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terça-feira, 5 de junho de 2018

Atendimento muito ruim em hospitais de Portugal

         Minha mãe passou mal na madrugada de hoje, pedi ao recepcionista do hotel para que chamasse um táxi e levei ela para a emergência do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca aqui em Amadora. Na recepção do hospital, pediram que eu apresentasse o nº da segurança social eu acho, já não me lembro bem, da minha mãe. Na pressa e no nervosismo de levar minha mãe para a emergência eu acabei deixando no hotel o atestado de direito à assistência médica em Portugal, mais conhecido como ‘PB-4’, que eu tirei para minha mãe no Rio de Janeiro.
        Recebi um documento, um “aviso”, em que cobrava da minha mãe 101,91€, para serem pagos “no prazo de dez dias úteis” após a data de sua emissão. Muita gente não sabe, mas a saúde pública em Portugal é paga. Esse valor tão alto é porque minha mãe não tinha o tal do comprovante do documento, nem apresentamos o PB-4.
        Minha mãe passou por uma triagem e recebeu uma pulseira verde, que informa que o seu quadro não é urgente. Assim, ficamos de 1:15 às 4:15 aguardando o atendimento, e acabamos indo embora porque minha mãe não aguardava mais esperar e pediu para ir para o hotel dormir um pouco, estava muito cansada e não tinha jeito que ela ia ser chamada. Fomos embora e algumas pessoas que já estavam aguardando quando chegamos no hospital continuavam lá, também sem serem chamados. O hospital estava cheio, e não parava de chegar gente. As pessoas com pulseiras nas cores laranja e vermelha acabam tendo prioridade, por serem mais graves.
        Dormimos muito pouco e quando minha mãe acordou continuou se sentindo mal. Após tomarmos o café da manhã, o pequeno almoço, como é chamado aqui em Portugal, eu liguei para minha prima para desmarcarmos a visita que faríamos à casa da sua mãe. Ela se ofereceu para ir ter com a gente para levar minha mãe a um hospital próximo à casa dela. Ela e a minha tia vieram ao hotel de carro e fomos a um hospital próximo à casa da minha tia, em Sintra, também do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca. Chegamos às 11:10 e somente saímos às 17:15. Minha mãe passou por uma triagem – que foi bem sucinta, a moça nem perguntou se minha mãe tinha hipertensão, por exemplo –, e recebeu novamente uma pulseira verde, assim como em Amadora.
        Depois de muito esperarmos, entramos e fomos atendidos por um médico muito estúpido, que eu prefiro até não citar o nome, desatencioso e despreparado para atender ao público. Minha mãe estava com pressão de 20 por alguma coisa, muito alta. Depois, ele secamente mandou que minha mãe aguardasse no corredor, onde tem um espaço à parte, mas não soube nem explicar direito para quê, eu é que tive que me informar melhor com outra funcionária, que me informou que era para ser medicada. Eu tive que ter muita paciência para não brigar com esse “médico”, só não o fiz para não prejudicar minha mãe, que estava se sentindo muito mal.
        Depois de mais espera, minha mãe foi medicada, recebendo soro e sódio. Voltamos ao “médico”, que passou a receita com os remédios para minha mãe tomar, e que eu comprei mais tarde. Somente porque eu perguntei ele disse que minha mãe passou mal provavelmente por não ter se alimentado bem, e pelo cansaço da viagem que fez do Brasil para Portugal. Além disso, ela me disse depois que deixou de tomar um ou outro remédio. Assim como minha mãe, outras pessoas passavam pela mesma espera de horas e horas na recepção do hospital.
        Quando saí do hotel, já com mais calma, dessa vez levei o PB-4 da minha mãe, por isso a atendente em Sintra tornou a cobrança dos 101,91€ de hoje mais cedo sem efeito. Paguei 16€ pela consulta em Sintra, com esse “médico” de quinta categoria, e mais 14€ pela de hoje de madrugada, em Amadora, apesar de minha mãe não ter sequer sido atendida, sequer ter visto o rosto de um médico. Eu pensava que em Portugal as pessoas não precisassem pagar pelo atendimento em um hospital público, mas me informaram que aqui todos pagam, somente os reformados (aposentados) que recebem um valor mais baixo é que são isentos.
        É verdade que o atendimento que recebemos nos hospitais públicos no Brasil em geral é ruim também, as pessoas têm que enfrentar filas, muitas vezes na rua e de madrugada apenas para pegar uma senha. Mas eu me surpreendi e me decepcionei com o atendimento que eu e minha mãe recebemos aqui em Portugal, muito ruim. Os atendentes demonstram muita indiferença com as pessoas, mesmo sabendo que elas ou, como foi o meu caso, um parente, estão passando mal.
        E as pessoas com quem eu tenho conversado me confirmam que o atendimento é assim mesmo, ruim. Minha prima chegou a comentar comigo, em tom de ironia por conta dessa realidade; “bem vindo a Portugal, primo!”. Triste isso, um país que se acha de Primeiro Mundo, em plena Europa ocidental, tratar seus cidadãos dessa maneira. Como a gente pode perceber, não é só no Brasil que coisas assim acontecem, infelizmente! fr

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