SEJA ÉTICO

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segunda-feira, 12 de julho de 2021

Filha usa vinho guardado há 17 anos pelo pai para fazer sangria

Imagina a situação: um espanhol, de 56 anos, guardou uma garrafa do vinho francês Petrus durante 17 anos, ou seja, desde o ano de 2004, quando foi comprado. A intenção era abri-la em um momento especial. Mas a filha, de 19 anos, convidou uns amigos para uma reunião na sala de casa e, sem saber o quanto aquele vinho era especial para os pais, abriu a garrafa para fazer uma sangria, ou seja, uma mistura de vinho, frutas, açúcar, gelo e outros ingredientes, a gosto. A garrafa do vinho custa algo em torno de 2.500 euros, o correspondente, hoje, a cerca de 15.500 reais. O espanhol lamentou muito a sua distração e prejuízo: “A garrafa costumava ficar escondida no porão, mas eu a tirei recentemente para mostrá-la a um amigo, e não tive tempo de guardá-la.”. Sangria cara essa!... 😵fr

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Dica de livro: "O nome da rosa"

“O nome da rosa”
, Umberto Eco, tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Ereitas de Andrade; Rio de Janeiro, editora Record, s/ano, 571 páginas (Coleção Mestres da Literatura Contemporânea, vol. 4).

        Eu conclui a leitura de mais um livro. Lançado em 1980, este foi o primeiro romance do italiano Umberto Eco (1932-2016), professor de Semiótica, filósofo, linguista e bibliófilo. O autor explica logo no início como surgiu a ideia de escrever o livro. Em agosto de 1968, em Praga, pouco antes da invasão soviética, ele encontrou um livro de “um certo abade Vallet”, na verdade a tradução para o francês que ele fez de um manuscrito em latim do século 14, escrito por um noviço de nome Adson, no mosteiro de Melk, na Áustria.
        Umberto Eco ficou fascinado com a história, e traduziu o texto à mão em vários cadernos; o original do livro acabou se perdendo, ficando com um conhecido. Eco passou a pesquisar sobre o assunto. O noviço Adso narra, provavelmente no final do século 14, quando já estava bem idoso, acontecimentos passados no final de novembro de 1327,
        “Pensando bem, bastante escassas eram as razões que pudessem inclinar-me a publicar a minha versão italiana de uma obscura versão neogótica francesa de uma edição latina seiscentista de uma obra escrita em latim por um monge germânico em fins do século XIV.”, reflete o autor. Mas, após pouco mais de uma década após ter encontrado o livro de Vallet, decidiu-se por desenvolver a sua história, baseada nos relatos de Adso de Melk.
        O livro mescla personagens fictícios com personalidades históricas, e faz diversas citações em latim, mas sem tradução. É narrado em primeira pessoa pelo monge Adson, já idoso, em sua cela no mosteiro de Melk, e conta os acontecimentos que viveu e presenciou no final de 1327, quando ainda era um adolescente noviço. Adso era discípulo e escrivão do frei franciscano Guilherme de Baskerville, um ex-inquisidor inglês que foi incumbido pelo imperador Ludovico de investigar a morte suspeita de um monge em uma abadia na Itália, cujo nome Adso prefere não informar.
        Frei Guilherme era bastante experiente e perspicaz, o que lhe envaidecia muito, descrito por Adson como já “muito velho”, com os seus 50 anos prováveis, o que era uma idade bem adiantada para a Idade Média. A investigação ocorre dentro de um contexto histórico, que precisa ser entendido pelo leitor, basta uma pesquisa rápida sobre os personagens envolvidos. E se o leitor gostar de História, como eu, fica tudo mais prazeroso.
        Em 1327, havia uma grande disputa entre o imperador Ludovico, Luís 4 do Sacro Império Romano-Germânico, e o papa francês João 22, que decidiu governar em Avignon, em seu país natal, não em Roma. Ludovico governava uma grande região da Europa, que incluía a Itália. João 22 condenava o princípio da pobreza evangélica, defendida pelos Franciscanos, por acreditar que isso enfraqueceria a Igreja diante dos mais poderosos.
        O papa perseguiu vários grupos franciscanos, considerados hereges. E justamente nesse clima, foi realizado um encontro na abadia entre representantes do papa e do imperador, inimigas por suas interpretações opostas do Evangelho. Não houve nenhum resultado devido às mortes ocorridas naqueles dias, que levaram a um julgamento inquistório sobre um pretenso culpado, que, na realidade, não era o verdadeiro criminoso responsável pelas mortes.
        Á medida em que frei Guilherme interpelava os monges da abadia convenceu-se que havia um grande mistério por trás da morte que deveria investigar. E esse mistério tinha a ver com a biblioteca do mosteiro, a de maior acervo cristão à época, mas também com livros vistos como hereges, cujo acesso ele e ninguém mais estava autorizado, somente o bibliotecário e o seu ajudante. Os livros somente podiam ser consultados com autorização do bibliotecário, ou, em alguns casos, do próprio abade.
        Naquele tempo, anterior à invenção da Imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg, que somente viria ocorrer no século seguinte, os livros precisavam ser manuscritos, e para se ter uma cópia de alguma obra, deveria ser exaustivamente transcrito. Frei Guilherme e Adso descobrem relacionamentos proibidos entre monges e entre estes com mulheres da localidade, além de rivalidades entre os religiosos.
        O mistério torna-se ainda maior durante os sete dias em que os dois estiveram na abadia com a ocorrência de mais mortes. E tudo levava a um livro que foi roubado da biblioteca e alguém queria retomá-lo para que não fosse lido por mais ninguém. Na Idade Média, muitos religiosos defendiam que o riso deveria ser combatido, por ser algo associado ao maligno, e que as pessoas precisavam valorizar comportamentos mais austeros.
        Aqueles que tinham essa convicção procuravam justificá-la com a discutível crença de que Jesus Cristo nunca tinha rido, ou, pelo menos, não havia registro disso nos textos bíblicos. Jorge de Burgos, um ancião cego, que conhecia todos os livros do acervo da biblioteca por ter exercido essa função anos antes, quando podia enxergar, era um dos que acreditavam nessa regra:
        “As comédias eram escritas pelos pagãos para levar os espectadores ao riso, e nisso faziam mal. Jesus Nosso Senhor nunca contou comédias nem fábulas, mas apenas límpidas parábolas que alegoricamente nos instruem sobre como alcançar o paraíso, e assim seja. (...) O riso sacode o corpo, deforma as linhas do rosto, torna o homem semelhante ao macaco.”
        A seguir, vou adiantar alguns acontecimentos do livro, portanto, quem não desejar ter conhecimento antecipado, precisa decidir se quer continuar lendo o meu texto ou não.
        Frei Guilherme e Adso acabam por descobrir o responsável pelas mortes na abadia, e a razão delas terem acontecido. Jorge de Burgos protegeu durante anos a única cópia do segundo livro da Poética, de Aristóteles, considerado perdido, e no qual o filósofo trataria da Comédia. De fato, o filósofo escreveu um livro com o título “Poética”, sobre a poesia e a arte em geral, e acredita-se que tenha existido um segundo livro, ou seja, uma continuação, da qual ele trataria da Comédia, mas este nunca foi encontrado. A intenção de Jorge de Burgos era impedir o que ele considerava a desvirtuação da ordem, com a legitimação do riso, em que as pessoas do povo não temessem mais os seus líderes.
        “O riso distrai, por alguns instantes, o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. (...) se o riso é o deleite da plebe, que a licença da plebe seja refreada e humilhada, e amedrontada com a severidade. (...) Os simples não devem falar. Esse livro teria justificado a ideia de que a língua dos simples é portadora de alguma sabedoria. Era preciso impedir isso, foi o que fiz.”
        Descoberto, o monge Jorge de Burgos passou a rasgar o livro, a fim de evitar que ele pudesse ser lido por mais alguém. Frei Guilherme e Adson tentaram impedi-lo, mas ele conseguiu agarrar o lume (artefato a óleo utilizado para iluminação à época) e jogá-lo nos livros, dando início a um incêndio. O livro de Aristóteles, a biblioteca e praticamente todos os edifícios da abadia foram destruídos, assim como o monge morreu.
        Jorge de Burgos foi o responsável pela morte do abade, ao prendê-lo em uma passagem da biblioteca e ele morrer sem ar, as demais mortes estavam ligadas ao interesse dos monges em conhecer o conteúdo do livro misterioso. Jorge manipulou outros monges, de acordo com os seus interesses para que o livro permanecesse inacessível. “O nome da rosa” era uma expressão usada durante a Idade Média para representar o enorme poder das palavras. O livro foi adaptado para o cinema em 1986, com a direção do francês Jean-Jacques Annaud, e Sean Connery como o frei Guilherme. fr 

"O nome da rosa" (1986)

O NOME DA ROSA (“Le nom de La rose”)
Co-produção França, Itália e Alemanha Ocidental; 1986, Suspense
Direção: Jean-Jacques Annaud
Com: Sean Connery, Christian Slater, Feodor Chaliapin Jr., Ron Perlman, F. Murray Abraham
       Eu já tinha visto o filme há muito tempo, mas resolvi assistir novamente, agora que eu acabei de ler o livro do Umberto Eco. É a história de mortes misteriosas em uma abadia na Itália, em plena Idade Média, motivadas por um livro que desejam esconder. O filme faz muitas alterações em relação ao texto do livro de Umberto Eco, além de inverter a ordem de alguns acontecimentos. Algumas mudanças são compreensíveis para a adaptação, mas muitas não têm nada a ver com a história original.
       O personagem Salvatore, por exemplo, é descrito por Umberto Eco com feições animalescas, e no filme isso foi exagerado, ele ganhou uma corcunda e até revirava o cemitério em busca de ratos. Isso não faz sentido, já que ele era o ajudante do responsável pela despensa da abadia e tinha acesso fácil à comida. E Salvatore tentou matar frei Guilherme de Baskerville, jogando nele um tijolo do alto da abadia, o que nunca aconteceu no livro.
       Outra inclusão no filme foi a prática de autoflagelo por Berengário, o ajudante do bibliotecário, também não descrita no livro. No filme, o frei Guilherme sofre um acidente dentro da biblioteca, quase caindo de um alçapão e morrendo; mais uma vez isso não acontece na obra de Eco. As piores alterações, em minha opinião, mostram frei Guilherme contestando o inquisidor Bernardo Gui, representante papal, para defender pessoas acusadas de heresia.
       As decisões da Inquisição não podiam ser confrontadas, o que fez com que Bernardo Gui decidisse que Guilherme deveria ser levado à presença do papa João 22 para uma punição. Salvatore, Remigio e a jovem camponesa com quem Adso teve relações sexuais, foram condenados à fogueira pelo inquisidor e queimados no próprio local, sendo que a moça conseguiu ser salva pelos moradores da região, que perseguiram Bernardo Gui, e este, ao tentar fugir, tem a sua carruagem atolada e jogada de um penhasco, vindo a morrer. No final do filme, o noviço Adso chega a ficar em dúvida se seguiria com o seu mestre ou ficaria com a jovem, decidindo partir.
       No livro de Umberto Eco, nada disso aconteceu! Frei Guilherme não entrou em choque direto com Bernardo Gui, que partiu com os três acusados de heresia para terem suas sentenças confirmadas pelo papa, inclusive com a jovem camponesa, antes mesmo do incêndio que destruiu a abadia e a biblioteca. Quem não leu o livro, claro, não tem como identificar todas essas alterações, e outras, e pode até gostar do filme. Sean Connery está muito bem como frei Guilherme. Mas, para quem leu, com certeza fica uma sensação de que o filme conta uma outra história, e o livro é apenas o ponto de partida. fr 

"O nome da rosa" (trecho do filme)

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Frases interessantes da internet

Frases interessantes da internet, sem autoria informada:

81. “Que bom seria se as pessoas fossem felizes como aparentam; estivessem apaixonadas como publicam; e fossem tão sinceras como dizem.”

82. “Só o dono da casa sabe onde ficam as goteiras. Então, não aceite críticas de quem não sabe nada do que você passa. Somente você sabe das suas lutas e das suas dores.”

83. "Não há glória ou mérito na vitória obtida fora dos regulamentos, ou para a qual não se desenvolveu esforço pessoal."

84. "Não roube. O governo não suporta concorrência." (No vidro de um carro.)

85. "Não podemos evitar que os pássaros da tristeza voem sobre nossas cabeças; mas podemos evitar que façam ninhos em nossos ouvidos." (Provérbio chinês)

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Os melhores programas da TV brasileira (4) - SHOW DO MILHÃO

          Eu gosto muito de programas de perguntas, lembro do J. Silvestre, mas eu era criança na época. O ‘Show do Milhão’ foi um programa do SBT, apresentado pelo Silvio Santos, e fez muito sucesso entre 1999, inicialmente com o nome ‘Jogo do Milhão’, e 2003, chegando a virar vários tipos de jogos. O prêmio máximo era, claro, de um milhão de reais, que somente chegou a ser entregue uma única vez, para o bancário aposentado sul-mato-grossense Sidiney de Moraes, em 2003.
          Sidiney de Moraes contou, depois, que estudou muito, e chegou a comprar uma enciclopédia, além de assistir todos os programas e anotar em vários cadernos as perguntas que apareciam. O participante podia pular três vezes as perguntas que desconhecesse a resposta; pedir ajuda às cartas, tirando uma de quatro cartas, que eliminariam 1 a 4 respostas; e pedir ajuda aos universitários, que, em geral, nunca sabiam nada. 😀😀 Foram 18 perguntas, das quais duas Sidiney não sabia e pulou.
          A pergunta decisiva foi sobre a data de nascimento e a data de registro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 6 e 27 de outubro. O Silvio Santos sempre bajulando os presidentes da República! 😀😀 Sidiney de Moraes afirmou ter dado 100 mil reais para cada um dos dois filhos, e quantias menores para outras pessoas, além de comprar um apartamento e um carro, guardando o restante. A esposa dele 
faleceu em 2007.
          O programa ‘Show do Milhão’ deve retornar à programação do SBT em breve, com a apresentação de Celso Portiolli. A participação de Sidiney de Moraes foi em dois programas, o primeiro até a pergunta de 500 mil reais, e semanas depois a pergunta de um milhão. Assista abaixo.fr

terça-feira, 6 de julho de 2021

O mundo em peso condena o bloqueio dos EUA a Cuba

O mundo mais uma vez se manifestou contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, desde 1962, que já causou cerca de 150 bilhões de dólares de prejuízos à economia cubana ao longo desse tempo. No dia 23 de junho, a ONU (Organização das Nações Unidas) votou uma resolução proposta por Cuba contra o bloqueio, exigindo que ele seja, enfim, encerrado. O mundo em peso manifestou-se contra o bloqueio: foram 184 países votando a favor do seu encerramento, três que se abstiveram e somente dois votos contra (os Estados Unidos, claro, e Israel). De acordo com a revista Carta Capital, o Brasil foi um dos três países que se abstiveram de votar, junto com Ucrânia e Colômbia. É uma posição surpreendente, já que em 2019, o governo do presidente Jair Bolsonaro votou contra, após anos seguidos em que o Brasil se manifestou favorável ao fim do bloqueio. Em 2020, não houve votação da resolução devido à pandemia do coronavírus.

É o 29º ano que o mundo condena o bloqueio, mas a resolução da ONU não tem o poder de impor a vontade mundial aos Estados Unidos. O bloqueio somente pode ser encerrado através de decisão do Congresso estadunidense. É curioso os Estados Unidos insistirem nesse ataque a Cuba, mesmo após o fim da Guerra Fria, e até hipócrita, já que se a motivação era o fato de Cuba ser uma ditadura comunista, por que, então, não fazem também um bloqueio à China, a maior ditadura comunista do mundo? A verdade é que os Estados Unidos não estão preocupados com a democracia ou com os direitos humanos em Cuba, nem em lugar nenhum do mundo, mas apenas com os negócios que deixa de lucrar no país caribenho. Lucros dos quais os Estados Unidos não abrem mão continuando comercializando com a China, onde têm diversas empresas instaladas. Negócios são negócios!

Minha opinião:

Não simpatizo com o comunismo, muito menos com regimes ditatoriais, sejam eles de esquerda ou de direita! Mas nenhum país deve se comportar como um xerife, impondo a sua opinião aos demais. Quem mais perde com os prejuízos de bilhões de dólares anuais é o povo cubano. Tem que haver outras medidas diplomáticas para conduzir um país à democracia. O grande problema é que as grandes potências mundiais não admitem que países dentro de sua área de dominação, como é o caso da América Latina para os Estados Unidos, adotem posturas independentes. Eu desejo a Cuba o mesmo que desejo ao meu país e a todos os outros países do mundo: democracia, justiça social, desenvolvimento e distribuição de renda, mas sem abrir mão de sua soberania. Seja para os Estados Unidos, a Rússia ou que país for. fr

Há 29 anos o mundo exige o fim do bloqueio, será que todos estão errados?

 

domingo, 4 de julho de 2021

Justiça obriga CBF explicar porque o Brasil é o único país a não ter a camisa 24 na Copa América

        A humanidade avança com o tempo em vários aspectos, como as inovações tecnológicas e científicas, por exemplo, mas permanece atrasada no que diz respeito ao preconceito e à ignorância. A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) explicasse a razão de a seleção brasileira não ter a camisa 24 em seu elenco na Copa América, atualmente disputada no Brasil. A numeração passa do número 23 imediatamente para o 25.
        O juiz da 10ª Vara Cível atendeu à solicitação do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, e na sexta-feira, dia 2, deu um prazo de 48 horas para a CBF esclarecer a situação, sob pena de multa diária de R$ 800. Ontem, a Confederação deu uma explicação nada convincente, afirmando que a decisão se deu devido à ampliação pela Conmebol do número de jogadores por cada seleção, antes de 23 atletas.
        "A comissão técnica sentiu-se confortável em convocar apenas mais um jogador, além dos 23 inicialmente inscritos, e, para esse jogador, em razão de sua posição (meio-campo) e por mera liberalidade, optou-se pelo número 25. Como poderia ter sido 24, 26, 27 ou 28, a depender da posição desportiva do jogador convocado: em regra, numeração mais baixa para os defensores, mediana para volantes e meio campo, e mais alta para os atacantes."
        Como se vê, uma “explicação” ridícula, que tenta justificar o injustificável. O Brasil é o único dos dez participantes da Copa América, a excluir a camisa 24, número associado, em nosso país, à homossexualidade. Grande besteira, e enorme atraso. Como se um homem deixasse de ser hetero apenas pelo número da camisa que veste. Mas, como todo preconceituoso é covarde, ele nunca assume claramente suas posições, preferindo sempre se esconder atrás de desculpas esfarrapadas. Uma vergonha para o nosso país! fr 

sábado, 3 de julho de 2021

"O menino da bolha de plástico" (1976)

O MENINO DA BOLHA DE PLÁSTICO (“The boy in the plastic bubble”)
EUA, 1976, Drama
Direção: Randal Kleiser
Com: John Travolta, Glynnis O’Connor, Robert Reed, Diana Hyland, Ralph Bellamy
Eu assisti a este filme quando era adolescente, depois nunca mais vi passar na televisão. Hoje, eu consegui assistir na Rede Brasil, valeu a pena ter pedido à emissora que passassem o filme. Foi o primeiro papel de protagonista de John Travolta, então com apenas 22 anos. Produzido para a TV dos Estados Unidos, ele conta a história de Tod Lubitch, que nasceu com uma rara doença em que o seu sistema imunológico não tinha defesas contra germes e vírus, e um simples resfriado poderia matá-lo. Desde que nasceu, ele viveu dentro de um recipiente que o protegia do exterior, primeiro no hospital, e depois em casa, em um quarto adaptado para sua proteção. Ele não podia ter contato com ninguém, nem mesmo os seus pais, e tudo com que tinha contato tinha que ser esterilizado antes. Na adolescência, Tod apaixona-se pela vizinha, uma menina de sua idade. O filme é baseado em casos reais, como o do menino David Vetter, nascido em 1971, que chegou a passar por um transplante de medula óssea em 1984, doada por sua irmã, mas acabou morrendo dias depois. Foi constatado que David sofreu infecção por um vírus na medula doada pela irmã, não detectado nos exames anteriores ao transplante. Bom, depois de tanto tempo, enfim, consegui rever o filme. fr

Reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre o menino David Vetter (1975)

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Carro-voador é testado na Eslováquia e mostra como vai ser o futuro

       Não parece haver limites para as inovações tecnológicas. O que há 50, 100 ou 200 anos seria algo impensável, e até mesmo inaceitável para muitos, hoje em dia é visto como algo do cotidiano, totalmente comum. Por exemplo, ligar uma televisão e ver e ouvir pessoas ao vivo; viajar pelos céus em aviões ou pelo mar em navios; transplantes de órgãos humanos; telefones celulares e luz elétrica, para citar apenas alguns exemplos.

       Mais uma invenção que promete ser incorporada nos próximos anos: o carro-voador. Na segunda-feira passada, dia 28, um protótipo foi experimentado na Eslováquia, fazendo um voo entre os aeroportos internacionais de Nitra e Bratislava em 35 minutos. É o carro-avião híbrido AirCar, com motor Honda e gasolina comum. De acordo com o inventor, o professor Stefan Klein, o carro voador pode voar em uma altura de dois mil e quinhentos metros, o que é superior à altura do maior edifício existente atualmente no mundo, o Burj Khalifa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com 828 metros.
       Segundo Stefan, o carro pode voar por cerca de mil quilômetros, já atingiu a velocidade de 170/h e voou por 40 minutos. O carro-voador necessita de dois minutos e 15 segundos para passar de carro a aeronave, podendo transportar duas pessoas e um limite de peso total de 200 quilos. Mas, para decolar e pousar tem que ser em uma pista, não conseguindo fazê-lo verticalmente, como outros protótipos já apresentados pelo mundo.
       O mercado promete ser muito promissor, já que há milhares de pessoas interessadas em comprar veículos híbridos como este, e várias empresas desenvolvendo projetos semelhantes. Há projetos para desenvolver modelos com capacidade para mais pessoas, inclusive táxis e ônibus voadores. Enfim, é a ficção-científica tornando-se realidade. Eu fico imaginando como será o futuro, com o céu ocupado por diversos carros, táxis e ônibus voadores, que confusão vai ser! É esperar para ver. Em 1962 e 63 o desenho ‘Os Jetsons” já previu o uso desses carros. fr

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Torcedora francesa provoca acidente grave em etapa do Tour de France de Ciclismo

Uma enorme besteira fez uma “torcedora” durante a primeira etapa do tradicional Tour de France, em Brest Landerneau, no sábado passado, dia 26. Apenas preocupada em aparecer nas imagens da transmissão de TV, ela se posicionou de costas para os ciclistas, segurando um cartaz, e causou um acidente gravíssimo, logo após a largada. Um ciclista atingiu a moça, perdendo o equilíbrio e atingindo o ciclista ao lado, e, assim, vários outros foram derrubados. Alguns ciclistas acabaram por não poder retornar à corrida devido aos ferimentos, sendo bastante prejudicados, claro. O vencedor foi Julian Alaphilippe. No cartaz que a infeliz da mulher segurava estava escrito “Allez opi-omi”, uma mistura de francês e alemão, podendo ser traduzido para “Vai vovô”. A “torcedora” fugiu do local, mas, diante da repercussão e sabendo estar sendo procurada pela polícia, entregou-se hoje em uma delegacia. A mulher é francesa e tem 30 anos, e responderá a um processo, podendo ser condenada à prisão e também ao pagamento de uma multa. Os organizadores do Tour de France lamentaram o ocorrido e pediram aos torcedores que desejam acompanhar de perto as etapas que se comportem. fr

terça-feira, 29 de junho de 2021

Dica de filme: "Sétimo"

SÉTIMO (“Séptimo”)
Argentina, 2014, Suspense
Direção: Patxi Amezcua
Com: Ricardo Darín, Belém Rueda, Osvaldo Santoro, Guillermo Arengo
No dia de uma importante audiência do principal cliente do escritório em que trabalha, o advogado criminal Sebástián (Ricardo Darín) vai ao apartamento da ex-esposa, Delia (Belém Rueda) pegar o casal de filhos para levar à escola. O casal se separou devido à traição de Sebastián com a melhor amiga de Delia, que deseja levar os filhos para a Espanha, mas ele não aceita. Como sempre fazem, Sebastían desce do sétimo andar pelo elevador, antigo e lento, enquanto as crianças descem pela escada, disputando quem chegaria primeiro. Mas, ao chegar ao térreo, os seus filhos ainda não tinham chegado, e não estavam em nenhum dos andares. Sem entender como as crianças poderiam desaparecer dentro do prédio, e desesperado, ele recorre à ajuda de um vizinho policial (Osvaldo Santoro), com quem não se dava bem. Os moradores dizem não ter visto as crianças. Um telefonema exige cem mil dólares de resgate para a devolução das crianças. Uma situação inusitada, mas que acaba prendendo a atenção. Eu indico. fr

"Sétimo" (trailer)

 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Eu brinquei com as antigas fichas dos ônibus 👦

Eu ainda era bem criança e lembro das antigas fichas usadas para andar nos ônibus do Rio de Janeiro. Na realidade, eu não cheguei a usá-las porque era muito novo, mas me lembro delas porque, como criança, gostava de brincar com elas. Pesquisando na internet, vejo que elas foram de diferentes materiais ao longo das décadas: ferro, acrílico e plástico. A pessoa entrava pela porta da frente do ônibus e dizia ao trocador aonde ia, ou seja, onde iria descer, e pagava pelo trajeto, recebendo uma ficha com a cor correspondente. Quanto mais distante, mais caro.  Ao descer, era para colocar a ficha em uma caixa, mas muita gente não devolvia, seja por esquecer ou para dar para os filhos brincarem. Em alguns locais, entravam os fiscais para verificar se os passageiros estavam com as fichas. Com o tempo, elas foram substituídas por fichas em papel, e, depois, esta forma de controle também acabou, provavelmente no início da década de 1980, sendo aceito apenas dinheiro, e, muito depois, o atual cartão de débito. Em algumas páginas de vendas na internet, eu vi anúncios de pessoas vendendo essas fichas como raridades. Em uma delas, 30 fichas estavam sendo vendidas por 299 reais, só não sei se chegaram a vender por esse preço, acredito que não, porque está bem caro. Eu me lembro dessas fichas coloridas, qual a criança que não iria gostar de brincar com elas?  fr

domingo, 27 de junho de 2021

Mais um mundial para o Brasil: campeão da Liga das Nações

O Brasil conquistou, hoje, o título da Liga das Nações de Vôlei Masculino, ao vencer a Polônia, por 3x1 (22x25, 25x23, 25x16, 25x14). A Liga das Nações foi criada em 2018, substituindo a Liga Mundial, e esta é a terceira edição da competição, tendo sido vencida pela Rússia nos anos de 2018 e 2019; ano passado não foi disputada devido à pandemia de coronavírus. A Liga Mundial foi disputada de 1990 a 2017, em 27 edições e o Brasil dominou, tendo sido campeão nove vezes. Na disputa do terceiro lugar, a França venceu a Eslovênia por 3x0, e ficou com a medalha de bronze. A campanha vitoriosa do Brasil na Liga das Nações: 3x0 Argentina, 3x0 EUA, 3x1 Canadá, 0x3 França, 3x0 Japão, 3x1 Sérvia, 3x0 Países Baixos, 3x0 Bulgária, 3x0 Polônia, 3x2 Eslovênia, 3x1 Irã, 3x0 Austrália, 3x1 Itália, 3x0 Alemanha, 3x0 Rússia, 3x0 França e 3x1 Polônia. fr 

sábado, 26 de junho de 2021

Arbitragem comete erro absurdo e não valida gol de empate do Botafogo

O Botafogo foi prejudicado mais uma vez pelas arbitragens ruins. Hoje, perdeu para o Sampaio Corrêa por 2x0 no Estádio Castelão, em São Luís, no Maranhão. O árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima não validou um gol legítimo de Ronald, aos 11 minutos do segundo tempo, em que a bola entrou (e muito!). Veja o lance, abaixo. Seria o gol de empate! Na sequência, a bola foi jogada para escanteio. O bandeirinha deveria ter assinalado, até porque tinha a visão limpa. Uma vergonha! Na Segunda Divisão, não há a utilização do VAR, ou seja, o auxílio das imagens da televisão para dirimir dúvidas. Mas deveria ter! Com o empate, o jogo teria mudado totalmente, e o Botafogo teria mais tranquilidade para fazer o segundo. Perdendo, claro, o time foi obrigado a se lançar mais ao ataque, o que facilitou o adversário. Esta foi a primeira vez na história que o Sampaio Corrêa venceu o Botafogo (e com ajuda da arbitragem). Mas não foi a primeira vez no campeonato que o Botafogo foi prejudicado por erros de arbitragem. No final, ninguém vai querer saber disso, o que conta é o resultado. Uma vergonha! fr

quarta-feira, 23 de junho de 2021

O ateu

Um ateu estava passeando em um bosque, admirando tudo o que aquele "acidente da evolução" havia criado.

- Mas que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais! – lá  ia  ele dizendo. 
À medida que caminhava ao longo do rio, ouvia um ruído nos arbustos atrás de si. 
Ele virou-se para olhar. Foi então que viu um corpulento urso-pardo caminhando em sua direção. Logo disparou a correr mais rápido que podia. Olhou por cima do ombro e reparou que o urso estava demasiado próximo. Aumentou a velocidade! Era tanto o seu medo que lágrimas lhe vieram aos olhos. Foi então que tropeçou e caiu  desamparado. Rolou no chão rapidamente e tentou levantar-se. Só que o urso já estava sobre si, procurando pegá-lo com a sua forte pata  esquerda e, com a outra pata, tentando agredi-lo ferozmente.
Nesse preciso momento, o ateu clamou: - Oh meu Deus!.
Então o tempo parou. O urso ficou sem reação. O bosque mergulhou em silêncio. Até o rio parou de correr.  À medida que uma luz clara brilhava, uma voz vinda do Céu dizia:

- Tu negaste a minha existência durante todos estes anos, ensinaste a outros que Eu não existia, e reduziste a criação a um acidente cósmico. Esperas que Eu te ajude a sair desse apuro? Devo Eu esperar que tenhas fé em Mim ?"
O ateu olhou diretamente para a luz e disse:
- Seria, de fato, hipócrita da minha parte, pedir que, de repente, me  passes  a tratar como um cristão! Mas, talvez... possas tornar o urso cristão!?!?
- Muito bem! - disse a voz.

A luz foi embora. O rio voltou a correr.  E os sons da floresta voltaram. E, então, o urso  recolheu as patas, fez uma pausa, abaixou a cabeça e falou:
- Senhor, abençoe este alimento que agora vou comer. Amém!

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domingo, 20 de junho de 2021

Estátua de Jaiminho, o carteiro


Na série mexicana ‘Chaves’, de Roberto Bolaños, o carteiro Jaiminho orgulhava-se de dizer para todos que era de Tangamandapio, pequena cidade localizada no estado de Michoacán. E acabou por dar enorme destaque ao lugar, tanto que o personagem ganhou em 2012 uma estátua em sua homenagem. O carteiro estava sempre empurrando sua bicicleta, porque nunca tinha aprendido a usá-la, e aproveitava todas as oportunidades para entregar sua bolsa aos próprios destinatários para que eles procurassem suas cartas: “é que eu quero evitar a fadiga”. O ator que interpretou o personagem foi Raul Padilla. fr

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Russo é preso tentando contrabandear animais silvestres do Brasil

Os países mais ricos ficaram ricos às custas das riquezas dos países que se mantiveram pobres. Esta é uma triste realidade. Hoje, um biólogo russo foi preso pela Polícia Rodoviária Federal na rodovia BR-116, altura do município de Seropédica, no Rio de Janeiro, acusado de crime de biopirataria, ou seja tráfico de animais silvestres, com cerca de 200 animais vivos em sua bagagem de mão. Ele estava sem o seu passaporte, que já tinha sido retido pela Polícia Federal de São Paulo no início do ano. Os animais eram para ser levados para a Rússia para pesquisa: 50 aracnídeos de espécies variadas, 80 besouros, 25 sapos e 20 lagartos. O mercado ilegal de venda de animais silvestres rende milhões de dólares por ano, e institutos de pesquisa espalhados pelo mundo pagam muito a esses criminosos para contrabandear os animais. O russo foi encaminhado para a Polícia Federal do Rio, mas pagou fiança e responderá em liberdade; os animais a CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres). Esse criminoso não parece muito preocupado, já que é a sua segunda prisão apenas este ano. O Brasil é considerado o país com maior diversidade de flora e fauna do mundo, o que atrai a cobiça internacional. Animais e plantas são contrabandeados para países da Europa e Ásia, Estados Unidos, Rússia, entre outros, onde serão estudados para dar origem a uma série de produtos, como remédios e alimentos. Depois, esses produtos são registrados no exterior, e o Brasil é obrigado a pagar muito caro para importá-los. fr

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Os brinquedos (e a realidade) de antigamente eram bem diferentes!


Quando eu era criança, brinquei com um revólver de brinquedo como esse da foto, acima. Eram outros tempos, claro. Hoje em dia, a violência real é muito maior no país, infelizmente, e nem se vendem mais armas de brinquedos para crianças. Mas eu e milhares de crianças brincamos com revólveres de brinquedo e crescemos conscientes e sabendo que brincadeira é uma coisa, realidade é outra, muito diferente.
fr 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Quase 1000 pessoas foram vacinadas com lote fora da validade... nos EUA 😱😱😱

Leio na imprensa, hoje, que 899 pessoas foram vacinadas com doses contra Covid vencidas... na Times Square, em Nova Iorque, Estados Unidos. A vacinação ocorreu entre os dias 5 e 10 deste mês, no antigo prédio da NFL Experience, mas o lote das doses da vacina Pfizer estavam fora da validade, o que não foi verificado pelos responsáveis. Agora, todos as pessoas vacinadas estão sendo avisados pelos dados que informaram, seja telefone ou email, para agendar nova aplicação da vacina. Que situação absurda! Será que vão conseguir fazer contato com todos? Será que alguns não vão ficar dias e dias acreditando já ter sido vacinados? A empresa responsável pela vacinação, a ATC Vaccination, pelo menos tentou tranquilizar as pessoas, em nota, quanto a possíveis riscos de receberem doses fora da validade: “Pedimos desculpas pela inconveniência para aqueles que receberam o lote da vacina em questão e queremos que as pessoas, antes de mais nada, saibam que fomos informados de que não há perigo com a vacina que receberam.” E isso aconteceu nos Estados Unidos, exemplo de organização e seriedade, imaginem...  fr

terça-feira, 15 de junho de 2021

Recebi a primeira dose contra a Covid hoje! 😷😃

Hoje, pela manhã, fui a uma Clínica de Saúde próxima à minha residência e recebi a vacina contra a Covid-2019. A vacina aplicada foi a da Pfizer/BionTech. Até o momento em que escrevo, pouco após as oito da noite, não tenho sentido grandes reações. Posso dizer que sinto apenas uma dor no local, no braço direito, onde foi aplicada a vacina, mas nada muito forte. No momento em que a enfermeira aplicou a vacina eu senti uma dor e uma queimação de imediato, e acredito que tenha sido pela maneira que ela aplicou, talvez tenha atingido um músculo, não sei. Senti ao longo do dia também uma pequena dor de cabeça, que passou após tomar um analgésico, mas também não sei se foi uma reação à vacina, porque hoje eu já tinha acordado com dor de cabeça, que tinha passado também com um analgésico. Enfim, até o momento, não tenho passado por fortes reações, e espero que continue assim. A minha surpresa é que a vacina da Pfizer tem um prazo de quase três meses de intervalo para a segunda dose, assim como a vacina da AstraZeneca. Eu acreditava que seria de apenas um mês, como a da Coronavac. Eu li na internet que o prazo recomendado pela Pfizer é mesmo de 21 dias de uma dose para outra, mas o Ministério da Saúde do Brasil ampliou esse tempo. fr

segunda-feira, 14 de junho de 2021

"Cem anos de solidão", Gabriel García Márquez

“Cem anos de solidão”
, Gabriel García Márquez, tradução de Eliane Zagury; Rio de Janeiro, editora Record, s/ano, 395 páginas (Coleção Mestres da Literatura Contemporânea, vol. 3).
Este é considerado um dos mais importantes livros latino-americanos, lançado em 1967 pelo colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, pelo conjunto de sua obra, em 1982. A história se desenvolve no povoado fictício de Macondo, fundado por José Arcádio Buendía, e relata a sua vida e as de seus descendentes, marcadas por tragédias, desilusões e fracassos. O livro é uma sucessão de infelizes acontecimentos que vão se sucedendo ao longo das diferentes gerações da família Buendía: guerras, assassinatos, doenças, traições e relacionamentos sem amor. Fica aqui o registro da leitura. fr 

domingo, 13 de junho de 2021

Loco Abreu encerra carreira, e eu lembro o gol do título do Botafogo de 2010 😊

O atacante uruguaio Loco Abreu encerrou a carreira de jogador na sexta-feira, dia 11, jogando pelo Sud America, da segunda divisão do campeonato do Uruguai.  No jogo, o seu time perdeu por 5x0 para o Liverpool, e ele entrou aos 30 minutos do segundo tempo. Agora, seguirá como treinador. Experiência não lhe falta. Aos 44 anos, Loco Abreu jogou pela seleção uruguaia e em mais de 30 clubes, em onze países (Uruguai, Espanha, México, Argentina, Grécia, Israel, Brasil, Equador, El Salvador, Paraguai e Chile). Entre os títulos conquistados por ele, estão a Copa América de 2011, pelo Uruguai, e dois campeonatos nacionais pelo Nacional de seu país, em 2001 e 2005. Mas, para nós, botafoguenses, o título mais importante que ele conquistou foi o Campeonato do Rio de Janeiro de 2010. Naquele ano, o Botafogo foi campeão da Taça Guanabara e campeão da Taça Rio, na final em que o Loco Abreu fez o gol da vitória de 2x1 sobre o Flamengo, gol de pênalti e de “cavadinha”, em cima do goleiro Bruno. Sensacional! Assista ao vídeo. fr

sexta-feira, 11 de junho de 2021

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Frases interessantes da internet

Frases interessantes da internet, sem autoria informada:

76. “Não precisamos dar satisfações para quem não paga nossas contas.”

77. “Na vida tudo passa, mas nem tudo é esquecido.”

78. “Às vezes, nem somos capazes de reconhecer o valor de um amigo, de uma pessoa da família, ou simplesmente de alguém que nos quer bem, pelo fato de termos nos acostumado com elas.”

79. “O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver os seus sonhos.”

80. “O medo nos afasta das derrotas, mas das vitórias também.”

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Brasil vence o sexto jogo e segue líder invicto das eliminatórias para Mundial do Catar

       O Brasil venceu ontem o Paraguai, por 2x0, gols de Neymar e Paquetá, e chegou à sexta vitória nos seis primeiros jogos disputados pelas eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, ano que vem. A imprensa destacou a quebra de um tabu de quase 25 anos exatos. Desde a vitória do Brasil por 2x0 em Assunção, em 16 de junho de 1985 (gols de Casagrande e Zico), a seleção brasileira não vencia o adversário no Paraguai pelas eliminatórias de Mundiais. Foram quatro confrontos desde então, com duas vitórias paraguaias e dois empates.
       Mas, na transmissão do jogo de ontem, pela TV Globo, eu não ouvi ninguém dizer que existe outro tabu: o Brasil nunca perdeu para o Paraguai em casa em jogos de eliminatórias! Esqueceram de pesquisar. 😄😄O jogo de ontem foi bem melhor do que o de sexta-feira passada, contra o Equador. O Paraguai deu muito mais trabalho. Com mais uma vitória, o Brasil vai se aproximando rápido da vaga para o Mundial do Catar, e de manter a tradição de ser o único país do mundo a ter participado de todos os Mundiais.
       O Brasil está em primeiro lugar, com 18 pontos, seis à frente da Argentina e com o dobro de pontos do Equador, o terceiro. A seleção volta a jogar pelas eliminatórias no dia 2 de setembro, contra o Chile, fora de casa. Após o jogo, os jogadores da seleção brasileira divulgaram um “manifesto” em suas redes sociais, em que afirmam ser “contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira”. O posicionamento dos jogadores já era esperado, mas frustrou a maioria dos jornalistas, que o consideraram nada contundente.
       O comentarista Casagrande, da Rede Globo, considerou o manifesto vazio e acredita que não surtirá nenhum efeito prático. Ele defendia que os jogadores não disputassem a Copa América, e chegou a afirmar que, se fosse no tempo em que ele era jogador, ele se recusaria a jogar a competição. Casagrande disse que o faria em respeito às centenas de milhares de mortos pela Covid-2019 no Brasil, e por conta da pandemia, que ainda não está controlada no país. Leia a íntegra do manifesto logo abaixo.  fr

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FICHA TÉCNICA:
PARAGUAI 0 x 2 BRASIL
Data-Hora: 08-06-21 - 21h30
Estádio: Defensores del Chaco, em Assunção (PAR)
Árbitro: Patrício Loustau (ARG)
Assistentes: Ezequiel Brailovsky (ARG) e Gabriel Chade (ARG)
VAR: Mauro Vigliano (ARG)
Cartões amarelos: Gustavo Gómez, Alderete, Junior Alonso e Bareiro (PAR), Fred (BRA)
Gols: Neymar, 3/1T (0-1) e Lucas Paquetá, 47/2T (0-2)
PARAGUAI: Antony Silva; Alderete, Gustavo Gómez e Junior Alonso; Robert Rojas, Gastón Jimenez (Ávalos, 15/2T), Ángel Cardozo (Cardozo, 34/2T), Villasanti (Óscar Romero, 27/2T) e Azramendia; Almirón e Ángel Romero (Samudio, 34/2T). Técnico: Eduardo Berizzo
BRASIL: Ederson; Danilo, Éder Militão, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro, Fred (Lucas Paquetá, intervalo) e Neymar; Gabriel Jesus (Gabigol, 35/2T, Roberto Firmino (Douglas Luiz, 27/2T) e Richarlison (Everton Cebolinha, 36/2T). Técnico: Tite
Fonte: Lance!

Jogadores da seleção brasileira divulgam manifesto sobre a Copa América

terça-feira, 8 de junho de 2021

Frases: Érico Veríssimo


“Comunista é o pseudônimo que os conservadores, os conformistas e os saudosistas do fascismo inventaram para designar simplisticamente todo o sujeito que clama e luta por justiça social.” (Padre Pedro-Paulo, personagem do livro ‘Incidente em Antares’, de Érico Veríssimo, lançado em 1971)

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Tradicional Roxy é mais um cinema de rua a fechar no Rio de Janeiro

Leio, agora à noite, na imprensa, que o tradicional cinema Roxy, em Copacabana, fechado há meses devido à pandemia do coronavírus, não reabrirá mais, e o prédio, tombado, está à venda, por 30 milhões de reais. Fundado em 3 de setembro de 1938, o Roxy é um dos poucos cinemas de rua que ainda existem na cidade do Rio de Janeiro, e no Brasil. Eu já fui várias vezes assistir a filmes no Roxy, e lamento muito seu fechamento, torço que não se concretize. Infelizmente, os cinemas de rua que fecharam foram transformados em farmácias e em igrejas evangélicas, nada contra, mas precisamos, também, de cinemas, de cultura.  fr 

domingo, 6 de junho de 2021

Dica de filme: "Diamante de sangue"

DIAMANTE DE SANGUE (“Blood diamond”)
EUA, 2006, Drama
Direção: Edward Zwick
Com: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly
Serra Leoa, na Africa, é considerado um dos países mais pobres do mundo, apesar das riquezas em minérios existentes em seu território, como os diamantes. Nos anos 1990 e por mais de uma década, o país passou por mais uma das constantes guerras civis ocorridas no continente, com a Frente Revolucionária Unida (FRU) lutando para derrubar o governo. Durante esse período, a população civil sofreu com a extrema violência do conflito, marcado, inclusive, pela participação de crianças, que eram raptadas e obrigadas a participar da guerra, e a matar até mesmos os próprios pais. No filme, a aldeia de Solomon Vandy (Djimon Housou) é invadida pela FRU. Ele é enviado para trabalhar na mineração de diamantes, enquanto um de seus filhos é levado para ser treinado para lutar na guerra. Solomon encontra um diamante cor-de-rosa, um dos tipos mais valiosos do mundo, e consegue enterrá-lo, porém um dos guerrilheiros o vê escondendo o minério, antes do local ser atacado pelas forças do governo. Os dois são levados, junto com vários outros, para a cadeia, onde o membro da FRU ameaça Solomon, afirmando que o faria entregar o diamante. Danny Archer (Leonardo DiCaprido), um ex-mercenário, nascido no Zimbábue, também estava preso, e após ser solto, paga para que Solomon seja libertado e oferece a ele participação na venda do diamante, caso ele o leve até onde ele o escondeu. Danny é um contrabandista de diamantes, que são levados para a Europa, onde são vendidos para grandes empresas, que lucram milhões de dólares com a venda de joias produzidas com os chamados “diamantes de sangue”. Solomon aceita a ajuda, pensando apenas em localizar sua família. O filme mostra a hipocrisia dos governos e empresas de países ricos, que, publicamente, condenam os conflitos na África, mas se beneficiam ilegalmente de suas riquezas, acabando sustentando a continuação das guerras. Centenas de milhares de pessoas morreram na guerra civil de Serra Leoa, e outras centenas de milhares foram obrigadas a fugir do país. Em 2007, o filme foi indicado para cinco prêmios Oscar, incluindo os de Melhor Ator, para Leonardo DiCaprio, e de Melhor Ator Coadjuvante, para Djimon Hounsou; além do Globo de Ouro de Melhor Ator para DiCaprio.fr

sábado, 5 de junho de 2021

Brasil vence Equador e chega à quinta vitória em cinco jogos pelas eliminatórias do Mundial do Catar

Após mais de seis meses de interrupção, as eliminatórias sul-americanas para o Mundial do Catar, ano que vem, voltaram a ser disputadas. O Brasil venceu ontem o Equador, por 2x0, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e conseguiu a quinta vitória em cinco jogos. O jogo não foi bom para quem, como eu, gosta de futebol, já que os equatorianos estavam muito fechados, valeu pelos três pontos. O Brasil segue líder, invicto, com 15 pontos, quatro à frente da segunda colocada, a Argentina. O próximo confronto será na terça-feira, contra o Paraguai, em Assunção. O grande assunto, porém, no momento, é a Copa América. Colômbia e Argentina não quiseram sediar a competição, devido à pandemia do coronavírus, mas o governo brasileiro aceitou, provocando uma grande polêmica. De acordo com a imprensa, os próprios jogadores e treinadores de várias seleções não estariam querendo disputar a Copa América, temerosos pelos riscos da pandemia. O início está marcado para domingo, dia 13, em Brasília, com o jogo Brasil x Venezuela. fr
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FICHA TÉCNICA
BRASIL 2 x 0 EQUADOR
Data-Hora: 04-06-21 - 21h30
Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Árbitro: Alexis Herrera (VEN)
Assistentes: Carlos López (VEN) e Jorge Urrego (VEN).
VAR: Christian Garay (CHL)
Cartões amarelos: Fred, Éder Militão (BRA), Ángelo Preciado, Valencia, Ayrton Preciado, Domínguez (EQU)
Gols: Richarlison, 19/2T (1-0), Neymar, 48, 2T (2-0)
BRASIL: Alisson; Danilo, Marquinhos, Éder Militão e Alex Sandro; Casemiro, Fred (Gabriel Jesus, 16/2T) e Lucas Paquetá; Neymar, Richarlison (Fabinho, 45/2T) e Gabigol (Roberto Firmino, 30/2T). Técnico: Tite
EQUADOR: DomÍnguez; Ángelo Preciado (Fidel Martínez, 24/2T), Arboleda, Arreaga e Estupinán; Gruezo, Alan Franco, Méndez (Estrada, 38/2T); Mena (Cazares, 38/2T) e Ayrton Preciado; Valencia (Jordy Caicedo, 38/2T). Técnico: Gustavo Alfaro

(Fonte: Lance!)

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Artista italiano vende obra invisível por quase 100 mil reais

Mais uma que prova que não é só aqui, no Brasil, que as coisas mais absurdas e inacreditáveis acontecem, do tipo “isso só acontece no Brasil!”. O artista plástico italiano Salvatore Garau vendeu, em um leilão, uma obra por 15 mil euros ( o correspondente a 92.497,50 reais, na cotação de hoje, dia 5), batizada de ‘Lo solo’ (‘Eu sou’). Não seria nada demais, se a “obra de arte” não fosse invisível! Isso mesmo, ela não existe, ninguém a vê, ninguém pode tocá-la! O comprador receberá um certificado assinado pelo artista, que já expos suas obras, essas, sim, visíveis, em museus italianos. Ele chega a recomendar que a sua ‘Lo solo’ deve ser “exposta” em local “livre de qualquer obstrução, em espaço com 1,5 metro de altura por 1,5 metro de largura”. Sensacional! Realmente, tem gente para tudo nesse mundo. Inclusive para comprar uma obra que ninguém poderá ver! fr

quinta-feira, 3 de junho de 2021

"A carteira" (Machado de Assis)

Conto publicado em 1884, no jornal “A Estação”, do Rio de Janeiro.

A Carteira

Machado de Assis

DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:

-- Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.

-- É verdade, concordou Honório envergonhado.

Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.

-- Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.

-- Agora vou, mentiu o Honório.

A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, cm que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.

D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.

Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.

-- Nada, nada.

Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A idéia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com, trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal, e a más horas.

A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao enfiar pela Rua. da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando.

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, -- enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.

Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte; calculou uns setecentos milréis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.

Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio. Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do acha- do, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.

"Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar- me do dinheiro," pensou ele.

Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele.

A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dous empurrões, mas ele resistiu.

"Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer."

Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa.

-- Nada.

-- Nada?

-- Por quê?

-- Mete a mão no bolso; não te falta nada?

-- Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou? -- Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.

Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.

-- Mas conheceste-a?

-- Não; achei os teus bilhetes de visita.

Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.

(Créditos: domínio público.gov.br)