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domingo, 23 de março de 2025

Você sabia que já houve um tempo em que os "contos de fadas" eram histórias pesadas para adultos?

        Lobo mau, três porquinhos, cinderela, príncipes, princesas, bruxas e dragões fazem parte da infância de praticamente todo mundo. Mas, você sabe como surgiram os chamados “contos de fadas? Essas histórias fantásticas têm sua origem em contos que eram transmitidos oralmente, de geração a geração, principalmente na Europa ao longo da História. Curiosamente, no início, os “contos de fada”, como ficaram genericamente conhecidos, não eram destinados às crianças, mas aos adultos.
        Essas histórias tinham como tema principal questões sérias como a fome, a miséria, o adultério, feitiçaria, a morte da mulher nos partos feitos em casa (que dariam origem às madrastas más e às órfãs desprotegidas), a violência e até o canibalismo. Segundo Sheldon Cashdan, escritor e professor de Psicologia, os temas eram bem pesados:
     “Muitos dos primeiros contos de fada incluíam exibicionismo, estupro e voyeurismo. Em uma das versões de ‘Chapeuzinho Vermelho’, a vovozinha faz um striptease para o lobo, antes de pular na cama com ele. Numa das primeiras interpretações de ‘A Bela Adormecida’, o príncipe abusa da princesa em seu sono e depois parte, deixando-a grávida. E no conto ‘A Princesa que não conseguia rir’, a heroína é condenada a uma vida de solidão porque, inadvertidamente, viu determinadas partes do corpo de uma bruxa.”
        Ao longo dos séculos, esses contos foram reproduzidos para o papel, e, em 1695, o escritor e poeta francês Charles Perrault publicou “Contos da Minha Mãe Gansa”, com uma coletânea de histórias populares. O propósito inicial do trabalho não era ser destinado a crianças, mas em uma republicação que o autor fez no ano seguinte as histórias passaram a ser adaptadas para um público infantil, principalmente meninas, amenizando as sinistras temáticas.

        Entre as histórias, destacaram-se “A Bela Adormecida no Bosque”, “O Gato de Botas”, “O Pequeno Polegar”, “Chapeuzinho Vermelho”, “O Barba Azul” e “A Gata Borralheira”. Perrault é considerado o primeiro a transpor para o papel, de forma literária, as histórias que eram contadas oralmente até então, sendo considerado o “pai da Literatura Infantil”.
        Mais de um século depois, os irmãos alemães Grimm (Jacob e Wilhelm), estudiosos do folclore, pesquisaram e selecionaram antigas histórias populares, contando, inclusive, com a ajuda de pessoas conhecidas e de suas memórias familiares. Entre 1812 e 1822, os irmãos publicaram uma seleção de 100 histórias, com o título “Contos de fadas para crianças e adultos”, que continham diversas semelhanças com as histórias de Charles Perrault. “João e Maria”, por exemplo é a história de uma família que abandona o casal de filhos na floresta por causa da falta de comida em casa, uma realidade da Idade Média. E os dois irmãos quase foram comidos por uma bruxa canibal.
        O poeta e romancista dinamarquês Hans Christian Andersen publicou entre 1835 e 1872 o livro “Contos”, com cerca de 200 contos infantis, com textos de sua autoria e adaptações do conhecimento popular. Andersen passou a ser considerado o primeiro grande divulgador da Literatura Infantil. Ainda no século 19, outras histórias entraram para o acervo dos contos de fadas. “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, do inglês Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dogson, foi publicado em 1865. A história do boneco de madeira “Pinóquio”, que desejava ser humano, foi lançada pelo italiano Carlo Collodi, em 1883. Modernamente, várias outras histórias vêm sendo lançadas. Os contos de fadas vêm entretendo crianças e adultos ao longo da História e sendo difundidas pelo mundo inteiro através de livros e adaptações para o cinema e televisão, principalmente pelos Estúdios da Walt Disney. fr 

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