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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Nota oficial do Botafogo (23/6)

O Botafogo de Futebol e Regatas vem a público manifestar o seu posicionamento após a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na tarde desta terça-feira (23/6), que definiu as partidas do time profissional na Taça Rio do Campeonato Carioca para a partir dos dias 28 de junho e 1ª de julho, referente às 4ª e 5ª rodadas, respectivamente.

1. Desde o início da pandemia, o Botafogo se posicionou contra o retorno dos jogos com a pressa difundida pela maioria dos clubes do Rio de Janeiro. Além de desconexão com a realidade, uma vez que as estatísticas da COVID-19 seguem em níveis alarmantes, é questão de insensibilidade com as mortes e um mau exemplo para a sociedade — o futebol, como se sabe, pauta costumes, gestos e atitudes da população. Definitivamente, retornar competições dessa forma assoberbada não é a melhor mensagem para o momento por parte de tão importantes influenciadores. Por essa conjunção de fatores, o Clube adiou o seu retorno aos treinos e foi a última equipe carioca a retomar atividades presenciais.

2. Membros conceituados da sociedade médica foram categóricos ao afirmar que, após 90 dias de paralisação de treinos com bola, necessita-se de um período de cerca de três semanas para que se tenha condições adequadas de preparação física. Apesar da recomendação, o Botafogo aceitou reduzir, nos debates no Conselho Arbitral e nos tribunais, o seu tempo de treinos de modo que se alcançasse um consenso para realização de suas partidas apenas a partir de 1º de julho.

3. É constrangedor ser obrigado a competir no único país que planeja jogos de futebol convivendo com registros, em média, superiores a 1.000 mortes e 30.000 contaminações por dia. O único no mundo a iniciar partidas com essa marca de óbitos e casos. A pressa é sem explicação: não há outras competições, nacionais ou internacionais, agendadas. Não há calendário futuro. Jogar com essas marcas é falta de respeito aos mortos e seus familiares. É sob um recorde fúnebre. Para não enlamear mais o campeonato em que as pessoas perderam o bom senso, o Botafogo está fazendo sacrifícios para encerrar esse triste momento.

4. O Botafogo lamenta a inflexibilidade e postura de alguns componentes Conselho Arbitral da FERJ que durante todo o período de debates desrespeitaram posições contrárias, seja com reuniões paralelas ou movimentos claramente ensejados para minar quem apresentava discordância de opiniões. Muitos dos quais colocaram seus interesses acima da vida humana. Certamente, colaboraram para prejudicar a imagem do futebol carioca e o próprio produto que buscam ter sucesso.

5. O Botafogo informa que não vai recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Clube respeita o que foi definido pela Justiça Desportiva, pois entende que esse é fórum adequado para a discussão do assunto. O Comitê Executivo de Futebol e a Comissão Técnica foram convocados para que seja definido o plano de trabalho da equipe profissional a partir da decisão comunicada pelo STJD. Quando o Botafogo voltar a disputar uma partida, certamente será sob protesto e luto por aqueles que nos deixaram nesse momento difícil.

6. O Botafogo segue convicto de suas posições ao longo dos últimos meses e orgulhoso por estar no lado certo da história.

Botafogo de Futebol e Regatas

Jogadores do Fluminense lançaram manifesto contra volta do campeonato (17/6)

Frases: Honda, jogador japonês do Botafogo

Justiça precisa obrigar presidente a usar máscara em plena pandemia mundial do coronavírus

          A que ponto nós chegamos!? Ontem, uma decisão liminar da Justiça Federal passou a obrigar o presidente da República, Jair Bolsonaro, a usar máscara em espaços públicos no Distrito Federal. Chega a ser chocante que precise a Justiça obrigar um presidente a fazer o óbvio em um momento em que mais de um milhão de pessoas já contraíram o coronavírus, e mais de 50 mil já morreram, vítimas da Covid-2019. Em caso de descumprimento, o presidente poderá pagar multa diária de dois mil reais.
         A decisão do juiz Renato Borelli foi motivada por um pedido de um advogado em uma ação civil pública. E ainda determina à União que exija de seus servidores e colaboradores o uso do equipamento de segurança quando estiverem trabalhando, estabelecendo uma multa diária de 20 mil reais aos que não cumprirem. Caberá ao governo do Distrito Federal a fiscalização do uso da máscara pela população e também aplicação de multa, cujo valor deverá ser fixado. Na decisão, o juiz considera ser “no mínimo, desrespeitoso o ato de sair em público sem o uso” da máscara, o que coloca em risco a saúde dos demais.
          O presidente Jair Bolsonaro tem saído às ruas reiteradas vezes sem usar a máscara, apertando as mãos e abraçando as pessoas, além de provocar aglomerações, tudo o que as autoridades médicas no mundo inteiro pedem para não acontecer. O uso de máscara é obrigatório no Distrito Federal, e aqueles que descumprem podem ser multados em dois mil reais. E para aumentar ainda mais a vergonha pelo comportamento do nosso governo, um dos multados até o momento foi justamente o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante uma manifestação pública em Brasília. Como nada que já é ruim não pode ainda piorar, leio que a Advocacia Geral da União, responsável por prestar assessoria jurídica ao presidente, já entrou com recurso à decisão da Justiça Federal. É demais! fr

terça-feira, 23 de junho de 2020

Paula e Bebeto (Caetano, Gal e Milton Nascimento) 🎶🎶🎶🎶


Paula e Bebeto
Composição: Caetano Veloso e Milton Nascimento

É vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá
Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é pra vida inteira, à vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Homem se recusa a usar máscara contra o coronavírus, e acaba morrendo após agredir gerente com uma faca

Mais um caso noticiado pela imprensa mostrando o quanto o ser humano está perdido, sem valores, sem empatia, solidariedade, respeito, e amor. Não bastasse a quantidade absurda de pessoas que estão morrendo todos os dias no Brasil, vítimas do coronavírus, muitos ainda estão brigando por quererem defender um pseudo direito de não participar do engajamento contra a pandemia. É triste. Esse radicalismo não leva ninguém a coisas boas, somente ruins. O Brasil precisa urgentemente de lideranças que tenham a capacidade de unir as pessoas; de desestimular brigas por diferenças políticas, ideológicas, de gênero ou o que for. Infelizmente, as atuais somente as estimulam. Lamentável! fr

sábado, 20 de junho de 2020

Brasil passa de 1 milhão de contaminados e 50.000 mortes pela Covid-2019

Infelizmente, o número de infectados e mortes no Brasil pela Covid-2019 continua aumentando. Hoje, o acumulado ultrapassou 1 milhão de diagnósticos (1.070.139), sendo 30.972 registrados nas últimas 24 horas. E o número de vidas perdidas para essa doença chegou a 50.058, das quais 968 apenas nas últimas 24 horas. A quantidade de doentes com alta dos hospitais passa um pouco do 500 mil. Os números totais não incluem os das últimas 24 horas do estado de Rondônia, que não os divulgou no período em que foram reunidos todos os demais. O Brasil é o segundo país onde há maior número de contaminação e mortes no mundo, atrás somente dos Estados Unidos. Não é coincidência. São justamente os dois países onde os presidentes tentaram minimizar a gravidade da pandemia, afirmando que não passava de uma “gripezinha”.
Esses números somente puderam ser divulgados aos brasileiros porque os veículos de comunicação se uniram em um consórcio. Foi a maneira encontrada para que pudessem divulgar informações sobre a disseminação do coronavírus no Brasil, já que o presidente Jair Bolsonaro decidiu restringir a divulgação dos dados oficiais à imprensa. Publicações como G1, UOL, e os jornais O Globo, Extra, Estado de São Paulo e Folha de São Paulo passaram a apurar diariamente junto às secretarias de Saúde dos estados os dados de contaminados, os que tiveram alta dos hospitais e o número de mortes. É muito triste acompanhar a doença se espalhando pelo país, e tanta gente, de várias idades, morrendo. E principalmente por saber que muitas mortes poderiam ter sido evitadas, se os nossos governantes tivessem deixado suas vaidades pessoais de lado. Enquanto os políticos brigam entre si, a doença atinge a população, não importando em quem as pessoas votaram nas últimas eleições.  fr

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Supostamente com o coronavírus foi amarrado por não usar máscara


As pessoas estão assustadas com a disseminação do novo coronavírus, que vem provocando a morte de milhares de pessoas. E o medo muitas vezes gera atitudes muito radicais, como esta que eu li na internet, hoje. Um homem, supostamente infectado, foi agarrado e amarrado por vizinhos que o denunciaram à polícia. Ele estaria sendo irresponsável e inconsequente, não se cuidando, nem usando máscara ou evitando sair à rua. Os policiais o levaram a uma unidade de saúde para fazer o teste, ainda sem resultado, e, segundo a matéria, não se sabe se algum dos vizinhos foi detido ou mesmo se o homem foi liberado. Fiquei pensando, como as pessoas podem saber se o homem está infectado? Elas têm o direito de amarrá-lo? Não bastaria fazer uma denúncia à polícia? Poderia ter acontecido no Brasil, mas não, aconteceu em Portugal. Não é só por aqui que acontecem essas coisas, é o mundo que está cada vez mais sem tolerância e paz. Infelizmente! fr

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Como é que esquecem 3 barras de ouro no trem? 😲 😲 😲 😲

Eu li na internet que as autoridades na Suíça estão procurando o proprietário de uma sacola esquecida dentro de um trem, no trajeto de St. Gallene, no norte do país, a Lucerna, no centro. Bom, até aí nada de diferente do que costuma acontecer no transporte público do mundo inteiro. Só que dentro da sacola tinha três barras de ouro, pesando mais de três quilos e avaliadas em mais de 12 mil francos suíços, o correspondente a exatos 1.004.148,60 reais, de acordo com a cotação de hoje, dia 17 de junho.
Esse tesouro foi encontrado em outubro do ano passado, e desde então as autoridades têm tentado localizar o esquecido, ou esquecida. Como não conseguiram, resolveram divulgar o acontecido, através de um comunicado no jornal oficial da região. As barras de ouro estão guardadas na procuradoria de Lucerna, aguardando que a pessoa lembre que perdeu uma pequena fortuna em um vagão de trem ano passado.
O esquecido tem cinco anos para se lembrar e ir buscar o seu tesouro. Agora, eu fico pensando, tem que ser muito distraído para perder três barras de ouro. E outra coisa, como é que vão comprovar quem é o verdadeiro dono? Vai ter fila de pessoas dizendo que o ouro é delas. 😄 😄 😄 Que coisa! fr

terça-feira, 16 de junho de 2020

O Maracanã completa 70 anos!

      Hoje, o Maracanã completa 70 anos. Eu já tive a oportunidade de assistir jogos em praticamente todos os locais do estádio. Na arquibancada, na tribuna de imprensa, e de dentro do campo, para cobrir a histórica final de 1989, em que o Botafogo foi campeão em cima do Flamengo, após 21 anos sem títulos. Lembro também de ter ido ao show do Roberto Carlos quando criança. E no show do Milton Nascimento no Maracanãzinho, quando se comemorou acho que os 30 anos de “Travessia”.
          O complexo do Maracanã é composto pelo próprio estádio, o Maracanãzinho, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros. O Maracanã foi construído em função da Copa do Mundo que o Brasil sediou em 1950, sendo inaugurado oficialmente no dia 16 de junho. O nome do estádio inicialmente ficou associado ao prefeito do Rio de Janeiro, à época Distrito Federal, o marechal Ângelo Mendes de Moraes.
          Em 1966, passou a se chamar oficialmente Estádio Jornalista Mário Filho, cronista esportivo e proprietário do Jornal dos Sports, além de irmão do escritor Nelson Rodrigues. A homenagem foi pelo forte apoio que ele deu à construção do estádio, que, entretanto, é mais conhecido dentro e fora do país simplesmente como “Maracanã”. A palavra “maracanã” é tupi, e significa “semelhante a um chocalho”. A região era há muito tempo habitada por várias espécies de aves, entre elas o papagaio Maracanã-Guaçu, que fazia um som parecido com o chocalho, por isso ter sido chamada assim. O nome foi usado também para batizar o rio que fica próximo ao estádio, depois ao próprio, e, em 1981, ao bairro onde estão localizados.
          O primeiro jogo no Maracanã foi no dia 17 de junho, um amistoso em que a seleção de São Paulo venceu a do Rio de Janeiro por 3x1. O primeiro gol foi marcado por Didi, à época jogando no Fluminense. No dia 24, O Brasil fazia a sua estreia na Copa do Mundo e o primeiro jogo oficial do Maracanã, vencendo o México por 4x0. A seleção brasileira ainda fez outros jogos no Maracanã: 2x0 Iugoslávia, dia 1 de julho; 7x1 Suécia, dia 9; 6x1 Espanha, dia 13; e a triste final perdida para o Uruguai por 2x1, dia 16, com 199.854 pessoas presentes, o recorde de público do estádio e do Brasil até hoje.
          O Maracanã é administrado pelo governo do estado do Rio de Janeiro, apesar do seu nome ser estádio “municipal”, e já passou por várias reformas. Em 2000, quando recebeu a final do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, vencido pelo Corinthians, a sua capacidade foi reduzida. O estádio deixou de ser o “maior do mundo”, e passou a ter capacidade máxima de 78.838 pessoas. O Maracanã sediou outros eventos internacionais.
. No esporte, pode-se citar, por exemplo, as cerimônias de abertura e encerramento do Pan-Americano de 2007, além da final no futebol, vencida pelo Equador por 2x1 sobre a Jamaica.
. A cerimônia de encerramento da Copa das Confederações da FIFA, em 2013, e a final, vencida pelo Brasil por 3x0 sobre a então campeã mundial Espanha.
. A cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de 2014, e a final vencida pela Alemanha sobre a Argentina por 1x0. (O Mundial para o Brasil terminou naquele vexame de 7x1 para os alemães, em Belo Horizonte, mas vamos deixar isso pra lá...) O Maracanã passou a ser o segundo estádio no mundo a sediar duas finais de Mundiais no futebol, além do Estádio Azteca, no México.
. E também as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016, e a final do futebol, em que o Brasil conquistou a sua primeira medalha de ouro no futebol masculino, vencendo a Alemanha na disputa na marca dos pênaltis por 5x4, após um empate de 1x1 no tempo normal.
          O Maracanã também foi palco de apresentações de artistas internacionais, como Frank Sinatra, Madonna, Rolling Stones, Kiss, Tina Turner e Paul McCartney, além do Rock in Rio. Recebeu também o papa João Paulo II em duas de suas visitas ao Brasil, em 1980 e em 1997. Em seu gramado pisaram alguns dos melhores jogadores do mundo. E foi no Maracanã que o Pelé marcou o seu milésimo gol, na vitória do Santos sobre o Vasco, por 2x1. Parabéns ao Maracanã, não o maior, mas o mais importante estádio do mundo! fr

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Os diferentes tipos de sangue e a combinação que determina o da criança

O sangue tem diferentes tipos, e foi nos primeiros anos do século 20 que o cientista austríaco Karl Landsteiner fez a descoberta, que passou a salvar muitas vidas. Até então, muitas pessoas morriam após receber a transfusão de sangue. Landsteiner recebeu o prêmio Nobel de Medicina em 1930 pelo seu trabalho. Cada um dos tipos sanguíneos tem suas características próprias, e alguns são incompatíveis. Os tipos de sangue são: A, B, AB ou O, podendo ser positivo ou negativo, e o que determina qual deles a pessoa vai ter são as características dos pais.
A diferenciação dos tipos de sangue se dá pela presença ou ausência dos antígenos A e B. O tipo de sangue A possui o antígeno A; o B o antígeno B; e o O não possui esses antígenos, ou seja, não possui nenhuma proteína. E o sangue é positivo quando tem a presença também do antígeno D; e negativo quando ele é ausente. A importância de saber o seu tipo é para o caso de você necessitar um dia de transfusão de sangue.
Outra situação é quando ocorre a chamada eritroblastose fetal, em que uma mulher com o fator RH negativo, não importa qual o tipo de sangue, tem um filho com um homem com RH positivo. Se o fator positivo for transmitido para a criança, pode ocorrer uma rejeição pelo organismo da mulher, com a produção de anticorpos contra o feto, resultando em doenças e até mesmo na morte do bebê.
O risco é maior no nascimento do segundo filho, já que o surgimento dos anticorpos somente ocorre durante o nascimento. Precisaria, portanto, já estarem formados esses anticorpos para que eles atacassem o que o organismo da mulher consideraria uma “ameaça”, ou seja, o feto (o segundo filho). Atualmente, existem tratamentos para o combate da eritroblastose fetal, inclusive uma vacina que a mulher recebe antes do nascimento do seu segundo filho, a fim de inibir sua ocorrência.
Eu preparei um quadro demonstrativo, abaixo, com informações úteis para as pessoas imprimirem e poder consultar sempre que necessário. Na internet, existem inúmeros quadros, mas somente informando a compatibilidade dos diferentes tipos sanguíneos, ou somente quais as possibilidades de uma criança nascer com determinado tipo de sangue. O quadro que eu publico agora no meu blog reúne as duas tabelas, facilitando a consulta. fr

domingo, 14 de junho de 2020

EUA lançam programa Artemisa para a exploração do espaço

Desde 1969, quando Neil Armstrong fez o famoso passeio pelo único satélite natural da Terra, que a Lua vem sendo cobiçada pelos países mais ricos do mundo. A NASA, agência espacial dos Estados Unidos, divulgou recentemente o Programa Artemisa, em que pretende enviar mais astronautas à Lua, incluindo a primeira mulher. Mas, além disso, elaborou o que vem sendo chamado de Acordos de Artemisa, em que ambiciona a exploração comercial do satélite. O nome é uma referência à deusa grega, considerada deusa da Lua, além da caça, dos animais e vida selvagem. A NASA afirma ter convidado outras agências espaciais do mundo a fazerem parte do programa.
         Utilizando como parâmetro o Tratado do Espaço Sideral, promulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1967, esses acordos procuram estabelecer regras para a exploração do espaço. Governos e empresas privadas devem respeitar os princípios da paz e cooperação, comprometendo-se a se ajudarem em casos de emergências e a divulgar dados e descobertas científicas. Além disso, seguir uma correta utilização dos dejetos no espaço, e proteger os locais históricos da Lua, como o da aterrissagem da Apolo 11 de Neil Armstrong.
         Outra preocupação é com a extração dos recursos da Lua, de Marte e de asteroides em geral. Os interessados na exploração devem informar previamente o local escolhido, e os seus objetivos, a fim de evitar conflitos por uma mesma região. Seria o estabelecimento de “zonas seguras”.   A divulgação desses acordos já provocou reações. O diretor da agência espacial russa Roscosmos, Dmitry Rogozin, considera uma apropriação indevida do espaço: “O princípio de invasão é o mesmo, seja na Lua ou no Iraque".
         Com certeza, é um assunto que vai suscitar muita polêmica, afinal o espaço é, a princípio, considerado um bem comum à humanidade, mas o atual governo dos Estados Unidos não parece pensar assim. A coordenadora do Programa de Leis Espaciais da Universidade de Mississippi, Michelle Hanlon, cita o Tratado do Espaço Sideral, que não permite a apropriação por parte de  países e empresas particulares de territórios no espaço. Mas é omisso quanto aos recursos lá existentes. Segundo ela, o interesse é garantir a posse do que se encontrar durante as viagens espaciais:
         - Tanto os Estados Unidos como a Rússia criaram o precedente de que se pode tomar coisas da Lua e reivindicá-las a si próprio. (...) Se formos olhar isso da maneira mais pessimista ou cínica, não há dúvida de que as zonas seguras são uma forma de reivindicar direito sobre propriedade. É uma forma de dizer 'não chegue perto de mim'.
 
Minha opinião:
         A tendência é que as pessoas vejam a exploração do espaço como algo bom, em que o nosso planeta esteja indo ao encontro de outras civilizações. Se pensarmos assim, tudo bem. Mas, desde que as descobertas advindas dessa exploração beneficiem a toda a humanidade, a começar pela criação de novas tecnologias para o uso nas mais diferentes áreas da vida humana. E que elas não acabem por ampliar ainda mais a distância já existente entre os países mais ricos e os demais.
         Eu acredito na possibilidade de existirem vidas inteligentes em planetas espalhados pelo universo. À medida que a tecnologia existente vai se aprimorando, é natural que os projetos de ir a planetas mais distantes passem a se tornar mais viáveis. Um dia, chegar à Lua era considerado por muitos como algo impossível. Hoje, já se fala em viver em Marte. Quanto mais longe, mais complexas as consequências.
         Cada vez mais, as estórias dos livros e filmes de ficção científica ficam mais próximas de se tornar realidade. A viagem ao espaço precisa ser com fins pacíficos, e que o ser humano não reproduza em outros planetas a lamentável prática predatória em busca de lucros. Caso contrário, acabará por destruir o nosso planeta e outros mais que vier a conseguir habitar. fr

Frases: Stephen Hawking

"Se os extraterrestres nos visitassem, o resultado seria mais importante do que quando Cristóvão Colombo chegou à América, o que não foi positivo para os índios americanos. Extraterrestres evoluídos poderiam ser nômades e querer conquistar e colonizar os planetas que forem conhecendo."


Stephen Hawking
(Físico e cosmólogo inglês)

sábado, 13 de junho de 2020

O livro perdido

O LIVRO PERDIDO
Fernando Sabino
             - Quando eu estava na faculdade, havia lá um velho professor chamado Spinelli, ele ensinava direito penal. Tinha ideias anarquistas, vivia nos falando no caso Sacco e Vanzetti.
Um dia ele me chamou depois da aula e disse: Heitor, sabe que seu pai foi meu aluno? Bom aluno por sinal. Emprestei-lhe  um livro, aliás gostaria que ele me devolvesse. E me disse o título do livro, do gênero ‘O anarquismo em face da filosofia existencial’, ou ‘A existência em face da filosofia anarquista’, não estou bem certo. Era desses livros de época, já esquecidos, que ninguém tem interesse em reeditar.
Quando cheguei em casa, falei com o velho no livro, e ele me olhou por cima dos óculos com cara de espanto. Também, pudera! tinha mais de vinte anos de formado, mal se lembrava do professor Spinelli.
Na aula seguinte, daí uns vinte dias, o professor me cobrou: como é, Heitor, falou com seu pai? Tinha falado sim, ele ia procurar o livro, afinal já havia muitos anos, não é professor? Assim que encontrasse ele faria questão de devolver.
O tempo foi passando e o professor sempre me perguntando pelo diabo do livro. Eu desconversava como podia: a biblioteca do meu pai era muito grande, ele ainda estava procurando. Chegava em casa e perguntava ao velho: encontrou o livro do professor Spinelli? Meu pai, com ar vago: o livro de quem, meu filho? E me olhava a quilômetros de distância, como se eu estivesse falando grego: sei lá que livro é esse, menino. Na faculdade, o professor me torrando a paciência: desculpe insistir, mas aquele livro que emprestei a seu pai...
Eu já andava meio baratinado, sem saber o que fazer. Saí procurando o livro em tudo quanto é livraria e sebo da cidade, para ver se acabava logo com aquilo, pois já andava matando aulas seguidas por causa do professor Spinelli, ia acabar reprovado. E não encontrei, ninguém jamais tinha ouvido falar no raio do livro.
Um dia resolvi enfrentar a situação e abri o jogo. Esbarrei com o Spinelli no corredor da faculdade e antes que ele abrisse a boca, despejei: já falei com meu pai uma porção de vezes sobre o livro, o senhor não me leve a mal, professor, mas por que não fala com ele o senhor mesmo?
Com essa ele não contava. Gaguejou um pouco e acabou dizendo que seria pouco delicado: não vejo seu pai há tanto tempo, é possível que ele nem se lembre direito de mim. O que era a mais pura expressão da verdade: eu na hora tive vontade de perguntar como queria que se lembrasse do tal livro.
Em todo caso, mal chegava em casa eu insistia: papai, o livro do professor... Um dia ele acabou perdendo a esportiva: se você me falar mais uma vez nesse maldito livro, meu filho, eu te dou um ensino que você nunca mais esquece. Eu ainda tentei uma saída honrosa: e o que é que eu falo com o professor? Ele me despachou dizendo que era para eu falar com o professor que pegasse o tal livro e...
Bem, até para isso, primeiro era preciso encontrar o livro. Comecei a fuçar de cabo a rabo a biblioteca do meu pai, nas horas em que ele não estava em casa. Percorri prateleira por prateleira, volume por volume, com uma determinação homicida: ou eu encontro, ou eu mato o professor Spinelli.
Até que um dia... Foi num sábado, me lembro que meus pais tinham ido jantar fora, eu estava sozinho em casa, podia mexer no escritório à vontade. Ao meter a mão atrás de uma fila de grossos volumes cobertos de poeira, tirei do fundo da prateleira um livrinho cinzento e mofado, era ele! Pouco mais que um folheto meio esfrangalhado. No dia seguinte comuniquei a meu pai a novidade: papai, encontrei! E ele, levantando pachorrentamente os olhos de outro livro: encontrou o quê, meu filho?
Fui assistir à aula do professor Spinelli, que há tempos não me via nem pintado. Ele me olhou com surpresa, que houve com você, Heitor? Esteve doente? Meu primeiro impulso foi o de brandir o livro na cara dele, falar olhe o que eu trouxe aqui! E mandar que ele enfiasse o livro onde meu pai tinha sugerido. Mas com um prazer sádico resolvi fazer render aquilo até onde pudesse e então esperei que ele tocasse no assunto.
O que não demorou muito: você por acaso tem alguma notícia daquele livro que emprestei a seu pai... Tenho sim, professor, respondi: o livro foi encontrado. Os olhinhos dele brilharam: ah, é? Foi encontrado? E posso saber quando me vai ser devolvido? Eu peguei o livro e lhe estendi: aqui está, professor.
Bem, agora escuta só: o homem segura o livro com todo cuidado como se ele pudesse se desmanchar nas suas mãos, folheia com dedos delicados, lê um e outro pedaço, sorri satisfeito, torna a fechá-lo e me estende de volta, dizendo: toma, eu estava querendo emprestar a você, para que você lesse.
 Eu o olhava, estupefato, enquanto ele insistia: faço questão que você conheça, é um livro importante, verdadeira obra-prima. Saí dali meio aparvalhado, levando o livro de volta. Contei a meu pai quando cheguei em casa, mas não cheguei a ler o livro. Os anos passaram, eu me formei e nunca mais vi o professor Spinelli.
Pois outro dia, não é que entro num ônibus e vou me sentar justamente ao lado dele. Os mesmos olhinhos miúdos por trás dos óculos sem aro, o mesmo nariz fino, a mesma careca brilhando – apenas um pouco mais murcho. Me reconheceu logo, e era fatal – algo me dizia que ia falar no tal livro, nosso único assunto em comum.
E não deu outra coisa. Depois de dizer que eu não era dos mais aplicados, estudava pouco, perguntou se eu me lembrava de um livro que ele me havia emprestado... Me lembro, professor, como não? Só me lembro disso – me deu vontade de dizer: é a recordação mais forte que eu tenho do meu tempo de faculdade, responsável por algumas das minhas neuroses, se eu hoje sou assim deve ser em parte por causa daquele livro. E ele então, muito sério: eu ficaria grato de você me devolvesse, gostaria de emprestar a um ex-aluno meu...
E agora, que é que eu faço? Ele pediu meu endereço e disse que faz questão de vir ele próprio buscar. Estou perdido. Tenho de achar esse livro, para que ele seja emprestado ao tal aluno, passe às mãos de outro, e assim por diante, enquanto o professo Spinelli existir. E o professor Spinelli, evidentemente, existirá até o final dos tempos.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Deputados aprovam abertura de processo de impeachment contra governador

          Ontem, a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) aprovou a abertura do processo de impeachment do governador Wilson Witzel (PSC). O pedido de processo foi protocolado pelos deputados Luiz Paulo e Lucinha, os dois do PSDB, por crime de responsabilidade. Ainda havia mais outros 13 pedidos de impeachment na Alerj, mas esses foram arquivados. Entre as acusações estão superfaturamento na compra dos respiradores para o tratamento emergencial da Covid-19, irregularidades na licitação para a construção dos hospitais de campanha, e o parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado) pela rejeição das contas do governo em 2019.
Em sessão virtual, 69 dos 70 deputados estaduais votaram a favor, com apenas um parlamentar não votando, Rosenverg Reis (MDB). Até mesmo o líder do PSC, partido de Witzel, votou a favor. O presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), afirmou ter submetido o pedido ao plenário a fim de tornar a decisão mais democrática.  
Uma Comissão Especial será formada para analisar a denúncia contra o governador, que será notificado a apresentar sua defesa em até dez sessões. Se o resultado for o recebimento da denúncia por maioria absoluta, ou seja, mais de dois terços dos deputados, Witzel será afastado do cargo. E a cópia do processo enviada para o presidente do Tribunal de Justiça, com a constituição de um tribunal misto de julgamento. Wilson Witzel divulgou nota afirmando estar tranquilo, e que provará a sua inocência. Mais um governador do Rio de Janeiro sendo investigado. Triste rotina do nosso estado!  fr

terça-feira, 9 de junho de 2020

Cientistas alertam o mundo sobre a existência de outros vírus que podem matar muito mais que a Covid-19

O mundo ainda está sofrendo com as consequências da disseminação do novo coronavírus, e já lemos o alerta dos cientistas que existem inúmeros outros vírus que podem se tornar a próxima pandemia. De acordo com eles, o grande problema vem sendo o comportamento predatório dos seres humanos, que destroem e ocupam as florestas, onde estão os animais, contraindo suas doenças e as espalhando pelo mundo. Nas últimas décadas, ocorreram outras ameaças de vírus, entre elas: o ebola, a Sars (síndrome respiratória aguda grave), a Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), e as gripes aviária e a suína. Alguns cientistas acreditam que no futuro uma pandemia muito mais grave pode vir a matar até bilhões de pessoas. Deus nos livre!  fr

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Dica de filme: "O homem que sabia demais" (1956)

O HOMEM QUE SABIA DEMAIS ("The man who knew too much")
EUA, 1956, Suspense, Hitchcock
Direção: Alfred Hitchcock
Com: James Stewart, Doris Day,
Christopher Olsen, Brenda de Banzie, Bernard Miles, Daniel Gélin 
 
          Um casal estadunidense, Ben McKenna e Josephie (Jo) Conway,  e o filho, estão férias em Marrocos. Eles conhecem um francês misterioso, que os ajuda em um incidente dentro do ônibus, onde o menino, sem querer, retira o véu de uma mulher. No dia seguinte, em um passeio pelas ruas de Marraquexe, na companhia de um casal inglês, os dois casais presenciam a perseguição a um homem, que acaba esfaqueado nas costas. Como é médico, Ben presta os primeiros socorros, e reconhece a vítima como o francês que conhecera na véspera, apesar de maquiado para escurecer o tom da pele.
          Antes de morrer, ele lhe diz que um estadista estrangeiro seria assassinado em Londres, e pede que avise as autoridades inglesas, dando-lhe um nome. Sem saber, Ben acaba sendo envolvido em uma conspiração internacional. Como estavam hospedados no mesmo hotel, o casal inglês com quem passeavam ofereceu-se para ajudar. O homem acompanhou Ben e Jo à delegacia para o médico prestar depoimento, já que ele foi testemunha do crime, e a esposa levou o menino de volta ao hotel.
         Enquanto conversava com o inspetor, Ben foi chamado ao telefone, e informado que o filho estava sequestrado, e que não falasse nada do que ouviu às autoridades, caso não quisesse ter o filho morto. Assustado, preferiu obedecer, voltando ao hotel com Jo, onde já não encontraram mais o casal de ingleses, que tinha partido com o filho dele. Ben, então, viajou para Londres, a fim de localizá-lo, seguindo a única pista que tinha, o nome que o francês lhe deu antes de morrer.
         Além de atriz, Doris Day era cantora, assim como o seu personagem no filme. A música “Que Sera, Sera” (Whatever Will Be, Will Be)", cantada por ela no filme, venceu o Oscar de Melhor Canção em 1957. O diretor Hitchcock também faz uma aparição em “O homem que sabia demais”, uma de suas marcas, mas é tão rápida que é necessário estar atento. Ela acontece durante o passeio de Ben e a família pelas ruas de Marraquexe, quando assistem a uma apresentação de malabaristas. A produção é uma refilmagem de um outro filme, também dirigido por Alfred Hitchcock, mas na Inglaterra, em 1934, no qual a estória passa na Suíça.  fr 

sábado, 6 de junho de 2020

Nova tradução de "Memórias póstumas de Brás Cubas" esgota nos EUA em um dia

           Eu já escrevi sobre os livros de Machado de Assis aqui no blog, fiz questão de ler todos os seus romances, e recomendo a todo mundo. Este mês, uma nova tradução para o inglês de “Memórias póstumas de Brás Cubas” foi lançada nos Estados Unidos. A tiragem esgotou em um único dia em duas das maiores redes de livros naquele país, a Amazon e a Livraria Barnes and Noble.
          O livro foi lançado dia 2 de junho, pela editora Penguin Books, em sua coleção “Penguin Classics”, com tradução de Flora Thomson-DeVeaux. O prefácio é do escritor Dave Eggers, autor de “O Círculo”, que deu origem em 2017 ao filme de mesmo nome, com Tom Hanks, e que, por coincidência, eu assisti semana passada. As críticas têm sido muito elogiosas ao livro.
          Flora Thomson-DeVeaux recorreu a notas de rodapé para explicar aos leitores estadunidenses o sentido de alguns locais e expressões descritos na obra de Machado. “Memórias póstumas de Brás Cubas” já havia sido lançado nos Estados Unidos, com outras traduções, como a de William L. Grossman, em 1952, com o título “The epitaph of a small winner”. Em 2018, uma coletânea de contos de Machado de Assis já tinha sido lançada nos Estados Unidos.
          Eu fico feliz. Espero que mais estrangeiros possam ter a oportunidade de conhecer a obra de Machado de Assis, e de outros autores brasileiros. E, assim, vencer a resistência à cultura latino-americana, principalmente nos Estados Unidos. Eles têm muito a ganhar com isso! fr  

quinta-feira, 4 de junho de 2020

"A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile": Gabriel García Márquez

“A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile”, Gabriel García Márquez, Rio de Janeiro, Editora Record, 1986, 128 páginas, tradução de Eric Nepomuceno.
 
            Eu acabei de reler “A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile”, do jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1982. O livro conta a aventura de Miguel Littín, considerado por muitos o mais importante cineasta chileno, em maio e junho de 1985, quando ele retornou clandestinamente a seu país durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. À época, Littín estava exilado há 12 anos, inicialmente no México, e, depois, na Espanha, onde morava com a esposa e três filhos.
            O nome do cineasta fazia parte de uma lista de cinco mil exilados proibidos de entrar no Chile. E para consegui-lo ele teve que mudar totalmente a sua aparência, emagrecer dez quilos, tirar a barba, pintar o cabelo, alterar o penteado e a maneira de rir, passar a usar óculos de grau, e mudar o estilo de se vestir. Com a ajuda de organizações democráticas atuantes na clandestinidade, conseguiu documentos falsos, adotando uma nova personalidade.
            Littín passou a ser um rico uruguaio, dono de uma empresa de publicidade com sede em Paris, que iria filmar um comercial de um novo perfume no Chile. Entrou no país acompanhado pela sua “esposa”, uma jovem da resistência chilena. Apesar da importância dela no sucesso do plano, ele conta que os dois tiveram muitos atritos, por conta de suas personalidades distintas. Mas, foi ela quem o ajudou nos contatos necessários para fazer o filme, e quem tinha a atribuição de denunciar ao mundo caso Littín fosse preso.
            “”Na medida em que nos aproximávamos do centro da cidade, desisti de olhar e admirar o brilho material com que a ditadura tratava de apagar o rastro sangrento de mais de quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e um milhão de exilados. Em compensação, me fixava nas pessoas, que andavam com uma pressa inusitada, talvez pela proximidade do toque de recolher. Mas não foi apenas isso o que me comoveu. As almas estavam em seus rostos sacudidos pelo vento gelado. Ninguém falava, ninguém olhava em nenhuma direção definida, ninguém gesticulava nem sorria, ninguém fazia o menor gesto que delatasse seu estado de espírito dentro dos casacos escuros, como se todos estivessem sozinhos numa cidade desconhecida. Eram rostos brancos que não revelavam nada, nem mesmo medo.”
            O cineasta coordenou o trabalho de três equipes europeias de cinema. Eram da Itália, França e Países Baixos (Holanda), todas devidamente autorizadas pelo governo chileno a trabalhar no país. A primeira supostamente iria fazer um documentário sobre a imigração italiana no Chile; a francesa, um documentário ecológico; e a holandesa uma cobertura sobre os recentes terremotos ocorridos no país à época.
           As equipes não tinham conhecimento do objetivo político do que seria filmado, nem da existência uma das outras. Mas os seus respectivos responsáveis sabiam quem era o verdadeiro coordenador do projeto e os seus propósitos. No final dos trabalhos, mais uma equipe de jovens cineastas da resistência chilena passaram a colaborar com as filmagens.
           As seis semanas em que essas equipes e Littín percorreram o país, para mostrar como estava o Chile após 12 anos do golpe militar de 1973, resultaram no filme “Acta General de Chile”, que pode ser assistido no YouTube. Gabriel García Márquez entusiasmou-se com a história, contada a ele pelo próprio cineasta, em Madrid. Os dois passaram uma semana conversando, e as 18 horas desta conversa foram transformadas neste livro, escrito na primeira pessoa, como se estivesse sendo narrada pelo próprio Miguel Littín.
            Durante o período em que o cineasta esteve no Chile, o país estava em estado de sítio, com toque de recolher a partir da meia-noite. Foram a resposta da ditadura aos protestos de rua e a uma greve nacional de um dia, organizados meses antes pela oposição. Littín, através de Gabriel García Márquez, relata os momentos de tensão vividos, quando temia ser reconhecido e preso pelos temíveis “carabineros”, a polícia chilena, o que o obrigou a trocar de hotéis algumas vezes.
           Littín descreve as suas impressões sobre o país, 12 anos após ter que fugir da repressão da ditadura, desfazendo a imagem oficial passada pelo “milagre chileno”. As pessoas eram menos comunicativas do que antes; e havia muito mais camelôs nas ruas, incluindo profissionais de elevado nível educacional, como médicos e engenheiros. A concentração de renda aumentou, assim como a dívida externa, que passou de quatro bilhões de dólares para quase vinte.
            “O Chile não foi apenas um país modesto até o governo de Allende [Salvador Allende, presidente eleito, deposto pelo golpe de 1973, quando acabou morto dentro do palácio do governo, invadido por militares], mas sua própria burguesia conservadora se orgulhava da austeridade como uma virtude nacional. O que a Junta Militar fez para dar uma aparência impressionante de prosperidade imediata foi desnacionalizar tudo o que Allende tinha nacionalizado, e vender o país ao capital privado e às corporações multinacionais. O resultado foi uma explosão de artigos de luxo, deslumbrantes e inúteis, e de obras públicas ornamentais que fomentavam a ilusão de uma bonança espetacular.”
           Em sua aventura em um Chile dominado pela ditadura, Littín conseguiu até mesmo entrar, com autorização dos militares, no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, e viu passar por ele o próprio ditador Augusto Pinochet. Apesar de orientado a não fazer contato com familiares, em uma noite Miguel Littín acabou desviando o caminho que fazia para fugir dos “carabineiros” durante o toque de recolher, e visitou a mãe. Nem mesmo ela o reconheceu inicialmente.  O autor define a importância do seu livro:
            “Pelo método da investigação e pelo caráter do material, esta é uma reportagem. Mas é mais: é a reconstrução emocional de uma aventura cuja finalidade última era sem dúvida muito mais profunda e comovedora que o propósito original e bem sucedido de fazer um filme driblando os riscos do poder militar. O próprio Littín disse: ‘Este não é o ato mais heroico da minha vida, é o mais digno’. Assim é, e creio que esta é a sua grandeza.” fr

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Vacina contra a Covid-19 será testada no Brasil

          A universidade de Oxford, da Inglaterra, começará, este mês, a fazer testes de uma vacina contra a Covid-19 no Brasil, com dois mil voluntários que não tenham sido infectados pelo novo coronavírus. A vacina já foi testada com sucesso em um pequeno grupo de seis macacos, e, desde abril, passou a ser usada em dez mil voluntários no Reino Unido. O Brasil é o primeiro país fora dessa região a fazer parte dessa pesquisa, mas outros deverão vir a participar também.
         O nosso país foi escolhido por um motivo nem um pouco digno de comemorar. Para comprovar a eficácia da vacina, é necessário que os voluntários estejam em lugares mais atingidos pela pandemia, e não onde a curva de contágio esteja descendente. E o Brasil é justamente um país com essas características, infelizmente. Os voluntários precisam estar na linha de frente do combate ao coronavírus, a fim de estarem mais expostos. O infectologista da Fiocruz Julio Croda explica:
         "Quando uma empresa ou instituto de pesquisa busca um novo sítio de pesquisa ele quer que em um espaço curto de tempo as pessoas que forem vacinadas, que não têm a doença, que são voluntários, tenham uma probabilidade grande de se expor ao vírus para justamente ver a diferença entre as pessoas que foram vacinadas e as pessoas que não foram."
          A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do Ministério da Saúde, concedeu a autorização às pesquisas no país, mais especificamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. As previsões mais otimistas indicam que uma vacina contra a Covid-19 pode vir a ser fabricada ainda este ano. Mas, o fato das pesquisas estarem também sendo realizadas no Brasil, não vai garantir que o país seja privilegiado na distribuição da vacina. Vamos torcer!   fr

terça-feira, 2 de junho de 2020

A Covid-19 é uma mutação do coronavírus que surgiu em 2002

         O novo coronavírus tem o nome técnico de Sars-CoV-2, e causa a Covid-19, que já provocou a morte de mais de 370 mil pessoas até o momento, no mundo todo. Covid-19 é Corona Vírus Disease, doença do coronavírus em português; e 19 refere-se ao ano de 2019, quando surgiu na China. É uma mutação do coronavírus Sars-CoV-1, causador da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars, sua sigla em inglês). Esta, de acordo com os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), resultou em 8.098 infectados e 774 mortos em 26 países, nos anos de 2002 e 2003.
          O pesquisador Alexandre Vieira Machado, da Fiocruz de Minas Gerais, explica que o Sars-CoV-1 desapareceu após aquele surto, e as pesquisas foram interrompidas sem a criação de uma vacina. E agora, com o novo coronavírus, a pesquisa tem aproveitado o conhecimento com aquele vírus, mas tendo que acelerar os trabalhos devido a não ter uma vacina, que poderia ser usada como referência.
         "Não tem vacina para o Sars-CoV. É uma coisa muito triste e um recado para a ciência e para as agências de fomento. Somos frequentemente confrontados com doenças novas, como zika e chikungunya, e a volta de outras, como sarampo e febre amarela, isso desvia o foco das linhas de pesquisa e dos investimentos em vacina. Isso é ruim, porque se nós tivéssemos uma vacina aprovada para Sars-CoV-1, mesmo que fosse em fase clínica, numa plataforma que funcionasse, a gente poderia ter pulado algumas etapas". fr       

Equipes brasileiras também estão em busca de uma vacina contra o novo coronavírus

          Eu já comentei aqui no meu blog que vários laboratórios no mundo estão pesquisando uma vacina contra o novo coronavírus. De acordo com a imprensa, são cerca de 200, e, pelo menos, oito já estão na fase clínica, ou seja, na fase de testes com seres humanos. Mas, o legal é que também existem equipes brasileiras empenhadas nesse trabalho.
          Uma delas é liderada pelo pesquisador Alexandre Vieira Machado, da Fiocruz de Minas Gerais. Entre os seus parceiros estão a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o Instituto Butantã, a USP (Universidade de São Paulo) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Outra equipe é do Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, coordenada pelo médico Jorge Kalil. As duas equipes fazem um intercâmbio de informações.
          Bom saber que no Brasil, apesar da falta de interesse pela pesquisa científica demonstrada pelo presidente Jair Bolsonaro, também estamos participando do esforço mundial na elaboração de uma vacina contra o coronavírus. Até porque uma vacina nacional pode vir a ser aplicada no Brasil muito mais rápido, sem que o país precise entrar na fila para importá-la de algum laboratório estrangeiro.
         Mas, na realidade, para mim o mais importante é que uma vacina contra esse coronavírus seja desenvolvida o mais depressa possível, não importando tanto qual o país chegue na frente. O principal é a proteção de milhares, e, até, milhões de vidas no mundo! fr