Na quarta-feira, dia 13, assisti um pouco de TV antes de sair do hotel. Vi um desses programas sobre “famosos”, na TV Correio da Manhã. Eles mostraram um vídeo publicado em uma rede social pela atriz brasileira Luana Piovani em que ela reclamava dos serviços do banco (assista ao vídeo, abaixo). Ela mora em Portugal há alguns anos com os seus filhos. De acordo com o seu relato, a atriz foi fazer compras e na hora de pagar, o cartão do banco não funcionou. A atriz foi obrigada a deixar as compras no supermercado e reclamou da vergonha que passou. Luana Piovani disse que seria obrigada a ir ao banco para saber o que estava acontecendo “pela terceira vez!”. Aí que começaram os comentários debochados, desrespeitosos e preconceituosos contra os brasileiros. No estúdio, um dos convidados disse que “gosta muito dos brasileiros e de sua cultura”, mas se a Luana Piovani não estava satisfeita com os serviços do banco, que não funcionavam, que fosse ao aeroporto porque lá “os aviões estão a funcionar”. Ou seja, em outras palavras, ele disse o seguinte “não está satisfeita cá, em Portugal, volte para tua terra!”. Este é o discurso de muitos portugueses, infelizmente. Dizem “gostar muito” do Brasil, dos brasileiros, dos jogadores de futebol, dos artistas, e que gostariam de visitar o nosso país, mas quando os brasileiros vêm para Portugal a realidade é bem diferente. O que aconteceu com a Luana Piovani pode acontecer com qualquer pessoa, seja brasileira ou portuguesa. Mas se for um brasileiro a reclamar essa gente preconceituosa não aceita a crítica, leva para o lado pessoal. A Luana Piovani, assim como milhares de brasileiros, vive em Portugal às suas custas e paga pelo que compra com o seu próprio dinheiro, portanto tem, sim, o direito de fazer uma reclamação quando sentir necessário, como qualquer outro consumidor. O que faltou a esse rapaz, durante o programa, foi a empatia necessária para se colocar no lugar de outra pessoa, que estava com dificuldades de ter acesso a seu próprio dinheiro. E respeito aos imigrantes que escolheram Portugal para viver e trabalhar. Tudo isso explica o crescimento do partido Chega, da direita radical em Portugal. A verdade é que os portugueses não veem com bons olhos os imigrantes, mas precisam deles devido à falta de mão de obra no país. fr
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