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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

"Genocídio americano: a guerra do Paraguai", Julio José Chiavenatto

“Genocídio americano: a guerra do Paraguai”; Julio José Chiavenatto, 25ª edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1993, 208 páginas.

Lançado em 1979, ainda na ditadura militar brasileira, o livro contraria a História conhecida e difundida como estudamos na escola. No prefácio, o autor procura esclarecer que os fatos são narrados com imparcialidade, através de uma paciente análise, e adianta que é um livro “favorável ao Paraguai de Francisco Solano López, com as ressalvas históricas necessárias”, mas, ao mesmo tempo, “não é um livro contra o Brasil”. O autor acredita que todos os países envolvidos saíram da guerra destruídos “como vítimas da opressão que as grandes potências exercem sobre os fracos”. Julio José Chiavenatto faz questão de deixar claro que ele não é um historiador, e que o seu livro é para ser lido como uma reportagem, escrita com paixão. A Guerra do Paraguai é considerada o pior conflito armado na América Latina, transcorreu de dezembro de 1864 a março de 1870, e opôs de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, a chamada Tríplice Aliança, e de outro o Paraguai. O governo de D. Pedro II interviu no Uruguai em 1864, quando aquele país vivia um conflito interno por disputa de poder, o que fez com que o Paraguai tomasse medidas contra o Brasil, desencadeando os combates e declarasse guerra. A Guerra do Paraguai resultou em mais de 400 mil mortes, sendo 300 mil no lado paraguaio, cem mil brasileiros, 30 mil argentinos e dez mil uruguaios. Na escola, aprendemos que o Brasil lutou contra o Paraguai devido aos ideais expansionistas do ditador paraguaio Francisco Solano López. Julio José Chiavenatto contraria, radicalmente, tudo isso, mostrando no livro que a guerra atendeu principalmente aos interesses do imperialismo inglês, incomodada com o desenvolvimento paraguaio, o que provocou forte oposição de historiadores brasileiros, que apresentaram equívocos da obra. fr


Trecho do livro:
      “Morrendo em 10 de setembro de 1862, Carlos Antonio López [pai de Francisco Solano López e seu antecessor] deixa um país próspero e o mais progressista da América do Sul. É o único país, a República do Paraguai, que tem uma indústria de base. O único país que não tem dívida externa ou interna. É o único país que não tem analfabetos [sic]. É o país mais bem dotado de melhoramentos modernos como o telégrafo, ferrovias, linhas de navios para a Europa etc.. É um país que tem ao mesmo tempo os depósitos cheios de fumo e erva-mate para exportação como de alimentos para o povo. Indiscutivelmente, é o mais estável regime político das Américas. Possui o mais moderno sistema de moeda, cunhadas em Assunción e também papel-moeda impresso na sua capital. Esta livre da ingerência de bancos estrangeiros na sua economia. Paradoxalmente, todos esse progresso é a sua sentença de morte.
      Mas, para morrer, o Paraguai vai dar ao mundo o mais heroico exemplo americano de resistência nacional. E vai provar, numa das mais trágicas lições da história, que quando um povo autodetermina o seu destino é invencível e incorruptível. É preciso então, como se fez no Paraguai, destruir até a sua última semente. A necessidade do opressor destruir totalmente um povo livre para estabelecer o seu domínio foi cabalmente expressa pelo Duque de Caxias, em carta ao Imperador Pedro II datada de 18 de novembro de 1867, quando afirmou que para vencer o Paraguai, o Império precisaria matar o último paraguaio no ventre da sua mãe...”

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