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terça-feira, 1 de agosto de 2017

A 1ª Copa do Mundo que eu acompanhei: Argentina 1978

          A primeira Copa do Mundo que eu assisti foi a de 1978, na Argentina, ainda em uma televisão preto e branco (à época, as televisões a cores ainda estavam se popularizando no país). A seleção brasileira terminou em terceiro lugar, única invicta, e o Mundial ficou marcado pela forma como a seleção anfitriã se classificou para jogar a final, no lugar do Brasil, em um dos jogos mais polêmicos da história dos Mundiais, vencido pela Argentina por 6x0 sobre o Peru. Aquela Copa do Mundo foi disputada por 16 países, em duas fases, e, depois, as semifinais, a disputa do terceiro lugar e a final. Na segunda fase, o grupo A foi formado por Itália, Alemanha Ocidental, Áustria e Holanda, tendo esta ido à final. Brasil e Argentina disputaram o grupo B, com Polônia e Peru.
       O Brasil e a Argentina venceram os seus jogos com a Polônia, e empataram entre si em 0x0, chegando na última rodada empatados no número de pontos, e ambos com uma vitória e um empate, mas a seleção canarinho tinha três gols marcados a mais, e o critério de desempate era justamente este. Os jogos da última rodada deveriam ser realizados no mesmo dia e horário, mas houve uma mudança, e o Brasil acabou jogando primeiro, à tarde, e venceu a Polônia por 3x1. Portanto, a Argentina, que jogou à noite, foi a campo já sabendo que precisava vencer o Peru por pelo menos quatro gols de diferença para passar o Brasil, e garantir a vaga para a final. Acabou vencendo por 6x0!
        Eu revi recentemente todos os sete jogos da campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1978, mais o polêmico jogo da Argentina com o Peru, além da final, em vídeos disponibilizados no youtube. O jogo da grande polêmica entre Argentina e Peru eu só encontrei com narração em espanhol, mas deu para assistir. Dos 22 jogadores convocados, somente quatro jogaram todos os sete jogos completos deste Mundial, sem serem substituídos em nenhum deles: Leão, Oscar, Amaral e Batista. O capitão da seleção brasileira nesse Mundial era o Rivellino, mas nos jogos em que ele não jogou por estar contundido, ele foi substituído pelo goleiro Leão. Naquela época, algumas coisas eram bem diferentes de hoje em dia:
 
. Todos os jogadores brasileiros convocados atuavam em clubes brasileiros;
. Cada vitória ainda valia dois pontos;
. Ainda era permitido ao goleiro pegar com as mãos as bolas que lhe eram atrasadas pelos seus companheiros com o pé;
. Não havia muitas bolas em volta do campo, para imediata reposição;
. As barreiras se adiantavam constantemente;
. Nos jogos que eu revi era comum os jogadores cobrarem as faltas com a bola em movimento, sem os árbitros mandarem cobrar novamente;
. Os árbitros não puniam com o cartão amarelo o jogador que fazia falta no adversário que estivesse em ataque com real perigo ao gol;
. A televisão não repetia muito os lances, e raramente mostrava o tempo de jogo;
. O goleiro Leão jogou com o nome "Brasil" estampado em sua camisa;
. Os fotógrafos ficavam muito próximos dos gols, espalhados entre as duas marcas de escanteio; colocando-se em risco, alguns chegaram a ser atingidos por bolas chutadas com muita força. fr

Primeira fase

Primeira fase, grupo 3:

03/6/1978: Brasil 1x1 Suécia – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata
 

Não foi um bom jogo, o segundo tempo foi mesmo muito ruim. Rivellino correu muito, e passava por ele a maioria das jogadas brasileiras. A Suécia abriu o placar aos 37 minutos do primeiro tempo, com Sjoberg, após Zico perder a bola no campo de ataque e dar origem a um contra-ataque, e a defesa brasileira bobear. Menos de um minuto depois, Toninho Cerezo deu um passe lateral no meio-campo, que lembrou muito a besteira que ele viria fazer quatro anos depois no jogo com a Itália, que nos eliminou do Mundial da Espanha. Para sorte brasileira, em 1978, Sjoberg não conseguiu interceptar o passe. Aos 45 minutos, o mesmo Cerezo fez um lançamento da direita para Reinaldo, que venceu o marcador e fez o gol de empate e comemorou com o braço direito erguido e o punho fechado, um gesto, segundo ele mesmo disse anos depois, "revolucionário e socialista". Nesse jogo aconteceu um dos maiores erros da arbitragem em Mundiais. Aos 45 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio cobrada por Nelinho, Zico marcou de cabeça o gol de desempate, mas o árbitro galês Clive Thomas não o validou, alegando ter encerrado o jogo enquanto a bola estava no ar. Um absurdo! Apesar de não ter feito uma boa estreia, o Brasil merecia  mais a vitória do que a Suécia. fr
 
Escalação (em ordem numérica da camisa): Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Dirceu), Edinho, Zico, Reinaldo, Rivellino, Batista e Gil (Nelinho).

 
07/6/1978: Brasil 0x0 Espanha – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata                                                  
 
O jogo foi ruim – principalmente o primeiro tempo – , com muitos passes errados, de ambos os lados. Rivellino não jogou, devido a uma contusão, e o goleiro Leão passou a capitão. Aos 11 minutos do segundo tempo, após lançamento de Dirceu em profundidade do meio-campo para Toninho Cerezo, dois jogadores espanhóis esperaram que o goleiro fizesse a defesa, a bola sobrou livre para Reinaldo, que chutou em cima do goleiro. Uma excelente oportunidade desperdiçada. Nesse jogo, no segundo tempo, Jorge Mendonça começou a aquecer aos 21 minutos, mas somente entrou no lugar de Zico aos 39; foram 18 minutos aquecendo. Aos 29 minutos do segundo tempo, após péssima saída de Leão, a bola sobrou limpa para o espanhol, mas Amaral salvou o gol duas vezes (veja o vídeo abaixo). Foi a melhor oportunidade do jogo. No outro jogo da rodada, a Áustria garantiu sua classificação para a segunda fase, ao vencer o seu segundo jogo. O Brasil, com apenas dois empates, ainda tinha que vencer o próximo jogo para garantir sua classificação. fr
 
Escalação: Leão, Nelinho (Gil), Oscar, Amaral, Edinho, Toninho Cerezo (Chicão), Batista, Dirceu, Toninho, Reinaldo e Zico (Jorge Mendonça).
 

11/6/1978: Brasil 1x0 Áustria – Estádio Jose Maria Minella, Mar Del Plata
 
O Brasil jogou sem Reinaldo e Rivellino, precisando da vitória para garantir a classificação. Zico somente entrou aos 38 minutos do segundo tempo. E o gol somente saiu aos 40 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Jorge Mendonça nos pés de Roberto Dinamite, que chutou no ângulo direito do gol austríaco; a bola ainda desviou em um adversário. O goleiro Leão não foi exigido no primeiro tempo. O segundo tempo foi bem melhor, e foi equilibrado. Apesar da derrota, a Áustria acabou em primeiro no grupo, com o Brasil em segundo. Ambos terminaram com quatro pontos, mas os austríacos tiveram duas vitórias, e o Brasil somente uma. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto, Toninho Cerezo (Chicão), Batista, Jorge Mendonça (Zico), Roberto Dinamite, Dirceu e Gil.

Segunda fase

Segunda fase, grupo B:

14/6/1978: Brasil 3x0 Peru – Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
 
Foi o jogo mais equilibrado e de melhor qualidade do Brasil até o momento, principalmente o primeiro tempo. O primeiro gol brasileiro saiu aos 14 minutos do primeiro tempo, um golaço de falta, cobrada por Dirceu.  Treze minutos depois, o mesmo Dirceu fez o segundo, chutando de fora da área, e contando com a falha do goleiro peruano, Ramón Quiroga.
Zico somente entrou aos 25 minutos do segundo tempo, no lugar de Gil; até então no banco de reservas apareceu na trasmissão filmando o jogo. Um minuto depois, Roberto Dinamite foi puxado pela camisa e derrubado dentro da área. O próprio Zico cobrou e fez o seu primeiro gol em Mundiais. Na Copa do Mundo de 1986, no México, Zico viria a perder um pênalti contra a França, após também entrar no jogo pouco antes da cobrança, e o Brasil acabou eliminado na cobrança na marca dos pênaltis.
A seleção brasileira não exibiu muita qualidade técnica, mas muita disposição e forte marcação. Este foi também o jogo em que o goleiro Leão foi mais exigido, ao contrário dos anteriores. O goleiro peruano jogou com o calção branco, da mesma cor dos seus companheiros. No outro jogo do grupo B, disputado no mesmo dia, a Argentina venceu a Polônia por 2x0. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Chicão), Dirceu, Rodrigues Neto, Batista, Gil (Zico), Jorge Mendonça e Roberto Dinamite.
 
18/6/1978: Brasil 0x0 Argentina – Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
 
Os jogadores argentinos jogaram com o uniforme tradicional com os calções e meiões pretos, da mesma cor do uniforme do árbitro, todo de preto, o que não deveria ocorrer. Acho que naquela época os árbitros ficavam mais restritos a cor preta nos uniformes. Logo no início do jogo, aos 10 segundos, Batista levou um chute de Luque, sem bola, mas o árbitro nem marcou a falta; faltou-lhe coragem para dar o cartão vermelho. Muito papel em campo, principalmente na área do gol defendido pelo goleiro brasileiro, como de costume nos jogos da Argentina. Aos nove minutos, Batista derrubou Kempes, e Gil chutou a bola em cima do argentino; o árbitro não deu o amarelo. Dois minutos depois, foi a vez de Toninho pegar o tornozelo de Ortiz, e também não receber amarelo. Aos 28 minutos, mais uma falta para amarelo que o árbitro não deu: Gil em Ardiles. Aos 40 minutos, Gil entrou de sola em um argentino, era para cartão vermelho, mas o árbitro somente marcou a falta. O árbitro húngaro Karolai Palotai foi muito condescendente no aspecto disciplinar, e somente deu o primeiro amarelo aos 44 minutos do primeiro tempo, após falta feia de Chicão em Kempes. Um jogo com pouco futebol e muitas faltas duras de ambos os lados. As poucas oportunidades criadas foram desperdiçadas: no primeiro tempo, Gil, aos 16 minutos, de frente com Fillol; Ortiz, aos 36 minutos, também de cara com Leão; e no segundo tempo, Rodrigues Neto chutando para a defesa do goleiro argentino, cara a cara. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto (Edinho), Batista, Chicão, Dirceu, Gil, Roberto Dinamite e Jorge Mendonça (Zico).
 
21/6/1978: Brasil 3x1 Polônia – Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
 
Zico começou jogando, mas logo em seu primeiro ataque, aos dois minutos do primeiro tempo, ficou sentindo após um choque com um adversário. Saiu cinco minutos depois, sendo substituído por Jorge Mendonça. Aos quatro minutos, o árbitro errou contra o Brasil ao marcar impedimento em um ataque brasileiro de grande perigo. Aos 13 minutos, mesmo sem estar bem no jogo, a seleção brasileira fez o seu primeiro gol. Após Gil ser derrubado próximo à meia-lua adversária, Nelinho cobrou com força no ângulo esquerdo do gol polonês. Aos 44 minutos, Toninho, Oscar e Amaral se atrapalharam, a bola sobrou para Lato, dentro da área, fazer o gol de empate. Uma falha inacreditável da defesa brasileira. A torcida presente ao estádio, em sua maioria de argentinos, fez a festa. Aos oito minutos do segundo tempo, Toninho Cerezo fez mais uma falta feia, dando uma banda em um adversário, levando cartão amarelo, quando deveria ter sido expulso. Aos 12 minutos, Jorge Mendonça chutou a bola na trave e Roberto Dinamite, bem colocado, aproveitou o rebote para desempatar. A Polônia naquele momento estava melhor, apesar de também errar muito. O terceiro gol brasileiro foi resultado de muita insistência. Aos 16 minutos, após bonita jogada individual de Dirceu, que correu para evitar a saída de bola junto à bandeira de escanteio, e driblar Maculewicz entre as pernas, ele passou a Gil, este rolou para Jorge Mendonça que chutou na trave, em seguida Gil chutou no travessão. O Brasil continuou com a bola e no meio-campo, após disputa com o adversário, sobrou para Dirceu chutar da intermediária e mandar a bola novamente na trave, e, em seguida sobrou para Dinamite completar para o gol. Foram três vezes em que a bola bateu na trave! Aos 22 minutos, Lato perdeu excelente oportunidade, após falha de Amaral, mandando rente à trave do gol brasileiro. Aos 26 minutos, Jorge Mendonça fez falta feia em Szarmach, que ficou sem a chuteira e fez que ia atacá-la em Mendonça, muito engraçado! Mendonça não levou cartão amarelo. Aos 37 minutos, um jogador polonês perdeu um gol incrível, chutando para fora com o gol aberto. O jogo teve muitas faltas duras, e o árbitro errou muito. Com a vitória, o Brasil chegava aos cinco pontos, com cinco gols de saldo, contra três pontos da Argentina, que tinha apenas dois gols de saldo. Portanto, os argentinos iriam jogar com o Peru, à noite, sabendo que precisavam vencer de pelo menos quatro gols de diferença para passar o Brasil, e garantir a vaga para a final, o que acabou acontecendo, com a goleada de 6x0. fr
 
Escalação: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Toninho Cerezo (Rivellino), Zico (Jorge Mendonça), Dirceu, Nelinho, Batista, Gil e Rodrigues Neto.

Argentina classifica-se para a final em goleada polêmica sobre o Peru

        Fiz questão também de assistir novamente ao polêmico jogo entre Argentina e Peru, disputado no dia 21 de junho, no estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, e que terminou na goleada de 6x0 que classificou o país anfitrião à final do Mundial. Os argentinos entraram em campo sabendo que precisavam de uma vitória de, pelo menos, quatro gols de diferença. E a torcida estava bastante animada, reforçada pela presença do presidente do país, o ditador militar Jorge Rafael Videla. 
      Os peruanos até que começaram levando perigo. Aos onze minutos do primeiro tempo, mandaram uma bola na trave. E aos quinze, Oblitas quase marcou, obrigando o goleiro Fillol – que, anos mais tarde, viria jogar no Flamengo – a fechar o gol. Mas o primeiro gol da goleada saiu aos 21 minutos, na primeira ameaça real argentina , com Kempes. Quatro minutos depois, Luque mandou na trave, e aos 27 minutos os argentinos acertaram o travessão. 
    Aos 38 minutos, Tarantini lançou à área e três argentinos ficaram diante do goleiro adversário, que saiu bem, fechando o gol; na sequência Luque foi derrubado dentro da área, mas o árbitro marcou impedimento. Aos 43, após cobrança de escanteio, Tarantini marcou o segundo gol da noite, de cabeça, sem precisar nem pular, e sem marcação. 
    Logo aos três minutos do segundo tempo, Kempes tabelou com um companheiro dentro da área e ficou de frente ao goleiro peruano, vencendo quatro marcadores e fazendo o terceiro. Um minuto depois, após cruzamento da esquerda, Luque, sem marcação, fez fácil o quarto. Aos 21 minutos, Houseman recebeu o passe para marcar fácil o quinto gol. No segundo tempo, os argentinos entravam sem nenhuma dificuldade na área peruana. 
    O sexto e último gol foi resultado de uma falha ridícula do peruano Duarte, que estranhamente se enrolou com a bola, deixando que um argentino a tomasse e fizesse o passe para Luque fechar a goleada, e confirmar a classificação argentina. A seleção peruana se comportou no segundo tempo de maneira muito apática, completamente diferente do primeiro. Curiosidade: o goleiro do Peru, Ramón Quiroga, nasceu na Argentina, tendo se naturalizado peruano, e acabou por disputar também o Mundial da Espanha, quatro anos depois. fr

Frases: Claudio Coutinho

"Os que atuaram contra a Argentina não têm mais condições de ouvir o hino nacional de sua pátria em uma competição. Estou arrasado, frustrado, decepcionado. Tenho certeza de que esse time do Peru, pois conheço a maioria, não podia perder de seis. E vou além: se a Argentina precisasse de mais gols, marcaria tantos quantos fossem necessários para ser a primeira colocada do grupo. Onde está o time peruano que venceu a Escócia e empatou com a Holanda?"

CLAUDIO COUTINHO Jornal do Brasil, 22/6/1978

Brasil vence a Itália e fica em terceiro no Mundial de 1978

Decisão do terceiro lugar:
24/6/1978: Brasil 2x1 Itália – Estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires
 
O Brasil foi a campo para disputar o terceiro lugar do Mundial com a Itália, tendo Zico, Rivellino e Reinaldo no banco de reservas, e a torcida argentina, a maioria no estádio, torcendo contra e nos vaiando. No time italiano estavam em campo alguns dos jogadores que viriam disputar, quatro anos mais tarde, o Mundial da Espanha. E entre eles, o atacante Paolo Rossi, autor dos três gols da vitória da Itália sobre o Brasil que viria a nos eliminar em 1982. O jogo foi de muita marcação mútua. A Itália abriu o marcador aos 38 minutos do primeiro tempo, com Causio, de cabeça, de frente ao goleiro Leão, aproveitando cruzamento da direita de Paolo Rossi. Dois minutos depois, Paolo Rossi recebeu passe de Cuccureddu, entre dois brasileiros, ficou de frente com Leão, mas, felizmente, chutou na trave. Aos 44 minutos, Batista fez falta feia, sem bola, em Roberto Bettega, recebendo cartão amarelo, quando deveria ter sido expulso. Na volta para o segundo tempo, Reinaldo entrou no lugar de Gil, e fez um gol, após passe de Dirceu dentro da área, mas corretamente anulado porque Dirceu ajeitou a bola com a mão. Aos 13 minutos, o árbitro não marcou pênalti quando Jorge Mendonça foi derrubado dentro da área. A televisão não repetiu o lance, como atualmente faz, e de diferentes ângulos. O segundo tempo foi do Brasil; até os 27 minutos, o goleiro Leão sequer tocou na bola. O gol de empate saiu aos 19 minutos, um golaço de Nelinho, após receber um passe de Roberto Dinamite, ele chutou da intermediária, com muito efeito, no canto direito do gol italiano. Um minuto depois, Rivellino entrou no lugar de Cerezo, que saiu balançando a cabeça, insatisfeito. Aos 26 minutos, o Brasil desempatou com outro golaço, dessa vez de Dirceu, em bola que sobrou na meia-lua, e ele chutou de esquerda no canto direito do gol da Itália. Os italianos passaram a abusar das faltas, e os jogadores de ambas seleções passaram a se entranhar, principalmente com Rivelino, que reclamava bastante. Um minuto depois, Gentile entrou muito duro em Rodrigues Neto, e deveria ter sido expulso, mas recebeu apenas o cartão amarelo. Aos 33 minutos, Patrizio Sala acertou feio Batista e também deveria ter sido colocado para fora, mas o árbitro israelense Abraham Klein nem cartão amarelo deu. Aos 41 minutos, os jogadores brasileiros reclamaram outro pênalti, após a bola bater na mão de um italiano dentro da área; o árbitro entendeu ter sido involuntário. Faltando um minuto para o fim do jogo, após cobrança de falta na intermediária, a bola foi lançada na área e um italiano mandou de cabeça no travessão. Se entrasse, o empate teria levado o jogo à prorrogação. O Brasil venceu a Itália e conquistou o terceiro lugar no Mundial da Argentina. O treinador Claudio Coutinho definiria a seleção brasileira como a "campeã moral" de 1978, tendo em vista o arranjo do jogo dentre argentinos e peruanos. fr
 
Escalação: Leão, Rodrigues Neto, Oscar, Amaral, Nelinho, Batista, Toninho Cerezo (Rivellino), Dirceu, Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Jorge Mendonça.

Argentina vence Holanda e fica com a taça

Assisti também, mais uma vez, ao jogo da final, entre Argentina e Holanda, realizado dia 25 de junho, no estádio Monumental de Nuñez, o mesmo que no dia anterior recebeu a disputa do terceiro lugar. Assim como nos demais jogos da seleção argentina, havia muito papel no gramado. O jogo, uma final de Mundial, teve o seu início atrasado em oito minutos por conta de uma atadura na mão direita do jogador holandês Van De Kerkhof. Os argentinos, à frente o capitão Passarela, reclamaram que a atadura estava com uma armação muito dura e poderia ferir algum jogador, e ela teve que ser refeita. Logo o início do jogo mostrou um nervosismo muito grande de ambos os lados, com faltas, reclamações e atritos. Aos 15 minutos, mais um desentendimento em campo, com um holandês reclamando ter sido atingido sem bola no estômago, mas o árbitro italiano Sergio Gonella não atendeu sua reclamação. Um jogo muito nervoso, principalmente por parte do argentino Bertoni, mas também muito disputado, com chances de parte a parte, e com a Argentina tendo mais iniciativa. Aos 37 minutos, em ataque que envolveu a defesa holandesa, Kempes fez 1x0, para delírio da torcida argentina. Aos 44 minutos, Rensenbrink finalizou de frente para o goleiro Fillol, que fez uma difícil defesa, impedindo o gol de empate. No segundo tempo, a Argentina se fechou após os 15 minutos, tentando ampliar o marcador através dos contra-ataques. Mas, aos 36 minutos a Holanda empatou, com um gol de cabeça de Nanninga, subindo mais do que os seus marcadores. No último minuto de jogo, a Holanda quase faz o gol que seria o do título. Em cobrança de falta no meio-campo, Rensenbrink foi lançado, foi mais rápido que o marcador argentino e chutou na trave. A final foi para a prorrogação. Aos três minutos do primeiro tempo, o holandês Wim Suurbier acertou com muita violência o argentino Bertoni, mas não foi expulso, como deveria, levando somente o cartão amarelo. Um minuto depois, Larrosa deu o troco e acertou o holandês, mas não foi punido com cartão. Aos 14 minutos, Bergomi livrou-se da marcação e deu passe para Luke, que passou por dois holandeses e chutou para a defesa do goleiro, mas ele aproveitou o rebote e marcou o gol de desempate. Aos três minutos do segundo tempo, um holandês fez falta em Larrosa, derrubando-o, e depois chutou a bola no rosto do argentino. O árbitro não o expulsou. A final foi um jogo nervoso, com muitas faltas, e o árbitro foi muito condescendente. Os argentinos, claro, aproveitaram para ganhar tempo sempre que podiam. Aos nove minutos, Kempes fez tabela com Bertoni e chutou para fazer o terceiro gol argentino e garantir o primeiro título do país vizinho. Os argentinos foram superiores na prorrogação. E a Holanda ficou com o seu segundo vice-campeonato mundial consecutivo. Festa na Argentina, em plena ditadura militar, uma das mais violentas e covardes da América Latina. fr

Jogadores convocados para o Mundial de 1978

A delegação do Brasil no Mundial de 1978

Um Mundial marcado pela polêmica

domingo, 30 de julho de 2017

Pela primeira vez em 35 anos, Brasil não tem piloto em um GP da Fórmula 1

A corrida de Fórmula 1 hoje, disputada na Hungria, teve um fato marcante para nós, brasileiros. Pela primeira vez desde 25 de abril de 1982, no GP San Marino, quando dez equipes decidiram não disputá-lo devido a divergências com a organização da categoria, o Brasil não teve um piloto disputando uma corrida. Felipe Massa, da Williams, não correu por ter se sentido mal durante o segundo treino livre, sexta-feira. Ele foi substituído pelo piloto reserva, o escocês Paul di Resta. Apesar de Felipe Massa não estar entre os pilotos que disputam o título, sequer chegou ao pódio este ano, é uma pena ver quebrada essa marca de 35 anos. O GP da Hungria não teve surpresas. Os cinco primeiros colocados foram justamente os que largaram nas mesmas posições: Vettel e Raikkonen, da Ferrari; Bottas e Hamilton, da Mercedes; e Max Verstappen, da RBR. Ainda aguardamos o surgimento de novos pilotos brasileiros para lutar por título, não apenas por alguns pouco pontos. fr

Botafogo sofre três gols em menos de 10 minutos e permite virada

Inacreditável! O Botafogo estava vencendo o São Paulo ontem, em casa, no estádio Nilton Santos, por 3x1, e nos últimos minutos de jogo permitiu a virada. O Botafogo saiu perdendo, empatou, virou e fez o terceiro, e o goleiro Gatito Fernández, no lugar de Jefferson, contundido, ainda defendeu um pênalti. O São Paulo diminuiu aos 39, empatou aos 41 e virou aos 47 minutos do segundo tempo. Um absurdo!!!! Como é que deixam isso acontecer? Perder para o São Paulo não é nenhum resultado anormal, mas perder um jogo como este, em casa, nos últimos minutos, é inaceitável!!! fr

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dica de filme: "Homem-Aranha: de volta ao lar"

HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR ("Spider-Man: Homecoming")
EUA, 2017, Ação
Direção: John Watts
Com: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Jacob Batalon, Marisa Tomei
Assisti ontem no cinema o novo filme do cabeça-de-teia, em 3D, com Tom Holland vivendo pela primeira vez o personagem e sua identidade secreta, Peter Parker. Gostei muito! Foi, com certeza, o melhor filme do Homem-Aranha de todos, incluindo os cinco anteriores, produzidos a partir de 2002. A estória é boa, o filme diverte, os efeitos são show, enfim, o melhor de todos. No filme, o adolescente Peter Parker está entusiasmado após ter participado de uma missão com os Vingadores (em 2016, em "Capitão América: Guerra Civil", em pequena participação), e aguarda ansiosamente ser chamado para uma próxima. Ao mesmo tempo, tenta se acertar com a colega de classe, Liz Allan, mas suas atividades contra o crime sempre atrapalham. E combater o Abutre (interpretado pelo ator Michael Keaton, que já foi o Batman no cinema) e sua quadrilha, ainda mais. O Homem-de-Ferro (Robert Downey Jr.) faz uma participação para lá de especial, salvando o escalador-de-paredes e também sendo o seu mentor. Já é comum que os filmes adicionem situações que os quadrinhos clássicos não mostravam, e este não foi diferente. O colega Ned, nerd como Parker, acaba descobrindo sua identidade e passa a ajudá-lo. A tia Parker, nas revistas já uma senhora de cabelos brancos e de saúde frágil, no filme é vivida pela atriz Marisa Tomei, de visual moderno e bem jovem. O uniforme inicialmente criado pelo adolescente é uma roupa bem simples, apenas costurada; porém Tony Stark cede a ele uma avançada vestimenta, repleta de recursos tecnológicos. Liz e Flash Thompson são negros no filme, quando nos quadrinhos eram louros. Mas o que importa é que o filme é muito bom, de longe o melhor de todos os produzidos sobre o Homem-Aranha até hoje. E encontrar o Stan Lee, um dos criadores do Homem-Aranha, fazendo uma 'ponta' já é uma tradição nos filmes da Marvel. Ah! Outra prática comum nos filmes da Marvel é aguardarmos as cenas adicionais após terminarem os créditos, esperando um gancho para um próximo filme ou algo engraçado. Sem querer estragar a surpresa para quem ainda não assistiu, as deste filme não valem tanto assim permanecer no cinema. rsrs fr

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Botafogo reverte vantagem do Atlético Mineiro e avança às semifinais da Copa do Brasil

O Botafogo conseguiu uma vitória maiúscula, ontem, no estádio Nilton Santos, por 3x0 sobre o Atlético Mineiro, e garantiu sua vaga nas semifinais da Copa do Brasil. No primeiro jogo, dia 29 de junho, no estádio Independência, em Belo Horizonte, o Atlético tinha vencido por 1x0, e jogava, portanto, com a vantagem do empate. Mas logo aos cinco minutos do primeiro o Botafogo abriu o marcador, com Joel Carli, igualando os placares. A partir dali, se o jogo terminasse assim, a decisão teria sido na marca dos pênaltis. A noite, porém, era do Botafogo, e Roger desempatou aos 41 minutos, placar que já favoreceria o Fogão. A classificação, mais do que merecida, foi carimbada no final do segundo tempo, aos 45 minutos, após rápido contra-ataque, finalizado por Gilson. O adversário do Botafogo nas semifinais será o Flamengo, em jogos que serão disputados no dias 16 e 24 de agosto. Uma bela campanha que o Botafogo vem fazendo na Copa do Brasil, paralela a Libertadores e ao campeonato brasileiro. Vamos buscar mais esse título inédito! fr  BOTAFOGO: Jefferson, Emerson, Joel Carli, Igor Rabello e Victor Luís; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, Matheus Fernandes e João Paulo (Leandrinho); Rodrigo Pimpão (Guilherme) e Roger (Gilson); treinador: Jair Ventura.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Você sabe o que significa a expressão 'a ficha caiu'?

Acho muito curioso ouvir de jovens a expressão 'a ficha caiu"... Curioso porque provavelmente eles nem sabem a origem da expressão. Para quem viveu a época áurea dos orelhões no Brasil, é fácil lembrar do tempo em que eles eram utilizados com fichas, que eram compradas em bancas de jornais. Colocava-se uma ou mais fichas no telefone público, e quando a pessoa do outro lado da linha atendia, "a ficha caia". Em 1992, as fichas foram substituídas por cartões telefônicos, que ainda existem, apesar de ser bem difícil de encontrá-los para comprar. Hoje em dia, a enorme maioria das pessoas usa os telefones celulares. Os mais jovens, então, devem passar pelos orelhões e nem fazer ideia para que eles servem. kkkkkkk  fr

terça-feira, 25 de julho de 2017

Expectativas

Um açougueiro estava em sua loja e ficou surpreso quando um cachorro entrou. Ele espantou o cachorro, mas logo o cãozinho voltou. Novamente ele tentou espantá-lo, foi quando viu que o animal trazia um bilhete na boca.
Ele pegou o bilhete e leu:
- Pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?
Ele olhou e viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de 50 reais. Pegou o dinheiro, separou as salsichas e a perna de carneiro, colocou numa embalagem plástica junto com o troco, e pôs na boca do cachorro.
O açougueiro ficou impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, ele decidiu seguir o animal. O cachorro desceu a rua, quando chegou ao cruzamento deixou a bolsa no chão, pulou e apertou o botão para fechar o sinal. Esperou pacientemente com o saco na boca até que o sinal fechasse e ele pudesse atravessar a rua. O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua, até que o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada. Voltou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso. Ninguém respondeu na casa.
Então, o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Depois disso caminhou de volta para a porta. Foi quando alguém abriu a porta e começou a bater no cachorro. O açougueiro correu até esta pessoa e o impediu, dizendo:
- Por Deus do Céu, o que você está fazendo? O teu cão é um gênio!
A pessoa respondeu:
- Um gênio? Esta já é a segunda vez esta semana que este estúpido esquece a chave!
Moral da História:
"Você pode continuar excedendo às expectativas, mas para os olhos de alguns idiotas, você estará sempre abaixo do esperado."
Fonte: da internet, sem autoria.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O Brasil é um país com quatro fusos horários

A maioria das pessoas não se dá conta, mas no nosso país convivemos com mais de um fuso horário. Mais precisamente quatro diferentes fusos, desde a publicação de Lei, em 2013, que decidiu pelo retorno do fuso horário do Acre ao padrão GMT-5 com duas horas a menos em relação do horário oficial de Brasília, resultado de referendo popular realizado três anos antes. Assim, quando, por exemplo, o horário de Brasília marca meio-dia, em Fernando de Noronha é uma da tarde; no Mato Grosso 11 da manhã; e no Acre, 10 horas. Poucos países no mundo têm mais de um fuso horário. No período de horário de verão este ano, os estados das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste adiantaram os relógios em mais uma hora.
 
De forma simplificada, explica-se que a hora no mundo é calculada partindo da circunferência da Terra, com 360 graus, dividida pelas 24 horas do dia. O resultado indica que a cada hora, o planeta movimenta-se 15 graus em relação ao Sol. E cada uma das 24 "faixas" de rotação é chamada de fuso horário. No século 19, convencionou-se que o meridiano a ser utilizado como referência seria o de Greenwich, na Inglaterra, onde estava o Observatório Astronômico daquela cidade. A hora de Greenwich, conhecida como GMT (Greenwich Mean Time), passou a ser a referencial, e as horas das regiões localizadas a Leste aumentam; e a Oeste, diminuem. Esta padronização é usada como referência entre os países, mas dentro de cada nação, é o seu governo que define os seus fusos horários. fr


domingo, 23 de julho de 2017

Relembrando os desenhos clássicos da Marvel

Quando criança eu assistia a todos os desenhos da Marvel na TV. Eram os anos 1970, e os desenhos tinham sido produzidos na década anterior. Revendo-os hoje, anos depois, é evidente que eles parecem muito amadores, tanto que são chamados de "desenhos desanimados"... rsrs A movimentação dos personagens era lenta, praticamente quadro a quadro, as cenas de ação e brigas precisavam ser pontuadas por onomatopéias. Mas, quem foi criança naquela época não tinha nenhuma outra referência para comparar, e, na realidade, pouco ligava. Atualmente, esses desenhos são considerados cult. Eu, claro, não perdia nenhum! Abaixo, as aberturas dos desenhos do Homem-Aranha, Namor, Hulk, Thor, Homem de Ferro e Capitão América. fr

Homem-Aranha

Homem de Ferro

Hulk

Namor

Thor

Capitão América

sábado, 22 de julho de 2017

A internacionalização do mundo

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO (Cristovam Buarque)
Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova Iorque, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa. 

(*) Cristovam Buarque, doutor em Economia e professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília) senador, foi governador do Distrito Federal e ministro da Educação no primeiro governo Lula. Autor, entre outras obras, de "A Segunda Abolição" (editora Paz e Terra). 

O debate em questão ocorreu nas salas de convenções do Hotel Hilton, durante o “State of the World Forum”, em Nova Iorque, em setembro de 2000. O artigo foi publicado logo em seguida nos jornais O Globo e Correio Brasiliense.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dia do amigo

Hoje, comemora-se no Brasil o 'dia do amigo'. Amigo é aquele que mantém contato com a gente, mesmo que a gente esteja com problemas, e se ausente. Amigo é aquele que nos aceita como somos, sem nos julgar o tempo todo, sem nos colocar para baixo com críticas e mais críticas, nunca construtivas. Esses que se comportam assim não são nossos amigos, são apenas nossos conhecidos. fr

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Assisti e gostei dos novos Trapalhões

Assisti hoje no canal Viva um episódio dos novos Trapalhões, e gostei. As piadas são simples, algumas já conhecidas, mas divertem. E para quem assistiu quando criança ao programa dos Trapalhões originais é muito legal ver essa nova versão, e traz boas lembranças dos inúmeros domingos em que eu ri à frente da TV. O novo Mussum, o Mumu (Mumuzinho) e o Zaca (Gui Santana) são idênticos, estão ótimos. O Didico (Lucas Veloso) imita muito bem, e o Dedeco (Bruno Gissoni) é o que menos trejeicos tem que incorporar, é o cara supostamente mais sensato do grupo. Estão de parabéns! O Renato Aragão e o Dedé Santana, que interpretam a si mesmos, como experientes humoristas que orientam e ensinam os novos, acabam sendo 'escadas' dos quatro. Uma bela homenagem aos Trapalhões e um presente àqueles que se divertiram durante anos e anos com o grupo original. fr

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Triste marca de uma família, o suicídio

Leio hoje na imprensa que o neto do ex-presidente Getúlio Vargas, Getúlio Dornelles Vargas Neto, morreu em seu apartamento, em Porto Alegre. De acordo com a Polícia Civil, ele teria cometido suicídio. Assim como o avô, e o pai, Maneco Vargas. Uma triste marca que vem se repetindo em uma mesma família. fr

domingo, 16 de julho de 2017

Número de turistas brasileiros em Portugal bate recorde

De acordo com a página da Embaixada de Portugal no facebook, ontem, dia 15, o número de turistas brasileiros bateu o recorde em maio deste ano. Foram registradas 202 mil pernoites naquele mês em hotéis portugueses de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), um aumento de 40,3% em relação a maio de 2016. E até maio passado, o Brasil é o sexto país que mais envia turistas a Portugal no mundo, atrás somente do Reino Unido, com mais de um milhão de pernoites; Alemanha, 569 mil; Espanha, 266 mil; França, 489 mil e Holanda, 255 mil. Muito bom para a economia portuguesa. fr

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Botafogo vence o Nacional do Uruguai em Montevidéu

O Botafogo venceu ontem, em Montevidéu, o Nacional, por 1x0, gol de João Paulo, e jogará pelo empate no jogo da volta, no estádio Nilton Santos, no dia 10 de agosto, para avançar para as quartas de final da Libertadores da América. BOTAFOGO: Gatito Fernández, Arnaldo, Carli, Emerson Silva e Victor Luís; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, Matheus Fernandes e João Paulo (Camilo); Rodrigo Pimpão (Guilherme) e Roger (Marcos Vinicius); treinador: Jair Ventura. fr

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Deveria também lembrar quem te deve... 😒

Não seja uma pessoa mais ou menos

Casa na fronteira entre dois países gera situação inusitada

Uma casa que fica localizada exatamente na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá provoca uma situação bastante inusitada. Parte dela está no estado estadunidense Beebe Plain, outra parte em Stanstead, no estado canadense de Quebec. O proprietário, Brian DeMoulin, herdou a casa há 30 anos, e agora quer vendê-la. Porém, está com dificuldades, já que a imobiliária lhe disse que o ideal seria que o futuro proprietário tenha dupla nacionalidade, como é o seu caso. Isso porque a casa tem uma porta que dá para o lado dos Estados Unidos, e outra, dos fundos, que fica fechada, que dá para o Canadá. Se o dono da casa não tiver os documentos regularizados e sair pelo lado canadense pode ter problemas e até ser detido, porque os agentes de fronteira estão frequentemente passando por ela. Além disso, o proprietário  tem que pagar impostos nos dois países. Apesar de tudo, Beebe diz já ter recebido propostas de interessados, até de outros países, como Líbano e Cuba. Que coisa! fr

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Dica de livro: "Esaú e Jacó"

Esaú e Jacó, Machado de Assis, s/local, Klick Editora, s/data, 270 páginas.

Considerado o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis escreveu, ao longo dos seus 69 anos, peças teatrais, contos, crônicas, poemas e nove livros. Li há poucos dias a sua penúltima obra, “Esaú e Jacó”, lançada em 1904, em que ele conta a inimizade entre dois irmãos gêmeos, Pedro e Paulo, iniciada ainda "no útero da mãe". Desde crianças pequenas brigavam por tudo, desde que perceberam que, com as brigas, ganhavam mais atenção da mãe, que se demonstrava tolerante com os desentendimentos dos dois, passando-lhe apenas "ralhos amigos", apesar de não gostar de vê-los desunidos.
Preocupada com o destino dos filhos, ainda grávida ela procurou uma vidente no antigo Morro do Castelo, que lhe previu vagamente “coisas futuras”, o que lhe trouxe muita esperança com o futuro dos filhos. Os dois, já adultos, divergiam sempre, inclusive sobre política, mais especificamente sobre o sistema de governo que o país deveria seguir, às vésperas da proclamação da República. Pedro posicionava-se a favor da Monarquia, Paulo era simpatizante da mudança. Os dois seguiram por caminhos próprios na vida profissional, Pedro seguiu a Medicina; Paulo a advocacia. Mas ambos entraram na política, sendo eleitos deputados e defendendo suas convicções.
O distanciamento aumentou ainda mais após os dois apaixonaram-se pela mesma mulher, Flora, que não se decidia por qual dos dois nutria mais amor. O único elo entre os dois era o amor à mãe. Assim como no clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis usa um narrador para contar a estória, e ele se dirige diretamente a nós, leitores. E, assim como aquele livro, que teve o personagem Quincas Borba utilizado no livro homônimo, anos mais tarde, o autor lançou depois uma obra baseando-se em um personagem de um trabalho anterior. Em 1908, Machado de Assis publicou o seu último livro, “Memorial de Aires”, voltando a usar um dos personagens de “Esaú e Jacó”, o diplomata aposentado José da Costa Marcondes Aires, que anotava passagens de sua vida. Este livro eu ainda não li, mas já está na minha lista. fr

"Primo rico, primo pobre"

O programa "Balança mas não cai" passava na Rede Globo em 1982, antes foi exibido pela extinta TV Tupi. O quadro abaixo é o "Primo rico, primo pobre", com os saudosos Paulo Gracindo e Brandão Filho. É mais um programa que acaba ficando na memória afetiva. fr

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Filme "Mulher Maravilha" (2017)

Assisti no cinema ao filme "Mulher Maravilha" (Wonder Woman) este mês, em 3D. Não achei lá essas coisas. A atriz israelense Gal Gadto é linda como a estadunidense Linda Carter, que protagonizou a série na década de 1970. Uma pena, inclusive, que Carter não tenha feito uma participação especial no filme, teria sido muito legal. Leio na internet que isso poder ocorrer na sequência. O filme foi dirigido por Patty Jenkins. fr


Globo prepara nova versão dos Trapalhões

Assim como a Escolinha do Professor Raimundo teve uma nova versão, em que o Chico Anysio teve o seu lugar ocupado pelo filho Bruno Mazzeo, e vários personagens por atores mais jovens, a Rede Globo está preparando os novos Trapalhões. Hoje, a Globo divulgou as primeiras fotos da nova versão. São eles, da esquerda para a direita: Lucas Veloso como Didico; Mumuzinho como Mumu; Gui Santana como Zaca; e Bruno Gissoni como Dedeco. O programa terá também a participação dos trapalhões Renato Aragão e Dedé Santana, que viverão dois experientes humoristas, com quem os demais procuram aprender. A estreia está marcada para 17 de julho, no Canal Viva, marcando os 40 anos dos Trapalhões. Em setembro, deverá ser exibido em canal aberto, pela Rede Globo. É aguardar para conferir! fr

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Não dá para perder para o lanterna em casa...

Não dá para perder para o até então último colocado do campeonato brasileiro, o Avaí, por 2x0, em casa, no Estádio Nilton Santos. O Botafogo tomou dois gols nos primeiros 16 minutos de jogo, e ainda por cima marcados pelo ex-botafoguense Joel, dispensado recentemente. Para piorar, o argentino Montillo iniciava um jogo pela primeira vez em quatro meses, recuperado de uma contusão, e saiu logo no início, sentindo a panturrilha. A principal contratação do ano, infelizmente ainda não disse a que veio. Não acompanhei o jogo porque estava voltando do trabalho, mas leio que o Botafogo pressionou no segundo tempo, mas não teve competência para marcar. Uma pena! Depois de uma excelente vitória sobre o Vasco, o Glorioso perde para o lanterna... e domingo que vem vamos enfrentar simplesmente o líder do campeonato, o invicto Corinthians, e em São Paulo. Como tem coisas que só acontecem com o Botafogo, tudo é possível! rsrs  fr

Presidente Temer é denunciado por corrupção passiva


domingo, 25 de junho de 2017

Bolo de abacaxi com coco

Bolo de abacaxi com coco... uma delícia! fr

Frases: Xico Sá

"O maior medo de algumas igrejas é Jesus Cristo voltar. Já pensou Ele pegar toda essa grana recolhida em nome dEle, e distribuir mesmo para os pobres?" Xico Sá