SEJA ÉTICO

SEJA ÉTICO: Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução do conteúdo deste blog com a devida citação de sua fonte.
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo Argentina 1978. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo Argentina 1978. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de novembro de 2019

Tampinhas com os jogadores da seleção de 1978

Eu já escrevi aqui, no meu blog, sobre a primeira Copa do Mundo que eu acompanhei, que foi a de 1978, na Argentina. E uma das lembranças daquela época são as tampinhas colecionáveis da Coca-Cola e Fanta, com os rostos dos jogadores selecionáveis para vestir a camisa do Brasil naquele Mundial. Olhando, agora, percebo que uma das tampinhas era do Paulo Cesar Carpegiani, que acabou não indo para a Argentina. Eram 35 tampinhas amarelas e outras 35 verdes. Eu me lembro de colecioná-las, sem grande preocupação de guardá-las por um tempo muito grande, claro, afinal era apenas uma criança. Além disso, as tampinhas enferrujavam... Essas tampinhas tinham duas cores justamente para poderem ser usadas em lados opostos no jogo de botão. Pesquisando na internet, encontrei anúncios dessas tampinhas com preços que vão dos R$ 26,90 aos R$ 1.950,00! É bem verdade que pedir é uma coisa, vender é outra bem diferente... kkkkkkk Muito legal relembrar essa época! fr

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A 1ª Copa do Mundo que eu acompanhei: Argentina 1978

          A primeira Copa do Mundo que eu assisti foi a de 1978, na Argentina, ainda em uma televisão preto e branco (à época, as televisões a cores ainda estavam se popularizando no país). A seleção brasileira terminou em terceiro lugar, única invicta, e o Mundial ficou marcado pela forma como a seleção anfitriã se classificou para jogar a final, no lugar do Brasil, em um dos jogos mais polêmicos da história dos Mundiais, vencido pela Argentina por 6x0 sobre o Peru. Aquela Copa do Mundo foi disputada por 16 países, em duas fases, e, depois, as semifinais, a disputa do terceiro lugar e a final. Na segunda fase, o grupo A foi formado por Itália, Alemanha Ocidental, Áustria e Holanda, tendo esta ido à final. Brasil e Argentina disputaram o grupo B, com Polônia e Peru.
       O Brasil e a Argentina venceram os seus jogos com a Polônia, e empataram entre si em 0x0, chegando na última rodada empatados no número de pontos, e ambos com uma vitória e um empate, mas a seleção canarinho tinha três gols marcados a mais, e o critério de desempate era justamente este. Os jogos da última rodada deveriam ser realizados no mesmo dia e horário, mas houve uma mudança, e o Brasil acabou jogando primeiro, à tarde, e venceu a Polônia por 3x1. Portanto, a Argentina, que jogou à noite, foi a campo já sabendo que precisava vencer o Peru por pelo menos quatro gols de diferença para passar o Brasil, e garantir a vaga para a final. Acabou vencendo por 6x0!
        Eu revi recentemente todos os sete jogos da campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1978, mais o polêmico jogo da Argentina com o Peru, além da final, em vídeos disponibilizados no youtube. O jogo da grande polêmica entre Argentina e Peru eu só encontrei com narração em espanhol, mas deu para assistir. Dos 22 jogadores convocados, somente quatro jogaram todos os sete jogos completos deste Mundial, sem serem substituídos em nenhum deles: Leão, Oscar, Amaral e Batista. O capitão da seleção brasileira nesse Mundial era o Rivellino, mas nos jogos em que ele não jogou por estar contundido, ele foi substituído pelo goleiro Leão. Naquela época, algumas coisas eram bem diferentes de hoje em dia:
 
. Todos os jogadores brasileiros convocados atuavam em clubes brasileiros;
. Cada vitória ainda valia dois pontos;
. Ainda era permitido ao goleiro pegar com as mãos as bolas que lhe eram atrasadas pelos seus companheiros com o pé;
. Não havia muitas bolas em volta do campo, para imediata reposição;
. As barreiras se adiantavam constantemente;
. Nos jogos que eu revi era comum os jogadores cobrarem as faltas com a bola em movimento, sem os árbitros mandarem cobrar novamente;
. Os árbitros não puniam com o cartão amarelo o jogador que fazia falta no adversário que estivesse em ataque com real perigo ao gol;
. A televisão não repetia muito os lances, e raramente mostrava o tempo de jogo;
. O goleiro Leão jogou com o nome "Brasil" estampado em sua camisa;
. Os fotógrafos ficavam muito próximos dos gols, espalhados entre as duas marcas de escanteio; colocando-se em risco, alguns chegaram a ser atingidos por bolas chutadas com muita força. fr

Primeira fase

Primeira fase, grupo 3:

03/6/1978: Brasil 1x1 Suécia – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata
 

Não foi um bom jogo, o segundo tempo foi mesmo muito ruim. Rivellino correu muito, e passava por ele a maioria das jogadas brasileiras. A Suécia abriu o placar aos 37 minutos do primeiro tempo, com Sjoberg, após Zico perder a bola no campo de ataque e dar origem a um contra-ataque, e a defesa brasileira bobear. Menos de um minuto depois, Toninho Cerezo deu um passe lateral no meio-campo, que lembrou muito a besteira que ele viria fazer quatro anos depois no jogo com a Itália, que nos eliminou do Mundial da Espanha. Para sorte brasileira, em 1978, Sjoberg não conseguiu interceptar o passe. Aos 45 minutos, o mesmo Cerezo fez um lançamento da direita para Reinaldo, que venceu o marcador e fez o gol de empate e comemorou com o braço direito erguido e o punho fechado, um gesto, segundo ele mesmo disse anos depois, "revolucionário e socialista". Nesse jogo aconteceu um dos maiores erros da arbitragem em Mundiais. Aos 45 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio cobrada por Nelinho, Zico marcou de cabeça o gol de desempate, mas o árbitro galês Clive Thomas não o validou, alegando ter encerrado o jogo enquanto a bola estava no ar. Um absurdo! Apesar de não ter feito uma boa estreia, o Brasil merecia  mais a vitória do que a Suécia. fr
 
Escalação (em ordem numérica da camisa): Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Dirceu), Edinho, Zico, Reinaldo, Rivellino, Batista e Gil (Nelinho).

 
07/6/1978: Brasil 0x0 Espanha – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata                                                  
 
O jogo foi ruim – principalmente o primeiro tempo – , com muitos passes errados, de ambos os lados. Rivellino não jogou, devido a uma contusão, e o goleiro Leão passou a capitão. Aos 11 minutos do segundo tempo, após lançamento de Dirceu em profundidade do meio-campo para Toninho Cerezo, dois jogadores espanhóis esperaram que o goleiro fizesse a defesa, a bola sobrou livre para Reinaldo, que chutou em cima do goleiro. Uma excelente oportunidade desperdiçada. Nesse jogo, no segundo tempo, Jorge Mendonça começou a aquecer aos 21 minutos, mas somente entrou no lugar de Zico aos 39; foram 18 minutos aquecendo. Aos 29 minutos do segundo tempo, após péssima saída de Leão, a bola sobrou limpa para o espanhol, mas Amaral salvou o gol duas vezes (veja o vídeo abaixo). Foi a melhor oportunidade do jogo. No outro jogo da rodada, a Áustria garantiu sua classificação para a segunda fase, ao vencer o seu segundo jogo. O Brasil, com apenas dois empates, ainda tinha que vencer o próximo jogo para garantir sua classificação. fr
 
Escalação: Leão, Nelinho (Gil), Oscar, Amaral, Edinho, Toninho Cerezo (Chicão), Batista, Dirceu, Toninho, Reinaldo e Zico (Jorge Mendonça).
 

11/6/1978: Brasil 1x0 Áustria – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata
 
O Brasil jogou sem Reinaldo e Rivellino, precisando da vitória para garantir a classificação. Zico somente entrou aos 38 minutos do segundo tempo. E o gol somente saiu aos 40 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Jorge Mendonça nos pés de Roberto Dinamite, que chutou no ângulo direito do gol austríaco; a bola ainda desviou em um adversário. O goleiro Leão não foi exigido no primeiro tempo. O segundo tempo foi bem melhor, e foi equilibrado. Apesar da derrota, a Áustria acabou em primeiro no grupo, com o Brasil em segundo. Ambos terminaram com quatro pontos, mas os austríacos tiveram duas vitórias, e o Brasil somente uma. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto, Toninho Cerezo (Chicão), Batista, Jorge Mendonça (Zico), Roberto Dinamite, Dirceu e Gil.

Segunda fase

Segunda fase, grupo B:

14/6/1978: Brasil 3x0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
 
Foi o jogo mais equilibrado e de melhor qualidade do Brasil até o momento, principalmente o primeiro tempo. O primeiro gol brasileiro saiu aos 14 minutos do primeiro tempo, um golaço de falta, cobrada por Dirceu.  Treze minutos depois, o mesmo Dirceu fez o segundo, chutando de fora da área, e contando com a falha do goleiro peruano, Ramón Quiroga.
Zico somente entrou aos 25 minutos do segundo tempo, no lugar de Gil; até então no banco de reservas apareceu na trasmissão filmando o jogo. Um minuto depois, Roberto Dinamite foi puxado pela camisa e derrubado dentro da área. O próprio Zico cobrou e fez o seu primeiro gol em Mundiais. Na Copa do Mundo de 1986, no México, Zico viria a perder um pênalti contra a França, após também entrar no jogo pouco antes da cobrança, e o Brasil acabou eliminado na cobrança na marca dos pênaltis.
A seleção brasileira não exibiu muita qualidade técnica, mas muita disposição e forte marcação. Este foi também o jogo em que o goleiro Leão foi mais exigido, ao contrário dos anteriores. O goleiro peruano jogou com o calção branco, da mesma cor dos seus companheiros. No outro jogo do grupo B, disputado no mesmo dia, a Argentina venceu a Polônia por 2x0. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Chicão), Dirceu, Rodrigues Neto, Batista, Gil (Zico), Jorge Mendonça e Roberto Dinamite.
 
18/6/1978: Brasil 0x0 Argentina – Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
 
Os jogadores argentinos jogaram com o uniforme tradicional com os calções e meiões pretos, da mesma cor do uniforme do árbitro, todo de preto, o que não deveria ocorrer. Acho que naquela época os árbitros ficavam mais restritos a cor preta nos uniformes. Logo no início do jogo, aos 10 segundos, Batista levou um chute de Luque, sem bola, mas o árbitro nem marcou a falta; faltou-lhe coragem para dar o cartão vermelho. Muito papel em campo, principalmente na área do gol defendido pelo goleiro brasileiro, como de costume nos jogos da Argentina. Aos nove minutos, Batista derrubou Kempes, e Gil chutou a bola em cima do argentino; o árbitro não deu o amarelo. Dois minutos depois, foi a vez de Toninho pegar o tornozelo de Ortiz, e também não receber amarelo. Aos 28 minutos, mais uma falta para amarelo que o árbitro não deu: Gil em Ardiles. Aos 40 minutos, Gil entrou de sola em um argentino, era para cartão vermelho, mas o árbitro somente marcou a falta. O árbitro húngaro Karolai Palotai foi muito condescendente no aspecto disciplinar, e somente deu o primeiro amarelo aos 44 minutos do primeiro tempo, após falta feia de Chicão em Kempes. Um jogo com pouco futebol e muitas faltas duras de ambos os lados. As poucas oportunidades criadas foram desperdiçadas: no primeiro tempo, Gil, aos 16 minutos, de frente com Fillol; Ortiz, aos 36 minutos, também de cara com Leão; e no segundo tempo, Rodrigues Neto chutando para a defesa do goleiro argentino, cara a cara. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto (Edinho), Batista, Chicão, Dirceu, Gil, Roberto Dinamite e Jorge Mendonça (Zico).
 
21/6/1978: Brasil 3x1 Polônia – Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
 
Zico começou jogando, mas logo em seu primeiro ataque, aos dois minutos do primeiro tempo, ficou sentindo após um choque com um adversário. Saiu cinco minutos depois, sendo substituído por Jorge Mendonça. Aos quatro minutos, o árbitro errou contra o Brasil ao marcar impedimento em um ataque brasileiro de grande perigo. Aos 13 minutos, mesmo sem estar bem no jogo, a seleção brasileira fez o seu primeiro gol. Após Gil ser derrubado próximo à meia-lua adversária, Nelinho cobrou com força no ângulo esquerdo do gol polonês. Aos 44 minutos, Toninho, Oscar e Amaral se atrapalharam, a bola sobrou para Lato, dentro da área, fazer o gol de empate. Uma falha inacreditável da defesa brasileira. A torcida presente ao estádio, em sua maioria de argentinos, fez a festa. Aos oito minutos do segundo tempo, Toninho Cerezo fez mais uma falta feia, dando uma banda em um adversário, levando cartão amarelo, quando deveria ter sido expulso. Aos 12 minutos, Jorge Mendonça chutou a bola na trave e Roberto Dinamite, bem colocado, aproveitou o rebote para desempatar. A Polônia naquele momento estava melhor, apesar de também errar muito. O terceiro gol brasileiro foi resultado de muita insistência. Aos 16 minutos, após bonita jogada individual de Dirceu, que correu para evitar a saída de bola junto à bandeira de escanteio, e driblar Maculewicz entre as pernas, ele passou a Gil, este rolou para Jorge Mendonça que chutou na trave, em seguida Gil chutou no travessão. O Brasil continuou com a bola e no meio-campo, após disputa com o adversário, sobrou para Dirceu chutar da intermediária e mandar a bola novamente na trave, e, em seguida sobrou para Dinamite completar para o gol. Foram três vezes em que a bola bateu na trave! Aos 22 minutos, Lato perdeu excelente oportunidade, após falha de Amaral, mandando rente à trave do gol brasileiro. Aos 26 minutos, Jorge Mendonça fez falta feia em Szarmach, que ficou sem a chuteira e fez que ia atacá-la em Mendonça, muito engraçado! Mendonça não levou cartão amarelo. Aos 37 minutos, um jogador polonês perdeu um gol incrível, chutando para fora com o gol aberto. O jogo teve muitas faltas duras, e o árbitro errou muito. Com a vitória, o Brasil chegava aos cinco pontos, com cinco gols de saldo, contra três pontos da Argentina, que tinha apenas dois gols de saldo. Portanto, os argentinos iriam jogar com o Peru, à noite, sabendo que precisavam vencer de pelo menos quatro gols de diferença para passar o Brasil, e garantir a vaga para a final, o que acabou acontecendo, com a goleada de 6x0. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Rivellino), Zico (Jorge Mendonça), Dirceu, Nelinho, Batista, Gil e Rodrigues Neto.

Argentina classifica-se para a final em goleada polêmica sobre o Peru

        Fiz questão também de assistir novamente ao polêmico jogo entre Argentina e Peru, disputado no dia 21 de junho, no estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, e que terminou na goleada de 6x0 que classificou o país anfitrião à final do Mundial. Os argentinos entraram em campo sabendo que precisavam de uma vitória de, pelo menos, quatro gols de diferença. E a torcida estava bastante animada, reforçada pela presença do presidente do país, o ditador militar Jorge Rafael Videla. 
      Os peruanos até que começaram levando perigo. Aos onze minutos do primeiro tempo, mandaram uma bola na trave. E aos quinze, Oblitas quase marcou, obrigando o goleiro Fillol – que, anos mais tarde, viria jogar no Flamengo – a fechar o gol. Mas o primeiro gol da goleada saiu aos 21 minutos, na primeira ameaça real argentina , com Kempes. Quatro minutos depois, Luque mandou na trave, e aos 27 minutos os argentinos acertaram o travessão. 
    Aos 38 minutos, Tarantini lançou à área e três argentinos ficaram diante do goleiro adversário, que saiu bem, fechando o gol; na sequência Luque foi derrubado dentro da área, mas o árbitro marcou impedimento. Aos 43, após cobrança de escanteio, Tarantini marcou o segundo gol da noite, de cabeça, sem precisar nem pular, e sem marcação. 
    Logo aos três minutos do segundo tempo, Kempes tabelou com um companheiro dentro da área e ficou de frente ao goleiro peruano, vencendo quatro marcadores e fazendo o terceiro. Um minuto depois, após cruzamento da esquerda, Luque, sem marcação, fez fácil o quarto. Aos 21 minutos, Houseman recebeu o passe para marcar fácil o quinto gol. No segundo tempo, os argentinos entravam sem nenhuma dificuldade na área peruana. 
    O sexto e último gol foi resultado de uma falha ridícula do peruano Duarte, que estranhamente se enrolou com a bola, deixando que um argentino a tomasse e fizesse o passe para Luque fechar a goleada, e confirmar a classificação argentina. A seleção peruana se comportou no segundo tempo de maneira muito apática, completamente diferente do primeiro. Curiosidade: o goleiro do Peru, Ramón Quiroga, nasceu na Argentina, tendo se naturalizado peruano, e acabou por disputar também o Mundial da Espanha, quatro anos depois. fr

Frases: Claudio Coutinho

"Os que atuaram contra a Argentina não têm mais condições de ouvir o hino nacional de sua pátria em uma competição. Estou arrasado, frustrado, decepcionado. Tenho certeza de que esse time do Peru, pois conheço a maioria, não podia perder de seis. E vou além: se a Argentina precisasse de mais gols, marcaria tantos quantos fossem necessários para ser a primeira colocada do grupo. Onde está o time peruano que venceu a Escócia e empatou com a Holanda?"

CLAUDIO COUTINHO Jornal do Brasil, 22/6/1978

Brasil vence a Itália e fica em terceiro no Mundial de 1978

Decisão do terceiro lugar:
24/6/1978: Brasil 2x1 Itália – Estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires
 
O Brasil foi a campo para disputar o terceiro lugar do Mundial com a Itália, tendo Zico, Rivellino e Reinaldo no banco de reservas, e a torcida argentina, a maioria no estádio, torcendo contra e nos vaiando. No time italiano estavam em campo alguns dos jogadores que viriam disputar, quatro anos mais tarde, o Mundial da Espanha. E entre eles, o atacante Paolo Rossi, autor dos três gols da vitória da Itália sobre o Brasil que viria a nos eliminar em 1982. O jogo foi de muita marcação mútua. A Itália abriu o marcador aos 38 minutos do primeiro tempo, com Causio, de cabeça, de frente ao goleiro Leão, aproveitando cruzamento da direita de Paolo Rossi. Dois minutos depois, Paolo Rossi recebeu passe de Cuccureddu, entre dois brasileiros, ficou de frente com Leão, mas, felizmente, chutou na trave. Aos 44 minutos, Batista fez falta feia, sem bola, em Roberto Bettega, recebendo cartão amarelo, quando deveria ter sido expulso. Na volta para o segundo tempo, Reinaldo entrou no lugar de Gil, e fez um gol, após passe de Dirceu dentro da área, mas corretamente anulado porque Dirceu ajeitou a bola com a mão. Aos 13 minutos, o árbitro não marcou pênalti quando Jorge Mendonça foi derrubado dentro da área. A televisão não repetiu o lance, como atualmente faz, e de diferentes ângulos. O segundo tempo foi do Brasil; até os 27 minutos, o goleiro Leão sequer tocou na bola. O gol de empate saiu aos 19 minutos, um golaço de Nelinho, após receber um passe de Roberto Dinamite, ele chutou da intermediária, com muito efeito, no canto direito do gol italiano. Um minuto depois, Rivellino entrou no lugar de Cerezo, que saiu balançando a cabeça, insatisfeito. Aos 26 minutos, o Brasil desempatou com outro golaço, dessa vez de Dirceu, em bola que sobrou na meia-lua, e ele chutou de esquerda no canto direito do gol da Itália. Os italianos passaram a abusar das faltas, e os jogadores de ambas seleções passaram a se entranhar, principalmente com Rivelino, que reclamava bastante. Um minuto depois, Gentile entrou muito duro em Rodrigues Neto, e deveria ter sido expulso, mas recebeu apenas o cartão amarelo. Aos 33 minutos, Patrizio Sala acertou feio Batista e também deveria ter sido colocado para fora, mas o árbitro israelense Abraham Klein nem cartão amarelo deu. Aos 41 minutos, os jogadores brasileiros reclamaram outro pênalti, após a bola bater na mão de um italiano dentro da área; o árbitro entendeu ter sido involuntário. Faltando um minuto para o fim do jogo, após cobrança de falta na intermediária, a bola foi lançada na área e um italiano mandou de cabeça no travessão. Se entrasse, o empate teria levado o jogo à prorrogação. O Brasil venceu a Itália e conquistou o terceiro lugar no Mundial da Argentina. O treinador Claudio Coutinho definiria a seleção brasileira como a "campeã moral" de 1978, tendo em vista o arranjo do jogo dentre argentinos e peruanos. fr
 
Escalação: Leão, Rodrigues Neto, Oscar, Amaral, Nelinho, Batista, Toninho Cerezo (Rivellino), Dirceu, Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Jorge Mendonça.

Argentina vence Holanda e fica com a taça

Assisti também, mais uma vez, ao jogo da final, entre Argentina e Holanda, realizado dia 25 de junho, no estádio Monumental de Nuñez, o mesmo que no dia anterior recebeu a disputa do terceiro lugar. Assim como nos demais jogos da seleção argentina, havia muito papel no gramado. O jogo, uma final de Mundial, teve o seu início atrasado em oito minutos por conta de uma atadura na mão direita do jogador holandês Van De Kerkhof. Os argentinos, à frente o capitão Passarela, reclamaram que a atadura estava com uma armação muito dura e poderia ferir algum jogador, e ela teve que ser refeita. Logo o início do jogo mostrou um nervosismo muito grande de ambos os lados, com faltas, reclamações e atritos. Aos 15 minutos, mais um desentendimento em campo, com um holandês reclamando ter sido atingido sem bola no estômago, mas o árbitro italiano Sergio Gonella não atendeu sua reclamação. Um jogo muito nervoso, principalmente por parte do argentino Bertoni, mas também muito disputado, com chances de parte a parte, e com a Argentina tendo mais iniciativa. Aos 37 minutos, em ataque que envolveu a defesa holandesa, Kempes fez 1x0, para delírio da torcida argentina. Aos 44 minutos, Rensenbrink finalizou de frente para o goleiro Fillol, que fez uma difícil defesa, impedindo o gol de empate. No segundo tempo, a Argentina se fechou após os 15 minutos, tentando ampliar o marcador através dos contra-ataques. Mas, aos 36 minutos a Holanda empatou, com um gol de cabeça de Nanninga, subindo mais do que os seus marcadores. No último minuto de jogo, a Holanda quase faz o gol que seria o do título. Em cobrança de falta no meio-campo, Rensenbrink foi lançado, foi mais rápido que o marcador argentino e chutou na trave. A final foi para a prorrogação. Aos três minutos do primeiro tempo, o holandês Wim Suurbier acertou com muita violência o argentino Bertoni, mas não foi expulso, como deveria, levando somente o cartão amarelo. Um minuto depois, Larrosa deu o troco e acertou o holandês, mas não foi punido com cartão. Aos 14 minutos, Bergomi livrou-se da marcação e deu passe para Luke, que passou por dois holandeses e chutou para a defesa do goleiro, mas ele aproveitou o rebote e marcou o gol de desempate. Aos três minutos do segundo tempo, um holandês fez falta em Larrosa, derrubando-o, e depois chutou a bola no rosto do argentino. O árbitro não o expulsou. A final foi um jogo nervoso, com muitas faltas, e o árbitro foi muito condescendente. Os argentinos, claro, aproveitaram para ganhar tempo sempre que podiam. Aos nove minutos, Kempes fez tabela com Bertoni e chutou para fazer o terceiro gol argentino e garantir o primeiro título do país vizinho. Os argentinos foram superiores na prorrogação. E a Holanda ficou com o seu segundo vice-campeonato mundial consecutivo. Festa na Argentina, em plena ditadura militar, uma das mais violentas e covardes da América Latina. fr

Jogadores convocados para o Mundial de 1978