“Matéria dos sonhos”, J. M. Simmel; tradução de Erika Rizzo, São Paulo, Círculo do Livro, s/d, 714 páginas.
Walter Roland é o principal jornalista da revista “Blitz” uma das mais prestigiadas da antiga Alemanha ocidental em 1968, ano em que a então União Soviética invadiu a antiga Tchecoslováquia para acabar com as reivindicações que o povo fazia por democracia, no que ficou conhecido como “Primavera de Praga”. Apesar do prestígio dentro da publicação, há anos ele não tem mais a confiança da direção devido a seu comportamento mulherengo e ao alcoolismo. Apesar disso, Roland escreve a coluna de maior sucesso da revista, uma coluna sobre sexo, mas com um pseudônimo, o que não lhe dá a realização profissional que anseia ter. Acompanhado do fotógrafo Bertie Engenhardt, ele foi enviado a um campo de menores refugiados para o que seria uma despretensiosa reportagem, mas que acabou revelando-se um caso de espionagem internacional, com a descoberta da venda por um militar da Alemanha Oriental dos planos secretos do Pacto de Varsóvia para os Estados Unidos, com assassinatos, traições e história de amor. O Pacto de Varsóvia era a aliança militar comunista liderada pela antiga União Soviética contrária à OTAN, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Walter Roland acredita ser a oportunidade de voltar a escrever boas reportagens e a usar o seu nome verdadeiro. Mas tem que enfrentar poderosos interesses das grandes potências e dos empresários do jornalismo alemão. A principal fonte de Roland é dona Luise, uma assistente social tcheca de 62 anos que conversa com 11 salgueiros no pântano onde fica o campo de menores, acreditando estar conversando com 11 pessoas de diferentes nacionalidades. Durante a investigação que fez, para seu assombro, Walter Roland conhece onze pessoas com a nacionalidade e características dos amigos imaginários de dona Luise. O livro foi lançado em 1971. A história é contada em primeira pessoa pelo jornalista Walter Roland. É mais um livro em que Simmel aborda uma história envolvendo espiões duplos e conspirações. De acordo com o autor, o que é contado no livro é baseado em fatos relatados por um emigrado do lado comunista e que os passou para um jornalista, e este entregou a história a Simmel (leia a transcrição da explicação feita por ele no livro, abaixo). Eu já li “Matéria dos sonhos” umas quatro vezes, a primeira quando iniciei a faculdade de Jornalismo, o melhor livro dos que eu li desse escritor austríaco Johannes Mario Simmel (1924-2009). Simmel trabalhou como intérprete das tropas dos Estados Unidos que ocuparam a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, como repórter de uma revista sensacionalista alemã. Os seus livros foram traduzidos para cerca de 30 idiomas e venderam 50 milhões de exemplares pelo mundo. fr

Nenhum comentário:
Postar um comentário