Este mês li o livro “Toda
Mafalda: da primeira à última tira”, Quino, São Paulo, Livraria Martins
Fontes Editora, 1991, 421 páginas. São 1930 tirinhas, da primeira, publicada no
dia 29 de setembro de 1964, na revista argentina semanal de política “Primera
Plana”, até a última, divulgada em 1973. O criador dessa menina de seis anos,
com um humor crítico, contestador e reflexivo, é o argentino Joaquín Salvador Lavado
Tejón, o Quino. Mafalda fez muito sucesso em plena época de ditaduras na
América Latina, foi traduzida em vários países pelo mundo, e até hoje é muito
querida. Em suas tirinhas, ela criticava o individualismo do ser humano;
procurava entender a guerra do Vietnã, com perguntas que nenhum adulto
conseguia responder; preocupava-se com o planeta; e odiava sopa. Era época de
Guerra Fria, em que o mundo estava dividido entre o capitalismo e o comunismo;
Estados Unidos e a então União Soviética, com o fortalecimento político da
China. Em 1973, Quino alegou não conseguir colocar nas tirinhas os assuntos de
forma atual, preferindo deixar de fazer novas tirinhas, para a tristeza de seus
leitores. Eventualmente, desde então, desenhou Mafalda algumas vezes, como em
1976, a convite da Unicef, ilustrando a Declaração dos Direitos da Criança.
Pela temática adulta das tirinhas, Mafalda é um personagem mais voltado para o
público adulto do que infantil. E é triste perceber, após ler todo o livro,
que, excetuando algumas questões pontuais da época, os temas tratados ainda
permanecem bastante atuais. Abaixo, separei algumas das tirinhas do livro, a
começar pela primeira e pelas duas últimas, de acordo com a publicação. fr















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