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sábado, 25 de janeiro de 2025

1990: Ayrton Senna retira-se de reunião de pilotos e dirigentes, revoltado!

Durante a reunião de pilotos antes do Grande Prêmio do Japão, em Suzuki, no ano de 1990, o piloto brasileiro Nelson Piquet manifestou a opinião de que a punição imposta ao compatriota Ayrton Senna no mesmo circuito, no ano anterior, havia sido um erro e uma injustiça. Em 1989, Senna precisava vencer o GP do Japão, penúltima corrida daquele ano, para disputar o título na corrida seguinte, na Austrália. Senna buscava ultrapassar Prost na volta 47, e teve o seu carro atingido pelo francês, que, de imediato, saiu da corrida. Senna, no entanto, conseguiu voltar, com a ajuda dos fiscais de pista, foi aos boxes para trocar a asa dianteira do carro e fez uma corrida de recuperação, ultrapassando vários competidores e conseguindo vencer a corrida. Os dirigentes da prova, com certeza pressionados pelo presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), ninguém menos do que o também francês Jean-Marie Balestre, puniram Senna por ele ter cortado uma chicane (uma sequência de curvas fechadas e alternadas) para retornar à prova. A decisão foi absurda, já que, para não cortar a tal chicane ele teria que seguir o sentido contrário do traçado, colocando-se em risco e aos outros pilotos. Com a desclassificação de Senna, Alain Prost conseguiu ser campeão naquela prova mesmo.  Daí, um ano depois, Nelson Piquet ter dito o que todo mundo já sabia, que a punição foi errada e prejudicou Senna. Piquet, então, sugeriu que, caso uma situação dessas voltasse a ocorrer, o piloto poderia cortar a chicane e não ser punido. Todos os pilotos concordaram e os dirigentes aprovaram. Ayrton Senna levantou-se, na hora, e abandonou a reunião, revoltado: “Não aceito isso, não aceito isso! Só pode ser piada. O que aconteceu ano passado foi uma piada, esta mesma situação. Ele [Nelson Piquet] acabou de provar isto, eu não falei nada. E vocês todos viram outra pessoa levantando exatamente esse assunto, e todos concordaram. Ano passado foi muito ruim para mim.” Naquele ano de 1990, Ayrton Senna conquistou o segundo dos seus três títulos mundiais de Fórmula 1. fr

domingo, 29 de dezembro de 2024

Excelente minissérie "Senna", da Netflix, conta a vida do maior piloto de todos os tempos

“SENNA”
Brasil, Minissérie da Netflix, 2024
Direção: Vicente Amorim e Julia Rezende
Com: Gabriel Leone, Marco Ricca, Susana Ribeiro, Gabriel Louchard, Kaya Scodelario, Matt Mella
        Minissérie da Netflix, de seis capítulos, contando a vida do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna (Gabriel Leone), uma super produção que vem fazendo muito sucesso em todo o mundo. Eu gostei muito e emocionei-me em vários momentos, principalmente porque eu acompanhei, assim como muitos outros pelo país inteiro, o surgimento dessa lenda do automobilismo mundial e assistia as suas corridas pela televisão. A carreira vitoriosa de Senna tem início bem cedo, aos quatro anos, quando o seu pai, o empresário Milton Guirado (Marco Ricca), construiu um kart para o filho, usando o motor de um cortador de grama.
        Senna começou a correr de kart aos 13 anos, e o seu primeiro título foi o de campeão sul-americano, em 1977. A minissérie mostra a passagem pelas categorias da Fórmula Ford e Fórmula 3, na Inglaterra, ganhando vários títulos, até chegar na principal categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1, em 1984, correndo pela Toleman. A vida pessoal também é mostrada: os pais e a irmã; o casamento com Lilian em 1981 e o divórcio, dois anos depois, porque a esposa não queria viver na Inglaterra e Senna priorizava a carreira no automobilismo; e o namoro com a apresentadora Xuxa. Mas é a sua trajetória vencedora na Fórmula 1 que desperta os momentos de maiores emoções.
        Em apenas um ano, Senna mostrou o enorme potencial que tinha, e em 1985 foi para a Lotus, onde conquistou a sua primeira vitória, no Grande Prêmio de Portugal. Em 1988, passou à McLaren-Honda, correndo com o francês Alain Prost, bicampeão mundial, e com quem manteve uma das mais acirradas rivalidades da História da Fórmula 1. Nesse mesmo ano, Senna conquistou o seu primeiro título mundial.
        No ano seguinte, Prost foi campeão mundial, após o Grande Prêmio do Japão bastante polêmico, em que o francês jogou o seu carro na direção de Senna, na penúltima corrida da temporada. Prost abandonou a corrida, mas Senna conseguiu retornar, fazendo uma corrida espetacular de recuperação e vencendo a prova, mas o brasileiro foi penalizado por ter atravessado a chicane, que é um desvio artificial, com algumas curvas. A minissérie mostra que o presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), o também francês Jean-Marie Balestre, usou o seu poder para favorecer Prost, que, assim, conseguiu o seu terceiro título mundial.
     Em 1990, Senna venceu o bicampeonato mundial e no Grande Prêmio do Japão, novamente a penúltima do ano, devolveu a Prost, já correndo pela Ferrari, o que ele lhe fizera no ano anterior. Na primeira curva da prova, Senna jogou o carro na direção de Prost e os dois abandonaram a corrida, e o brasileiro foi campeão. O ano de 1991 teve muitas emoções para o brasileiro: venceu o Grande Prêmio do Brasil com apenas uma marcha, e conquistou o tricampeonato mundial. Naquele mesmo ano, Senna deu entrevista à imprensa em que explicou o ocorrido no Japão, nos dois anos anteriores:
        “Eu acho que o que aconteceu em 1989 foi imperdoável e eu nunca irei esquecer isso. Eu me empenho em lutar até hoje. Você sabe o que aconteceu aqui: Prost e eu batemos na chicane, quando ele virou sobre mim. Apesar disso, eu voltei à pista, ganhei, e eles decidiram contra mim, o que não foi justo. E o que aconteceu depois foi ‘teatro’, mas eu não sei o que pensei. Se você faz isso, você será penalizado, multado e talvez perca sua licença. Essa é a forma correta de trabalhar? Não… Em Suzuka no ano passado eu pedi aos organizadores para trocar o lado da pole. Não foi justo, porque o lado direito é sempre o sujo. Você se esforça pela pole e é penalizado por isso. E eles dizem: "Sim, sem problema." E depois o que acontece? Balestre dá a ordem para não mudar nada. Eu sei como o sistema funciona e eu pensei que foi mesmo uma m****. Então eu disse a mim mesmo: ‘Ok, aconteça o que acontecer, eu vou entrar na primeira curva antes - Eu não estava preparado para deixar o outro (Alain Prost) chegar na curva antes de mim. Se eu estou perto o suficiente dele, ele não poderá virar na minha frente - e ele será obrigado a me deixar seguir.’ Eu não me importo em bater; eu fui para isso. E ele não quis perder a chance, virou e batemos. Foi inevitável. Tinha que acontecer. ‘Então você deixou isso acontecer’, alguém diria. ‘Por que eu causaria isso?’. Se você se ferrar cada vez que estiver fazendo o seu trabalho limpo, conforme o sistema, o que você faz? Volta para trás e diz ‘Obrigado’? De jeito nenhum! Você deve lutar para o que você acha que é certo. Se a pole estivesse colocada na esquerda, eu teria chegado na frente na primeira curva, sem problemas. Que foi uma péssima decisão manter a pole na direita, e isso foi influenciado pelo Balestre, isso foi. E o resultado foi que aconteceu na primeira curva. Eu posso ter contribuído, mas não foi minha responsabilidade.”
       Em 1994, Senna foi para a Williams, onde disputou apenas três corridas, as suas últimas. O Grande Prêmio de San Marino, na Itália, disputado no dia 1º de maio, foi marcado por tragédias. No primeiro dia de treinos, na sexta-feira, o brasileiro Rubens Barrichello sofreu um grave acidente, batendo forte, a 225 km/h, contra a proteção de pneus, ficando de fora da prova. No segundo dia de treinos, no sábado, o carro do austríaco Roland Ratzenberger chocou-se contra uma mureta e ele faleceu. No domingo, dia 1º, na sétima volta da corrida, o carro de Ayrton Senna bateu violentamente, a 210 km/h, no muro da curva Tamburello e o piloto veio a falecer, encerrando uma carreira vitoriosa, que o fez ser considerado por muitos como o melhor piloto de todos os tempos. Nessa mesma curva, ocorreram outros fortes acidentes: em 1987, com o brasileiro Nelson Piquet, e em 1989, com o austríaco Gerhard Berger.
        Na minissérie, a rivalidade de Ayrton Senna e Nelson Piquet (Hugo Bonemer) não é mostrada, e o alemão Michael Schumacher não aparece na minissérie. A jornalista Laura Harrison (Kaya Scodelario) é um personagem fictício, que foi criado para simbolizar a relação de Senna com a imprensa mundial. Mas é uma minissérie, não um documentário. Em algumas passagens, acredito que podiam ter mostrado mais a emoção que elas representaram à época, para quem as assistiu, pela televisão, como, por exemplo, os dois Grandes Prêmios do Japão em que Prost jogou o seu carro para tirar Senna da corrida, em 1989, e Senna fez o mesmo, em 1990. Eu indico a minissérie a todos, mesmo àqueles que não ligam muito para a Fórmula 1. As cenas das corridas são fantásticas, recriadas com a ajuda de computação gráfica, e vocês vão emocionar-se muito, como eu.
fr 

Minissérie "Senna" (trailer)

sábado, 2 de julho de 2022

O dia em que um taxista conheceu um tricampeão mundial

   Esta história é contada pelo taxista português João Justino, e eu tomei conhecimento dela através da internet. Em 1992, em uma de suas viagens, ele pegou um cliente no Aeroporto da Portela, em Lisboa, que pediu para ser levado para a cidade de Sintra, a uns 30 quilômetros de distância. O passageiro era um jovem brasileiro, vestido de maneira simples e discreta. Segundo o taxista, o cliente conhecia bem o caminho e indicou qual o melhor trajeto a pegar. O destino era uma bela casa, uma mansão, na realidade.
     A corrida deu 2.500 escudos, moeda de Portugal à época, anos antes da criação do euro. O taxista diz que recebeu o dinheiro em cinco notas e as colocou no bolso, sem conferir, segundo ele, em respeito aos clientes, como costumava fazer. Somente mais tarde, é que percebeu ter recebido cinco notas de cinco mil escudos, não cinco notas de quinhentos escudos, como pensava. O brasileiro confundiu-se no momento de pagar, já que as notas de quinhentos e cinco mil, conta João Justino, eram bem parecidas, e pagou 25 mil escudos, ao invés de 2.500.
     O taxista diz ter retornado ao local para devolver o troco a mais, tendo sido atendido por uma empregada a quem explicou o ocorrido. Ela foi dentro da casa, retornando, depois, com a resposta do rapaz, que dissera para o taxista ficar com o troco, como um agradecimento pela sua honestidade, e pediu-lhe que deixasse o número do seu telefone de contato. Somente naquele momento João Justino descobriu que aquele brasileiro era o tricampeão mundial Ayrton Senna.
     O brasileiro passou a chamar João Justino sempre que precisava de um táxi, e, segundo ele, chegou a levá-lo até o Algarve, onde Senna alugava outra mansão. Pouco tempo depois, Senna morreria durante o Grande Prêmio de San Marino, no dia 1º de maio de 1994. O taxista disse ter ficado muito triste com o acontecido, e guardou consigo os momentos de convivência com o piloto brasileiro.
     Essa história já aconteceu há muito tempo, não sei se o taxista português ainda está vivo, se estiver deve estar com pouco mais de 80 anos. Eu também não sabia que Senna tinha morado em Sintra, onde mora minha tia, sei que ele alugou uma mansão no Algarve, cheguei a passar pela região em 2018, quando estive em Portugal. É um local de residências de alto padrão, destinadas principalmente à venda e aluguel para estrangeiros. A avenida principal ganhou o nome de ‘Ayrton Senna da Silva’, em sua homenagem. fr

sábado, 6 de novembro de 2021

Estátua em homenagem a Ayrton Senna (Copacabana)


O piloto brasileiro Ayrton Senna da Silva (1960-1994) foi homenageado com uma estátua em tamanho original, localizada no calçadão de Copacabana, em frente ao Hotel Copacabana Palace. Inaugurada em 27 de dezembro de 2019, a estátua de bronze foi feita pelo escultor Mario Pitanguy, e é muito procurada por turistas e brasileiros para se fazer uma foto ao lado do tricampeão mundial de Fórmula 1 (1988, 1990 e 1991). A imagem mostra Senna com a mão direita fechada e a esquerda segurando a bandeira do Brasil, gestos que ele repetiu inúmeras vezes durante sua carreira, após as suas diversas vitórias. fr 

domingo, 30 de agosto de 2020

Rede Globo não transmitirá mais as corridas de Fórmula-1

Ayrton Senna e Nelson Piquet
         A imprensa noticiou semana passada que a Rede Globo não transmitirá mais as corridas de Fórmula-1, a partir do ano que vem. Uma má notícia para os amantes da velocidade. Eu, nem tanto. Desde que o Brasil deixou de ter um piloto por quem torcer, na temporada de 2018, eu me desinteressei muito pela Fórmula-1. Para quem, como eu, fiquei acostumado a comemorar aos domingos as vitórias de Nelson Piquet e Ayrton Senna, a verdade é que fiquei mal acostumado. 😊 😊
Pelo que foi divulgado, os motivos da não renovação pela Globo foram os valores cobrados pela empresa estadunidense Liberty Media, detentora dos direitos de transmissão. Pediram muito, e a Globo não considerou interessante pagar caro por uma categoria que deixou de ter representantes brasileiros disputando, muito menos vencendo as corridas. fr

sábado, 25 de julho de 2020

Coleção particular de Ayrton Senna é roubada na Itália

          Dois homens acusados de roubar parte de uma coleção particular sobre o piloto brasileiro Ayrton Senna foram presos quinta-feira, dia 23, na cidade de Canelli, na Itália. O proprietário costuma emprestar alguns de seus objetos para exposições em vários países do mundo. De acordo com a polícia, a coleção completa tem 300 itens, entre macacões, capacetes, luvas, entre outras peças que foram de Senna, ou relacionados a ele, e é avaliada em 300 mil euros, o equivalente a cerca de um milhão e 830mil reais.  
A prisão foi resultado de denúncias de pessoas que estranharam a presença de um carro suspeito, que, após ter sido abordado, levou à prisão dos acusados, com alguns dos objetos. Eles indicaram aos policiais uma casa, onde estava escondido quase todo o restante do roubo. De acordo com a polícia, a investigação ainda precisa apurar se o crime foi encomendado, e pede a colaboração dos italianos, caso saibam de itens do piloto sendo vendidos, porque parte permanece sumida.  fr

terça-feira, 21 de abril de 2020

Há 35 anos: Ayrton Senna vence o primeiro GP de Fórmula 1

          Hoje, comemora-se a primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula, há 35 anos. No dia 21 de abril de 1985, pilotando pela Lotus, Senna venceu o Grande Prêmio de Portugal, liderado por ele do início ao fim, tendo feito a pole position e a volta mais rápida. Aquele domingo foi também um dia histórico para o Brasil por outro motivo. Naquele dia, morreu o presidente eleito indiretamente, Tancredo Neves, o primeiro após 21 anos de ditadura militar. O vice, José Sarney, assumiu.
A corrida foi durante forte chuva, e, anos depois, o piloto comentou como ele aprendeu a correr na chuva: 
- Lembro-me da minha primeira corrida de kart na chuva. Foi um desastre, uma piada total. Eu não conseguia fazer nada, com toda a gente me passando por todo o lado. Era estranho, porque no seco eu era bastante bom. Nesse dia vi que não sabia nada de pilotagem na chuva e comecei a treinar em piso molhado. Sempre que chovia, lá estava eu, a testar e a treinar. Foi aí que aprendi a andar na chuva.
O ano de 1985 foi a segunda temporada de Ayrton Senna na Fórmula 1, tendo terminado em quarto lugar, com seis pódios, sendo duas vitórias, duas vezes em segundo, e duas vezes em terceiro; e sete pole positions. O início de muitas conquistas na categoria, em que venceu 41 corridas e foi campeão mundial três vezes, em 1988, 1990 e 1991. Senna alegrou muitos dos meus domingos! fr

A última volta da primeira vitória de Senna na Fórmula 1 🏁 🏆🏁 🏆🏁 🏆

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Mural em homenagem a Ayrton Senna

 
Passando próximo aos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, as pessoas podem admirar um lindo mural em homenagem ao tri-campeão mundial de Fórmula-1, Ayrton Senna. Eu já tinha passado por ele várias vezes, mas quinta-feira passada, dia 15, eu resolvi ver de perto (veja minhas fotos, abaixo). O nome da obra é “Talento e Superação”, tem aproximadamente 7 metros por 15, e foi pintado pelo artista brasileiro Eduardo Kobra, em agosto de 2016. O painel de Senna já está com desgaste do tempo, precisando de uma reforma, mas ainda encanta quem passa por lá. Mas, seria ótimo se fizessem uma manutenção urgente.

A imagem é de Senna, com dores, tentando levantar o troféu do Grande Prêmio que venceu no Brasil, em 24 de março de 1991, no circuito de Interlagos. Naquela corrida, ele teve que conduzir nas últimas voltas o seu carro com apenas a sexta marcha, já que as demais quebraram, o que lhe exigiu um grande esforço físico. Ao terminar a prova, ele estava exausto e sentindo muitas dores, sem forças até mesmo para levantar o troféu. Em 1991, Senna conquistou o seu terceiro título mundial na Fórmula-1, e dois anos depois venceu mais um Grande Prêmio Brasil.

Kobra já pintou murais em vários países, incluindo o maior grafite do mundo, registrado no Livro Guiness Mundial, com quase 3 mil metros quadrados. O mural “Etnias” foi pintado na fachada de um armazem no chamado Boulevard Olímpico, no Centro, com 15 metros de altura e 170 metros de comprimento, na época dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. fr