O mundo ainda está sofrendo com as
consequências da disseminação do novo coronavírus, e já lemos o alerta dos
cientistas que existem inúmeros outros vírus que podem se tornar a próxima
pandemia. De acordo com eles, o grande problema vem sendo o comportamento
predatório dos seres humanos, que destroem e ocupam as florestas, onde estão os
animais, contraindo suas doenças e as espalhando pelo mundo. Nas últimas décadas,
ocorreram outras ameaças de vírus, entre elas: o ebola, a Sars (síndrome
respiratória aguda grave), a Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), e
as gripes aviária e a suína. Alguns cientistas acreditam que no futuro uma
pandemia muito mais grave pode vir a matar até bilhões de pessoas. Deus nos
livre! fr
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terça-feira, 9 de junho de 2020
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Dica de filme: "O homem que sabia demais" (1956)

O HOMEM QUE SABIA DEMAIS ("The man who knew too much")
EUA, 1956, Suspense, Hitchcock
Direção: Alfred Hitchcock
Com: James Stewart, Doris Day, Christopher Olsen, Brenda de Banzie, Bernard Miles, Daniel Gélin
EUA, 1956, Suspense, Hitchcock
Direção: Alfred Hitchcock
Com: James Stewart, Doris Day, Christopher Olsen, Brenda de Banzie, Bernard Miles, Daniel Gélin
Um casal estadunidense, Ben McKenna e Josephie (Jo) Conway, e o filho, estão férias em Marrocos. Eles conhecem um francês misterioso, que os ajuda em um incidente dentro do ônibus, onde o menino, sem querer, retira o véu de uma mulher. No dia seguinte, em um passeio pelas ruas de Marraquexe, na companhia de um casal inglês, os dois casais presenciam a perseguição a um homem, que acaba esfaqueado nas costas. Como é médico, Ben presta os primeiros socorros, e reconhece a vítima como o francês que conhecera na véspera, apesar de maquiado para escurecer o tom da pele.
Antes de morrer, ele lhe diz que um estadista estrangeiro seria assassinado em Londres, e pede que avise as autoridades inglesas, dando-lhe um nome. Sem saber, Ben acaba sendo envolvido em uma conspiração internacional. Como estavam hospedados no mesmo hotel, o casal inglês com quem passeavam ofereceu-se para ajudar. O homem acompanhou Ben e Jo à delegacia para o médico prestar depoimento, já que ele foi testemunha do crime, e a esposa levou o menino de volta ao hotel.
Enquanto conversava com o inspetor, Ben foi chamado ao telefone, e informado que o filho estava sequestrado, e que não falasse nada do que ouviu às autoridades, caso não quisesse ter o filho morto. Assustado, preferiu obedecer, voltando ao hotel com Jo, onde já não encontraram mais o casal de ingleses, que tinha partido com o filho dele. Ben, então, viajou para Londres, a fim de localizá-lo, seguindo a única pista que tinha, o nome que o francês lhe deu antes de morrer.
Além de atriz, Doris Day era cantora, assim como o seu personagem no filme. A música “Que Sera, Sera” (Whatever Will Be, Will Be)", cantada por ela no filme, venceu o Oscar de Melhor Canção em 1957. O diretor Hitchcock também faz uma aparição em “O homem que sabia demais”, uma de suas marcas, mas é tão rápida que é necessário estar atento. Ela acontece durante o passeio de Ben e a família pelas ruas de Marraquexe, quando assistem a uma apresentação de malabaristas. A produção é uma refilmagem de um outro filme, também dirigido por Alfred Hitchcock, mas na Inglaterra, em 1934, no qual a estória passa na Suíça. fr
domingo, 7 de junho de 2020
sábado, 6 de junho de 2020
Nova tradução de "Memórias póstumas de Brás Cubas" esgota nos EUA em um dia

O livro foi lançado dia 2 de junho, pela editora Penguin Books, em sua coleção “Penguin Classics”, com tradução de Flora Thomson-DeVeaux. O prefácio é do escritor Dave Eggers, autor de “O Círculo”, que deu origem em 2017 ao filme de mesmo nome, com Tom Hanks, e que, por coincidência, eu assisti semana passada. As críticas têm sido muito elogiosas ao livro.
Flora Thomson-DeVeaux recorreu a notas de rodapé para explicar aos leitores estadunidenses o sentido de alguns locais e expressões descritos na obra de Machado. “Memórias póstumas de Brás Cubas” já havia sido lançado nos Estados Unidos, com outras traduções, como a de William L. Grossman, em 1952, com o título “The epitaph of a small winner”. Em 2018, uma coletânea de contos de Machado de Assis já tinha sido lançada nos Estados Unidos.
Eu fico feliz. Espero que mais estrangeiros possam ter a oportunidade de conhecer a obra de Machado de Assis, e de outros autores brasileiros. E, assim, vencer a resistência à cultura latino-americana, principalmente nos Estados Unidos. Eles têm muito a ganhar com isso! fr
sexta-feira, 5 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
"A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile": Gabriel García Márquez

“A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile”, Gabriel García Márquez, Rio de Janeiro, Editora Record, 1986, 128 páginas, tradução de Eric Nepomuceno.
Eu acabei de reler “A aventura de Miguel Littín: clandestino no Chile”, do jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1982. O livro conta a aventura de Miguel Littín, considerado por muitos o mais importante cineasta chileno, em maio e junho de 1985, quando ele retornou clandestinamente a seu país durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. À época, Littín estava exilado há 12 anos, inicialmente no México, e, depois, na Espanha, onde morava com a esposa e três filhos.
O nome do cineasta fazia parte de uma lista de cinco mil exilados proibidos de entrar no Chile. E para consegui-lo ele teve que mudar totalmente a sua aparência, emagrecer dez quilos, tirar a barba, pintar o cabelo, alterar o penteado e a maneira de rir, passar a usar óculos de grau, e mudar o estilo de se vestir. Com a ajuda de organizações democráticas atuantes na clandestinidade, conseguiu documentos falsos, adotando uma nova personalidade.
Littín passou a ser um rico uruguaio, dono de uma empresa de publicidade com sede em Paris, que iria filmar um comercial de um novo perfume no Chile. Entrou no país acompanhado pela sua “esposa”, uma jovem da resistência chilena. Apesar da importância dela no sucesso do plano, ele conta que os dois tiveram muitos atritos, por conta de suas personalidades distintas. Mas, foi ela quem o ajudou nos contatos necessários para fazer o filme, e quem tinha a atribuição de denunciar ao mundo caso Littín fosse preso.
“”Na medida em que nos aproximávamos do centro da cidade, desisti de olhar e admirar o brilho material com que a ditadura tratava de apagar o rastro sangrento de mais de quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e um milhão de exilados. Em compensação, me fixava nas pessoas, que andavam com uma pressa inusitada, talvez pela proximidade do toque de recolher. Mas não foi apenas isso o que me comoveu. As almas estavam em seus rostos sacudidos pelo vento gelado. Ninguém falava, ninguém olhava em nenhuma direção definida, ninguém gesticulava nem sorria, ninguém fazia o menor gesto que delatasse seu estado de espírito dentro dos casacos escuros, como se todos estivessem sozinhos numa cidade desconhecida. Eram rostos brancos que não revelavam nada, nem mesmo medo.”
O cineasta coordenou o trabalho de três equipes europeias de cinema. Eram da Itália, França e Países Baixos (Holanda), todas devidamente autorizadas pelo governo chileno a trabalhar no país. A primeira supostamente iria fazer um documentário sobre a imigração italiana no Chile; a francesa, um documentário ecológico; e a holandesa uma cobertura sobre os recentes terremotos ocorridos no país à época.
As equipes não tinham conhecimento do objetivo político do que seria filmado, nem da existência uma das outras. Mas os seus respectivos responsáveis sabiam quem era o verdadeiro coordenador do projeto e os seus propósitos. No final dos trabalhos, mais uma equipe de jovens cineastas da resistência chilena passaram a colaborar com as filmagens.
As seis semanas em que essas equipes e Littín percorreram o país, para mostrar como estava o Chile após 12 anos do golpe militar de 1973, resultaram no filme “Acta General de Chile”, que pode ser assistido no YouTube. Gabriel García Márquez entusiasmou-se com a história, contada a ele pelo próprio cineasta, em Madrid. Os dois passaram uma semana conversando, e as 18 horas desta conversa foram transformadas neste livro, escrito na primeira pessoa, como se estivesse sendo narrada pelo próprio Miguel Littín.
Durante o período em que o cineasta esteve no Chile, o país estava em estado de sítio, com toque de recolher a partir da meia-noite. Foram a resposta da ditadura aos protestos de rua e a uma greve nacional de um dia, organizados meses antes pela oposição. Littín, através de Gabriel García Márquez, relata os momentos de tensão vividos, quando temia ser reconhecido e preso pelos temíveis “carabineros”, a polícia chilena, o que o obrigou a trocar de hotéis algumas vezes.
Littín descreve as suas impressões sobre o país, 12 anos após ter que fugir da repressão da ditadura, desfazendo a imagem oficial passada pelo “milagre chileno”. As pessoas eram menos comunicativas do que antes; e havia muito mais camelôs nas ruas, incluindo profissionais de elevado nível educacional, como médicos e engenheiros. A concentração de renda aumentou, assim como a dívida externa, que passou de quatro bilhões de dólares para quase vinte.
“O Chile não foi apenas um país modesto até o governo de Allende [Salvador Allende, presidente eleito, deposto pelo golpe de 1973, quando acabou morto dentro do palácio do governo, invadido por militares], mas sua própria burguesia conservadora se orgulhava da austeridade como uma virtude nacional. O que a Junta Militar fez para dar uma aparência impressionante de prosperidade imediata foi desnacionalizar tudo o que Allende tinha nacionalizado, e vender o país ao capital privado e às corporações multinacionais. O resultado foi uma explosão de artigos de luxo, deslumbrantes e inúteis, e de obras públicas ornamentais que fomentavam a ilusão de uma bonança espetacular.”
Em sua aventura em um Chile dominado pela ditadura, Littín conseguiu até mesmo entrar, com autorização dos militares, no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, e viu passar por ele o próprio ditador Augusto Pinochet. Apesar de orientado a não fazer contato com familiares, em uma noite Miguel Littín acabou desviando o caminho que fazia para fugir dos “carabineiros” durante o toque de recolher, e visitou a mãe. Nem mesmo ela o reconheceu inicialmente. O autor define a importância do seu livro:
“Pelo método da investigação e pelo caráter do material, esta é uma reportagem. Mas é mais: é a reconstrução emocional de uma aventura cuja finalidade última era sem dúvida muito mais profunda e comovedora que o propósito original e bem sucedido de fazer um filme driblando os riscos do poder militar. O próprio Littín disse: ‘Este não é o ato mais heroico da minha vida, é o mais digno’. Assim é, e creio que esta é a sua grandeza.” fr
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Vacina contra a Covid-19 será testada no Brasil
A universidade de Oxford, da Inglaterra, começará, este mês, a fazer testes de uma vacina contra a Covid-19 no Brasil, com dois mil voluntários que não tenham sido infectados pelo novo coronavírus. A vacina já foi testada com sucesso em um pequeno grupo de seis macacos, e, desde abril, passou a ser usada em dez mil voluntários no Reino Unido. O Brasil é o primeiro país fora dessa região a fazer parte dessa pesquisa, mas outros deverão vir a participar também.
O nosso país foi escolhido por um motivo nem um pouco digno de comemorar. Para comprovar a eficácia da vacina, é necessário que os voluntários estejam em lugares mais atingidos pela pandemia, e não onde a curva de contágio esteja descendente. E o Brasil é justamente um país com essas características, infelizmente. Os voluntários precisam estar na linha de frente do combate ao coronavírus, a fim de estarem mais expostos. O infectologista da Fiocruz Julio Croda explica:
"Quando uma empresa ou instituto de pesquisa busca um novo sítio de pesquisa ele quer que em um espaço curto de tempo as pessoas que forem vacinadas, que não têm a doença, que são voluntários, tenham uma probabilidade grande de se expor ao vírus para justamente ver a diferença entre as pessoas que foram vacinadas e as pessoas que não foram."
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do Ministério da Saúde, concedeu a autorização às pesquisas no país, mais especificamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. As previsões mais otimistas indicam que uma vacina contra a Covid-19 pode vir a ser fabricada ainda este ano. Mas, o fato das pesquisas estarem também sendo realizadas no Brasil, não vai garantir que o país seja privilegiado na distribuição da vacina. Vamos torcer! fr
terça-feira, 2 de junho de 2020
A Covid-19 é uma mutação do coronavírus que surgiu em 2002
O novo coronavírus tem o nome técnico de Sars-CoV-2, e causa a Covid-19, que já provocou a morte de mais de 370 mil pessoas até o momento, no mundo todo. Covid-19 é Corona Vírus Disease, doença do coronavírus em português; e 19 refere-se ao ano de 2019, quando surgiu na China. É uma mutação do coronavírus Sars-CoV-1, causador da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars, sua sigla em inglês). Esta, de acordo com os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), resultou em 8.098 infectados e 774 mortos em 26 países, nos anos de 2002 e 2003.
O pesquisador Alexandre Vieira Machado, da Fiocruz de Minas Gerais, explica que o Sars-CoV-1 desapareceu após aquele surto, e as pesquisas foram interrompidas sem a criação de uma vacina. E agora, com o novo coronavírus, a pesquisa tem aproveitado o conhecimento com aquele vírus, mas tendo que acelerar os trabalhos devido a não ter uma vacina, que poderia ser usada como referência.
"Não tem vacina para o Sars-CoV. É uma coisa muito triste e um recado para a ciência e para as agências de fomento. Somos frequentemente confrontados com doenças novas, como zika e chikungunya, e a volta de outras, como sarampo e febre amarela, isso desvia o foco das linhas de pesquisa e dos investimentos em vacina. Isso é ruim, porque se nós tivéssemos uma vacina aprovada para Sars-CoV-1, mesmo que fosse em fase clínica, numa plataforma que funcionasse, a gente poderia ter pulado algumas etapas". fr
Equipes brasileiras também estão em busca de uma vacina contra o novo coronavírus
Eu já comentei aqui no meu blog que vários laboratórios no mundo estão pesquisando uma vacina contra o novo coronavírus. De acordo com a imprensa, são cerca de 200, e, pelo menos, oito já estão na fase clínica, ou seja, na fase de testes com seres humanos. Mas, o legal é que também existem equipes brasileiras empenhadas nesse trabalho.
Uma delas é liderada pelo pesquisador Alexandre Vieira Machado, da Fiocruz de Minas Gerais. Entre os seus parceiros estão a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o Instituto Butantã, a USP (Universidade de São Paulo) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Outra equipe é do Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, coordenada pelo médico Jorge Kalil. As duas equipes fazem um intercâmbio de informações.
Bom saber que no Brasil, apesar da falta de interesse pela pesquisa científica demonstrada pelo presidente Jair Bolsonaro, também estamos participando do esforço mundial na elaboração de uma vacina contra o coronavírus. Até porque uma vacina nacional pode vir a ser aplicada no Brasil muito mais rápido, sem que o país precise entrar na fila para importá-la de algum laboratório estrangeiro.
Mas, na realidade, para mim o mais importante é que uma vacina contra esse coronavírus seja desenvolvida o mais depressa possível, não importando tanto qual o país chegue na frente. O principal é a proteção de milhares, e, até, milhões de vidas no mundo! fr
segunda-feira, 1 de junho de 2020
domingo, 31 de maio de 2020
Ninguém é dono da língua, e todo mundo pode cometer erros de português
Ontem, assistindo a SIC, televisão de Portugal, uma legenda estava com um erro, o que me chamou mais atenção do que a própria reportagem. Um erro de português, mais especificamente de concordância verbal: “57% dos inquiridos passou a cozinhar mais”. Percebi logo, o verbo deveria ter ido para o plural.
Consultei a coleção “Língua viva”, do professor Sérgio Nogueira Duarte, para fundamentar. No capítulo 2, ele ensina que o verbo deve concordar com o número quando houver um especificador no plural, como no caso da frase acima: “57% dos inquiridos PASSARAM a cozinhar mais”. Se o especificador estivesse no singular, o verbo concordaria no singular: “57% da pesquisa PASSOU a cozinhar mais”.

Eu não estou querendo criticar a emissora, muito menos os portugueses, que costumam falar de uma maneira muito mais correta do que nós, brasileiros. Mas, justamente porque muitos portugueses criticam tanto a nós, brasileiros, por falarmos errado, eu quis mostrar que ninguém é perfeito, nem dono da língua. Eu já li na imprensa um caso de uma professora universitária, que chamou a atenção de um aluno brasileiro, mandando-o “falar português” em sala de aula. Felizmente, acredito, é uma minoria de casos assim tão radicais.
Eu mesmo devo cometer vários erros de português, alguns por desatenção, outros tantos por não me lembrar das aulas do ensino médio. Pode acontecer com todos. É preciso que as pessoas tenham um pouco mais de tolerância com os erros involuntários dos outros, porque todos estão sujeitos a cometer erros. fr
sábado, 30 de maio de 2020
O melhor e mais caro café do mundo é feito a partir das fezes de um animal... 😲 😲 😲
Eu gosto de um cafezinho de vez em quando. Agora, aquele que é considerado o melhor café do mundo eu não sei se iria querer experimentar... É o café Civeta, ou Kopi Luwak (palavras indonésias que significam, respectivamente, café e civeta). Ele é produzido principalmente nas ilhas de Sumatra, Java, Bali e Sulawesi, no arquipélago da Indonésia, usando as fezes de um pequeno mamífero chamado civeta.
A origem provável desse café é estimada no século 18, durante a colonização holandesa na região. Os plantadores locais eram proibidos de usar as frutas de café para o seu próprio consumo. Percebendo que o civeta engolia a fruta e a expelia praticamente intacta, digerindo somente a polpa, os plantadores resolveram aproveitar os grãos que saiam junto das fezes dos animais, juntando-os à colheita. Alguém, um dia, resolveu experimentar esses grãos para fazer um café, e descobriu que o seu sabor era muito diferenciado, dando origem à sua produção para exportação.
Durante a digestão do civeta, são liberados em seu organismo ácidos e enzimas sobre a fruta de café ingerida, provocando uma fermentação natural. O café civeta tem aroma de frutas vermelhas, não tem acidez e pouco amargor. E não faz mal à saúde de quem o consome, de acordo com os especialistas. A produção do café civeta é pequena, é de pouco mais de 200 quilos por ano, o que torna o seu preço muito alto, e o café o mais caro do mundo.
O quilo do café Civeta chega a custar, em média, US$ 1.200, o que representa, pela cotação de hoje, mais de 6.500 reais! Existem denúncias de maus tratos aos animais, que estariam sendo mantidos presos em jaulas para a produção do café. Os produtores costumam garantir que a colheita das fezes é feita no ambiente onde vivem os animais.
Outros cafés são produzidos de maneira semelhante, com a utilização de outros animais. Na Tailândia, o Black Ivory Coffee é feito após a ingestão do fruto do café pelos elefantes. Em Taiwan, a fruta do café é comida pelos macacos, que cospem os grãos, a serem utilizados para a produção do café. E no Brasil, mais especificamente no Espírito Santo, tem o Jacu Bird Coffee, feito após a digestão do grão do café pelo pássaro jacu, que o engole inteiro, e, depois, é retirado de suas fezes. Bom, eu até teria coragem de provar o café Civeta. Mas, não iria pagar esse preço exagerado, com certeza não. 😊 😊 😊 fr



sexta-feira, 29 de maio de 2020
Trump anuncia rompimento com a OMS em plena pandemia do coronavírus
Hoje, à tarde, assisti na Band News, ao vivo, o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do rompimento do seu país com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em um momento em que se enfrenta as consequências da disseminação do novo coronavírus, e já morreram mais de 300 mil pessoas no mundo, um terço nos EUA, aquele país prefere se afastar da principal entidade mundial da área de Saúde.
E, consequentemente, enfraquecê-la, já que são o país que mais contribui com recursos financeiros. De acordo com o Banco Mundial, foram US$ 400 milhões ano passado, o que correspondeu a cerca de 15% do orçamento da OMS. Os EUA já haviam suspendido a contribuição à organização mês passado, anunciando o rompimento hoje.
"Nós detalhamos as reformas que [a OMS] deve fazer e tratamos com eles diretamente, mas eles se recusaram a agir. Como eles falharam em fazer as necessárias e pedidas reformas, hoje vamos encerrar nosso relacionamento com a Organização Mundial de Saúde, e redirecionar esses fundos para outras necessidades globais urgentes de saúde pública", justificou Donald Trump.
O presidente acusa a China por ser responsável pelo surgimento do novo coronavírus, e de não ter comunicado a OMS sobre a real ameaça de sua disseminação. Segundo ele, a OMS tem sido conivente com o governo chinês. Em novembro deste ano, Trump deverá concorrer à reeleição, e vem sendo acusado pela imprensa e a oposição do seu país de não ter levado a sério o perigo do novo coronavírus, demorando a tomar as medidas necessárias para combatê-lo, como o distanciamento social. No meio dessa briga política, quase dois milhões de pessoas já foram infectadas nos EUA, e 103.580 morreram. Parece muito com um país sul-americano que nós conhecemos... Triste! fr
quinta-feira, 28 de maio de 2020
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Governador do Rio de Janeiro é investigado por corrupção na compra emergencial de material para o combate ao coronavírus
Mais um governador do Rio de Janeiro está sendo investigado sob suspeita de corrupção. É impressionante constatar, não, confirmar, que nem mesmo em um momento de pandemia mundial, em que dezenas de milhares de pessoas estão morrendo no Brasil, os políticos param de roubar. Ontem de manhã, a Polícia Federal realizou buscas em onze endereços, entre os quais o Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC), - apreendendo o telefone celular e o computador dele - , além da sua residência no bairro do Grajaú e do escritório da esposa.
Autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a Operação Placebo tem por objetivo investigar um esquema de desvio de dinheiro público na compra emergencial de equipamento para o combate ao novo coronavírus. Witzel deveria depor ontem na Polícia Federal, mas solicitou ter acesso primeiro aos autos, antes de se manifestar. Ele divulgou uma nota em que afirma não ter cometido nenhuma irregularidade, e que estaria sendo vítima de perseguição por parte do presidente da República.
O ex-subsecretário de Saúde do Rio de Janeiro, Gabriell Neves, foi preso no início deste mês, acusado de compras irregulares de respiradores, testes rápidos e máscaras para o atendimento das vítimas do novo coronavírus. Ele já havia sido exonerado pelo governador em abril, quando surgiram as acusações. Os contratos emergenciais, sem licitação, alcançaram cerca de um bilhão de reais.
Jair Bolsonaro (sem partido), ao ser perguntado pela imprensa, limitou-se a rir e dar os parabéns à Polícia Federal. Wilson Witzel é o quinto governador, dos últimos seis que o estado do Rio de Janeiro teve nos últimos anos, a ser investigado por corrupção. E os outros cinco já estiveram presos, sendo que Sérgio Cabral Filho ainda cumpre mais de 200 anos de prisão. É uma vergonha! Roubam e não se importam que milhares de pessoas estejam adoecendo e morrendo no Rio e em todo o país. fr
terça-feira, 26 de maio de 2020
Empresas jornalísticas deixam de cobrir presidente em frente ao Palácio do Alvorada por falta de segurança
Empresas jornalísticas anunciaram, ontem, terem sido obrigadas a se afastar da cobertura em frente ao Palácio do Alvorada, local onde o presidente Jair Bolsonaro costuma falar e responder algumas perguntas. O Grupo Globo, o jornal Folha de São Paulo e a TV Bandeirantes afirmam que os seus profissionais têm sido insultados e agredidos por apoiadores do governo.
Essas pessoas aglomeram-se próximo aos jornalistas, de quem ficam afastados apenas por uma pequena grade, que não costuma ser respeitada. E gritam ofensas em direção aos jornalistas, que estão trabalhando. Os seguranças do local não tomam nenhuma atitude para coibir a violência.
Alguns já foram até fisicamente agredidos, como uma repórter da Bandeirantes, que foi atingida com uma bandeira na cabeça por uma mulher. A profissional estava cobrindo manifestação de apoio ao presidente.
A fim de proteger a segurança de seus empregados, as empresas tomaram a decisão de não cobrir o local, que já havia sido adotada pelo jornal Correio Braziliense há mais de um mês:
“Há pelo menos 45 dias, o Correio não faz mais a cobertura presencial de Jair Bolsonaro, no portão do Palácio da Alvorada. A decisão foi tomada não apenas porque o jornal percebera que os apoiadores do presidente estavam cada vez mais exaltados. A retirada da equipe de cobertura deu-se também por motivos de saúde pública, pois a recomendação das autoridades é para que se evitem aglomerações e o contato próximo com pessoas sem a máscara de proteção.
A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) manifestou, em nota, apoio às posturas dos veículos de comunicação: “Esses ataques ganharam corpo e se tornaram mais graves, havendo, inclusive, agressões físicas a repórteres por parte da claque bolsonarista (…). A ABI saúda esta decisão e parabeniza as Organizações Globo e o Grupo Folha”.
Minha opinião: É lamentável e preocupante que em um país que se considera uma democracia, a liberdade de imprensa e o trabalho dos jornalistas sejam atacados bem próximo ao presidente, e este não manifeste uma única palavra contra. Em qualquer democracia, a imprensa é, e deve ser sempre, vista como imprescindível para a garantia constitucional que o cidadão tem de ser informado sobre o que acontece em seu país. Mesmo que desagrade aos políticos e governantes que, no momento, ocupam cargos públicos. E diante de tudo isso chega a ser também triste ver o papel de alguns veículos de comunicação, que apoiam cegamente o governo, como a TV Record e o SBT. Como pretendem conseguir benefícios em audiência e patrocínios diante da hostilidade com que o presidente trata a Rede Globo e outras empresas, comportam-se de forma omissa frente aos ataques que veem sendo cometidos contra os jornalistas da concorrência. Vergonhoso! fr



segunda-feira, 25 de maio de 2020
Cadeirante com réplica de arma tenta assaltar joalheria
Um cadeirante em uma cadeira motorizada foi preso, hoje, ao tentar assaltar uma joalheria na cidade de Canela, no Rio Grande do Sul. Apesar de ter paralisia cerebral e não poder mexer os braços, além de ser mudo, ele segurava com os pés um bilhete anunciando o assalto: “Passa tudo. Não chama atenção”. Na cadeira de rodas ele mantinha uma réplica de arma de fogo. Testemunhas chamaram a polícia, que o conduziu para a delegacia. Que coisa! 😲 fr

domingo, 24 de maio de 2020
"A Feiticeira" (1ª a 5ª temporadas)

Quando eu era criança, havia muitas reprises de seriados na TV, e uma das que eu gostava de assistir era “A Feiticeira” (“Bewitched”), que mostrava a vida nada normal de uma bruxa vivendo em família em um bairro de classe média nos Estados Unidos. Samantha é uma jovem que conheceu o publicitário James Stephens, eles se casaram e constituíram uma família. Nada mais “normal” se não fosse o fato de Sam ser uma bruxa, e o marido querer que ela seja uma mulher como as outras à época, uma dona de casa de classe média, sem fazer nenhuma bruxaria. É aí que começam as confusões... rsrs
O seriado teve oito temporadas, sendo originalmente exibido na rede de TV estadunidense ABC, de 17 de setembro de 1964 a 25 de março de 1972. Eu terminei de rever recentemente todas as cinco primeiras temporadas através do conteúdo disponibilizado pela minha operadora de TV paga; alguns poucos que faltaram eu assisti no Youtube. As duas primeiras temporadas foram originalmente em preto e branco, e as demais já a cores. Mas eu assisti tudo colorido, porque foi feito um processo de colorização no computador.

A atriz Elizabeth Montgomery (1933-1995) era a feiticeira Samantha. James Stephens foi interpretado por dois atores. Nas cinco primeiras temporadas por Dick York (1928-1992), mas ele foi obrigado a deixar a série devido às fortes dores que sentia na coluna, desde que sofreu um acidente de carro, que o faziam faltar às gravações. Ele não aparece em vários episódios das quarta e quinta temporadas, e a desculpa encontrada era que James estava viajando a trabalho. Em seu lugar, entrou Dick Sargent (1930-1994). O nome do personagem, no original, é Darrin, mas a tradução no Brasil optou pela mudança, a fim de facilitar a assimilação pelo público.
A verdade é que esse James Stephens era muito chato, com os dois atores, vivia sempre estressado, reclamando o tempo todo. Como é que alguém tem uma feiticeira do bem como esposa e não permite que ela use os seus poderes? Não para vantagens indevidas, claro, mas para facilitar a vida de sua família, e ajudar as pessoas. E esteja sempre rabugento? Se fosse comigo, eu não seria tão chato! kkkkk

A mãe de Samantha era a bruxa Endora (Agnes Moorehead, 1900-1974), que vivia visitando a filha, e não gostava de James, a quem chamava pelo nome errado, de propósito. Ela não aceitava o fato da filha ter escolhido abrir mão de usar os seus poderes para poder viver com um mortal. Maurice, o pai de Sam, separado de Endora, aparecia bem menos. Maurice Evans, o ator que interpretou o personagem, foi o macaco dr. Zaius em dois filmes da sequência "Planeta dos Macacos".
A Tia Clara, uma bruxa mais idosa e bastante atrapalhada, vivia colocando James em confusão, sem querer, é claro. É a tia preferida de Samantha e também muito querida por James. A atriz que a interpretou, Marion Lorne (1883-1968), foi tão cativante com o público, que, ao morrer, o seu personagem não foi substituído por outra atriz. A sua participação é, mesmo, um destaque, gostava muito das suas confusões. kkkkkk Nas últimas temporadas, entrou a tia Esmeralda (Alice Ghostley – 1923-2007), como babá dos filhos dos Stephens, uma bruxa também bem atrapalhada.

O casal Stephens teve dois filhos. A menina era Tabatha, que nasceu também bruxa, para desespero do pai. O nome foi a avó Endora que escolheu, por sua conta, mas James acabou aceitando. Inicialmente, um bebê aparecia nos episódios, e, mais tarde, duas atrizes gêmeas fizeram a personagem na primeira temporada, alternando-se: Erin e Diane Murphy. Nas temporadas seguintes, devido às mudanças físicas adquiridas com o tempo, elas passaram a se diferenciar, e Erin passou a ser a única Tabatha.
Mais tarde, nasceu o irmão, Adam, mas este puxou o pai, e não tinha poderes, era apenas mortal. Ele também foi interpretado por dois irmãos gêmeos: David e Greg Lawrence. A utilização de duas crianças para cada personagem foi devido à legislação estadunidense, que proibia crianças muito novas passarem muito tempo em trabalhos profissionais, daí a necessidade de alterná-las. Ainda havia outros bruxos, tais como o médico dr. Bombay (Bernard Fox – 1927-2016); o tio de Samantha, Arthur (Paul Lynde – 1926-1982), sempre com suas piadas sem graça e inoportunas; e a prima inconsequente, Serena, também interpretada pela atriz Elizabeth Montgomery.

Os vizinhos dos Stephens eram o casal da casa em frente, o aposentado Abner (George Tobias - 1901-1980) e a esposa intrometida, Gladys Kravitz, que causavam confusões muito engraçadas. Ela estava sempre olhando da janela para ver o que Samantha e o marido estavam fazendo, e ficava espantada toda vez que flagrava uma das magias de Sam, ou de sua filha. E corria para contar ao marido, insistindo que ele fosse conferir, e acabava sempre sem conseguir provar o que falava, o que fazia parecer estar maluca. Gladys Kravitz foi interpretada por duas atrizes. Alice Pearce (1917-1966) faleceu, vítima de câncer, ainda durante as gravações da segunda temporada. Em seu lugar, entrou Sandra Gould (1916-1999).
Entre os personagens de mais destaque, em minha opinião, ainda tem o patrão de James, o dono da agência de publicidade, Larry Tate (David White – 1916-1990). Apesar de ele e a esposa serem amigos da família, Larry estava constantemente ameaçando James de demissão, caso não fizesse o que ele queria para agradar aos clientes. A direção do programa, na maioria dos episódios, foi de William Asher (1921-2012), o terceiro dos quatro maridos da protagonista, Elizabeth Montgomery, com quem teve três filhos. Montgomery estava grávida do primeiro filho durante a primeira temporada de “A Feiticeira”. Os outros dois filhos nasceram em temporadas seguintes, e o período de gravidez foi aproveitado na série, dando origem aos dois filhos na ficção.

A abertura da série foi feita pela Hanna-Barbera (assista, mais abaixo, a abertura usada nas cinco primeiras temporadas, com o ator Dick York). Samantha fazia os seus feitiços mexendo o nariz, e, para isso, a atriz mexia os lábios de um lado para outro. Tabatha, para facilitar a atriz, ainda uma criança, mexia o nariz com o dedo. À época das filmagens, os efeitos especiais não eram os mesmos de atualmente, e a maioria dos feitiços eram feitos manualmente, com truques com fios transparentes, por exemplo. Mas eram muitos bons, ainda hoje.
A série mostrava uma sociedade machista, em que o homem era o responsável pelo sustento da família, e a mulher casada era a “dona de casa”, que cuidava do lar e dos filhos. As roupas das pessoas no seriado chamam a atenção. Os homens, quase sempre, vestindo terno, e as mulheres calçando luvas. Entre os atores que fizeram participações no seriado, que eu anotei, estão: Raquel Welch; Adam West e Magde Blake (o Batman e a tia Harriet, da série clássica da TV); Jonathan Harris, June Lockhart e Billy Mumy (o dr. Smith, a Maureen Robinson e o Will Robinson, da série “Perdidos no espaço”); e Bill Daily ( o major Healey, de “Jeannie é um gênio”).
Em 2005, foi lançado o filme “A Feiticeira” (“Bewitched”), com Nicole Kidman e o chato Will Ferrell. Na estória, Ferrel era um ator em um mau momento da carreira, que iria interpretar James Stephens na refilmagem do seriado, e procurava uma atriz para interpretar Samantha. Ele encontra Isabel, uma bruxa que desejava viver uma vida normal, sem feitiçaria, e a considera perfeita para o papel, apesar de não ser atriz. Ela aceita porque acredita ser a oportunidade de conseguir o que queria. O filme ainda teve a participação de atores como Shirley MacLaine, Michael Caine e Steve Carell, e não teve muito sucesso junto à crítica e ao público. Eu também não gostei.fr 







sábado, 23 de maio de 2020
Dica de livro: "A escrava Isaura"
“A escrava Isaura”, Bernardo Guimarães; São Paulo, editora Martin Claret, Coleção A obra prima de cada autor, 2006, 176 páginas.

O fazendeiro obrigava Juliana a ter relações com ele, e quando a esposa descobriu, castigou a escrava mandando-a para a senzala, onde ela foi acolhida pelo feitor Miguel, um português que tratava os escravos com humanidade. Os dois tiveram uma filha, Isaura, uma menina branca, mas nascida na escravidão.
Ao descobrir a união de Juliana e Miguel, o comendador despediu o feitor, e passou a submeter a escrava a severos castigos, o que a levou à morte. Isaura não chegou a conhecer a mãe, mas passou a receber a proteção da esposa do comendador, que a tratou como filha, dando-lhe ótima educação, ensinando-a a ler e a escrever, tocar piano, dançar, falar italiano e francês. Com mais idade, Isaura passou a ser sua mucana, assim como a mãe dela tinha sido. Além de a mais bela moça da região, admirada pelos homens e invejada pelas mulheres, era boa com todos, mas ciente e resignada com a sua condição de escrava.
O único filho do comendador Almeida era Leôncio, um jovem que puxou os defeitos do pai: “era um digno herdeiro de todos os maus instintos e da brutal devassidão do comendador”. Arrogante, perdulário e prepotente, ele nunca gostou de estudar, passou a morar na Europa, gastando o dinheiro da família. Aos 25 anos, decidiu voltar para Campos e casar-se, a fim de conseguir parte de sua herança mais cedo. O seu casamento com Malvina, filha de um rico negociante da Corte, foi uma união combinada pelos pais, e ele nunca chegou a amá-la.
Após o casamento, Leôncio passou a morar na fazenda com Malvina e a mãe. O comendador, já muito idoso e doente, decidiu morar na Corte, aproveitando o fim da vida, o que não causou nenhuma contrariedade à sua esposa, que sabia de sua infidelidade e caráter. A administração da fazenda foi passada a Leôncio, que se encantou logo com a beleza de Isaura, assim que a viu, após anos sem encontrá-la, afinal passara anos fora do Brasil.
Com a morte da mãe de Leôncio, Malvina começou a se afeiçoar por Isaura, que passou a ser sua mucama, amiga e companheira. A mãe de Leôncio, no final da vida, desejava incluir Isaura em seu testamento, deixando registrado que, após a sua morte, ela deveria ser libertada e receber um legado suficiente para se manter. Mas, o comendador sempre protelou essa decisão, e isto nunca foi feito. Eu considero que foi, na realidade, uma atitude egoísta da mãe de Leôncio, que poderia ter intercedido pela alforria de Isaura há bem mais tempo, mas temia perder sua companhia. Malvina passou a cobrar do marido a liberdade de Isaura.
A beleza de Isaura encantou o irmão de Malvina, Henrique, em visita à fazenda; o pajem André, e o jardineiro Belchior, um homem corcunda e considerado repulsivo. Ela, no entanto, não aceitava nenhuma das promessas que recebia, nem mesmo do próprio Leôncio, porque desejava um homem a quem amasse.
Malvina flagrou uma das investidas do marido sobre Isaura, e ficou revoltada com o seu comportamento, exigindo que Leôncio libertasse Isaura e a mandasse embora. Leôncio não aceitava se afastar de Isaura, nem quando o pai dela conseguiu recolher os dez contos de réis exigidos pelo comendador para pagar pela sua liberdade.
Com a morte do comendador, Leôncio assumiu todas as propriedades. Inconformada com a negativa do marido, Malvina foi para a casa dos pais, com Henrique. Leôncio passou a castigar Isaura, mandando-a trabalhar com as escravas tecendo lã e algodão, e, como ela não aceitava suas propostas, passou a ameaçar colocá-la no tronco: “ou o meu amor, ou o meu ódio”. O destino de Isaura estava repetindo os últimos dias de sua mãe, que morreu com os castigos físicos sofridos a mando do comendador, e ela estava disposta a se matar para se livrar desse sofrimento. Desesperado, Miguel usou o dinheiro que tinha para a alforria da filha, e fugiram para Recife.
Vivendo com novos nomes, os dois procuraram não chamar a atenção, mas, novamente a beleza de Isaura acabou sendo o seu maior problema na sociedade do século 19. Álvaro, um jovem rico, liberal, republicano e abolicionista, apaixonou-se por Isaura ao vê-la quando fazia um passeio a cavalo. E o amor foi correspondido. Isaura e Miguel cederam à insistência do rapaz, que não sabia do passado dos dois, e o acompanharam a um baile.
Isaura acabou sendo reconhecida por um ganancioso estudante da região, que a viu em um dos anúncios que Leôncio mandou publicar em jornais do país, descrita, com seus detalhes físicos, e quis a recompensa oferecida. Durante o baile, conseguiu um mandado de apreensão e a presença de um oficial de justiça para deter Isaura. (Como é que ele conseguiu tudo tão rápido, não ficou esclarecido?.... 😃 😃 😃) No final, Martinho não conseguiu receber a recompensa.
Isaura e Miguel foram detidos, apesar da interferência de Álvaro, que não se importava de Isaura ser uma escrava, condição que ele considerava um absurdo. “Pode um homem ou a sociedade inteira contrariar as vistas do Criador, e transformar em uma vil escrava o anjo que sobre a Terra caiu das mãos de Deus?...”
Isaura voltou para a senzala, e o pai foi obrigado a pagar as despesas que Leôncio teve para buscar a filha, passando a pagar com trabalho. Leôncio conseguiu desculpar-se com Malvina, e que ela voltasse para a fazenda. Com a intenção de se vingar de Isaura e de Álvaro, ele impôs a Miguel e à filha, que aceitassem o casamento dela com o corcunda Belchior. Leôncio falsificou uma carta que seria de Álvaro, em que ele dizia estar se casando, e prometeu a Miguel o perdão da dívida e uma ajuda na nova vida deles.
Diante da suposta mudança de Álvaro, Isaura acabou conformando-se com o destino infeliz. A reviravolta se deu com a chegada do jovem à fazenda, em Campos, afirmando que era o novo proprietário de todos os bens de Leôncio, inclusive Isaura, a quem deu a imediata alforria. O cruel fazendeiro, assim com o pai, nos últimos dias de vida, tinha esbanjado a fortuna, e feito dívidas que representavam o dobro do que possuía. Em desespero, Leôncio entrou em casa e se matou com um tiro.
O livro foi publicado em 1875, quando a campanha abolicionista ganhava força no país, e alcançou um grande sucesso, que permanece até hoje. O autor, Bernardo Guimarães, é o patrono da cadeira número 5 da ABL (Academia Brasileira de Letras). Em 1976, a Rede Globo adaptou o texto para novela, com Lucélia Santos no papel principal, exportando-a para mais de cem países no mundo. Em 2004, a TV Record também filmou a estória, mas sem o mesmo sucesso da concorrente.
À época, a escravidão ainda era considerada algo aceitável para a maioria das pessoas, e era algo reconhecido pelas leis. Não apenas no Brasil, mas em outros países. Eu acredito que tenha sido, justamente, para vencer essa visão da época, que o autor tenha decidido que a personagem seria uma escrava branca. Assim, talvez, foi a maneira de fazer com que muitos dos seus leitores e leitoras tenham se colocado no lugar de Isaura. fr
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Novo coronavírus antecipa os vencedores de campeonatos nacionais pelo mundo
Com a disseminação
do novo coronavírus, a maioria dos países
decidiu interromper os seus campeonatos nacionais. Alguns têm optado por
encerrar a competição e decidir o seu campeão pela classificação onde ela
parou, ou não ter um campeão. Na França, o Paris Saint-Germain (PSG) do brasileiro Neymar foi declarado
campeão, conquistando o sétimo título nacional nos últimos oito anos. A Bélgica
fez o mesmo, e o Club Brugge é o campeão daquele país. Outro país a declarar
antecipadamente o seu campeão foi a Escócia, e o vencedor é o Celtic.
Países como Países Baixos (Holanda), Argentina e México decidiram
que os seus campeonatos nacionais não terão campeões este ano. Assim como no
futebol, outros esportes estão passando pela mesma situação. É claro que diante
do número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e ficaram doentes, e até
morreram, o que está ocorrendo no esporte é um mal menor. Mas os efeitos do
coronavírus têm se espalhado por diversos setores da vida no mundo, e no
esporte não poderia ser diferente. Outros países poderão vir a ter que encerrar
os seus campeonatos, declarando um campeão ou decidindo não ter um. É um mal
menor, mas não pode deixar de ser lamentado também. fr
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Número de mortes pela Covid-2019 no Brasil ultrapassa 20 mil
Hoje, quinta-feira, o Brasil alcançou a triste marca de 20.047 mortes devido à Covid-2019, sendo 1.188 somente registradas nas últimas 24 horas (não significa que tenham ocorrido no mesmo período, mas, sim, registradas). E 310.087 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus; 164.080 em acompanhamento e 125.960 recuperadas. Os números são oficiais, divulgados pelo Ministério da Saúde, portanto, os números reais de contaminados e mortes devem ser ainda maiores, infelizmente. Triste! fr
quarta-feira, 20 de maio de 2020
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