Eu nunca fui de assistir
novelas na televisão, basicamente por não ter tempo, e paciência, para
acompanhar a sua estória por meses e meses, tendo o compromisso de assistir cada
capítulo naquele horário determinado. Mas lembro de uma novela que passou
quando eu era adolescente que era muito boa: “O meu pé de laranja-lima”. Era
baseada no livro homônimo de José Mauro de Vasconcelos, do qual eu já escrevi
aqui no meu blog (ver em “Livros”).
A novela passou de
setembro de 1980 a 25 de abril 1981, na TV Bandeirantes. É, naquela época a
Bandeirantes fazia novelas, e boas, bem diferente de hoje, que aluga grande
parte de sua programação para jogos de azar, farmácias e igrejas evangélicas. A
adaptação foi de Ivani Ribeiro, e a direção da novela era de Edison
Braga, Antonino Seabra e Waldemar de Moraes.

A estória é divertida e, ao mesmo tempo,
emocionante. Zezé, um menino de cinco para seis anos, era muito esperto, e
vivia se metendo em confusão por conta de suas travessuras. Ao mesmo tempo, e
justamente por tudo isso, as pessoas não tinham nenhuma paciência com ele, e
ele apanhava de todo mundo. A única que o protegia era a irmã Glória (Cristina
Mullins). O ator que interpretou o personagem Zezé foi Alexandre Raymundo, que
ainda chegou a fazer outros trabalhos na televisão, mas quando adulto seguiu a
carreira de professor.
A família era muito pobre, e precisou mudar-se para
uma casa mais modesta, no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, quando o pai,
Paulo (Rogério Márcico) perdeu o emprego. A casa tinha um quintal, e os irmãos
escolheram cada um a sua árvore de preferência; para Zezé sobrou apenas um pé
de laranja-lima pequeno. Como ele era muito sozinho, e a única companhia era o
irmãozinho Luís, de três anos, o menino passou a ter nessa árvore seu maior amigo,
passando a conversar com ela. Zezé a chamava de Minguinho. Ele costumava também
pegar carona agarrado na traseira do carro do português Manuel Valadares, o
“Portuga” (Dionísio Azevedo), até ser pego por ele e levar uma descompostura,
passando a considerá-lo seu maior inimigo. Com o tempo, porém, os dois passaram
a se dar bem, e tornaram-se grandes amigos.
O pai de Zezé estava desempregado, e com vergonha
por ver a esposa, Estefânia
(Lucélia Machiavelli), sustentando a casa. Paulo começou a beber, e
muitas vezes descontava em Zezé as suas frustrações. A irmã mais velha, Jandira
(Baby Garroux), também batia muito nele. Anos depois, a atriz Lucélia
Machiavelli passou a gravar o quadro do Silvio Santos “Topa tudo por
dinheiro”, participando das
“pegadinhas”. A novela, assim como o livro também, mescla passagens divertidas
e emocionantes, mostrando a realidade vista por uma criança, e foi uma das
raras que eu acompanhei. Ela ficou em minha memória afetiva. fr
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