O italiano Davide Ancelotti, atual treinador do Botafogo e que está completando 36 anos hoje, surpreendeu a todos falando bem o português, em pouco tempo, um mês. Em entrevista aos jornalistas, ele contou ter facilidade de aprender idiomas, falar também espanhol, francês, inglês e alemão, além, é claro, do italiano. Segundo Davide, ele procurou aprender o nosso idioma em respeito ao Botafogo, a seus torcedores e aos profissionais com quem trabalha. Está de parabéns! Eu sempre falo que acho um absurdo ver alguns treinadores estrangeiros virem trabalhar no Brasil e não fazerem o menor esforço para se comunicarem com os jornalistas e jogadores no idioma do país onde estão trabalhando. Um exemplo perfeito disso era o treinador argentino Jorge Luis Sampaoli, que comandou o Santos, o Atlético Mineiro e o Flamengo durante anos e quando dava entrevistas não fazia o menor esforço para falar em português, nem mesmo em "portunhol". Ele só falava em espanhol, e as pessoas que se virassem para entender o que ele queria dizer. Mas quando são os treinadores e jogadores brasileiros que vão para o país dele e outros países que têm o idioma espanhol, ou inglês, como idioma oficial, eles têm que se esforçar para aprender o idioma onde trabalham. Mas, no Brasil, é o contrário. São os jornalistas brasileiros que procuram falar em espanhol quando vão fazer perguntas para os treinadores e jogadores de países de língua espanhola. fr
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terça-feira, 22 de julho de 2025
sexta-feira, 28 de março de 2025
sábado, 24 de agosto de 2024
Linguista português afirma que em apenas algumas décadas língua falada no Brasil será 'idioma brasileiro'
Shin Suzuki
Da BBC News Brasil em São Paulo 21 agosto 2024
A língua de Portugal não nasceu exatamente em Portugal. E o Brasil, a principal ex-colônia portuguesa, fala um idioma que cada vez mais se modifica e será chamado em um futuro breve de "brasileiro", e não mais de "língua portuguesa".
São visões que talvez mexam com o orgulho do lusitano, o povo que construiu o primeiro Estado moderno europeu e deixou nos continentes americano, africano e asiático marcas profundas de sua cultura (e também da dominação pela força).
O defensor dessas visões, porém, é justamente um português: o linguista Fernando Venâncio. Ele teve publicado recentemente no Brasil o livro Assim Nasceu uma Língua (editora Tinta da China).
Venâncio argumenta — apoiado em diversos estudos acadêmicos e registros históricos — que o idioma português nasceu em um território do qual somente uma parte é atualmente Portugal: o Reino da Galiza, fundado no século 5 d.C., após a dissolução do Império Romano.
"A simples ideia de que, algum dia, um idioma estrangeiro possa ter sido a língua de Portugal é-nos insuportável", escreve o linguista.
Para se ter uma ideia, Lisboa, atual centro da vida portuguesa, levou mais 700 anos sob outro domínio: o dos árabes que ocuparam a Península Ibérica.
Até então, Lisboa (e grande parte da península) falava moçárabe — uma variedade de dialetos de origem latina com influência do árabe, que era padrão na vida institucional da época e legou palavras como "almofada", "açougue" e até "fulano". No decorrer desse tempo, a língua galega já tomava forma.
A parte principal do antigo Reino da Galiza é atualmente a Galícia, comunidade autônoma da Espanha conhecida por cidades como A Coruña, Vigo e Santiago de Compostela (esta considerada "berço simbólico" da língua galega e mais conhecida pelo Caminho de Santiago).
Movimentos locais tentam hoje em dia valorizar o uso do galego, que sofreu um processo de apagamento e desprezo tanto por portugueses quanto por espanhóis. O castelhano tem larga preferência no dia a dia da Galícia, principalmente nas grandes cidades.
"Há galegos que fazem o possível para inverter o processo, mas é muito difícil porque é o castelhano que tem prestígio", diz Venâncio à BBC News Brasil.
"É em castelhano que se cantam as canções mais correntes diárias da própria Espanha. O galego é visto como uma língua rural, uma língua de aldeão."
Um exemplo dessa tensão está na produção espanhola Mar Adentro (2004), estrelada por Javier Bardem e vencedora do Oscar de melhor filme internacional. É passada na Galícia agrária, rústica e tem diálogos em galego.
O idioma não tem na Espanha o mesmo prestígio e adesão do catalão, falado como primeira língua por parte considerável da população de Barcelona e que é expressão das aspirações de independência da Catalunha em relação a Madri.
Já a razão para a dissipação histórica das raízes galegas na língua portuguesa está justamente, explica Venâncio, na construção da identidade nacional de Portugal — fundado como reino no ano de 1139.
Os portugueses precisavam cultivar uma narrativa de unidade e de diferença em relação a outras regiões. Assim, as pegadas originalmente vindas da Galícia, um reino que cairia sob a esfera de Castela nos séculos seguintes, foram sendo apagadas.
Segundo o linguista, a própria ideia do "galego-português", termo que costuma designar uma forma antiga do português, estudado em livros escolares brasileiros por meio das obras de Gil Vicente (dramaturgo dos séculos 15 e 16, autor do Auto da Barca do Inferno), é um exemplo de disfarçar essas raízes.
A língua portuguesa nasceu simplesmente galega, sustenta Venâncio, e depois foi sendo transmitida para a parte sul do reino, ganhando seus contornos próprios, hoje distintos das suas origens — embora o português siga mais próximo do galego do que do castelhano.
Por sinal, a clássica idealização de que a palavra saudade só existe na língua portuguesa cai por terra em uma simples consulta a um dicionário de galego.
'Língua brasileira'
Apesar de seus 79 anos e décadas de estudo da língua portuguesa (e de seu ensinamento em universidades holandesas), Venâncio está longe de ser um purista.
Ele diz que não vê "como tragédia e nem sequer como um drama" a entrada de termos brasileiros — como "geladeira" — na fala de crianças portuguesas.
"O exemplo que normalmente se dá é, em vez de frigorífico, dizer geladeira. Portanto, podemos admitir que uma criança chega ao pé da mãe e pergunte 'posso tirar isto ou aquilo da geladeira?' A criança não está a falar brasileiro, está a falar um pouco à brasileira e, na vida real, isso não tem importância. Mas é um fato que esse processo se dá", diz Venâncio.
Mesmo com a influência do linguajar brasileiro sobre a população portuguesa, o linguista considera que está em curso um processo de separação entre as duas variantes, e não de união.
"Não há maneira de retroceder, não há maneira de travar esse processo de afastamento entre o português e o brasileiro", diz Venâncio, que já pensa intuitivamente na variante como um idioma à parte.
"O brasileiro é uma língua magnífica. Desculpe: é uma norma [variante] magnífica", corrige-se.
"Bem, é possível que você ainda viva quando se formar uma língua brasileira, o que, digamos, não será o meu caso."
Esses elementos impediriam a afirmação de que há uma "língua brasileira".
Venâncio não entra nestas questões técnicas. Diz, no entanto, que a linguagem brasileira que chama de "espontânea", mais distante da norma culta tradicional, está aos poucos separando a nossa variante do português europeu.

"Isso é uma maneira de medir [o processo de separação]. E é uma maneira também de colocar a questão. O falante culto brasileiro também fala de uma maneira mais espontânea, de uma maneira mais 'diária', e esse processo vai ser cada vez mais acelerado", afirma.
"E sabemos que nos processos de mudanças da língua há sempre esses momentos de aceleração. Vai dar-se um afastamento do português europeu. Não sabemos quando é que será. Só sabemos dizer que isso é inevitável."
O linguista tenta resolver a questão ao concluir Assim Nasceu uma Língua afirmando: "O português promete, pois, dividir-se — ou multiplicar-se — em outros idiomas, tal como um dia aconteceu à língua dos romanos, que, por eles, não tinham destas andanças da história a mínima ideia. Sabermos isso faz-nos, a nós, mais felizes? É o mais certo".
Fonte: BBC News Brasil
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
Museu da Língua Portuguesa

O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006, na Estação da Luz, em São Paulo, com o projeto dos arquitetos Paulo e Pedro Mendes da Rocha, pai e filho. O idioma é um dos mais falados no mundo, graças, principalmente, a nós, brasileiros. O museu tem três andares. No primeiro, estão as exposições temporárias; no segundo, que tem pouca iluminação, os visitantes passam por vários painéis, em que mostram, por exemplo, a origem do idioma, a influência recebida de outras línguas, os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial e as diferenças de sotaque. No terceiro andar, tem um auditório e pode-se ir até ao Terraço Paulo Mendes da Rocha, de onde se vê a Torre do Relógio da Estação da Luz e a região em torno do museu. Um grande incêndio em 21 de dezembro de 2015 destruiu dois andares do museu, fazendo com que ele ficasse fechado à visitação pública por quase seis anos para a restauração de suas instalações; foi reinaugurado apenas em 31 de julho de 2021. Como a maior parte do acervo é virtual, não houve nenhuma perda. O Museu da Língua Portuguesa é administrado por uma entidade privada sem fins lucrativos, o IDBrasil Cultura, Educação e Esporte, através de contrato firmado com o governo do Estado de São Paulo em julho de 2012. fr



segunda-feira, 19 de junho de 2023
quinta-feira, 19 de maio de 2022
Língua portuguesa: diferença entre seu e teu
O diretor-geral de um banco estava preocupado com um jovem e brilhante diretor que, depois de ter trabalhado durante alguns meses na sala ao lado, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia.
Então, o diretor-geral
do banco chamou um detetive particular e disse-lhe:
- Siga o diretor
Lopes durante uma semana.
O detetive, após
cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O diretor Lopes sai
normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai à sua casa almoçar, faz amor com
a sua mulher, fuma um dos seus excelentes charutos cubanos e regressa ao
trabalho.
Responde o diretor-geral:
- Ah, bom, antes
assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida, o
detetive pergunta:
- Desculpe... posso
tratá-lo por tu?
- Claro! À vontade,
respondeu o diretor.
- Bom, então vou
repetir, disse o detetive.
- O diretor Lopes sai
normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai à tua casa almoçar, faz amor com
a tua mulher, fuma um dos teus excelentes charutos cubanos e regressa ao
trabalho.
(Da internet, sem
autoria.)


