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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Conto "Pai contra mãe" - Machado de Assis

PAI CONTRA MÃE

A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.

O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.

Há meio século, os escravos fugiam com freqüência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos, pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.

Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a quantia, vinha promessa: “gratificar-se-á generosamente”, — ou “receberá uma boa gratificação”. Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o acoitasse.

Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.

Cândido Neves, — em família, Candinho, — é a pessoa a quem se liga a história de uma fuga, cedeu à pobreza, quando adquiriu o ofício de pegar escravos fugidos. Tinha um defeito grave esse homem, não agüentava emprego nem ofício, carecia de estabilidade; é o que ele chamava caiporismo. Começou por querer aprender tipografia, mas viu cedo que era preciso algum tempo para compor bem, e ainda assim talvez não ganhasse o bastante; foi o que ele disse a si mesmo. O comércio chamou-lhe a atenção, era carreira boa. Com algum esforço entrou de caixeiro para um armarinho. A obrigação, porém, de atender e servir a todos feria-o na corda do orgulho, e ao cabo de cinco ou seis semanas estava na rua por sua vontade. Fiel de cartório, contínuo de uma repartição anexa ao Ministério do Império, carteiro e outros empregos foram deixados pouco depois de obtidos.

Quando veio a paixão da moça Clara, não tinha ele mais que dívidas, ainda que poucas, porque morava com um primo, entalhador de ofício. Depois de várias tentativas para obter emprego, resolveu adotar o ofício do primo, de que aliás já tomara algumas lições. Não lhe custou apanhar outras, mas, querendo aprender depressa, aprendeu mal. Não fazia obras finas nem complicadas, apenas garras para sofás e relevos comuns para cadeiras. Queria ter em que trabalhar quando casasse, e o casamento não se demorou muito.

Contava trinta anos. Clara vinte e dois. Ela era órfã, morava com uma tia, Mônica, e cosia com ela. Não cosia tanto que não namorasse o seu pouco, mas os namorados apenas queriam matar o tempo; não tinham outro empenho. Passavam às tardes, olhavam muito para ela, ela para eles, até que a noite a fazia recolher para a costura. O que ela notava é que nenhum deles lhe deixava saudades nem lhe acendia desejos. Talvez nem soubesse o nome de muitos. Queria casar, naturalmente. Era, como lhe dizia a tia, um pescar de caniço, a ver se o peixe pegava, mas o peixe passava de longe; algum que parasse, era só para andar à roda da isca, mirá-la, cheirá-la, deixá-la e ir a outras.

O amor traz sobrescritos. Quando a moça viu Cândido Neves, sentiu que era este o possível marido, o marido verdadeiro e único. O encontro deu-se em um baile; tal foi — para lembrar o primeiro ofício do namorado, — tal foi a página inicial daquele livro, que tinha de sair mal composto e pior brochado. O casamento fez-se onze meses depois, e foi a mais bela festa das relações dos noivos. Amigas de Clara, menos por amizade que por inveja, tentaram arredá-la do passo que ia dar. Não negavam a gentileza do noivo, nem o amor que lhe tinha, nem ainda algumas virtudes; diziam que era dado em demasia a patuscadas.

— Pois ainda bem, replicava a noiva; ao menos, não caso com defunto.

— Não, defunto não; mas é que...

Não diziam o que era. Tia Mônica, depois do casamento, na casa pobre onde eles se foram abrigar, falou-lhes uma vez nos filhos possíveis. Eles queriam um, um só, embora viesse agravar a necessidade.

— Vocês, se tiverem um filho, morrem de fome, disse a tia à sobrinha.

— Nossa Senhora nos dará de comer, acudiu Clara.

Tia Mônica devia ter-lhes feito a advertência, ou ameaça, quando ele lhe foi pedir a mão da moça; mas também ela era amiga de patuscadas, e o casamento seria uma festa, como foi.

A alegria era comum aos três. O casal ria a propósito de tudo. Os mesmos nomes eram objeto de trocados, Clara, Neves, Cândido; não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço. Ela cosia agora mais, ele saía a empreitadas de uma coisa e outra; não tinha emprego certo.

Nem por isso abriam mão do filho. O filho é que, não sabendo daquele desejo específico, deixava-se estar escondido na eternidade. Um dia, porém, deu sinal de si a criança; varão ou fêmea, era o fruto abençoado que viria trazer ao casal a suspirada ventura. Tia Mônica ficou desorientada, Cândido e Clara riram dos seus sustos.

— Deus nos há de ajudar, titia, insistia a futura mãe.

A notícia correu de vizinha a vizinha. Não houve mais que espreitar a aurora do dia grande. A esposa trabalhava agora com mais vontade, e assim era preciso, uma vez que, além das costuras pagas, tinha de ir fazendo com retalhos o enxoval da criança. À força de pensar nela, vivia já com ela, media-lhe fraldas, cosia-lhe camisas. A porção era escassa, os intervalos longos. Tia Mônica ajudava, é certo, ainda que de má vontade.

— Vocês verão a triste vida, suspirava ela.

— Mas as outras crianças não nascem também? perguntou Clara.

— Nascem, e acham sempre alguma coisa certa que comer, ainda que pouco...

— Certa como?

— Certa, um emprego, um ofício, uma ocupação, mas em que é que o pai dessa infeliz criatura que aí vem gasta o tempo?

Cândido Neves, logo que soube daquela advertência, foi ter com a tia, não áspero, mas muito menos manso que de costume, e lhe perguntou se já algum dia deixara de comer.

— A senhora ainda não jejuou senão pela semana santa, e isso mesmo quando não quer jantar comigo. Nunca deixamos de ter o nosso bacalhau...

— Bem sei, mas somos três.

— Seremos quatro.

— Não é a mesma coisa.

— Que quer então que eu faça, além do que faço?

— Alguma coisa mais certa. Veja o marceneiro da esquina, o homem do armarinho, o tipógrafo que casou sábado, todos têm um emprego certo... Não fique zangado; não digo que você seja vadio, mas a ocupação que escolheu é vaga. Você passa semanas sem vintém.

— Sim, mas lá vem uma noite que compensa tudo, até de sobra. Deus não me abandona, e preto fugido sabe que comigo não brinca; quase nenhum resiste, muitos entregam-se logo.

Tinha glória nisto, falava da esperança como de capital seguro. Daí a pouco ria, e fazia rir à tia, que era naturalmente alegre, e previa uma patuscada no batizado.

Cândido Neves perdera já o ofício de entalhador, como abrira mão de outros muitos, melhores ou piores. Pegar escravos fugidos trouxe-lhe um encanto novo. Não obrigava a estar longas horas sentado. Só exigia força, olho vivo, paciência, coragem e um pedaço de corda. Cândido Neves lia os anúncios, copiava-os, metia-os no bolso e saía às pesquisas. Tinha boa memória. Fixados os sinais e os costumes de um escravo fugido, gastava pouco tempo em achá-lo, segurá-lo, amarrá-lo e levá-lo. A força era muita, a agilidade também. Mais de uma vez, a uma esquina, conversando de coisas remotas, via passar um escravo como os outros, e descobria logo que ia fugido, quem era, o nome, o dono, a casa deste e a gratificação; interrompia a conversa e ia atrás do vicioso. Não o apanhava logo, espreitava lugar azado, e de um salto tinha a gratificação nas mãos. Nem sempre saía sem sangue, as unhas e os dentes do outro trabalhavam, mas geralmente ele os vencia sem o menor arranhão.

Um dia os lucros entraram a escassear. Os escravos fugidos não vinham já, como dantes, meter-se nas mãos de Cândido Neves. Havia mãos novas e hábeis. Como o negócio crescesse, mais de um desempregado pegou em si e numa corda, foi aos jornais, copiou anúncios e deitou-se à caçada. No próprio bairro havia mais de um competidor. Quer dizer que as dívidas de Cândido Neves começaram de subir, sem aqueles pagamentos prontos ou quase prontos dos primeiros tempos. A vida fez-se difícil e dura. Comia-se fiado e mal; comia-se tarde. O senhorio mandava pelo aluguéis.

Clara não tinha sequer tempo de remendar a roupa ao marido, tanta era a necessidade de coser para fora. Tia Mônica ajudava a sobrinha, naturalmente. Quando ele chegava à tarde, via-se-lhe pela cara que não trazia vintém. Jantava e saía outra vez, à cata de algum fugido. Já lhe sucedia, ainda que raro, enganar-se de pessoa, e pegar em escravo fiel que ia a serviço de seu senhor; tal era a cegueira da necessidade. Certa vez capturou um preto livre; desfez-se em desculpas, mas recebeu grande soma de murros que lhe deram os parentes do homem.

— É o que lhe faltava! exclamou a tia Mônica, ao vê-lo entrar, e depois de ouvir narrar o equívoco e suas conseqüências. Deixe-se disso, Candinho; procure outra vida, outro emprego.

 Cândido quisera efetivamente fazer outra coisa, não pela razão do conselho, mas por simples gosto de trocar de ofício; seria um modo de mudar de pele ou de pessoa. O pior é que não achava à mão negócio que aprendesse depressa.

A natureza ia andando, o feto crescia, até fazer-se pesado à mãe, antes de nascer. Chegou o oitavo mês, mês de angústias e necessidades, menos ainda que o nono, cuja narração dispenso também. Melhor é dizer somente os seus efeitos. Não podiam ser mais amargos.

— Não, tia Mônica! bradou Candinho, recusando um conselho que me custa escrever, quanto mais ao pai ouvi-lo. Isso nunca!

Foi na última semana do derradeiro mês que a tia Mônica deu ao casal o conselho de levar a criança que nascesse à Roda dos enjeitados. Em verdade, não podia haver palavra mais dura de tolerar a dois jovens pais que espreitavam a criança, para beijá-la, guardá-la, vê-la rir, crescer, engordar, pular... Enjeitar quê? enjeitar como? Candinho arregalou os olhos para a tia, e acabou dando um murro na mesa de jantar. A mesa, que era velha e desconjuntada, esteve quase a se desfazer inteiramente. Clara interveio.

— Titia não fala por mal, Candinho.

— Por mal? replicou tia Mônica. Por mal ou por bem, seja o que for, digo que é o melhor que vocês podem fazer. Vocês devem tudo; a carne e o feijão vão faltando. Se não aparecer algum dinheiro, como é que a família há de aumentar? E depois, há tempo; mais tarde, quando o senhor tiver a vida mais segura, os filhos que vierem serão recebidos com o mesmo cuidado que este ou maior. Este será bem criado, sem lhe faltar nada. Pois então a Roda é alguma praia ou monturo? Lá não se mata ninguém, ninguém morre à toa, enquanto que aqui é certo morrer, se viver à míngua. Enfim...

Tia Mônica terminou a frase com um gesto de ombros, deu as costas e foi meter-se na alcova. Tinha já insinuado aquela solução, mas era a primeira vez que o fazia com tal franqueza e calor, — crueldade, se preferes. Clara estendeu a mão ao marido, como a amparar-lhe o ânimo; Cândido Neves fez uma careta, e chamou maluca à tia, em voz baixa. A ternura dos dois foi interrompida por alguém que batia à porta da rua.

— Quem é? perguntou o marido.

— Sou eu.

Era o dono da casa, credor de três meses de aluguel, que vinha em pessoa ameaçar o inquilino. Este quis que ele entrasse.

— Não é preciso...

— Faça favor.

O credor entrou e recusou sentar-se; deitou os olhos à mobília para ver se daria algo à penhora; achou que pouco. Vinha receber os aluguéis vencidos, não podia esperar mais; se dentro de cinco dias não fosse pago, pô-lo-ia na rua. Não havia trabalhado para regalo dos outros. Ao vê-lo, ninguém diria que era proprietário; mas a palavra supria o que faltava ao gesto, e o pobre Cândido Neves preferiu calar a retorquir. Fez uma inclinação de promessa e súplica ao mesmo tempo. O dono da casa não cedeu mais.

— Cinco dias ou rua! repetiu, metendo a mão no ferrolho da porta e saindo.

Candinho saiu por outro lado. Nesses lances não chegava nunca ao desespero, contava com algum empréstimo, não sabia como nem onde, mas contava. Demais, recorreu aos anúncios. Achou vários, alguns já velhos, mas em vão os buscava desde muito. Gastou algumas horas sem proveito, e tornou para casa. Ao fim de quatro dias, não achou recursos; lançou mão de empenhos, foi a pessoas amigas do proprietário, não alcançando mais que a ordem de mudança.

A situação era aguda. Não achavam casa, nem contavam com pessoa que lhes emprestasse alguma; era ir para a rua. Não contavam com a tia. Tia Mônica teve arte de alcançar aposento para os três em casa de uma senhora velha e rica, que lhe prometeu emprestar os quartos baixos da casa, ao fundo da cocheira, para os lados de um pátio. Teve ainda a arte maior de não dizer nada aos dois, para que Cândido Neves, no desespero da crise, começasse por enjeitar o filho e acabasse alcançando algum meio seguro e regular de obter dinheiro; emendar a vida, em suma. Ouvia as queixas de Clara, sem as repetir, é certo, mas sem as consolar. No dia em que fossem obrigados a deixar a casa, fá-los-ia espantar com a notícia do obséquio e iriam dormir melhor do que cuidassem.

Assim sucedeu. Postos fora da casa, passaram ao aposento de favor, e dois dias depois nasceu a criança. A alegria do pai foi enorme, e a tristeza também. Tia Mônica insistiu em dar a criança à Roda. “Se você não a quer levar, deixe isso comigo; eu vou à Rua dos Barbonos.” Cândido Neves pediu que não, que esperasse, que ele mesmo a levaria. Notai que era um menino, e que ambos os pais desejavam justamente este sexo. Mal lhe deram algum leite; mas, como chovesse à noite, assentou o pai levá-lo à Roda na noite seguinte.

Naquela reviu todas as suas notas de escravos fugidos. As gratificações pela maior parte eram promessas; algumas traziam a soma escrita e escassa. Uma, porém, subia a cem mil-réis. Tratava-se de uma mulata; vinham indicações de gesto e de vestido. Cândido Neves andara a pesquisá-la sem melhor fortuna, e abrira mão do negócio; imaginou que algum amante da escrava a houvesse recolhido. Agora, porém, a vista nova da quantia e a necessidade dela animaram Cândido Neves a fazer um grande esforço derradeiro. Saiu de manhã a ver e indagar pela Rua e Largo da Carioca, Rua do Parto e da Ajuda, onde ela parecia andar, segundo o anúncio. Não a achou; apenas um farmacêutico da Rua da Ajuda se lembrava de ter vendido uma onça de qualquer droga, três dias antes, à pessoa que tinha os sinais indicados. Cândido Neves parecia falar como dono da escrava, e agradeceu cortesmente a notícia. Não foi mais feliz com outros fugidos de gratificação incerta ou barata.

Voltou para a triste casa que lhe haviam emprestado. Tia Mônica arranjara de si mesma a dieta para a recente mãe, e tinha já o menino para ser levado à Roda. O pai, não obstante o acordo feito, mal pôde esconder a dor do espetáculo. Não quis comer o que tia Mônica lhe guardara; não tinha fome, disse, e era verdade. Cogitou mil modos de ficar com o filho; nenhum prestava. Não podia esquecer o próprio albergue em que vivia. Consultou a mulher, que se mostrou resignada. Tia Mônica pintara-lhe a criação do menino; seria maior a miséria, podendo suceder que o filho achasse a morte sem recurso. Cândido Neves foi obrigado a cumprir a promessa; pediu à mulher que desse ao filho o resto do leite que ele beberia da mãe. Assim se fez; o pequeno adormeceu, o pai pegou dele, e saiu na direção da Rua dos Barbonos.

Que pensasse mais de uma vez em voltar para casa com ele, é certo; não menos certo é que o agasalhava muito, que o beijava, que lhe cobria o rosto para preservá-lo do sereno. Ao entrar na Rua da Guarda Velha, Cândido Neves começou a afrouxar o passo.

— Hei de entregá-lo o mais tarde que puder, murmurou ele.

Mas não sendo a rua infinita ou sequer longa, viria a acabá-la; foi então que lhe ocorreu entrar por um dos becos que ligavam aquela à Rua da Ajuda. Chegou ao fim do beco e, indo a dobrar à direita, na direção do Largo da Ajuda, viu do lado oposto um vulto de mulher; era a mulata fugida. Não dou aqui a comoção de Cândido Neves por não podê-lo fazer com a intensidade real. Um adjetivo basta; digamos enorme. Descendo a mulher, desceu ele também; a poucos passos estava a farmácia onde obtivera a informação, que referi acima. Entrou, achou o farmacêutico, pediu-lhe a fineza de guardar a criança por um instante; viria buscá-la sem falta.

— Mas...

Cândido Neves não lhe deu tempo de dizer nada; saiu rápido, atravessou a rua, até ao ponto em que pudesse pegar a mulher sem dar alarma. No extremo da rua, quando ela ia a descer a de S. José, Cândido Neves aproximou-se dela. Era a mesma, era a mulata fujona.

— Arminda! bradou, conforme a nomeava o anúncio.

Arminda voltou-se sem cuidar malícia. Foi só quando ele, tendo tirado o pedaço de corda da algibeira, pegou dos braços da escrava, que ela compreendeu e quis fugir. Era já impossível. Cândido Neves, com as mãos robustas, atava-lhe os pulsos e dizia que andasse. A escrava quis gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la, ao contrário. Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus.

— Estou grávida, meu senhor! exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte; eu serei tua escrava, vou servi-lo pelo tempo que quiser. Me solte, meu senhor moço!

— Siga! repetiu Cândido Neves.

— Me solte!

— Não quero demoras; siga!

Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-se a si e ao filho. Quem passava ou estava à porta de uma loja, compreendia o que era e naturalmente não acudia. Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoites, — coisa que, no estado em que ela estava, seria pior de sentir. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoites.

— Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois? perguntou Cândido Neves.

Não estava em maré de riso, por causa do filho que lá ficara na farmácia, à espera dele. Também é certo que não costumava dizer grandes coisas. Foi arrastando a escrava pela Rua dos Ourives, em direção à da Alfândega, onde residia o senhor. Na esquina desta a luta cresceu; a escrava pôs os pés à parede, recuou com grande esforço, inutilmente. O que alcançou foi, apesar de ser a casa próxima, gastar mais tempo em lá chegar do que devera. Chegou, enfim, arrastada, desesperada, arquejando. Ainda ali ajoelhou-se, mas em vão. O senhor estava em casa, acudiu ao chamado e ao rumor.

— Aqui está a fujona, disse Cândido Neves.

— É ela mesma.

— Meu senhor!

— Anda, entra...

Arminda caiu no corredor. Ali mesmo o senhor da escrava abriu a carteira e tirou os cem mil-réis de gratificação. Cândido Neves guardou as duas notas de cinqüenta mil-réis, enquanto o senhor novamente dizia à escrava que entrasse. No chão, onde jazia, levada do medo e da dor, e após algum tempo de luta a escrava abortou.

O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono. Cândido Neves viu todo esse espetáculo. Não sabia que horas eram. Quaisquer que fossem, urgia correr à Rua da Ajuda, e foi o que ele fez sem querer conhecer as conseqüências do desastre.

Quando lá chegou, viu o farmacêutico sozinho, sem o filho que lhe entregara. Quis esganá-lo. Felizmente, o farmacêutico explicou tudo a tempo; o menino estava lá dentro com a família, e ambos entraram. O pai recebeu o filho com a mesma fúria com que pegara a escrava fujona de há pouco, fúria diversa, naturalmente, fúria de amor. Agradeceu depressa e mal, e saiu às carreiras, não para a Roda dos enjeitados, mas para a casa de empréstimo com o filho e os cem mil-réis de gratificação. Tia Mônica, ouvida a explicação, perdoou a volta do pequeno, uma vez que trazia os cem mil-réis. Disse, é verdade, algumas palavras duras contra a escrava, por causa do aborto, além da fuga. Cândido Neves, beijando o filho, entre lágrimas, verdadeiras, abençoava a fuga e não se lhe dava do aborto.

— Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração.

domingo, 4 de agosto de 2019

Domingo de muitas medalhas para o Brasil, e 2º lugar na classificação geral

           O dia de hoje foi muito feliz para o esporte brasileiro nos Jogos Pan-americanos de Lima. Conquistamos sete medalhas de ouro, subimos 16 vezes nos pódios, e passamos à segunda colocação no quadro de medalhas, atrás apenas dos EUA. E foi um dia também de confronto direto com os chilenos. 
 
No tênis masculino, João Menezes foi campeão, vencendo Tomás Barrios por 2 sets a 1, parciais de 7/5, 3/6 e 6/4. No vôlei masculino, o Brasil venceu o Chile por 3x0 (25/12, 25/19 e 25/21), e ficou com a medalha de bronze. Na semifinal, a jovem seleção brasileira tinha perdido para Cuba por 3x0 (16/25, 22/25 e 21/25).
Mas, no handebol masculino o Chile levou vantagem, venceu por 32x29 e eliminou o Brasil. Pela primeira vez desde Havana, em 1991, o Brasil não vai para a final em Pan-americanos. Desde então, foram três medalhas de ouro e quatro de prata. A primeira disputa do handebol masculino em Pan-americanos foi em 1987, em Indianápolis (EUA), e o Brasil foi bronze. Em Lima, infelizmente, será a primeira vez que o handebol masculino não ganhará nenhuma medalha. No feminino, o Brasil este ano foi campeão. Uma pena. E a seleção masculina ainda pode ficar fora dos Jogos Olímpicos do ano que vem, em Tóquio. Vai ter que torcer por uma combinação de resultados no campeonato africano e no europeu para conseguir ficar com uma vaga. fr

Tem que acabar com os privilégios dos políticos brasileiros, não com os direitos dos trabalhadores

Se acabassem com todos os privilégios dos políticos brasileiros, não precisaria obrigar as pessoas trabalharem 7, 10, 12 anos a mais para se aposentarem. (Vídeo: senador Jorge Kajuru - PSB/GO) fr
 

sábado, 3 de agosto de 2019

Monteiro Lobato mudou o nome para poder usar a bengala do pai


Essa curiosidade eu li em vários endereços na internet, e achei muito engraçada. Quando criança, Monteiro Lobato gostava muito de uma bengala que o pai tinha com as iniciais de seu nome: JBML, ou seja, José Bento Marcondes Lobato. Ele queria poder um dia usar a bengala, mas havia o problema do seu próprio nome não permitir, afinal, chamava-se José Renato Monteiro Lobato, portanto suas inicias não batiam: JRML. Para resolver a situação, mudou o nome! kkkkk Passou a adotar o nome José Bento Monteiro Lobato, para, assim, poder usar a bengala do pai... Não teria sido melhor pedir uma bengala de presente com as suas próprias iniciais?  fr 😃 😃 😃 😃

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Casa de Rui Barbosa

          
          Em agosto do ano passado, fiz uma visita guiada pela Casa Rui Barbosa, no bairro de Botafogo. Um estagiário da instituição me mostrou todos os cômodos da residência do advogado, jurista, jornalista, político e diplomata baiano Rui Barbosa (1849-1923). Eu já tinha feito uma visita ao local em 1999, e revolvi voltar. Esta é uma das últimas antigas chácaras agrícolas que restaram na região, transformada em residência no século 19.
           Rui Barbosa morou na propriedade com a esposa, Maria Augusta Viana Bandeira, e os cinco filhos durante os anos de 1895 e 1923, quando faleceu. Em 1924, por decisão da viúva, que preferiu que a propriedade ficasse sob a administração da União, ela foi adquirida pelo governo brasileiro, junto com a biblioteca e o arquivo pessoal de Rui Barbosa. Quatro anos depois, foram os móveis. E em 1930, foi inaugurado o Museu.
           A Casa é provavelmente a mais antiga construção preservada do período da primeira ocupação do bairro. A sua transformação também em fundação se deu através da lei nº 4.943, de 6/4/1966, assinada pelo presidente Castello Branco. É uma instituição pública federal que tem entre suas finalidades o estudo, a preservação e a divulgação da vida e obra completa de Rui Barbosa, além de outras temáticas, como a literatura brasileira. Sua origem foi em 1928, com a criação do Museu-blblioteca pelo então presidente da República Washington Luís. Além disso, a área da propriedade é aberta para o público passear e curtir a natureza.
          Rui Barbosa organizou uma extensa e bem cuidada biblioteca, com mais de 35 mil livros, em sua maioria jurídicos, cuidadosamente organizados em estantes construídas sob medida. Ele enviava os seus livros para serem encadernados em Paris, até a Primeira Guerra Mundial, quando o conflito o obrigou a passar o serviço a um encadernador daqui mesmo da cidade. Na Casa de Rui Barbosa são organizados cursos, seminários, exposições, e atividades culturais diversas, como música, teatro, cinema e dança, além de atividades para o público infantil. Cada aposento da Casa tem um nome relacionado a uma passagem de sua vida.
          O jardim tem mais 9.000 metros quadrados; é lindo e é um ambiente muito agradável para se estar, além de ser uma das poucas áreas verdes do bairro de Botafogo. É considerado um jardim de importância histórica, de acordo com a Carta de Florença, documento que normatiza a preservação de jardins. Rui Barbosa gostava muito de cuidar do seu jardim, inclusive plantando ele mesmo algumas das plantas e árvores. O pau-brasil que está lá foi plantado em 1930, pelo então presidente da República, Washington Luis, quando o Museu Casa de Rui Barbosa foi inaugurado.
         
 
 
          O quiosque está situado em uma pequena ilha, envolta por um lago. Dentro dele, Rui Barbosa e a família usavam um chuveiro para se refrescarem do calor. O jardim da propriedade teve sua lateral direita destruída para o aumento de extensão da Rua Assunção. Em seu governo, Washington Luis mandou que a área fosse reconstruída, em uma reforma feita em 1930, porém o aspecto da época em que Rui Barbosa morava na casa não foi refeito.
          A propriedade como um todo, por conta de sua importância histórica e artística, está protegida pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), desde 1938. Na área externa da residência, estavam localizados os quartos dos empregados da família; uma garagem, que era a antiga cocheira, onde estão quatro veículos, sendo três de tração animal e um automóvel Benz, de tração a motor; e os tanques, para matar a sede dos cavalos.
          O Landô é o carro mais antigo, presente do seu cunhado, Francisco Dobbert; fabricado na Alemanha, era puxado por quatro animais. O Cupê é francês, foi um presente para a esposa de Rui Barbosa, Maria Augusta, dado pelo irmão dela, Carlos Viana Bandeira. Puxado por dois animais, ele era usado pelo casal para ir ao teatro. O Vitória é inglês, também puxado por dois animais, e era usado diariamente por Rui Barbosa para ir ao Centro da cidade.
           O automóvel a motor Benz, fabricado em 1913, placa 833, é o modelo Mercedes-Benz mais antigo existente no país, segundo a página da própria empresa na internet, que eu consultei. Ele tem o volante à direita e fazia uma média de 25 quilômetros por hora, podendo chegar a velocidade máxima de 80 quilômetros. O freio de mão, a alavanca das marchas e a buzina ficam na parte externa, onde fica também a manivela para dar partida no motor.  Na cabine do passageiro tem um fone para comunicação com o motorista. Uma das portas tem gravado o monograma RB.
           A Fundação Casa de Rui Barbosa entende e orienta a que se escreva o nome do jurista com “i”, e não com “y”, como ele foi registrado em cartório. Defende que os nomes de pessoas falecidas devem respeitar as regras da ortografia, assim como os nomes comuns. Mas respeita se os seus descendentes fizerem questão de utilizar o nome tal qual está no registro.
           Em 73 anos de vida, Rui Barbosa atuou em várias áreas de grande importância para o país. Posicionou-se em defesa do fim da escravidão, e contra o alistamento militar obrigatório. Apoiou a proclamação da República, tendo sido o ministro da Fazenda e o ministro interino da Justiça no Governo Provisório. Foi ele quem redigiu os primeiros decretos republicanos. No ano de 1890, apresentou o projeto de separação da Igreja do Estado; elaborou o texto definitivo do projeto da primeira Constituição da República, que viria a ser promulgada no ano seguinte; e foi eleito para o primeiro mandato de senador, pelo estado da Bahia. Em 1892, defendeu no STF (Supremo Tribunal Federal) habeas corpus em favor dos presos políticos.
 
                          
 
 
 
          Escreveu vários artigos no Jornal do Brasil contrários à política do presidente Floriano Peixoto, em 1893, quando foi obrigado se exilar em Buenos Aires por ser acusado pelo governo de participar da chamada Revolta da Armada. No ano seguinte, foi para a Europa, ficando em Lisboa, depois Madrid, Paris e Londres; retornando ao Brasil em 1895. Foi contra a campanha pela vacinação obrigatória em 1904; e candidatou-se a presidente da República em 1905. Representou o Brasil na Segunda Conferência da Paz, em Haia, na Holanda, em 1907, como embaixador extraordinário, ministro plenipotenciário e delegado, em que teve participação de destaque.
            No ano seguinte, foi eleito presidente da ABL (Academia Brasileira de Letras), por conta do falecimento de Machado de Assis, função que exerceu até 1919. Concorreu novamente à presidência da República em 1910, na chamada “Campanha Civilista”, pelo fato de ser um candidato civil concorrendo contra o marechal Hermes da Fonseca, que acabou eleito. Em julho de 1913 ainda lançou mais uma vez sua candidatura à presidência da República, mas a retirou em dezembro. Em 1918, não aceitou o convite do presidente Rodrigues Alves para chefiar a delegação brasileira na Conferência da Paz, que veio a ser realizada no ano seguinte, em Paris. O chefe da nossa delegação acabou sendo Epitácio Pessoa, que viria a ser eleito presidente em 1919, disputando com o próprio Rui Barbosa, em sua quarta tentativa de ser eleito para o cargo.
            Desligou-se da Academia Brasileira de Letras em maio de 1919. Dois anos depois, escreveu a famosa ‘Oração aos Moços’, um discurso que fez como paraninfo dos formandos da turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. No mesmo ano, foi eleito para o quinto mandato de senador; e eleito juiz da Corte Permanente de Justiça Internacional de Haia. Morreu no dia 1º de março de 1923, em sua casa em Petrópolis. O seu corpo foi velado na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e enterrado no Cemitério São João Batista. Em 1949, ano do centenário de seu nascimento, seus restos mortais foram transferidos para o Fórum Rui Barbosa, em Salvador, Bahia.
            Um dos aspectos polêmicos da vida de Rui Barbosa tem a ver com o período em que foi o primeiro ministro da Fazenda, no início da República, de 15 de novembro de 1889 até 21 de janeiro de 1891. Ele determinou que todos os documentos relacionados a registros de posse de escravos fossem queimados. Em seu entender, era necessário apagar da História a mancha da escravidão.
           Os simpáticos à medida alegam que ela visava impedir que os antigos proprietários de escravos reivindicassem indenizações do Estado, depois de já terem explorados os escravos como propriedades durante anos. Os críticos condenam a atitude, alegando que deveria ter sido elaborado um documento legal que impedisse tal reivindicação, o que evitaria a destruição de inúmeros documentos históricos, que serviriam de estudo daquele período. Outra crítica à sua atuação no ministério foi à sua prática de atender diversos pedidos de nomeações políticas.
            A Fundação Casa de Rui Barbosa esteve ameaçada durante o governo de triste recordação de Fernando Collor de Mello (1990-92). Com um falso discurso modernizador, Collor colocou a Fundação em uma lista de instituições que seriam extintas, o que causou uma forte mobilização de funcionários e cidadãos contra a medida, que acabou sendo revista.
          Utilizei os dados históricos disponibilizados pela página da própria Fundação Casa de Rui Barbosa na internet, além da página riodejaneiroaqui, sobre a polêmica da destruição dos documentos históricos. E ainda as matérias da Folha de São Paulo, de 24/02/2013, assinada por Flora Süssekind: “Futuro da Fundação Casa de Rui Barbosa é posto em xeque”, e da revista Veja, de 06/9/2000, de João Gabriel de Lima: “O balcão da águia baiana”. fr

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Brasil é hexacampeão no handebol feminino

A seleção brasileira feminina de handebol venceu, ontem, a Argentina por 30x21, e conquistou a medalha de ouro, pela sexta vez consecutiva em Jogos Pan-americanos. Com o título, o Brasil garantiu vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, ano que vem. A campanha vitoriosa: 29x20 Cuba, 41x12 Canadá, 40x16 Porto Rico, 34x9 EUA e 30x21 Argentina. A medalha de bronze ficou com a seleção de Cuba, que venceu os Estados Unidos por 24x23. Com mais esta conquista, o Brasil chegou ao seu hexacampeonato: 1999, em Winnipeg, no Canadá; 2003, em Santo Domingo, na República Dominicana; 2007, no Rio de Janeiro; 2011, em Guadalajara, no México; 2015, em Toronto, no Canadá; e 2019, em Lima, no Peru. Parabéns meninas, e boa sorte em Tóquio! fr  

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Frases: Romário

“O time era Romário mais 10. Na verdade, não tem como correr disso. Hoje eu estou com 53 anos, a gente fica mais velho, mais experiente. Mas eu vou falar diferente? Vão falar que o Romário mudou. Todo mundo muda, eu também mudei, mas p... que era Romário mais dez, isso aí é coisa que não tem como mudar. Se eu falar que não era, vão falar esse cara é um p... mentiroso.” ROMÁRIO, em especial exibido ontem, dia 28, no 'Esporte Espetacular' da Rede Globo, sobre os 25 anos do título mundial nos Estados Unidos. Os companheiros de seleção discordaram.

sábado, 27 de julho de 2019

Jogos Pan-americanos Lima 2019

Primeiras medalhas do Brasil no Pan de Lima

As duas primeiras medalhas do Brasil nos Jogos Pan-americanos de Lima, no Peru, foram conquistadas hoje. Luisa Baptista ganhou a medalha de ouro e Vittoria Lopes a de prata na prova individual de triatlo. A medalha de bronze ficou com a mexicana Cecilia Flores. Esta é a 18ª edição da competição, que teve sua cerimônia de abertura realizada ontem, mas as competições mesmo começaram na quarta-feira, com o vôlei de praia e o handebol. São 41 países, batendo o recorde em participação de atletas, com 6.680 deles disputando 39 modalidades esportivas, sendo 22 classificatórias para os Jogos Olímpicos de Tóquio, ano que vem. De acordo com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), serão 486 brasileiros, sendo 250 homens e 236 mulheres. Na realidade, o COB cometeu um erro em sua página, informando a soma errada de 485 atletas, ver abaixo. Os Estados Unidos estarão presentes no Pan-americano de Lima com 643 atletas. A cerimônia de encerramento será no dia 11 de agosto.  fr

COB erra na soma dos atletas brasileiros no Pan (acontece...)

domingo, 21 de julho de 2019

Vídeo na internet denuncia fraude no programa de Silvio Santos

Publico este vídeo aqui pela importância do Silvio Santos na história da televisão brasileira. Silvio Santos ficou rico com sua lábia, e bajulando a ditadura para conseguir seu canal de televisão. Após a redemocratização, passou a apoiar TODOS os presidentes, fossem de esquerda ou de direita, não importa: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e agora o Bolsonaro. Ele chegou até se lançar candidato a presidente em 1989, mas acabou tendo sua candidatura impugnada por causa de irregularidades do seu partido, o inexpressivo PMB (Partido Municipalista Brasileiro). As suas "colegas de trabalho" devem estar decepcionadas com esse vídeo, que mostra como ele arranja os resultados no programa dele. Minha mãe, por exemplo, é uma, que sempre gostou dos programas dele. Como ele mesmo diz: "tudo por dinheiro"! E é por isso que ele apoia sempre o governo. fr 

sábado, 20 de julho de 2019

50 anos da chegada do homem à Lua

           A data de hoje, 20 de julho, marca os 50 anos da chegada do homem à Lua, a bordo da nave Apollo 11, com os primeiros humanos a pisarem em seu solo. O primeiro foi o astronauta Neil Armstrong, seguido por Edwin "Buzz" Aldrin, no mesmo dia. O terceiro membro da tripulação, Michael Collins, permaneceu o tempo todo em órbita lunar, no módulo de comando, sem pisar na Lua (deve ter tido um misto de frustração com alegria!).
          A façanha foi motivada pelos Estados Unidos estarem sendo superados pela antiga União Soviética na corrida espacial dos anos 1950-60, em plena Guerra Fria. A URSS lançara, em 1957, o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra; fizera, em 1961, o primeiro voo espacial tripulado, com Yuri Gagarin; e em 1966 teve a primeira espaçonave a realizar um pouso suave na Lua, com a Luna 9.
          De 1969 a 1972, apenas 12 humanos colocaram os pés na Lua, e, desde então, não tem havido mais voos tripulados com aterrisagem naquele satélite. Mas parece que o atual presidente estadunidense Donald Trump tem a intenção de retomá-los nos próximos anos. A grande novidade nesses 50 anos é a entrada na disputa espacial de um novo país, a China, com projetos bem ambiciosos; e a participação de empresas particulares, a fim de reduzir os gastos dos governos.
Ao andar na Lua, o comandante da 11ª missão Apollo, Neil Armstrong, em comunicação com o Centro Espacial de Houston, no Texas, disse a célebre frase: "É um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. Eu vi em um programa sobre o assunto há alguns anos que essa frase já tinha sido preparada pela agência espacial Nasa, e dada a Armstrong para o momento certo.  
Nas horas em que Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin andaram pelo solo da Lua, os dois recolheram quilos de rochas, tiraram fotos, fincaram uma bandeira dos EUA, e falaram com o então presidente Richard Nixon. E deixaram uma placa com a inscrição: “Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade.”. Na foto, Edwin "Buzz" Aldrin caminha pela Lua, e no visor de seu capacete pode se ver o reflexo de Neil Armstrong, que fez o registro. 
Até hoje, ainda há pessoas no mundo que não acreditam que os astronautas tenham mesmo andado na Lua. Defendem a teoria que tudo tenha sido uma encenação por parte dos Estados Unidos, para vencer os soviéticos na corrida espacial. fr

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Comprou sabão em pó e levou cocaína 😲

Mais uma notícia que deixa todo mundo achando que não falta mais nada para acontecer hoje em dia... Nesta segunda-feira, dia 15, em São Paulo, algumas pessoas compraram sabão em pó em um mercado no bairro de Ermelino Matarazzo, e ao abrir as embalagens encontraram pacotes, no lugar do produto de limpeza. Era pasta-base de cocaína. Um dos consumidores desconfiou e levou tudo para o 62º Distrito Policial. Os policiais foram, então, ao mercado e prenderam quatro pessoas, uma delas um dos sócios do mercado, suspeito de tráfico de drogas. Apreenderam, também, cerca de 40 caixas do suposto sabão em pó com 80 quilos da droga, e uma caminhonete, que estava sendo descarregada com as caixas. A criatividade dos criminosos, a gente sabe, é grande. Mas, neste caso, eles bobearam e deixaram as caixas de sabão serem colocadas à venda, e deu no que deu... Bem-feito!  (Foto: divulgação da PM.)  fr

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Água-viva gigante maior que um ser humano

Olhem só essa água-viva gigante! Ela foi encontrada no litoral de Falmouth, na Cornualha, Inglaterra, no domingo passado, dia 14. E é maior do que a bióloga Lizzie Daly, que aparece na foto nadando ao lado dela, enquanto eram feitas filmagens para um programa da BBC, sobre vida selvagem. De acordo com ela, é comum a espécie de água-viva chamada de barril (Rhizostoma pulmo) chegar a grandes dimensões, até mesmo 40 centímetros de diâmetro, mas ela disse nunca ter visto nada igual. As toxinas dessa espécie não representam perigo ao ser humano, mas os especialistas orientam às pessoas manterem distâncias das águas-vivas porque algumas provocam fortes queimaduras, que podem causar até mesmo a morte. fr

domingo, 14 de julho de 2019

Hospital da prefeitura do Rio só funciona quando os políticos querem

Jornal Extra, 12/7/2019

Em jogo chato, apático Botafogo empata em 0x0 com Cruzeiro

Assisti ao jogo do Botafogo com o Cruzeiro, hoje à tarde, pela Globo. Um jogo muito chato, por culpa dos dois times. O do Botafogo foi apático, sem vontade, prendendo a bola. E o Cruzeiro demonstrou incompetência para vencer a sua retranca, não teve criatividade, nem qualidade. Os goleiros praticamente nada fizeram. Curiosamente, os dois ou três lances de maior perigo, nos últimos oito minutos do jogo, foram do Botafogo, que quase saiu de Belo Horizonte com uma vitória. Apesar do Botafogo estar em 6º lugar no Campeonato Brasileiro, esperar o que desse time, jogando assim? E com o agravante que os jogadores estão há dois meses sem receber salários, e resolveram até não dar mais entrevistas aos jornalistas.  E o Cruzeiro também não está nada bem, em 17º lugar, na zona de rebaixamento. Muito ruim esse jogo!  fr

Um pássaro livre canta de alegria. Um na gaiola, canta de tristeza.

Eu já escrevi aqui no meu blog várias vezes que eu sou contra prender aves em gaiolas. É uma crueldade, é muito egoísmo querer prender um pássaro para que o bichinho cante para ele e as pessoas de sua família. Deixem as aves livres, voando, cantando de alegria, e não de tristeza, em uma jaula. Em frente ao meu prédio têm umas amendoeiras, e nelas alguns pássaros, que voam de uma para outra. Isto sim é bonito! De vez em quando eu recebo a visita de alguns deles, como esse que eu fiz questão de fotografar na quinta-feira passada. Como é bonito! Não é bem melhor admirar os pássaros estando eles livres, interagindo entre eles, do que prendê-los em uma gaiola minúscula, condenando-os a ficarem tristes, sem voar? Pensem nisto! fr

sábado, 13 de julho de 2019

'50 Anos de Realismo - do fotorrealismo à realidade virtual' no CCBB

           Ontem, eu fui ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) para ver a exposição ‘50 Anos de Realismo – do fotorrealismo à realidade virtual’. Logo no térreo, estão expostas algumas obras, as restantes estão divididas em três salas no segundo andar. Segundo a divulgação, são 92 obras (pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e instalações interativas), de 30 artistas, sendo cinco deles brasileiros. A curadoria é de Tereza de Arruda, brasileira radicada em Berlim, Alemanha.
 
            “Esta exposição nos mostra que a imagem realista se renova conforme a evolução do ser humano e de seu ambiente, sendo refletida na arte de seu tempo e aprimorado, ainda mais, pela inovação dos recursos tecnológicos à sua disposição.”
           A exposição teve início em 22 de maio, e vai até o próximo dia 29 de julho, com entrada gratuita. Ela já passou pelo CCBB de São Paulo e Brasília. Separei algumas fotos que eu fiz das obras que mais me chamaram a atenção, abaixo. fr