divulgadas. O Pelé sofria por não ter completado os dois Mundiais anteriores. Em 1962, no Chile, quando a seleção brasileira foi bicampeã, Pelé jogou a estreia, na vitória sobre o México por 2x0, e fez um dos gols, o outro foi de Zagallo. No segundo jogo, no empate em 0x0 com a Tchecoslováquia, ele sofreu uma distensão na virilha que o tirou da Copa. Garrincha e Amarildo, do Botafogo, foram os destaques e o Brasil foi bicampeão mundial. Quatro anos depois, na Inglaterra, o Brasil foi eliminado logo na primeira fase (2x0 Bulgária, 1x3 Hungria e 1x3 Portugal) e Pelé sofreu com marcações violentas, principal no jogo contra Portugal, em que saiu de campo amparado e com a perna sangrando. Naquele ano, muitos disseram que Pelé já não era mais o mesmo, e ele jurou nunca mais jogar pela seleção, mas, em 1968, ele decidiu voltar a vestir a camisa do Brasil. A minissérie conta também um trauma de Pelé na infância. Quando criança, ele costumava jogar bola nos barrancos na cidade de Bauru, em São Paulo. Em um dia de forte chuva, quando jogavam bola, um dos meninos foi soterrado e morreu. Edson Arantes do Nascimento carregou esse trauma por toda a vida. E no Mundial de 1970, no México, ele sofria com essa lembrança e acreditava ter uma dívida com Deus por ele ter sido salvo, acreditava que não iria terminar, mais uma vez, um Mundial. O goleiro Félix também sofreu com um fantasma, o de 1950, em que o goleiro Barbosa foi considerado culpado pela perda do Mundial disputado no Brasil, na derrota para o Uruguai no Maracanã, de virada, por 2x1. O seu medo era falhar e também ser marcado pela perda do tri. A minissérie mostra a demissão do treinador João Saldanha na véspera do Mundial, que teria sido solicitada pelo governo militar; o desentendimento do zagueiro Fontana com Pelé; a superstição do novo treinador, Zagallo; e a tensão no jogo contra o Uruguai por conta da derrota em 1950. A minissérie foi filmada no Brasil e no México, e os lances dos jogos foram reconstituídos pelos próprios atores. A direção é de Paulo, Pedro e Quico Morelli. O elenco principal: Rodrigo Santoro (João Saldanha); Bruno Mazzeo (Zagallo); Lucas Agrícola (Pelé); Gui Ferraz (Jairzinho); Ravel Andrade (Tostão); Daniel Blanco (Rivellino); Hugo Haddad (Félix) e o personagem fictício, o locutor Eusébio Teixeira (Marcelo Adnet). fr

















































