
É discussão comum na mesa de bar ou similares, em
qualquer lugar do mundo, falar que o seu time foi roubado pelo árbitro.
Discussão que gera debates acalorados e sempre sem chegar a uma conclusão que
agrade a todos. Mas se tem um jogo que parece ter se aproximado mais do
consenso, este é o polêmico jogo de 21 de agosto de 1981, há exatos 38
anos, pelo grupo 3 da fase de grupos da Copa Libertadores da América daquele ano.
O Flamengo desclassificou o Atlético Mineiro,
e foi para a semifinal, acabando depois sendo campeão. Os clubes paraguaios
Olimpia e Cerro Porteño também faziam parte do mesmo grupo. Ainda em 1981, o
Flamengo disputou e venceu em jogo único no Japão, o Liverpool, e foi campeão
da Copa Toyota, também chamada Intercontinental de clubes, que nem existe mais.
A mesma que os flamenguistas querem chamar de “Mundial”. 😄 😄 😄
O jornal
inglês “The Guardian”, um dos mais respeitados e tradicionais do mundo, em
coluna semanal em que responde perguntas de seus leitores, em março de 2017
analisou o jogo. E citando o livro "Club Soccer 101", de Luke Dempsey, qualificou o que aconteceu aquele dia como “uma farsa”.
Para quem não conhece a história, vou
relembrar. O jogo foi realizado no estádio de Serra Dourada, em Goiânia, estádio
neutro. Estava sendo decidido quem passaria à semifinal da competição, já que Flamengo
e Atlético Mineiro terminaram a fase empatados com 8 pontos. Os dois primeiros jogos
entre eles terminaram empatados em 2x2. O primeiro jogo foi em 3 de julho, no
Mineirão, e o segundo em 7 de agosto, no Maracanã.
A polêmica começou
logo antes do apito inicial. O árbitro do jogo, o carioca José Roberto
Wright (foto), viajou para Goiânia no mesmo avião do Flamengo. E, pior,
hospedou-se no mesmo hotel do clube do Rio de Janeiro. Logo aos 10 minutos do
primeiro tempo, Wright deu cartão vermelho a Reinaldo, principal jogador do
clube mineiro, em uma falta considerada normal que ele fez em Zico. Logo depois,
foi a vez de Éder a ser expulso.
Além dessas duas
expulsões, quatro outros jogadores do Atlético já tinham recebido cartão
amarelo nos 30 primeiros minutos do primeiro tempo. Aos 34 minutos, Wright
expulsou, então, mais dois do Atlético Mineiro: Palhinha e Chicão. A partir daí
uma confusão generalizada se instalou no campo, com a invasão dos dirigentes
atleticanos, da imprensa e a presença da polícia, e o jogo teve que ser
paralisado.
Wright expulsou
também todos os reservas do Atlético Mineiro. Uma confusão mesmo! Após o jogo
ter sido reiniciado, os jogadores de Minas estavam revoltados, e começaram a
cair em campo. Osmar Guarnelli foi o quinto expulso. Depois disso, o árbitro
encerrou o jogo, ainda aos 37 minutos do primeiro tempo, já que só restaram
seis jogadores do lado do Atlético Mineiro, e nenhum reserva para substituir
qualquer eventual contundido.
Mas, mesmo com o
adversário sendo enfraquecido com a expulsão de seus jogadores, o Flamengo não
conseguiu fazer nenhum gol, e o jogo terminou empatado em 0x0. Apesar de toda a
confusão, e o descontrole visível do árbitro José Roberto Wright, o clube
carioca foi declarado vencedor pela Conmebol, passando à próxima fase da Libertadores.
Telê Santana,
treinador da seleção brasileira nos Mundiais de 1982 e 1986, foi comentarista
convidado da TV Globo neste jogo, e afirmou que José Roberto Wright estava
extremamente nervoso, e foi o responsável por estragar a decisão. Este jogo,
então, passou a ser apontado como o maior roubo do futebol brasileiro, e um
dos maiores do futebol mundial. Muitos torcedores espalhados pelo Brasil
costumam rir, e chamar, de forma irônica, a Libertadores de 1981 de “Copa
Wright”. Ou então dizer que ele foi o grande destaque do time do Flamengo
daquela competição.
Em dezembro do
mesmo ano, o Flamengo disputou no Japão um único jogo com o Liverpool, da
Inglaterra. Venceu por 3x0, e foi campeão da Copa Toyota, empresa patrocinadora
do torneio. Por pressão da UEFA e da Conmebol, a FIFA resolveu, em 2017,
reconhecer os vencedores da extinta Copa Toyota como “campeões mundiais”. Mesmo
a Copa Toyota sendo disputada em um único jogo; com a presença apenas de duas
seleções, da Europa e da América do Sul.
Enfim,
pode até ter sido reconhecida pela FIFA para pôr fim às pressões que sofria,
mas a Copa Toyota não chega a ter o mesmo reconhecimento pelo grande público,
como um Mundial organizado pela FIFA e com a participação das melhores seleções
de todos os continentes. E especificamente em 1981, por causa da maneira como o
Flamengo conseguiu a classificação para a semifinal da Libertadores. Não dá
para relevar tudo isso. Paixões à parte, é evidente que aquele jogo de agosto
de 1981 ficou como uma mancha na campanha rubro-negra. fr
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