Prefácio de Machado de Assis:
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sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Em prefácio, Machado de Assis conta sua amizade e admiração a José de Alencar
“(...) Não pude reler este livro, sem recordar e comparar a primeira fase da vida do autor com a segunda. 1856 e 1876 são duas almas da mesma pessoa. A primeira data é a do período inicial da produção, quando a obra paga o esforço, e a imaginação não cuida mais que de florir, sem curar dos frutos nem de quem lh’os apanhe. Na segunda, estava desenganado. Descontada a vida íntima, os seus últimos tempos foram de misantropo. Era o que ressumbrava dos escritos e do aspecto do homem. Lembram-me ainda algumas manhãs, quando ia achá-lo nas alamedas solitárias do Passeio Público, andando e meditando, e punha-me a andar com ele, e a escutar-lhe a palavra doente, sem vibração de esperanças, nem já de saudades. Sentia o pior que pôde sentir o orgulho de um grande engenho: a indiferença pública, depois da aclamação pública. Começara como Voltaire para acabar como Rosseau.”
(...)
“Estes e outros sinais dos tempos tinham-lhe azedado a alma. O echo da quadra ruidosa vinha contrastar com o atual silêncio; não achava a fidelidade da admiração. Acrescia a política, em que tão rápido se elevou como caiu; e donde trouxe a primeira gota de amargor.”
(...)
“Entretanto, é certo que a política foi uma de suas ambições, senão por si mesmo, ao menos pelo relevo que dão as altas funções do Estado. A política tomou-o em sua nave de ouro; fel-o polemista ardente e brilhante, e levantou-o logo ao leme do governo. Não faltava a Alencar mais que uma faculdade parlamentar, a eloquência. Não possuía a eloquência, antes parecia ter em si todas as qualidades que lhe eram contrárias; mas, fez-se orador parlamentar, com esforço, desde que viu que era preciso. Compreendera que, sem a oratória, tinha de ficar na meia obscuridade. Se o talento da palavra é a primeira condição do parlamento, no dizer de Macaulay, - que não escreveu essa espécie de truísmo, suponho, senão para acrescentar sarcasticamente que a oratória tem a vantagem de dispensar qualquer outra faculdade, e pode muita vez cobrir a ignorância, a fraqueza, a temeridade e os mais graves e fatais erros, - sabemos que, para o nosso Alencar, como para os melhores, era um talento complementar, não substitutivo. Deu com ele algumas batalhas duras contra adversários de primeira ordem. Mas tudo isso foi rápido. Teve os gozos intensos da política, não os teve duradouros. As letras, posto que mais gratas que ela, apenas o consolaram; já lhes não achou o sabor primitivo. Voltou a elas inteiramente, mas solitário e desenganado.
A morte veio tomá-lo depressa. Jamais me esqueceu a impressão que recebi quando dei com o cadáver de Alencar no alto da eça, prestes a ser transferido para o cemitério. O homem estava ligado aos anos das minhas estreias. Tinha-lhe afeto, conhecia-o desde o tempo em que ele ria, não me podia acostumar à ideia de que a trivialidade da morte houvesse desfeito esse artista fadado para distribuir a vida.(...)”
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
'Chaves' saiu do ar porque Televisa e herdeiros de Bolaños não chegam a acordo
Não foi apenas no Brasil que os programas de Roberto Bolaños foram tirados do ar. A imprensa informa que vários outros países latino-americanos passam pela mesma situação. O ator Edgar Vivar, intérprete dos personagens Seu Barriga e Nhonho, revelou, em entrevista a uma rádio mexicana, que o motivo da não renovação foi porque a Televisa e os herdeiros de Bolaños não chegaram a um entendimento.
- Roberto Gómez Bolaños tinha apalavrado um contrato de usufruto dos personagens e de sua criação literária até 31 de julho deste ano, quase seis anos depois de sua morte. E não renovaram os direitos, a Televisa não quis pagar.
Até o final de julho, a Televisa tinha os direitos de transmissão. A partir deste mês, esses direitos passaram para os seis filhos do artista (Roberto, Graciela, Paulina, Marcela, Teresa e Cecília). A viúva, Florinda Meza, não herdou esses direitos, e sim bens materiais e financeiros. Enquanto as duas partes não chegarem a um acordo, nenhuma emissora ou plataforma no mundo pode exibir os programas Chaves, Chapolin Colorado ou Chespirito, nem mesmo a Televisa.
A imprensa não esclarece qual o problema que está impedindo o entendimento, se é devido a valores ou se a emissora mexicana não tem mais interesse nos seriados. Os desenhos do Chaves, porém, não foram afetados, já que foram produzidos mais recentemente, e devem ter outro tipo de contrato.
Edgar Vivar diz estar esperançoso que as séries voltem a ser exibidas:

Roberto Gómez Ferán, filho de Bolaños, também se mostra animado: “Embora estejamos tristes pela decisão, minha família e eu esperamos que ‘Chaves’ esteja em breve nas telas do mundo. Continuaremos insistindo, e estou certo de que conseguiremos.” Sua irmã, Graciela Gómez, lamentou a atitude da Televisa: "É uma pena que quem mais se beneficiou dos programas de 'Chaves' afirme hoje que não valem mais nada".
Florinda Meza, intérprete da personagem Dona Florinda na série ‘Chaves’, reclamou da retirada dos programas:
- Embora não tenha nada a ver, porque, inexplicavelmente, não fui convocada para as negociações, acho que justo agora, quando o mundo mais precisa de diversão, fazer isto é uma agressão às pessoas.
Eu, e milhares de pessoas no Brasil e no mundo, estamos torcendo para que a Televisa e os filhos de Roberto Bolaños cheguem logo a um acordo. E possamos voltar a rir das piadas do Chaves e sua turma, principalmente em um momento em que o mundo passa por tanta coisa ruim. Precisamos e queremos poder rir. fr
Incêndios constantes nas florestas assustam os portugueses

Uma notícia recorrente, infelizmente, em Portugal são os constantes incêndios que ocorrem todos os anos, principalmente no Verão. Altas temperaturas, baixa umidade e ventos fortes constituem uma ameaça que deixa os portugueses em constante clima de tensão. Além da possibilidade de os incêndios serem causados de forma criminosa.
Em trabalho recentemente publicado pelo Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal, com dados referentes ao ano de 2018, constatou-se a redução da área ocupada por florestas no país. Em junho de 2017, um incêndio iniciado na região do concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, levou uma semana para ser combatido, e resultou na morte de 66 pessoas e 250 feridas.
O fogo se espalhou para concelhos vizinhos, e destruiu, parcial ou completamente, 500 casas, além de atingir 48 empresas, resultando em um prejuízo material estimado em mais de 500 milhões de euros. Á época, o primeiro-ministro português, Antônio Costa, considerou essa “a maior tragédia dos últimos anos em relação a incêndios florestais”, e foram decretados três dias de luto.
Eu me lembro desse incêndio, aconteceu exatamente um ano antes de minha viagem a Portugal em 2018. Muito triste. Lendo na imprensa portuguesa, a revista ‘Visão’ publicou em 25 de junho passado: “Portugal é ‘o campeão europeu’ dos incêndios onde todos os anos arde mais de 3% da floresta”. Como se vê, não é somente o Brasil que sofre com incêndios em suas florestas. Lá, como cá, deve haver um combate sério nas queimadas provocadas de forma criminosa. fr
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Rei emérito da Espanha deixa o país, investigado por corrupção e sonegação de impostos
A imprensa mundial está divulgando mais um escândalo relacionado a monarquias. O rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, deixou o Palácio da Zarzuela, onde morou nos últimos 58 anos, e não se divulgou em que país ele está. As suspeitas sobre o monarca são de corrupção, sonegação de impostos e desvios de dinheiro para paraísos fiscais no exterior.
A sua saída do país, segundo nota oficial da Coroa espanhola, foi uma decisão espontânea e tomada em conjunto com o filho, o rei Felipe VI. O objetivo seria não atrapalhar o reinado do filho, não o de fugir da ação da Justiça, que o investiga. Segundo o advogado de Juan Carlos I, ele permanece à disposição do Ministério Público, caso seja demandado. Mas, será que os cidadãos ditos comuns, na mesma situação, poderiam fazer o mesmo?
Minha opinião:
Por incrível que pareça, ainda tem quem defenda a manutenção de monarquias pelo mundo, mesmo as constitucionais, em pleno século 21. Além de ter que sustentar políticos caros, ineficientes e desonestos, esses países ainda têm que sustentar as mordomias de famílias perdulárias e, como se vê, corruptas, que nada produzem em benefício do povo. Existem tradições que não se justificam mais. Essas pessoas privilegiadas deveriam procurar o seu próprio sustento, igual ao restante do povo, sem distinções. E o dinheiro que o povo gasta para sustentá-las deveria ser investido na melhoria dos serviços públicos. fr







terça-feira, 4 de agosto de 2020
Canção do mar (Dulce Pontes) 🎶🎵🎼🎶🎵🎼
Eu gosto muito dessa música, tanto que, há anos, quando ainda se vendia muitos CDs, eu comprei o de Dulce Pontes, ‘Lágrimas’ (de 1993), somente por causa dela. A música já foi interpretada por vários cantores portugueses, como Amália Rodrigues; e estrangeiros, inclusive brasileiros. Pesquisei, e a música esteve na trilha sonora de uma das adaptações feitas para novelas no Brasil de ‘A pupila do senhor reitor’. E também no filme ‘As duas faces de um crime’’, com Richard Gere e Edward Norton; aliás, eu assisti e é um filmaço, leia o meu texto de ontem. A música de Dulce Pontes toca no início e no final do filme, e o personagem de Richard Gere gosta muita dela, tanto que ganha de presente o CD (o mesmo que eu tenho!). Aumenta o som! fr
Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
Dica de filme: "As duas faces de um crime"

AS DUAS FACES DE UM CRIME (“Primal fear”)
EUA, 1996, Suspense, Tribunal
Direção: Gregory Hoblit
Com: Richard Gere, Edward Norton, Laura Linney
Gosto muito de filmes de suspense, também de filmes cujas estórias são desenvolvidas em tribunal. O filme é baseado no livro de mesmo título, de William Diehl. O arcebispo de Chicago é brutalmente assassinado, e um jovem de 19 anos, Aaron Stampler (Edward Norton), ex-coroinha, é preso fugindo do local, com as roupas manchadas de sangue. Um egocêntrico e bem sucedido advogado, Martin Vall (Richard Gere), passa a defender o acusado, em busca de mais visibilidade, sem cobrar honorários. Janet Venable (Laura Linney) é indicada para representar a promotoria no julgamento, sendo pressionada a pedir a pena de morte para o réu. Martin Vall acredita na inocência do jovem, e passa a procurar qual seria a verdadeira motivação do crime, que poderia estar ligado às relações de amizade do arcebispo com poderosas autoridades. É o filme que apresentou Edward Norton ao mundo, dando início a uma carreira de muito sucesso. Assista ao filme até o final, você vai gostar. fr
domingo, 2 de agosto de 2020
Tiraram o Chaves do ar!!! 😢 😢

Uma péssima notícia para quem curte, como eu, as piadas mais do que repetidas do Chaves. O SBT divulgou uma nota, na sexta-feira, dia 31, informando que não poderá mais exibir os seriados de Roberto Bolaños: Chaves, Chapolin Colorado e Chespirito. A emissora não conseguiu renovar o contrato com a emissora mexicana Televisa. O mesmo já tinha sido anunciado pelo canal pago Multishow cerca de duas semanas antes. Uma pena!
Mesmo com algumas piadas nada corretas, como a Dona Florinda dando bofetada no Seu Madruga, o Chaves, principalmente, sempre me faz rir. O motivo da não renovação não foi esclarecido. Espero que resolvam logo, para que os programas retornem o mais depressa possível. O SBT precisa muito do Chaves, afinal, sem ele não tem nada que preste para assistir na emissora. E o Multishow tem muitos programas brasileiros de humor, a maioria sem nenhuma graça. Volta logo, Chaves! fr
sábado, 1 de agosto de 2020
Botafogo segue sem vencer Fluminense, e preocupa para o Brasileiro
O Botafogo apenas empatou, hoje, com o Fluminense, por 1x1, em casa, no Estádio Nilton Santos. É a quarta vez em que se enfrentam este ano, e o Fogão ainda não conseguiu vencer o adversário uma única vez. São duas derrotas e dois empates. Os dois últimos confrontos foram amistosos, sem público, devido a ameaça do coronavírus, em que disputam a Taça Didi-Gerson. Sábado passado, derrota por 3x0; hoje, empate. Os próximos jogos pelo Campeonato Brasileiro definirão quem levará o troféu.
Hoje, Honda foi substituído, e, segundo a imprensa, saiu parecendo não ter gostado nada ter que sair de campo. Mas, a verdade é que a torcida espera muito mais de quem vem como o grande nome do time, ganhando mais do que os outros, e com a bagagem internacional que ele tem. Se o Botafogo não consegue vencer o Fluminense, que também enfrenta muitas dificuldades, dentro e fora do campo, vai vencer quem no Brasileiro, que inicia semana que vem? fr
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BOTAFOGO 1 X 1 FLUMINENSE
Local: estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 1º de agosto de 2020, sábado
Hora: 19h (de Brasília)
Árbitro: Phillip Georg Bennett
Cartões amarelos: Rhuan, Victor Luís, Guilherme Santos, Rafael Forster e Caio Alexandre (Botafogo); Michel Araújo e Digão (Fluminense)
Cartão vermelho: Yuri (Fluminense)
GOLS
BOTAFOGO: Matheus Babi, aos 21min do segundo tempo
FLUMINENSE: Evanílson, aos 11min do segundo tempo
BOTAFOGO: Gatito Fernández, Barrandeguy, Marcelo Benevenuto (Rafael Forster), Kanu e Victor Luís; Caio Alexandre, Honda (Luiz Octávio) e Bruno Nazário (Lecaros); Luís Henrique, Rhuan (Guilherme Santos) e Pedro Raúl (Matheus Babi)
Técnico: Paulo Autuori
FLUMINENSE: Muriel, Gilberto, Digão, Nino e Egídio; Yuri, Dodi (André), Michel Araújo (Calegari) e Nenê (Miguel); Marcos Paulo (Caio Paulista) e Evanilson (Wellington Silva)
Técnico: Odair Hellmann
sexta-feira, 31 de julho de 2020
'Jeannie é um gênio'

Eu terminei de assistir, na ordem, todos os 139 episódios das cinco temporadas da série ‘Jeannie é um gênio’ (‘I dream of Jeannie’), através da plataforma da operadora de TV paga que eu assino. Alguns episódios estavam faltando, mas eu consegui ver pelo Youtube. Este seriado passava na televisão quando eu era criança, em reprises. E valeu a pena, foi uma boa diversão.
Jeannie surgiu a pedido da emissora estadunidense NBC, para concorrer com o seriado “A Feiticeira”, que já passava na concorrente ABC um ano antes, desde setembro de 1964. A NBC encomendou o roteiro da nova série ao roteirista Sidney Sheldon, que também foi o seu produtor. Anos mais tarde, ele passou a ser um autor de livros de sucesso, deixando de escrever as estórias. Sheldon também criou roteiros para filmes e outras séries de TV, como ‘Casal 20’, de 1979 a 1984, com os atores Robert Wagner e Stefanie Powers.
A inspiração para a série ‘Jeannie é um gênio’ surgiu do filme ‘Um gênio entrou lá em casa’ (‘The brass bottle’), de 1964, do qual Barbara Eden participou, mas não no papel principal, de gênia, e sim como a namorada do ‘amo’. Nesse filme, dirigido por Harry Keller, o gênio é um homem, e a “garrafa” parece mais um vaso. 😄 😄
A estreia de ‘Jeannie é um gênio’ na TV nos Estados Unidos foi no dia 18 de setembro de 1965, e a primeira temporada ainda foi em preto e branco, anos mais tarde colorizada em computador. E, desde então, ela é lembrada por aqueles que pegaram essa época, a partir da sua transmissão no Brasil, em 1966, ou, pelos que, como eu, puderam ver, anos depois, pelas reprises.





A estória começa quando o foguete pilotado pelo capitão Anthony Nelson apresenta problemas e ele precisa saltar de paraquedas em uma ilha do Oceano Pacífico, onde encontra na areia uma garrafa. Após esfregá-la e abri-la, saiu de dentro dela uma gênia, a Jeannie. Curioso é que o capitão passa a chamá-la de Jeannie do nada, já que, inicialmente, ela não falava o seu idioma, nem lhe disse o nome (assista ao primeiro episódio, mais abaixo).
Em “A Feiticeira”, tinha uma bruxa; e em “Jeannie”, uma gênia. Duas mulheres com poderes para transformar em realidade o que quisessem, e os homens a quem amavam precisassem. Agradecida por ter sido libertada após mais de dois mil anos presa na garrafa por ter se recusado a casar com Blue Djinn, um poderoso gênio, ela piscou e um helicóptero de resgate apareceu no céu.
Jeannie se ofereceu para atender a todos os pedidos de Tony, e servi-lo como seu ‘amo’, mas ele preferiu libertá-la, por achar que não poderia explicar às pessoas como ela surgiu em sua vida. Além disso, nos primeiros episódios, ele estava noivo de Melissa (Karen Sharpe), filha do general Stone (Philip Ober), e iria casar em poucos dias. Jeannie, no entanto, entrou em sua garrafa e fez com que ela ficasse escondida entre os pertences do capitão, indo para sua casa, na Praia dos Cocos, na Flórida. Assista ao primeiro episódio da série, na íntegra, mais abaixo.
A gênia passou a morar na casa de Tony Nelson, procurando atender a todas as suas vontades, ou o que ela acreditava serem suas vontades, bastava ela piscar. Na maioria das vezes, a gênia decidia ela mesma o que era melhor para o seu amo, mesmo sem ele pedir, colocando-o muitas vezes em grandes confusões. Ciumenta, para impedir que o seu amo casasse, Jeannie sugestionou um antigo namorado de sua noiva que estava apaixonado por ela, e os dois resolveram se casar. Tony, no fundo, não se importou, porque percebeu já estar gostando de sua gênia.



O capitão Anthony Nelson era um piloto da Força Aérea dos Estados Unidos, e astronauta da agência espacial NASA. A corrida ao espaço era um tema bastante atual na década de 1960, e estimulava muito interesse nos EUA. Aquele país disputava com a antiga União Soviética quem iria levar um homem à Lua, o que viria ocorrer alguns anos após a estreia da série.Muito correto, Tony não queria conseguir vantagens pessoais por ter uma gênia, eu até entendo e concordo. Mas, quem é que tem uma gênia e não usa isso a favor do que é certo? Tem muita coisa que uma gênia pode fazer sem ser antiético, inclusive para outras pessoas. Mas, apesar de ter uma linda gênia em casa, ele queria apenas uma amizade platônica com ela. E estava sempre reclamando, nunca lhe dava atenção, mantendo-a sempre em casa, sem sair com ela. Eu é que não tenho essa sorte... 😄 😄😄 😄
Os atores principais de ‘Jeannie é um gênio’ são Larry Hagman (1931-2012) e Barbara Eden, que, segundo a própria atriz conta, foi escolhida pelo próprio criador da série, Sidney Sheldon, sem sequer ter feito um teste. As outras atrizes que disputavam o papel eram morenas, altas, com um padrão de misses, segundo Barbara, que completará 89 anos mês que vem.
Quando começou a gravar a primeira temporada, a atriz estava grávida do seu único filho, Matthew Ansara, que nasceu poucas semanas antes do primeiro episódio ir ao ar nos Estados Unidos. Mas, no episódio de estreia (abaixo) pode-se ver Barbara bem magra (talvez tenham gravado com muita antecedência). O pai era o ator Michael Ansara, que chegou a participar de dois episódios da série como ator, e a dirigir um. O filho faleceu em 2001, aos 35 anos, vítima de uma overdose de drogas. Barbara Eden teve outros dois casamentos: Charles Donald Fegert e, desde 1991, com o atual marido, John Eicholtz.



Barbara Eden ainda interpretou outros dois personagens no seriado. A irmã mais velha, de mesmo nome, uma gêmea invejosa e que estava sempre querendo tomar o seu amo para casar com ela e fazê-lo seu escravo. O curioso é que, por mais que a irmã fazia, mentia e enganava, Jeannie sempre confiava nela, com muita ingenuidade. Quando estavam juntas na mesma cena, era usada uma dublê. E Eden também chegou a fazer o papel da mãe de Jeannie. Curiosamente, depois o papel foi interpretado pela atriz Lurene Tuttle, ainda na primeira temporada.
O maior amigo do capitão Anthony Nelson era o colega de farda Roger Healey, interpretado por Bill Daily (1927-2018). É um solteirão atrapalhado, ganancioso, metido a conquistador, e que não podia ver uma mulher bonita. Hoje em dia, o comportamento machista dele não seria muito bem visto, já que ele se orgulhava de suas conquistas, e era muito direto nas ‘cantadas’, abusado mesmo.
Healey era o único a saber que Jeannie era uma gênia, e ajudava a manter o segredo, apesar de seu desejo de tê-la como sua, para torná-lo rico, e cheio de mulheres. O curioso é que demorou para ele conhecer Jeannie, o que só aconteceu no 12º episódio da primeira temporada, quando ele se ‘apaixona’ por ela. E apenas no 17º ele descobre que ela era uma gênia. Os dois são promovidos a major no episódio 23 da mesma temporada.
O coronel Alfred Bellows é o psiquiatra da NASA, personagem de Hayden Rorke (1910-1987). Ele passou as cinco temporadas sendo atormentado pelas incríveis situações em que flagrou Anthony Nelson, mas nunca conseguia provar nada ao general. Uma vez ele viu nevar somente em cima da casa de Tony, em plena Flórida, onde as temperaturas costumam ser elevadas.


E viu também um elefante na sala; em outra foi o carro de Tony que se locomovia sem motorista; objetos também voavam, e teve muitas outras situações hilárias. É bem verdade que o doutor Bellows entrava na casa do major com a maior liberdade, sem bater, esperava o quê? 😄😄 Apesar do bom relacionamento entre eles, o doutor Bellows acabava sempre desacreditado, como louco, tentando provar o que somente ele via.
Em 26 de maio de 1970, foi ao ar o último episódio inédito de ‘Jeannie é um gênio’ nos Estados Unidos. Muitos consideram que a razão do fim do seriado teria sido o casamento de Anthony Nelson e sua gênia, o que teria tirado muito do interesse do público. Eu penso que em ‘A feiticeira’, por exemplo, o seriado sempre mostrou a bruxa casada com James Stephens, e nem por isso deixou de fazer sucesso.
Larry Hagman ainda viria protagonizar outra série de sucesso mundial, ‘Dallas’, a partir de 1978, interpretando o vilão J.R. Ewing. Em 1995, ele precisou realizar um transplante de fígado devido a uma cirrose, que, segundo o ator, foi causada pelo seu vício em álcool, adquirido durante as gravações de ‘Jeannie é um gênio’. Barbara Eden tem filmes e outras participações em séries em seu currículo, mas, com certeza, Jeannie é o seu personagem mais marcante. Os dois trabalharam juntos também no filme ‘Uivos no silêncio da noite’, de 1971.
Curiosamente, a linda garrafa onde Jeannie foi aprisionada, e onde entrava para dormir ou quando o seu amo pedia que se escondesse de visitas não seria cenográfica. Ela teria sido escolhida pelo próprio Sidney Sheldon, e era uma garrafa de licor, da marca Jim Beam, com uma pintura especial. E nas cenas em que Barbara Eden aparece dentro da garrafa, ela está dentro de uma reprodução gigante (ver imagem nº 15).

A abertura da primeira temporada usava uma narração ao fundo, de apresentação:
“Diferente, divertido, surpreendente. Um programa verdadeiramente genial. A garota desse programa é um sonho, é um espetáculo, é muito viva. ‘Jeannie é um gênio’! Estrelando Barbara Eden, um provocante gênio das 1001 noites. E Larry Hagman, como seu amo e senhor. A Screen Gems orgulha-se em apresentar mais um original programa de ‘Jeannie é um gênio’. Versão brasileira da Arte Industrial Cinematográfica, São Paulo.”
Somente a partir da segunda temporada passaram a usar a abertura que se tornou clássica. Excluíram a narração, refizeram a animação e trocaram a música de Richard Wess pela de Hugo Montenegro e Buddy Kaye. O resultado ficou ótimo, tanto que a música tornou-se uma das marcas da série. Faça a comparação, assistindo aos vídeos abaixo.
A direção do seriado tem uma característica interessante. Eu contei 18 diretores diferentes nos 139 episódios das cinco temporadas, incluindo até mesmo o ator Larry Hagman, que dirigiu três episódios. Os dois com maior número de episódios dirigidos são Hal Cooper, com 57, e Claudio Guzman, com 49, o que, somados, representa 76% da série toda. Gene Nelson dirigiu os dois primeiros episódios da série; e Claudio Guzman o último exibido pela TV dos Estados Unidos.
Registro mais algumas curiosidades que eu notei assistindo aos episódios, como a data de nascimento de Jeannie. Na segunda temporada, o major Healey fez uma pesquisa, em segredo, em um moderno computador adquirido pela NASA. Utilizando as informações históricas passadas pela gênia, descobriu que ela nasceu em 1º de abril de 64 a.C.. Jeannie já tinha servido a outros senhores, antes do major Nelson. E tinha outras irmãs, todas com o mesmo nome.
O maior desejo de Jeannie era casar com o seu amo, o que só veio ocorrer no episódio 124, na última temporada. O seriado tem muitas passagens de comédia pastelão, principalmente com Larry Hagman, que se joga no chão, dá cambalhotas e passa por muitas outras confusões. O comportamento dos personagens é próprio da década de 1960, em que os homens tinham um emprego e as mulheres casadas cuidavam da casa. Não era costume se usar cinto de segurança nos carros.
Um gênio não tinha poderes para desfazer o que outro fazia. O mesmo acontecia na série ‘A Feiticeira’, da qual eu já escrevi aqui, no blog; um feiticeiro não podia alterar o feitiço de outro. No episódio 110, na quarta temporada, os majores Nelson e Healey viajaram ao redor da Lua, na Apolo 14; e no 113, eles retornaram com sucesso da missão da Apolo 15. Os dois voos espaciais somente viriam ocorrer, realmente, em 1971, após o fim da série, sendo que no segundo ocorreu um pouso na Lua. Os episódios dublados no Brasil não tinham as tradicionais risadas ao fundo, como nos originais.
No episódio 137, da quinta temporada, o doutor Bellows precisou passar a noite na casa de Tony e Jeannie, devido a um furacão. Ao descer para a sala, o médico flagrou Jeannie piscando e fazendo mais uma de suas magias, e decidiu pedir demissão, internando-se para tratamento. O major Nelson, por sua vez, prometeu deixar a NASA e sair da Flórida, com Jeannie, indo morar onde ninguém os conhecesse.
Mas, no fim do episódio, Tony acordou e descobrimos que tudo não passou de um pesadelo! 😵 😵 😵 Eu não gostei, podiam ter criado uma estória bem melhor. Após o fim do seriado, foi feito um desenho para a TV, e dois filmes (leia mais abaixo). Quem assistiu ‘Jeannie é um gênio’, deve ter gostado de relembrar esse tempo, fique à vontade para comentar. fr
O retorno de Jeannie em dois filmes
Após o fim da série, dois filmes foram lançados trazendo Jeannie de volta, mas não tiveram grande repercussão. Eu mesmo não me lembro de nenhum deles da época, mas fiz questão de assistir os dois, pelo youtube, para escrever sobre o seriado. Larry Hagman, o major Nelson, não participou dos filmes, e a razão teria sido devido ao ator ter compromissos profissionais já assumidos, pelo menos foi o divulgado.
Em 1985, ‘Jeannie é um gênio: 15 anos depois’ (‘I dream of Jeannie: 15 years later’), Hagman foi substituído pelo ator Wayne Rogers, o que fez ficar estranho para quem conhece a série. O diretor do filme foi William Asher, que também produziu e dirigiu ‘A feiticeira’, série protagonizada por Elizabeth Montgomery, de quem foi o terceiro marido e pai dos seus três filhos.
No filme, Anthony Nelson já é coronel, e está prestes a se aposentar. Mas aceitou o convite para comandar mais uma missão espacial, o que revoltou Jeannie, a quem tinha prometido passar mais tempo com ela e o filho, TJ. Ela continua insegura e ciumenta, mas se cansa de se anular por causa da família, decidindo sair de casa com o filho para provar ao marido que pode trabalhar e conseguir ter as suas realizações, sem precisar recorrer aos seus poderes.
A irmã continua tentando tirar o amo de Jeannie, que ainda acredita em tudo o que ela diz, caindo nos mesmos truques. Roger Healey (Bill Daily) já é aposentado, é rico, mas continua o mesmo; cinco divórcios. Doutor Bellowrs (Hayden Rorke) já se aposentou na NASA, mas continua trabalhando, e continua sendo o único a ver coisas estranhas acontecendo com Tony.
No segundo filme, ‘Jeannie ainda é um gênio’ (‘I still dream of Jeannie’), de 1991, Anthony Nelson nem aparece. Ele está, há meses, em uma missão secreta, no espaço, e, mais uma vez, a irmã de Jeannie tenta prejudicá-la, para ficar com o seu amo. Pelas “leis do pergaminho sagrado de Rismack”, nenhum gênio pode permanecer no plano da realidade sem um amo por um período maior do que o permitido.
Jeannie tinha 15 dias para descobrir onde exatamente Tony estava, ou conseguir um amo “temporário”. Caso contrário, teria que retornar para a Mesopotâmia. Desta vez, ela contou com a ajuda do filho, TJ, já adolescente. A irmã prendeu o sobrinho em uma garrafa, e, para conseguir sair dela, o garoto conseguiu fazer com que ela caísse da mesa e quebrasse.
Bill Daily participa do filme, mas Hayden Rorke não, pois tinha falecido anos antes. A direção é de Joseph Scanlan. Eu assisti aos dois filmes, mas, para quem conhece a série original, como eu, a comparação é inevitável. A ausência de Larry Hagman faz muita falta, e as estórias acabam sendo longas, sem agilidade.fr

Jeannie em desenho na TV
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A CBS passou a exibir o desenho ‘Jeannie’ em 1973, produzido pela Hanna-Barbera e a Screen Gems. Foram somente 16 episódios, um período bem curto mesmo. Eu nem me lembrava desse desenho, acredito mesmo que nunca tenha me interessado em ver. 😊
A CBS passou a exibir o desenho ‘Jeannie’ em 1973, produzido pela Hanna-Barbera e a Screen Gems. Foram somente 16 episódios, um período bem curto mesmo. Eu nem me lembrava desse desenho, acredito mesmo que nunca tenha me interessado em ver. 😊
Apesar de inspirado na série famosa ‘Jeannie é um gênio’, o desenho tem algumas diferenças importantes, a começar pelos personagens, que não são os mesmos, a não ser a protagonista, claro. O amo é um adolescente, Corey Anders; e Jeannie não é loura, é ruiva; e, ao invés de piscar para fazer o que quer, ela agita o rabo de cavalo. Ela tem uma espécie de estagiário de gênio, o Babu.
O dublador original de Corey Anders é o ator Mark Hamill, anos depois mais conhecido por interpretar Luke Skywalker, nos filmes de ‘Guerra nas Estrelas’. E o de Babu é Joe Besser, um dos atores que fizeram os filmes de comédia ‘Os três patetas”. Assista a um episódio completo de ‘Jeannie’, abaixo. fr
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domingo, 26 de julho de 2020
sábado, 25 de julho de 2020
Coleção particular de Ayrton Senna é roubada na Itália

Dois homens acusados de roubar parte de uma coleção particular sobre o piloto brasileiro Ayrton Senna foram presos quinta-feira, dia 23, na cidade de Canelli, na Itália. O proprietário costuma emprestar alguns de seus objetos para exposições em vários países do mundo. De acordo com a polícia, a coleção completa tem 300 itens, entre macacões, capacetes, luvas, entre outras peças que foram de Senna, ou relacionados a ele, e é avaliada em 300 mil euros, o equivalente a cerca de um milhão e 830mil reais.
A prisão foi resultado de denúncias de pessoas que estranharam a presença de um carro suspeito, que, após ter sido abordado, levou à prisão dos acusados, com alguns dos objetos. Eles indicaram aos policiais uma casa, onde estava escondido quase todo o restante do roubo. De acordo com a polícia, a investigação ainda precisa apurar se o crime foi encomendado, e pede a colaboração dos italianos, caso saibam de itens do piloto sendo vendidos, porque parte permanece sumida. fr
Brasil não terá GP de Fórmula-1 pela primeira vez em quase 50 anos
Este ano não haverá disputa do Grande Prêmio de Fórmula-1 no Brasil. É a primeira vez que o nosso país fica fora do calendário oficial da categoria desde 1973; um ano antes houve uma prova para teste. Entre os países que vêm sediando a competição, somente Inglaterra e Itália tem mais temporadas seguidas recebendo provas do que o Brasil.
O anúncio foi feito ontem, cancelando a realização das provas do Canadá, marcada para 14 de junho; Estados Unidos, 25 de outubro; México, 1º de novembro; e Brasil, 15 de novembro. O motivo são os números muito elevados de contaminações e mortes devido à pandemia do coronavírus no continente americano.
O calendário original da Fórmula-1 tinha 22 provas agendadas, mas já teve, até o momento, onze canceladas. Além dos países americanos, foram também canceladas as provas na Austrália, Holanda, Mônaco, França, Azerbaijão, Singapura e Japão. Apenas três corridas foram disputadas, e a previsão é que o ano tenha 15 Grandes Prêmios
Serão incluídos três circuitos à Fórmula-1 este ano. O de Nürburgring, na Alemanha, retorna após sete anos ausente; e o de Ímola, na Itália, no autódromo Enzo e Dino Ferrari, onde Ayrton Senna sofreu o acidente fatal de 1º de maio de 1994, depois de 14 anos. Portugal também sediará uma prova, em Portimão, no Algarve, terra da minha mãe, após 24 anos sem participar da categoria.
Ainda não está definido se o Brasil terá um Grande Prêmio em 2021, e, se tiver, onde será realizado. O contrato com o estado de São Paulo está terminando este ano, e não há definição se ele será renovado. O Rio de Janeiro quer voltar a receber as corridas, mas ainda precisa construir um novo circuito, provavelmente no bairro de Realengo. O governador João Dória tinha garantido, no início do mês, que o GP seria mantido em seu estado. Coisas de políticos! fr
segunda-feira, 20 de julho de 2020
Mais um motorista é agredido por exigir o uso de máscara no ônibus
Mais um caso de motorista que é agredido por tentar evitar que um passageiro entre no ônibus sem máscara, colocando em risco a sua saúde e a de muitos outros, em plena pandemia do coronavírus. Quarta-feira passada, dia 15, eu publiquei no meu blog uma notícia de um motorista também agredido por zelar pela vida dos passageiros. Foi na França, e, infelizmente, ele morreu, devido à agressão covarde que sofreu. Hoje, mais uma notícia. Poderia ter acontecido aqui, no Brasil, mas, desta vez, aconteceu em Portugal, publicada pelo jornal 'Público', de Lisboa. Tudo isso só mostra como o mundo está violento; as pessoas estão individualistas, egoístas, agressivas, e não têm empatia. Lamentável! fr
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domingo, 19 de julho de 2020
Bolo salgado para o lanche. 🍴🍵🍴🍵🍴🍵


sábado, 18 de julho de 2020
Estado de coma
ESTADO DE COMA
Chico Anísio
Quando entrou, a mulher parecia uma louca.
- Estou nas últimas.
- Calma – solicitou Dr. Novaes.
A mulher não obedeceu ao pedido. Num histerismo preocupante começou a despir-se, mostrando feridas inexistentes e mazelas prováveis. Falava muito e muito depressa. Dr. Novaes não conseguia acompanhar os sintomas que ela expunha.
- Isso, doutor, não pode ser câncer?
- Bem...
- Veja como está arroxeado. Eu já li muito sobre isso. Esta mancha escura não pode ser um melanoma? Eu tenho pavor de câncer, doutor. E o pulmão? Examine.
Tirou a blusa e o sutiã para que Dr. Novaes encostasse o ouvido nas suas costas, sem que nada o obstasse.
- Seu pulmão – começou o doutor...
- Se eu ainda tiver pulmão. E as palpitações, doutor, são constantes. Disritmia. Tem hora que o coração parece ter parado. Fico fria, sinto um torpor no corpo, o braço dormente. Braço esquerdo. Esquerdo, frisava, de olho rútilo. – Não é coisa de coração? Quais são os sintomas do enfarte?
- O enfarte...
- E o fígado? Bata no meu fígado.
O doutor obedeceu por obedecer. Ressoou um “tum-tum” surdo.
- Se eu já não tiver com hepatite, ando por perto.
- A senhora está nervosa.
- E deveria estar calma? E os rins, que não funcionam direito? E nem falo na cistite, que não me dá um dia de sossego.
Tirou a saia para mostrar melhor as varizes que nasciam nos tornozelos e iam em frente.
O doutor, muito paciente, fazia o que ela mandava.
- Aperte aqui.
Ele apertava.
- Veja aqui.
Ele via.
- Empurre aqui.
Ele empurrava.
- Ausculte, pressione, experimente, observe.
Ele auscultava, pressionava, experimentava, observava, obedecia com muita tranquilidade, uma calma que não era muito do agrado da mulher que, neste momento, não usava no corpo nada além dos sapatos que acabava de tirar.
- Já viu meu pé?
- Estou vendo.
- Pé chato. Isso pode ser a causa do cansaço. Mas eu uso sapato ortopédico, o pé chato nada tem a ver com o cansaço, tem?
- Não, não tem.
- No entendo, parece que não há um palmo cúbico de ar para que eu respire. Veja como suo nas mãos.
Ele viu que ela suava realmente.
E tinha dores no estômago pela manhã, o intestino não funcionava a contento, a vesícula devia estar preguiçosa, o pâncreas ficava como se tivesse comido brasa, a urina era escura um dia, avermelhada no outro.
Dr. Novaes não se abalou em nenhum instante.
A mulher, inteiramente desnuda, deliberadamente deitou-se na mesa para um exame mais detalhado. Dr. Novaes fez.
- Pode se vestir.
- Como? Sem que o senhor examine o baço?
Ele, com um dedo sobre o baço, bateu várias vezes nele com o rígido médio.
- Vista-se agora.
Ela se disse impossibilitada. Sentia o tal sintoma de prostração de que tanto falara. Viu? Ainda bem que no consultório lhe tinha dado, para que o Dr. Novaes não pensasse que se tratava de hipocondria ou coisa semelhante.
Foi-lhe dado um pouco de água mexida com uma colher. Nada havia além da água no copo, mas o mexer da colher fez com que, ao beber a água pura, ela chegasse a sentir um gosto muito ruim.
- O que foi que o senhor me deu para beber?
- Nada – disse o Dr. Novaes.
- Eu preciso saber o nome deste remédio. Em dois minutos me deixou outra. Estou reanimada, recuperada.
- Vista-se.
Ela começou a se vestir. Vestiu-se sem parar de falar de doença. Dores de cabeça ao entardecer, uma ponta de febre no começo da noite, insônia progressiva – Mandrix já lhe sabia a Cibalena – perda do apetite.
- Como isso, parece que comi um boi.
E a memória, não raro, lhe faltava. Seria amnésia? Essa doença existe mesmo, ou é coisa de filme? E os olhos sempre vermelhos. Há uma mancha num deles, vê? O olho direito. Não seria um carcinoma? Ou seios doídos. Às vezes, não suportava o sutiã.
- A senhora está nervosa demais.
- Se fosse somente o sistema nervoso, era ótimo. Eu tomava uns sedativos, uns tranquilizantes, pronto. O estado geral é que é o drama. Devo me hospitalizar? Diga, doutor. Preciso ser operada? É caso de cirurgia, ou...? O que o senhor disse eu faço.
- Então faça o seguinte – disse o Dr. Novaes. – Procure um médico.
- Hem?
- Eu sou economista. O Dr. Dráulio, que tinha consultório aqui, mudou-se para a Rua Sorocaba.
Daí, ela apressou-se a vestir a roupa.
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